Voltar ao arquivo
Artigo

Festa do Sacramento

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaBanda militarBeneficênciaCostumes e hábitosCulto e cerimóniasFeirasFestas religiosasGoverno civilIncêndiosIrmandades e confrariasNomeaçõesNomeações eclesiásticasPobres e esmolasPrisõesProcissões
Governo Civil

A expensas da irmandade de S. João se celebrou este anno com a costumada pompa a solemne festividade do SS. Sacramento. Nos tres dias de festa houve missa por musica vocal e instrumental e na tarde de sabado vesperas. A orchestra era composta da philarmonica bejense; as vozes as melhores da capital. Á porta do templo tocava a banda do regimento 17 ao começar e terminar a festa em cada um dos tres dias. As autharidades ecclesiasticas, civis, militares e judici aes assistiram á festividade nos seus competentes lugares. As irmandades estavam, como de costume, nas suas respectivas bancadas. Centenares de pessoas de todas as gerarchias enchiam o templo. Pregaram os reverendos padres M. H. de Menezes Feio, Malta Veiga, dr. Emigdio e dr. Boavida; todos os oradores souberam elevar-se á altura do assumpto. No sabado foi queimado no largo de Santa Catharina um lindo fogo de artificio. No domingo depois da missa foi conduzido processionalmente o jantar aos presos. Rompia o préstito a cruz da irmandade e seguiam-se 167 alcofas com carne, pão, arroz etc. etc. As dignidades das quatro irmandades do SS. Sacramento, o ex.mo governador civil, secretario geral, visconde da Boavista, conde d’Avilez, juiz de direito, delegado do procurador regio e commandante do 17, levando as insignias fechavam o préstito. Pelas seis horas sahio a procissão. Levava os dois riquissimos andores de prata da communidade da Conceição e mais os de Santo Antonio, S. João, Santo Amaro, Nossa Senhora dos Prazeres, e Nossa Senhora do Carmo. Cada um andor era precedido de um anjo. Apoz os andores seguiam-se 11 padres revestidos de pluviaes e o pallio sob o qual conduzia a Custodia o reverendo prior de S. João. No préstito iam 477 irmãos e fechava-o uma guarda do regimento 17 precedida da sua banda. Depois de recolher a procissão e de conduzidos para o convento os andores, foi a irmandade de S. João dar a posse á de S. Thiago a quem compete para o anno a festividade. No acto da posse queimaram-se cem duzias de foguetes. Na segunda feira foi á cadeia a irmandade de S. Thiago distribuir aos presos uma avultada esmola.