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Artigo

Odemira 31 de agosto de 1869. Sr. redactor

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Odemira · América · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta

No numero 452 do seu mui lido jornal, dissemos que o espirito dos odemirenses estava seve^ameute pvenuiciado contra o sr. Z de Odemira. Não nos surprehendeu a sua resposta á nossa proposição, que logo comprovaremos : já a esperavamos porque sabemos do muito de que é capaz e de quanto é façanhudo o sr. Z. Antes de entrarmos em matéria requer o assumpto, que saibamos quem é o sr. Z. Será por ventura alguma zebra? Talvez ; pelo indomável e insociável, como sempre se tem mostrado o sr. Z assim nos quer parecer, porque tem muita analogia com aquélle animal, que ainda ninguém poude trazer ao caminho da educação e da domesticidade. Quem sabe se será alguma Aorra ? Bem o parece, porque bastantes pontos de contacto tem o sr, Z com aquel- le bicho, queé manhoso, astuto e matreiro como talvez nenhum outro em toda a escala zoulogh a. Passando dos animaes para homens ainda uma vez perguntamos: será o Z algum zoilo ? Muito o parece porque nos seus escriptos sempre se tem revelado a sua ciilica satyrica e injustas censuras. Finalmente será algum novo Zuiwglio ? Assim o tem mostrado nas heresias, que sempre tem commetlido contra o bom senso e contra a sua própria dignidade. Mas não, sr. redactor; á primeira vista se nos dá a conhecer, quem é o ar Z : e# digito gigans pelo dedo se conhece o gigante. Muito bem conhecem todos os ode* mirensos quem é o sr. Z e por conhecei*o perfeitamente lhe dão o despreso que merece. Não ha que aventar juízos temerários porque todos couberem o sr. Z. Agora no Bej^nse de boje, vem o sr. Z com uma pergunta a tempo, em que cheio de imprudência, mentindo á sua própria consciência, quer saber quem é que está indignado contra o sr. Z. Quer saber quaes são as pessoas que tem reprovado o seu mudo indecoroso de se desagravar d’uma injuria ? Conte os habilanks de>la villa, e quantos furem, lautos serão os que teem levado a mal o seu procedimento e n'este numero pôde contar os seus amigos. Sem excepção, Iodas as pessoas honradas teem asperamente censurado a maneira pouco delicada e airosa como por aquelle sr. km sido tractadas questões no tribunal auguro da imprensa, onde só devia imperar h cordura e onde nunca deviam ser ultrapassadas as mias d» boa educação e do comme dtmeulo. Diz-nos o sr. Z, quasi no fim do seu arrasoado : — «que vive com todos os odemireQses e pur todos é ©bsfequiado com mais ou menos vunlade»—Disso uma duríssima verdade o snZ. Assim é : com mais ou menos vontade, porque se os udemi- ren^es tivessem a cara estanhada e nâo tivessem pundonor e brio cumo o sr. Z, já a esla hora o sr. Z leria demandado a America para ali marrar com os pretos e pentear macacos. Os odemirenses são du- tadusde bons seíiiimenUs e d uma pacien* ria Fem hmiltes» e se o sr. Z seguisse os exemplos dos seus conterrâneos, de certo sei ia mais prudente nas suas publicações de interesse particular. O sr. Z esquece-se que tem semeado ventos e que a colheita não pôde ser senão de tempestades: espere por elías que as lerá... Bom seria que se fosse lembrando de Santa Barbara e S. Jeronimo advogados contra as trovoadas; e a que está eminente sobre a cabeça do sr. Z pôde pôde muito bem ser que seja Umerusa» Acceitamos o repto com toda a satisfação. Sempre nos ha de achar quando nos procurar. Não regeitamos a guerra seja de quem fôr, seja com que a> mas fôr. Não nos amedrontam os golpes subtis do escalpelo da critica, nem tão pouco os golpes pesados e rudes do machado da maledicência. Sr. redactor, tenho que pedir a v. o ao publico, que nos desculpem a linguagem pouco própria para se dar á estampa : ha cnmtudo casos, em que é preciso descer até aos abjectos e faltas de vergonha para lhes fazer sentir o látego da correcção. y.