Correspondencias
Ervidel 14 de junho—Vem no ultimo numero do Bejense uma cousa a que chamam correspondencia da vossa aldêa e assignada por um parrochiano, que é talvez a cousa mais depravada e vil que tenho visto. Ervidel povo sem commiseração e pouco caridoso é tudo isto para engrandecer as boas qualidades do sr. Barreiro. Se o correspondente tivesse consciencia do que assignou, se elle não representasse um papel secundario n’esta farça, se a sua edade não admittisse ainda desculpa, veria o seu nome lançado á execracão publica e com elle todos os seus cumplices, se é que os tem. Negar caridade a este povo é uma injuria, e se o correspondente tem duvida n’isto, em d’aqui emprego o sr. Barreiro a declarar-se quando andou pedindo para [ilegível]; este infeliz não encontrou todas as portas que bateu promptas a valer ao seu protegido. Este descaramento com que se insulta uma povoação inteira, povoação sempre prompta para coadjuvar os desvalidos quando póde, é uma baixeza tal que não desaparece emquanto não haja um arrependimento sincero e explicito. Eu não tenho interesse em tirar ao sr. Barreiro a gloria da boa acção que praticou, mas creia o parochiano que s. s.ª não fez mais do que cumprir com os deveres a que está obrigado pela sua posição. Olhe, mais que o sr. Barreiro, neste sentido, fez o sr. padre Bento Machado, e nem elle o divulgou nem os seus amigos vieram para a imprensa cantar-lhe hymnos de louvor. Fique pois certo o correspondente que praticou uma feia acção, acção que deixa ver um caracter baixo e ingrato. Peça que lhe ensinem o meio de se arrepender se quer viver bem entre os seus patrícios. [ilegível]. Outro parochiano.