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Guerra—No dia 19 verificou-se a abertura do reichstag da confederação da Allemanha do Norte. O rei Guilherme proferio o seguinte discurso: «Honrados membros do reichstag da confederação da Allemanha do Norte.—No dia em que, por occasião da vossa ultima reunião, desejei a vossa chegada em nome dos governos confederados, pude, com uma gratidão misturada de alegria, testemunhar que, com o auxilio de Deus, os nossos esforços tinham sido coroados de bom exito, porque tivemos sempre em vista corresponder aos votos dos povos e ás necessidades da civilisação, obstando assim a qualquer perturbação da paz. Se as ameaças de guerra e um perigo de guerra, impôz aos governos confederados o dever de convocar-vos para uma sessão extraordinária, em vós como em nós existirá sempre viva a convicção de que a confederação da Allemanha do Norte se applicou a utilisar a força popular da Allemanha, não para pôr em risco a paz geral mas para lhe dar um auxilio poderoso; e que se, actualmente appellamos para esta força popular, afim de proteger a nossa independencia, obedecemos tão sómente á voz da honra e do dever. A candidatura de um principe allemão ao throno de Hespanha, candidatura que em todas as circumstancias foi inteiramente estranha aos governos confederados, e que, para a confederação da Allemanha do Norte, não tinha outro interesse senão o de ver que o governo de uma nação amiga ligava a ella a esperança de poder servir para uma paz ha muito agitada de penhor a um governo regular e pacifico—essa candidatura deu ao governo do imperador dos francezes o pretexto de estabelecer um caso de guerra por um modo havia muito desconhecido nos usos diplomáticos, e, depois da desapparição do pretexto, de sustentar esse caso de guerra como desprezo do direito que tem os povos aos beneficios da paz, e de que a historia dos soberanos anteriores da França, offerece exemplos analogos. Se em séculos passados, a Allemanha supportou silencioso essas offensas ao seu direito e á sua honra, mas não as supportou certamente senão porque, na sua decadência e desunião, não tinha a consciencia da sua força. Hoje que o laço de uma união moral e legal, laço que as guerras da independencia começaram a fundar, liga em uma só família, como uma harmonia tanto mais intima, quanto fôr mais duradoira, os membros da família allemã; hoje que os armamentos da Allemanha não deixaram porta aberta ao inimigo, a Allemanha tem em si propria a vontade e a força de se defender contra as novas violências da França. Não é o orgulho que me dicta estas palavras. Os governos confederados, assim como eu, procedem com a intima convicção de que a victoria e a derrota estão no poder do Deus das batalhas. Temos, com olhar sereno e claro, medido a responsabilidade que, perante o juízo de Deus e dos homens, cabe ao que impelle para as guerras devastadoras dois grandes e pacificos povos, que habitam no proprio coração da Allemanha. O povo allemão e o povo francez, estes dois povos que gosam no mesmo grau os beneficios da civilisação christã e de uma prosperidade crescente, e que aspiram a esses beneficios, são chamados a uma lucta mais salutar que a lucta sanguinolenta das armas; porem os homens que governam a França teem sabido, por uma política refalsada, explorar em proveito de seus interesses e de suas paixões pessoas, o amor proprio legitimo, mas irritável, do grande povo nosso visinho. Mas se os governos confederados tem a consciencia de terem feito tudo o que a sua honra e a sua dignidade lhes permittiam fazer para conservar na Europa os beneficios da paz, é evidente aos olhos de todos, que se desembainhamos a espada é porque temos grandissima confiança em que apoiando-nos na vontade unanime dos governos allemães do Sul como do governo do Norte, nos dirigimos ao patriotismo e á dedicação do povo allemão, para o convidar á defensa da sua honra e da sua independencia. Seguindo a exemplo de nossos paes, combateremos pela nossa liberdade e pelo nosso direito, contra a violência de um conquistador estrangeiro, e, n’esta lucta em que proseguiremos sem outro intuito senão o de assegurar á Europa uma paz duradoura, Deus será comnosco assim como foi com os nossos paes.»