Noticias de Odemira
Em data de 20 do corrente dizem-nos o seguinte: Foi hontem á scena no theatro desta villa o drama A coroa hereditaria ou o perigo dos [ilegível], cuja distribuição de papeis foi a seguinte: Rei (doutor Abel), Serenon (A. J. Britelho), Kronos (A. M. d’Almeida), Brandi (J. Filipe), Eric (A. Vicente), Christina (Maria Victoria) etc. O desempenho foi bom, admiravel até para curiosos. O theatro, já bem fornecido de scenas, resentia-se todavia muito da falta de guardaroupa; esta falta porém, graças aos esforços do dignissimo presidente da sociedade odemirense, o sr. Henrique da Silva Ribeiro, foi posto em scena a Coroa hereditaria, com novos enfeites falsos, em que gastou mais de 100$000 reis; não contando a comedia de Zé Castreiro, cuja despeza foi por conta do dito presidente. Hontem uma enchente real, e todos os espectadores numero superior a 500 sairam do theatro uns satisfeitos do bom desempenho do drama. Tambem foi á scena, a farça: Zé Canoto. Para o bello scenario e bom guardaroupa que hoje tem este theatro, precisa de mais algum na caixa e accommodacões que muito necessarias tornam; dizem-nos que a benemerita direcção que tem a gerencia da sociedade, a cuja frente está o sr. dr. Abel, tem em vista o alargar o theatro e fazer outros arranjos indispensaveis; acha possuída dos maiores desejos para que o nosso theatro, com quanto pequeno, seja um dos primeiros do districto. Oxalá que os mesmos cavalheiros que compõem a direcção sejam secundados e ajudados nos seus esforços para obra necessaria e util. Aos curiosos damos-lhe os nossos parabens e pedimo-lhes que continuem no seu caminho progresso e illustração odemirense.