Substituto
O exm.º sr. dr. José Ferreira Lima foi chamado a fazer parte da camara em consequencia do presidente o exm.º sr. dr. Manoel Martins Sant’Anna estar licenciado por quatro mezes.
O exm.º sr. dr. José Ferreira Lima foi chamado a fazer parte da camara em consequencia do presidente o exm.º sr. dr. Manoel Martins Sant’Anna estar licenciado por quatro mezes.
Já foram encommendados pela camara á fabrica do sr. Bachelay, os candieiros de columna para a praça de Jacinto Freire de Andrade.
Foi nomeado advogado da camara municipal d’esta cidade, o sr. dr. Antonio Guerreiro Faleiro.
O fundador d’este jornal o sr. Antonio Ignacio de Sousa Porto está de lucto, succumbindo hontem depois de longo padecimento sua sogra. Damos-lhe os nossos sinceros pesames.
No sabbado 29 do mez findo, pelas 12 horas da noite, foi assaltada a casa de Simão Corvo. Felizmente os ladrões não puderam levar a cabo o seu plano, devido a uma criança que, vendo os salteadores em cima do telhado chamou pela mãe, que estava dormindo e esta acordando aos gritos da criancinha, viu a casa destelhada na direcção da cama e um homem diligenciando entrar. O marido não estava em casa e a pobre mulher se não tem a deliberação de gritar por soccorro aos visinhos seria victima. Aos gritos afflictivos da mulher acudiram os visinhos e os ladrões evadiram-se.
Foi nomeado juiz ordinario do julgado de Alvito o bacharel sr. Julio Augusto de Sousa Bandeira.
Continua a reparação do campo de Oliva e a limpeza do mesmo campo. Na segunda feira recomeçaram as obras da praça de Jacinto Freire. No tribunal judicial tambem andam obras e bem assim na repartição do celleiro commum.
As de Serpa foram entregues á camara municipal. Deu a posse ao municipio o engenheiro d’esta divisão.
Foi nomeado engenheiro d’esta divisão o sr. tenente Firmino.
Abrem-se no dia 15 as audiencias geraes.
Está completo o telhado da capella dos Terceiros e muito adiantada a obra da egreja. A construcção das latrinas começa brevemente.
É regular o estado sanitario dos gados e com as chuvas que tem cabido posto que em pequena quantidade os trigos e cevadas têem melhorado. Apparecen o oidium.
Deu no domingo, como noticiámos, espectaculo no theatrizinho do sr. Sousa Porto, a sociedade Thalia. Os curiosos andaram muito regularmente e receberam bastantes applausos.
Na quarta feira teve exercicio o regimento 17 de infanteria. Commandou o sr. tenente coronel Pessoa.
Eis o novo horario da linha do sueste a começar do dia 15. De Lisboa a Beja: Partida do vapor ás 6 horas da manhã; Chegada a Beja ás 1 hora e 7 m. da tarde. De Beja a Lisboa: Partida do comboyo ás 6 horas e 40 m. da m.; Chegada a Lisboa ás 1 hora e 48 m. da tarde. De Beja a Cazevel: Partida do comboyo ás 1 hora e 40 m. da tarde; Chegada a Cazevel ás 3 e 44 da tarde. De Cazevel a Beja: Partida do comboyo ás 5 horas e 10 m. da tarde; Chegada a Beja ás 7 e 58 da tarde. De Beja a Quintos: Partida do comboyo ás 1 hora e 34 m. da tarde; Chegada a Quintos ás 2 e 20 da tarde. De Quintos a Beja: Partida do comboyo ás 5 horas e 31 m. da m.; Chegada a Beja ás 6 e 26 da m. Os comboyos de Beja para Quintos sahem aos sabbados e domingos, e os de Quintos para Beja aos domingos e segundas feiras.
Na sua ultima sessão a camara decidiu que se nomeasse um guarda effectivo para o poço de Aljustrel.
No domingo, tocou no campo de Oliva, das 5 e meia ás 7 e meia da tarde, a banda do regimento 17 d’infanteria. A concorrencia de senhoras e cavalheiros foi numerosíssima.
Recebemos e agradecemos um folheto que tem por titulo—Memoria acerca dos negocios publicos da Ilha de S. Thomé, contendo documentos comprovaticos da legalidade de todos os actos praticados pelo activo, probo e intelligente governador da provincia de S. Thomé e Principe e suas dependencias Pedro Carlos d’Aguiar Craveiro Lopes, capitão tenente da armada e academico muito distincto.—O folheto é dedicado ao sr. ministro da marinha e defende cabalmente o sr. Craveiro Lopes.—É auctor do folheto o sr. Manoel Ferreira Ribeiro.
Tambem recebemos e agradecemos o volume primeiro da Bibliotheca do viajante. É um romance intitulado A fada de d’Aulend. É seu auctor Ponson du Terrail e traductor o sr. Pinheiro Chagas. Citados estes nomes está feito o elogio da obra.
Londres, 10,—As tropas de Versailles tomaram o forte de Issy com 100 peças e todas as munições. O forte de Vanves está em chammas. O bombardeamento do Point du Jour, Passy e Auteuil, pelas baterias de Montretout e do Mont Valerien, é tremendo. As baterias dos insurgentes estão calladas e espera-se o ataque geral. As tropas de Versailles occuparam a aldeia de Boulogne, sem resistencia, e muitas posições de importancia tem sido tomadas em Billancourt.
Versailles, 10,—No forte de Issy foram aprisionadas 119 peças de artilheria e 10 na povoação. Devem hoje ser levadas para Versailles 50. Encontraram-se no forte de Issy muitas munições, viveres e aguardente com tabaco de infusão. Este preparado servia para excitar os guardas nacionaes, mas tinha o inconveniente de tornar mortaes todas as feridas. Confirma-se a noticia de que toda a guarnição fugiu por uma trincheira que não fora descoberta. Affirma-se que a tomada do forte de Issy e os estragos consideraveis causados pela bateria Montretout, produziram grande panico entre os insurgentes. Ao canhoneio de Montretout responderam debilmente as baterias confederadas. Os trabalhos de aproximação encaminham-se rapidamente ás muralhas.
Londres, 11,—O bombardeamento dos fortes e bastiões continua com vigor; os fogos dos fortes de Vanves e Montrouge foram calados pelas baterias do forte de Issy, e tambem foram reduzidos ao silencio tres bastiões pelas baterias de Montretout. No forte e aldeia de Issy foram capturados 119 prisioneiros insurgentes. Rossel resignou o cargo de ministro da guerra porque o poder está dividido; mas ainda commanda, e dizem que será feito dictador militar com poder absoluto. Em Francfort foi assignado o tratado definitivo da paz. O principe de Bismark prometteu facilitar o emprestimo francez de quinhentos milhões de francos dos banqueiros allemães.
Proclamação do governo de Versailles aos parisienses—«A França livremente consultada elegeu um governo que é o unico legal e o unico que pode exigir a obediência, se a palavra governo não é uma palavra vã. O governo concede-vos as mesmas franquias municipaes que concedeu a Lyon e a Marseille. Não podeis portanto pedir direitos mais amplos. A minoria que vos opprime pretende impor á França as suas violencias, ataca a propriedade, prende os cidadãos, suspende o trabalho, detem a prosperidade, atraza a evacuação dos allemães do territorio, e expõe-vos a novos ataques da parte d’aquelles que se declaram dispostos a suffocar a insurreição sem considerações, se nós não soubermos dominal-a. Offerecemos perdoar a vida aos que depuzerem as armas; continuaremos a soccorrer os operarios necessitados; mas é preciso que a insurreição termine, pois não póde prolongar-se sem que a França pereça. O governo teria desejado que vós mesmos vos tivésseis libertado dos vossos tyrannos; visto que não podeis fazel-o, é preciso que elle se encarregue d’isso. Até agora tem-se limitado a ataques contra as obras exteriores. Chegou o momento de abreviar o vosso supplicio, e deve atacar-se o recinto. Não se bombardeará Paris. O governo limitar-se-ha a forçar uma das portas, e a reduzir a um unico ponto os estragos d’esta guerra, da qual não é responsável. O governo sabe, e comprehendeu-o antes que lh’o indicasseis, que assim que os soldados entrarem o recinto, vos unireis á bandeira nacional. De vós depende prevenir os desastres do assalto, pois que sois cem vezes mais numerosos que os partidarios da communa. Reuní-vos portanto, abri todas as portas, e cessará o carnicio, serão restabelecidos o socego e a ordem, voltará a paz e a abundancia, os allemães evacuarão o territorio, e desapparecerão os vossos males. Parisienses, pensae-o bem. Seguramente, dentro de poucos dias estaremos em Paris. A França quer pôr termo á guerra civil; quer, e deve, e pôde fazel-o. Trabalha para vos libertar. Vós podeis contribuir para o vosso salvamento, tornando inutil o assalto, e occupando desde hoje o vosso posto no meio dos vossos concidadãos e irmãos.»
As forças de que actualmente se compõe o exercito de Versailles são as seguintes: Artilheria—Quarenta e seis baterias de todos os calibres; oito baterias de metralhadoras; sessenta peças de marinha chamadas de posição, e tres baterias de obuses de montanha. Um pessoal sufficiente em tudo serve estas baterias e os cavallos que as arrastam são excellentes. Infanteria—Quarenta e cinco regimentos de infanteria; dez batalhões de caçadores; dez companhias de engenheiros; um regimento da guarda republicana d’infanteria e outro de gendarmes de infanteria. Cavallaria—Um regimento da guarda republicana; quatro regimentos de caçadores; dois de lanceiros; dois de hussards; dois de couraceiros e dois de gendarmes. Reserva—Mais de 60:000 homens de todas as armas. Com quanto os diarios de Versailles não dêem o numero exacto dos soldados que operam contra a communa, sabe-se que se elevam a 150.000.
Resposta de Thiers aos delegados dos maires de França—Juntaram-se no dia 22 de abril em Vincennes varios maires, adjuntos e conselheiros municipaes de Paris e foram dias depois a Versailles propor ao sr. Thiers suspensão de armas, estabelecimento das franquias municipaes, e que não houvesse represalias. O sr. Thiers declarou-lhes que a sorte da republica dependia do procedimento dos republicanos, que a republica existe e elle, simples cidadão, ha de mantel-a. Já deu a sua palavra e não falta a ella. A maioria recebeu mandato monarchico, mas tem a prudencia de entender que a republica é hoje a melhor fórma de governo para a França. O caso está em que haja ordem e possa haver trabalho que os defensores especiaes da republica estão impedindo. Accrescentou que a assembléa era das mais liberaes; mais liberal que elle. A lei municipal é obra d’ella. Thiers não a faria assim. A assembléa agora não póde conceder mais. O suffragio universal é o meio legal de obter tudo. Não é possivel conciliação entre o governo legal, e a desordem e a rebellião, fomentadas por estrangeiros. O governo é humano e generoso. Trata bem os prisioneiros. Perdoa a todos, excepto aos assassinos. Estou prompto a consentir que por uma porta de Paris saia quem quizer durante tres ou quatro dias. Podem dizer isto aos homens da communa, mas não prometto outras concessões, nem consinto em lhes reconhecer o caracter de belligerantes. Isto passou-se no dia 25. No dia 26 foram os delegados á communa e fallaram com Paschal Gousset, ministro dos estrangeiros, o qual lhes disse que Versailles não precisa conciliação, e a communa estava prompta a acceital-a em tanto que triumphassem os principios que sustenta com as armas na mão. O governo da communa é mais regular que o de Versailles que foi organisado no paiz estando sujeito aos estrangeiros. Á vista disto os delegados Couttin, Genevulx, Jacquel, Lecresnier presidente, Leplanquies, Létellier e Minut secretarios, e Ibudot e Rouget de Lisle declararam que á vista das respostas de Versailles e de Paris o terreno da conciliação não está preparado para os seus esforços.
A commissão dos franco-maçons foi recebida á noite pelo sr. Thiers. Declararam-lhe que não eram homens politicos e que a sua missão só tinha por fim a conciliação. Thiers respondeu que só desejava a conclusão da guerra civil, mas que a França não podia capitular em frente de um punhado de insurgentes, e concluiu dizendo que deviam dirigir-se á communa para que ella restitua a paz á capital. Tinha-se ordenado que não fizessem fogo sobre as muralhas de Paris, no caso de apparecer a bandeira branca dos franco-maçons. Estes haviam annunciado a ida de alguns parlamentados a Versailles. Depois da resposta do sr. Thiers, os franco-maçons voltaram para a communa fazendo lembrar aquelles populares do Alfageme que tão depressa acclamavam D. João de Portugal como davam vivas a D. João de Castella. Vejamos agora o que se lê no Jornal official de Paris: «Os membros da communa receberam uma deputação de franco-maçons, a qual lhe declarou que tendo esgotado todos os meios de conciliação com o governo de Versailles, a franc-maçonaria tinha resolvido arvorar os seus estandartes nas muralhas de Paris, e que bastava serem roçados por uma só bala para que os Ir. marchassem impellidos pelo mesmo impulso contra o inimigo commum. O Ir. Terréfe declarou que desde o primeiro dia em que se organisou a communa a franc-maçonaria comprehendeu logo que ella seria a base das reformas sociaes. É a maior revolução, disse elle, que jamais foi dado ao mundo contemplar. «Se os franco-maçons não quizeram operar no começo do movimento é porque esperavam obter a prova de que o governo de Versailles não queria attender a nenhuma conciliação. E com effeito, como se poderia suppor que os criminosos quizessem acceitar uma conciliação qualquer com os seus paizes?» Numerosos gritos de: Viva a communa! Viva a franco-maçonaria! Viva a republica universal! Responderam ao orador. Um membro da communa, o cidadão Jules Vales, offerece a sua banda ao Ir. Terréfeque, o qual declara que este emblema ficará nos archivos da franco-maçonaria, como recordação d’este dia memoravel. O Ir. V. da Rosa escosseza, annunciou que a communa, novo templo de Salomão, é a obra que os I. M. devem ter por fim, quer dizer, a justiça e o trabalho como base da sociedade. A deputação composta de mais de dois mil franco-maçon, engrinaldou o seu estandarte com a banda do cidadão J. Vales, e retirou-se levando uma bandeira vermelha depois de duas triples baterias do rito francez e escocez.
O general que succedeu a Dombrowski no commando da praça de Paris, tem 36 annos, nasceu em Tours, sabe vinte e seis linguas orientaes e europeas e é mathematicO. Tem sido redactor do Rappel. Servio em Italia nas campanhas de 1859 e 1860, foi ferido duas vezes e chegou a ser capitão de engenheiros. Na guerra com a Prussia foi tenente de corpos francos, e chegou a coronel. Dirigio a defeza de Alençon e bateu-se em Ablis, Chateaudun e Varise. Depois de 18 de março foi nomeado chefe de estado maior do general Eudes, e agora é elle proprio general e commandante da praça de Paris.
A columna Vendome será demolida no dia 8 de maio. Eis o que a respeito d’este acontecimento escreve Felix Pyat, no Vengeur: «O dia 5 de maio era o que convinha para a columna Vendome ser executada. Mas o algoz d’essa “gloria” não estava prompto e pedio algumas 24 horas mais para que a sua execução seja perfeita. Era importante que a destruição fosse quasi repentina. A columna cahirá d’uma vez, e para que não haja choque, para que as casas não se desmoronem com esse terror de terra, para que os canos de despejo, os subterraneos, os tubos de gaz e agua não sejam esmagados ou rotos, falla-se em certas precauções e medidas que serão tomadas para aligeirar o estremecimento e prevenir os accidentes. Falla-se em uma camada de 10 metros do estrume para suavizar a queda. Que bom leito para o Cesar! Ficará bem no logar que lhe compete, deitado sobre palha podre, como o biltre de seu sobrinho. Falla-se n’um processo engenhoso inventado pelo machinista para desraizar esse monumento de vergonha, nullo no ponto de vista artistico, mas admiravel no tocante a solidez. Mas esse invento é ainda um segredo... Quem viver verá e poderá vel-o, sem perigo no dia 8 de maio. O Archimedes responde pela segurança. Seria portanto bem natural que o bronze fosse fatal a algum ao cahir... como o foi a tanta gente quando se elevou. Quantas vidas humanas elle custou, contou-o o historiador nacional em 20 volumes, que se deviam queimar aos pés da columna. Os batalhões da guarda nacional, e os membros da communa, dizem que assistirão a esta obra de justiça internacional; e apesar de toda a sua solidez, essa columna inclinar-se-ha perante o voto da communa e a força popular. Edificado sobre um montão de cadaveres, esse monumento está assente sobretudo quanto ha de mais balofo e friavel n’este mundo, moleculas de carne e pó de ossadas humanas. O dia 8 de maio será memoravel na historia da revolução. A legenda imperial apagar-se-ha, e ao mesmo tempo desapparecerão todas as estatuas, emblemas, nomes de ruas, todos os vestigios do regimen monarchico, nas suas tres fórmas: bonapartista, orleanista e legitimista.»