CORRESPONDÊNCIAS—Ourique 29 de março de 1870. Sr. redactor
Rogo a v. queira dar publicidade a estas mal traçadas linhas no seu muito acreditado jornal; as quaes só teem o fim de levar ao conhecimento da auctoridade competente, os abusos que se estão dando em esta villa, que muito prejudicam os indivíduos que vivem da vida commercial, pagando estes as respectivas contribuições, e todos os mais encargos que pede o município; pois que ha aqui muitas casas particulares que vendem a retalho todos os generos alimentícios, taes como, azeite, fárinha, feijão, loicinho, carne ensaccada, etc., sem que estas estejam munidas da competente licença, aferição de pesos e medidas, igualmente não pagam um rei de contribuição para a fazenda nacional por tal trafico; parecia-me portanto que as auctoridades administrativas d’este concelho, e empregados de fazenda, deveriam fiscalisar, e obstar que taes abusos se dessem; mas como infelizmente aqui não ha senão comparisse, e falta de independencia, corre tudo á vontade de certa gente; mas o que é mais para lamentar? É o que devendo estes ser os primeiros a evitar abusos de tal ordem; são sim os primeiros, mas é a dar o exemplo! Hoje sr. redactor. assim é que se paga a quem nos dá o pão de cada dia: portanto peço ás dignissimas auctoridades superiores do districto prestem a sua attenção sobre tal rumo de serviço, fazendo com que de futuro não se repitam taes abusos, e que a lei seja egual para todos. Pela publicação d’este lhe ficará summamênte agradecido Um negociante.