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Odemira · Portugal Igreja

Eis o que em data de 2 de dezembro nos dizem d’esta villa: Festejou-se hontem n’esta villa o anniversario da nossa independencia: foi um dia de completo regosijo. Antes de romper a manhã, a banda d’esta villa tocou, nos logares mais publicos lindas peças, tendo o primeiro logar a alvorada; conjunctamente se dispararam muitos tiros e foram ao ar alguns foguetes. Em seguida teve logar na egreja da Misericordia uma missa, e ao meio dia celebrou-se outra na egreja do Salvador por instrumental e vozes com o sagrado Sacramento exposto, e orou o revd.º Borges Junior que n’um pequeno discurso mostrou o quanto tinha sido glorioso para os portuguezes o dia 1.º de dezembro de 1640. Á tarde subiu ao ar um lindo balão, sendo tambem este acto acompanhado pela musica, e ao qual assistiu numeroso povo. E para completar tão festejado dia, levou-se á noite, á scena, o drama A Pobre das ruinas, cuja distribuição de papeis foi a seguinte—Ismael (A. J. Botelho), D. Fernando (A. V. da Silva), D. Nuno (A. M. de Almeida), Abunelecleto (J. Filippe), D. Leonor (M. Victoria), Ignez (Daniel), Mafalda (dr. Abel), Pedro (Anastacio), etc. O desempenho foi bom, o que prova bem o gosto que os odemirenses teem para o theatro devido em grande parte aos esforços do digno ensaiador. Tambem foi á scena a farça O diabo atraz da porta. Os festejos foram feitos por subscripção, e a musica dirigida pelo sr. Carvalho, assistiu com promptidão e gratuitamente a todos os actos. Os srs. priores d’esta villa, á excepção do prégador, assistiram gratuitamente a esta festa national, bem como os de S. Theotonio e Santa Clara. Pode-se afoitamente dizer que as aspirações dos odemirenses são—patria e liberdade!!!