Foram transferidas para o dia 28 do corrente mez as exequias solemnes que o exm.º sr. Manoel Thomaz Ferreira Nobre de Carvalho manda celebrar pelo eterno descanço do nobre duque de Loulé.
Quando se dignará o sr. governador civil apresentar ao conselho de districto o recurso do sr. Pereira, ex-thesoureiro da camara municipal de Mertola? Parece-nos que já é tempo do negocio ser resolvido. O que se quer é uma decisão, embora favoravel ou contraria ao recorrente.
Em um forno desta cidade vendeu
se no sabbado pão fabricado com farinhas adulteradas. O aspecto do pão era magnifico, mas aberto exalava um cheiro péssimo e a massa era pegajosa bastante. O pão foi para a administração do concelho, mas não sabemos o que a auctoridade tem feito.
O santo Antoninho das Portas de Mertola teve dia cheio, ou melhor noute de folgança. Apanhou tribuna bem ornada, ramilhetes de flores, arcos de verdura, fogo de vistas e fogueira. A folgança foi preparada por quatro creanças que, diga-se a verdade, sahiram-se como mordomos experimentados. Em S. Thiago também houve festa ao Taumaturgo. Ahi foi coisa toda religiosa; é escusado descrever a festa. Foi como todas.
Foi creada uma cadeira de ensino primario para o sexo feminino, na freguezia de Baleizão, neste concelho.
Vae adiantado bastante o muro de suporte das terras da nova parada do quartel.
Corre que o sr. administrador do concelho da Cuba pedio a sua exoneração.
O conductor o sr. Feligenio Antonio, que estava na construcção da ponte sobre o Guadiana, passou para os estudos do prolongamento do caminho de ferro desta cidade a Faro.
Vae construir
se um chafariz junto ao Poço Largo para beberem os gados.
No arraial do domingo o salário dos ceifeiros subiu 20 reis, isto é, ficou por 390 reis diarios.
O caminho de ferro do sueste na semana finda em 5 do corrente rendeu reis 7:131$175, isto é, [ilegível] 8$550 reis do que em egual periodo do anno antecedente.
Na tarde de quarta feira o regimento 17 de infanteria teve revista em ordem de marcha passada pelos srs. commandantes de companhia.
Foi transferido do 17 de infanteria para o 8 da mesma arma o sr. alferes Cesario Augusto Pereira.
Noticias de uma mina de S. Domingos
Em data de 16 do corrente dizem-nos: No dia 6 do corrente foi encontrado morto junto á aldeia da Côrte Pinto um trabalhador, que ia para o hospital de Serpa. Depois de mais de mez e meio sem acontecer desgraça alguma nos trabalhos da mina, o que parece quasi impossivel em vista dos trabalhos perigosos, e do pouco cuidado com que são executados pelos trabalhadores, que por pouparem alguns minutos se abalançam a perigos enormes, aconteceram novos desastres. Na sexta feira 11 estava um trabalhador algarvio derrubando uma barreira do lado de baixo, de sorte que, cahindo aquella, fracturou-lhe o femur esquerdo e fez-lhe contusões no peito; na tarde desse dia, na officina de serralharia a vapor, um serralheiro da fabrica, chamado Alexandre, poz inadvertidamente a mão direita sobre o [ilegível] para acender um bocado d’algodão á luz de um cindil, e foi apanhado, cortando-lhe immediatamente o polegar e o indicador, tendo de se lhe fazer a desarticulação do polegar. No domingo de madrugada estava um trabalhador hespanhol carregando uma broca de pedra com polvora solta; um companheiro que estava ao pé disse-lhe que fizesse um cartuxo com papel, porque havia o perigo de incendiar por aquecer, e poder ferir lume o atacador que era de ferro; ao que elle respondeu que não havia duvida. O companheiro, que era mais prudente, disse-lhe: pois eu vou-me embora; e assim o fez. Não tardou que se ouvisse a detonação, ficando o desgraçado com o braço esquerdo esmigalhado e a cara e olhos queimados, tendo de se lhe fazer a amputação acima do terço superior do humero. O pouco cuidado e estúpida afoutesa da maior parte dos trabalhadores não só desta vez como quasi sempre é a causa das desgraças, que se dão, e obriga a empreza, a quem honra seja feita, a pôr bons medicos e a providenciar para que nada falte. Para uma raia tão extensa como a nossa o pessoal dos guardas é pouco, andam muito expostos, e o contrabando hade sempre fazer-se emquanto o nosso tabaco não competir em preço e qualidade com o hespanhol.
Domingo, a excellente banda do regimento 17 de infanteria, tocou das 6 até ás 7 e meia horas da tarde, na praça de D. Manoel.
Publicou
se o 3.º fascículo d’[ilegível] de Paris.
Na feira de Aljustrel o gado lanigero valeu pouco, o vaccum teve preço regular e o cabrum valeu bastante. A feira esteve fraca.
Publicou
se o 5.º numero da Lanterna magica. Vem como sempre primorosa.
A diligencia do regimento 17 de infanteria que tinha ido policiar a feira de Santo Antonio em Aljustrel regressou a esta cidade na terça feira.
No lyceu de Beja ha este anno requeridos 33 exames finaes d’alumnos externos: 15 de francez; 4 de desenho (1.ª parte); 7 de mathematica (1.ª parte); 1 de geographia (curso completo); 3 de philosophia (1.ª parte); 2 de introducção; 2 de desenho (curso completo); e 1 de mathematica (curso completo). Este numero é muito superior ao dos annos precedentes.
Obteve a exoneração de professor primario da villa da Cuba o sr. José da Silva Moraes, por ter sido nomeado escrivão do juiz ordinario da referida villa.
Parece que em Moura houve uma grande desordem em que foram mortos, á punhalada, dois individuos.
Teve hoje exercicio o regimento 17 da infanteria.
Do 1 de agosto proximo futuro em diante estarão á venda estampilhas do imposto do sello de novos typos e das taxas de reis 1$000, 2$000, 3$000, 4$000, 5$000, 6$000, 7$000, 8$000 e 9$000, cessando desde aquelle dia no continente do reino e desde 1 de setembro seguinte nos Açores e na ilha da Madeira o uso das actuaes estampilhas, as quaes poderão ser apresentadas pelos seus possuidores no praso de 60 dias, para serem recebidas pelo seu valor nominal em troca das novas, realisando-se essa troca em Lisboa, na casa da Moeda, e quanto aos outros concelhos nas respectivas recebedorias de commercio e suas dependencias.
Noticias de Odemira
Em audiencia de policia correccional de hontem foram julgados os reus Salvador Guerreiro, da Foz das Casinhas, e João Rodrigues Costa, das Moitinhas, da freguezia de Saboya, d’este concelho, accusados de haverem, no dia 11 de fevereiro ultimo, illudido, com falsas informações, a camara e illustrissimo administrador do concelho, na acção da inscripção dos mancebos aptos para o recenseamento militar. Provado o crime á evidencia, foi o primeiro reu condemnado na pena de 30 dias de prisão e 6 mezes de perda de direitos civis e politicos, e o segundo na de 20 dias de cadeia e 4 mezes de perda dos mesmos direitos. Fez-se pois justiça. É de crer que os informadores de Saboya deixarão d’uma vez para sempre de illudir as repartições competentes com suas falsas declarações; declarações que davam em resultado vir a ser militar, unicamente, algum desvalido da fortuna.
Noticias de Odemira
Somos informados de que a infeliz povoação de Santa Clara a Velha, d’este concelho, está a braços com a mais terrivel miseria: a falta d’agua. Chegou-se ao extremo a ponto de os pobres habitantes se verem reduzidos a beberem da agua corrupta da ribeira, ou rio, d’Odemira, que ali junto corre.
Noticias de Ourique
O sr. José Querino Thadeu d’Almeida, medico nesta villa, offereceu a todos os individuos que se acham neste hospital, em [ilegível] do jantar, 32 grammas de tabaco a cada um e 200 reis em dinheiro, em memoria do seu anniversario natalicio.
Noticias de Ourique
A camara d’este concelho deliberou mandar reformar o tribunal judicial, para as proximas audiencias geraes serem feitas com mais amplitude e, em seguida, continuar as obras até collocal-o nas condições que exigia.
Noticias de Ourique
Por ordem do sr. administrador d’este concelho foi aqui, um dia destes, preso um refractario, que já foi remettido para essa cidade.
Correspondencias
As confrarias de Beringel—São pobres, muito pobres, ao contrario. O seu rendimento mal chega alguns annos para a despeza obrigatória. Os juros das confrarias estão em casa do sr. João Ramos Lourenço Francisco, a quem queria examinar a receita e despeza, contas, etc. O grande capital em documentos de divida que chegou a existir nas confrarias foi devido a uma epocha anormal em que ninguem negava ás confrarias, nem se compellia o devedor a pagar, etc. Os documentos de divida das confrarias foram mandados entregar por ordem superior (alvará de 2 de janeiro de 1860) á junta de parochia, com destino á reedificação da casa da escola, reparos na egreja matriz, nos poços publicos e ermidas de S. Pedro e S. Sebastião. Reedificou-se a casa da escola, mas como o orçamento fosse mais exigente foi a obra acabada por meio de derrama parochial; pelo facto de não ser admittido gastar as verbas a que se havia dado outra applicação. Tudo isto levou á casa da escola, porque nas ermidas, hoje demolidas, nada se fez, nem tão pouco nos poços, ficando no mesmo olvido a egreja matriz, que hoje se está reparando com o producto de duas derramas parochiaes; e continuará. Dever-se-hia propor e authorisar derrama parochial ao povo, sem se gastar na egreja a verba que foi destinada para reparos na mesma egreja? Não seria muito mais consentaneo pedir á junta de parochia authorisação para gastar na egreja as verbas com destino para os poços, que se vão melhorar por conta da camara, e para as ermidas, que já não existem? Sabemos que não foi a junta actual quem recebeu os documentos de divida, mas o negocio não é de hoje; deve portanto existir o resto do capital que não tem applicação. Quem estará assim no caso de poupar ao povo as derramas parochiaes? A junta de parochia que recebeu o capital das confrarias, ou estas que, dando o que tinham disponivel, hoje bem não teem para si? Só quem não está no facto das cousas é que fará, ou eivado de muita má fé nos póde vir dizer que com o saldo das confrarias se evitariam as derramas parochiaes ao povo. É uma balda de quem perde a partida. P. P. de Mattos Falcão.
Os abaixo assignados declaram ver com desgosto e indignação a questão que o sr. Eduardo Manoel Cardoso levantou contra o nosso illustre amigo o sr. Francisco Paes de Mattos Falcão, e que teve principio nas transparentes e injustas allusões feitas por aquelle sr. ao illustrissimo Francisco Paes de Mattos Falcão, cavalheiro prestante digno de estima e consideração. Os abaixo assignados unanimemente se associam aos oitenta signatarios da manifestação a favor do sr. Falcão, publicada n’este jornal. Beringel 10 de junho de 1875. Francisco Ignacio Machado, proprietário; José Cabeça, seareiro; Joaquim Manoel Correia, artista; José Plácido Carvalho, proprietário; Manoel Pedro Aplennario, artista; Antonio Lourenço Crujo, [ilegível]; Antonio Antonio Velho, proprietário; Joaquim José dos Santos, artista; Joaquim Baptista Carvalho, artista; Francisco Serra Pimentinha, artista. Reconheço as assignaturas supra por serem dos proprios do que dou fé. Beringel, onze de junho de mil oitocentos setenta e cinco. Em testemunho da verdade—O tabelião—João Ramos Nogueira.
Correspondencias
Ervidel 14 de junho—Vem no ultimo numero do Bejense uma cousa a que chamam correspondencia da vossa aldêa e assignada por um parrochiano, que é talvez a cousa mais depravada e vil que tenho visto. Ervidel povo sem commiseração e pouco caridoso é tudo isto para engrandecer as boas qualidades do sr. Barreiro. Se o correspondente tivesse consciencia do que assignou, se elle não representasse um papel secundario n’esta farça, se a sua edade não admittisse ainda desculpa, veria o seu nome lançado á execracão publica e com elle todos os seus cumplices, se é que os tem. Negar caridade a este povo é uma injuria, e se o correspondente tem duvida n’isto, em d’aqui emprego o sr. Barreiro a declarar-se quando andou pedindo para [ilegível]; este infeliz não encontrou todas as portas que bateu promptas a valer ao seu protegido. Este descaramento com que se insulta uma povoação inteira, povoação sempre prompta para coadjuvar os desvalidos quando póde, é uma baixeza tal que não desaparece emquanto não haja um arrependimento sincero e explicito. Eu não tenho interesse em tirar ao sr. Barreiro a gloria da boa acção que praticou, mas creia o parochiano que s. s.ª não fez mais do que cumprir com os deveres a que está obrigado pela sua posição. Olhe, mais que o sr. Barreiro, neste sentido, fez o sr. padre Bento Machado, e nem elle o divulgou nem os seus amigos vieram para a imprensa cantar-lhe hymnos de louvor. Fique pois certo o correspondente que praticou uma feia acção, acção que deixa ver um caracter baixo e ingrato. Peça que lhe ensinem o meio de se arrepender se quer viver bem entre os seus patrícios. [ilegível]. Outro parochiano.