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Europa · França · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Da carta que em data de 10 do corrente foi dirigida á Correspondencia de Portugal transcrevemos periodos seguintes: Agora que não está reunida a assembléa e que nenhum acto grave póde sobrecarregar a situação da França no tocante á sua convalescencia interna, e ás relações com o resto da Europa e do mundo, quando o tempo está sereno, e o horisonte limpo de nuvens, a vista alcança mais longe e distingue melhor os objectos. Dos negocios internos póde dizer-se que progride rapidamente a nossa reorganisação [ilegível]. É satisfactorio o estado da fazenda. Os rendimentos atingem a altura a que os encargos lhes permittem subir. O credito da França, tão prodigiosamente revelado na occasião do emprestimo, mantem-se e fortifica-se com a continuação da paz e com o juizo da nação e do governo. Reforma-se e reorganisa-se o exercito com o maximo zelo possivel e com rapidez que nos assegura e não assusta ninguem. O commercio e a industria vão readquirindo o antigo movimento, e até as artes sentem que as não desamparou a benefica protecção do governo, egualmente sollicito no que pertence á administração publica, á agricultura, á marinha, ás repartições das estradas e dos monumentos e a tudo quanto póde contribuir para a prosperidade e esplendor de uma nação que na sua desventura poude conservar intacta a categoria de potencia de primeira ordem, e não perder o logar que tinha conquistado na vanguarda do progresso e da civilisação material e moral do mundo. Até nos theatros como que se interrompeu o curso de litteratura bastarda e corrupta, de que a França innundou o mundo, o que tanto contribuio para nos enfraquecer no alma e no corpo. A torrente das immoralidades scenicas, e a phrase silenciosa e grosseira, tão contraria aos delicados instinctos e honrosas tradições das letras francezas, parece que se desviaram dos theatros, e que em breve os chefes de familia não se envergonharão de os frequentar em companhia das mulheres e das filhas. Tem graves culpas n’este capitulo o segundo imperio sob cuja influencia renasceu a vida licenciosa do directorio, do consulado e do primeiro imperio, a sua litteratura desregrada, e o desprezo dos mais sabidos preceitos da decencia e dos bons costumes. Foi nesse tempo que as letras e artes se incumbiram de profanar e ensilecer a religião, a monarchia, a authoridade, a lei, as mais santas virtudes e a propria moral. [ilegível] O publico negro do governo da republica e da situação da França, e a revelle versarão as principaes discussões da assembléa quando voltar á reuncir-se.