A maçonaria em Versailles e em Paris
A commissão dos franco-maçons foi recebida á noite pelo sr. Thiers. Declararam-lhe que não eram homens politicos e que a sua missão só tinha por fim a conciliação. Thiers respondeu que só desejava a conclusão da guerra civil, mas que a França não podia capitular em frente de um punhado de insurgentes, e concluiu dizendo que deviam dirigir-se á communa para que ella restitua a paz á capital. Tinha-se ordenado que não fizessem fogo sobre as muralhas de Paris, no caso de apparecer a bandeira branca dos franco-maçons. Estes haviam annunciado a ida de alguns parlamentados a Versailles. Depois da resposta do sr. Thiers, os franco-maçons voltaram para a communa fazendo lembrar aquelles populares do Alfageme que tão depressa acclamavam D. João de Portugal como davam vivas a D. João de Castella. Vejamos agora o que se lê no Jornal official de Paris: «Os membros da communa receberam uma deputação de franco-maçons, a qual lhe declarou que tendo esgotado todos os meios de conciliação com o governo de Versailles, a franc-maçonaria tinha resolvido arvorar os seus estandartes nas muralhas de Paris, e que bastava serem roçados por uma só bala para que os Ir. marchassem impellidos pelo mesmo impulso contra o inimigo commum. O Ir. Terréfe declarou que desde o primeiro dia em que se organisou a communa a franc-maçonaria comprehendeu logo que ella seria a base das reformas sociaes. É a maior revolução, disse elle, que jamais foi dado ao mundo contemplar. «Se os franco-maçons não quizeram operar no começo do movimento é porque esperavam obter a prova de que o governo de Versailles não queria attender a nenhuma conciliação. E com effeito, como se poderia suppor que os criminosos quizessem acceitar uma conciliação qualquer com os seus paizes?» Numerosos gritos de: Viva a communa! Viva a franco-maçonaria! Viva a republica universal! Responderam ao orador. Um membro da communa, o cidadão Jules Vales, offerece a sua banda ao Ir. Terréfeque, o qual declara que este emblema ficará nos archivos da franco-maçonaria, como recordação d’este dia memoravel. O Ir. V. da Rosa escosseza, annunciou que a communa, novo templo de Salomão, é a obra que os I. M. devem ter por fim, quer dizer, a justiça e o trabalho como base da sociedade. A deputação composta de mais de dois mil franco-maçon, engrinaldou o seu estandarte com a banda do cidadão J. Vales, e retirou-se levando uma bandeira vermelha depois de duas triples baterias do rito francez e escocez.