Aljustrel
Aljustrel, 25 de junho. É o dia 21 de julho o destinado para as eleições camararias e neste concelho vae outra vez luctar o povo contra os seus tyrannos, as victimas contra os seus algozes. É preciso que o povo se não deixe illudir; é preciso que se lhe mostre que tem deveres sagrados a cumprir, quaes são repellir das cadeiras curues essa gente que nada tem feito em nosso beneficio e que só tem sabido fazer do nosso concelho o concelho mais desgraçado do paiz. A camara actual foi eleita a troco de mil infamias e de miserias, desde o governador civil, que se não envergonhou de pedir votos na companhia de um presidente da camara contra quem pesavam tantas accusações, até ao porteiro municipal, tudo foi immoralidade e infamia. O povo foi logrado; teve influentes que lhe prometeram muitos melhoramentos, e até hoje nada lhe tem dado; esqueceram-se, só lhes não esqueceu a derrama municipal que leva couro e cabello aos pobres, porque os ricos, esses grandes senhores, só pagam o que querem, como nós sabemos de muitos. Pois não ouviu o povo, com especialidade a freguezia de Ervidel, dizer aos ricos que a camara nova devia tomar contas ás camaras velhas? Não ouviu isto o povo? E já se tomaram essas contas? Não. E porque? Porque é impossivel! São taes as mazelas, que a propria auctoridade fóra de vergonha ao olhar para ellas. De forma que o povo paga e, a respeito de melhoramentos e de contas, passa muito bem. Ora, na lucta que se vae travar, existe um plano que muito póde prejudicar os nossos interesses, porque dizem que, como os encargos dos municipios são, em vista do novo codigo administrativo, muito maiores, e como o concelho não tem rendimentos suficientes para a sua conservação, elles querem reclamar a suppressão do concelho, com a promessa de não prestarem contas, que é a sua mira principal; mas o povo não deve deixar supprimír o concelho: o que não tem é administradores bons, rendimentos e contas. O povo tem o povo; cautella, não se deixe illudir. Não ha freguezia que com uma camara boa não tenha direito a uma boa parte dos rendimentos do municipio. Cautella pois. Nós continuaremos a mostrar-lhe o verdadeiro caminho, com a devida licença do sr. padre Cardote. Historico.