Casamento real
Diz-se que as esquadrilhas que hão de acompanhar ao porto de Lisboa a joven rainha de Portugal sahirão de Gênova amanhã ou depois, devendo estar no Téjo segunda ou terça feira da próxima semana. Espera-se que a bordo da esquadrilha virão o príncipe real de Italia Humberto Renier Carlos Manoel João Maria Fernando Eugênio, e o príncipe Amadeo Fernando Maria, duque de Aoste. O rei da Bélgica manda um enviado extraordinário para assistir ao consorcio. O sr. João Ozeroff, ministro da Rússia na capital, recebeu ordem para assistir como emissario extraordinário do seu monarcha a tão faustoso enlace. Esperam-se também enviados da França, Inglaterra, Hespanha e Prússia. A corveta Imperial Marinheiro da marinha brazileira, se se realisarem os desejos vehementes da sua illustre officialidade, estará ainda nessa occasião nas aguas do Téjo. Os sete arcos levantados nas ruas por onde ha de transitar o regio cortejo, desde o Corpo Santo até á rua que conduz ao palacio da Ajuda, estão adiantadíssimos. O da companhia do gaz fica muito elegante; mas o da associação commercial é sumptuoso. As obras do terreiro do Paço progridem activamente. Já está posta parte da guarnição do terraço do torreão do lado oriental da praça. É pintura sobre madeira, mas, de perfeição tal que se nos apresenta á vista como a da pedra do torreão opposto. Já hoje começaram a pôr-se ornamentos e grinaldas de buxo e flores nos mastros do pavilhão e galerias e nos da entrada das ruas. A tribuna de madeira feita nas janellas das repartições do lado occidental, é que nos parece dever ficar muito feia e anti-artistica, porém de accordo com as que costumam fazer-se. O interior da egreja de S. Domingos fica vistosamente adornado. Diz-se que a entrada alli no dia do consorcio do rei de Portugal será por meio de bilhetes. Esses, se isto é verdade, hão de ser distribuídos a certas e determinadas pessoas e classes, de sorte que o povo não poderá assistir á festa do seu rei, que é tão sua como das classes de mais elevada gerarchia. Achamos muito desarrazoado tal alvitre, se elle se adopta, e esperamos que se reconsidere, e que todas as classes possam entrar naquelle templo em dia e festa de tanto jubilo. Com precaução e policia bem entendida não ha de, estamos certos disso, haver nenhum acto de menos respeito pelo facto de a multidão atulhar o templo; antes isso será motivo de supremo regosijo para os que lá forem. Também sabemos que se tem monopolizado a distribuição dos bilhetes para as galerias do terreiro do Paço, e que nem da imprensa se lembraram para a contemplar com um convite, tendo uso considerar em taes actos esta corporação, que além do acatamento que lhe é devido pelo que ella representa, é ella que observa e registra os pormenores destas solemnidades nacionaes para os transmittir ás mais remotas terras da monarchia, e os deixar archivados para os tempos porvir. A camara decerto pensará ainda nisto, e resolverá o que é de justiça. (Revol. de Setembro.)