Beja
Economia e comércioEducacção e instruçãoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesarremataçõesDebates políticosEleiçõesEstradasEstradas e calçadasMercados e feirasObras de infraestruturaObras municipaisSessões da câmara
Está marcado o dia 21 de julho proximo para as eleições dos corpos administrativos, e devemos cuidar seriamente d’ellas porque se trata nada menos que da escolha dos que hão de gerir os nossos haveres. Na ultima eleição, em novembro, demos um triste documento da incapacidade, e convem remediar a falta que então commettemos não querendo eleger, não usando dos nossos direitos, abdicando d’elles na auctoridade. Sempre temos dito e sustentado que a eleição camararia não deveria prender-se com a politica; que os partidos, ou os corrilhos, nada deveriam ter com ella, mas a auctoridade, por causa dos procuradores á junta geral, ingeria-se sempre na lucta, e o resultado era a elevação ás cadeiras curues de quem votasse em Pedro ou Paulo, e não de quem bem administrasse a nossa fazenda. E os prejudicados eramos nós, eram os moradores do concelho, porque acima dos interesses da localidade eram postos os da facção. Felizmente o novo codigo acabou com a eleição indirecta dos procuradores á junta geral, e as facções politicas das camarás hoje são limitadissimas. Não vale a pena sacrificar por ellas o bem estar do concelho. A vereação é o governo da nossa casa, os redditos do municipio representam o nosso trabalho, e é mister portanto que sejamos escrupulosos na escolha dos vereadores. Pelo novo codigo os encargos duplicam, e a cidade infelizmente carece ainda de muitos melhoramentos e alguns urgentes taes como o matadouro, o mercado, conclusão do ultimo lanço de estrada da Salvada pela rua de S. Francisco ao largo Nove de Julho, etc. etc. Procurem-se portanto homens aptos que no futuro quadriennio dotem o concelho com estes e outros melhoramentos, e que tenham por norte a firmeza de caracter e por principio primordial a honradez. Tudo que não for isto, tudo que não for uma vereação assim constituida, os nossos interesses correrão á revelia, do que resultará o concelho soffrer muito, muitissimo. Sejamos cautelosos; procedâmos na confecção da lista com o maior escrupulo, e a cidade terá uma vereação como convem.
Beja / Odemira
Economia e comércioJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAbastecimento de águaFontes e chafarizesGoverno civilIndústriaJulgamentos
O Diario de Portugal declara estar auctorisado para saber por quem affirmar no Bejense: 1.º que o sr. Alonso Gomes não pretende decidir, nem dirigir os negocios eleitoraes do districto de Beja; 2.º que como amigo do sr. visconde da Boa Vista lhe prestará, como tem prestado sempre, o apoio da sua dedicação; e aconselha-nos, por ultimo, a que mudemos de rumo. Pois não seguimos o conselho e insistimos na intriga. O tempo é proprio. Estamos em pleno S. João. O sr. Alonso não pretende decidir nem dirigir os negocios eleitoraes do districto, mas se não intervem n’elles, como explica o collega que, sendo candidato ministerial por este circulo o sr. Perdigão, o sr. Alonso lembrasse a candidatura do sr. Malheiro e trabalhasse por ella? É nisto que está a delicação pelo sr. visconde da Boa Vista? É creando-lhe difficuldades hoje, como o sr. Malheiro lhas creou em 1874 com o sr. Braga, no circulo de Odemira, que o sr. Alonso apoia o sr. governador civil? Vamos, tenham a coragem de affirmar no Diario o que disseram em Aljustrel, o que dizem em Beja. O sr. Alonso lembrou a candidatura do sr. Malheiro ao sr. ministro do reino, e declarou-lhe que fazia questão dessa candidatura? E, se fez tal declaração, o sr. Sampaio, para satisfazer as exigencias do sr. Alonso, levou o sr. Perdigão a ceder da sua candidatura a favor do sr. Malheiro, comprometendo-se o ministro a fazer eleger por outro circulo, por Odemira, o antigo deputado por Beja? O que perguntámos não sabemos se é intriga microscopica ou não; deixámos ao Diario de Portugal que lhe dê a classificação que quizer, mas não o dispensámos de responder. Basta um sim, ou um não, para ficarmos satisfeitos e muita gente desilludida. Porque estranhámos que ao sr. Alonso Gomes fosse dada a direcção suprema dos negocios eleitoraes neste districto, os amigos do grande industrial dizem que não é caso para estranhar, por isso que o sr. visconde da Boa Vista, como está conhecido que o que quer é ser governador civil, nem dos ministros consegue ter uma audiencia, e tanto que da penultima vez que esteve em Lisboa tres vezes procurou o sr. Fontes e foi despedido sempre! Accrescentam elles mais que, ignorando o governo se o sr. Alonso estaria em Beja e querendo tratar d’um negocio melindroso, mandára aqui o sr. José Ferreira Braga, commissionado para tal fim. Lá que o sr. Braga esteve em Beja é verdade; agora se veiu tratar ou não de negocios que interessam á situação, isso é lá com elles. Todavia póde muito bem ser verdade o que dizem os governamentaes do sr. Alonso Gomes. O sr. duque d’Avila, em tempo, pregou ao sr. visconde da Boa Vista egual peça, desconfiou do que sua ex.ª lhe dizia e o sr. Estevão de Alcochete veiu aqui observar uns pontos negros. Pode pois o papel do sr. Estevão ter sido dado ao sr. Braga, pode o sr. visconde da Boa Vista ter perdido a confiança dos ministros, mas não fica bom aos que se dizem amigos de sua ex.ª divulgarem estas coisas, serem os primeiros e unicos a beliscal-o. Mas, em arte, isto não é mal feito. O sr. visconde da Boa Vista assim o quer, assim o tenha. No n.º 433 do Progresso lê-se: Sua ex.ª é como a velha do Tolentino, chama ao rapé por cuidado, e vae fartar-se na alcova do simonte e do ciclate. Censura Coimbra e tapa em Vidigueira! Mas o sr. ministro do reino que faz? Applaude, porque os nove mancebos representam dois mil e tantos votos — um concelho compacto. Nem mais nem menos.
Beja
Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoEleiçõesGoverno civil
Ao sr. governador civil lembramos o artigo do Bejense n.º 910 de 7 do junho, no qual se diz: «Proceder pois a uma nova circumscripção parochial é indispensavel, e o sr. governador civil deve propol-a ao governo afim de que elle use da auctorisação que o § 1.º do artigo 3.º do codigo administrativo lhe dá. Para a parochia poder viver desafogadamente e occorrer sem gravame dos seus moradores a todos os encargos, o concelho de Beja deveria ter tres parochias somente. Isto, porém, crearia descontentes, e por isso o melhor será combinar as coisas de modo que subsista o maior numero de parochias possivel (6 parochias) mas com alguns elementos para poderem satisfazer ao que o codigo dispõe.» Parece-nos effectivamente que a circumscripção parochial proposta pelo Bejense é uma das combinações mais conciliaveis que n’este sentido se póde fazer por hoje, e portanto rogámos e esperamos que o sr. governador civil não descuidará este importante assumpto. Para as eleições dos corpos administrativos foi marcado o dia 21 de julho proximo, e em harmonia com o que o codigo dispõe, as eleições parochiaes serão d’ahi a quinze dias; ora, não se procedendo á nova circumscripção, como querem que as eleições se façam? Onde vae Louredo, Mombeja e outras parochias buscar elegiveis para completar a lista? O que succederá sabemos nós: não ha eleição, teremos nova convocatoria para proceder a dia, isto é, ganhar-se-ha tempo até se arranjarem as coisas, mas dêem-lhe as voltas que quizerem as indicações do Bejense hão de ser seguidas. O nosso correspondente pede que se melhore a circumscripção parochial, todos a querem melhorada, mas o sr. governador civil é que se não apressa com isso. Lá saberá porque.
Vidigueira / Aljustrel / Beja
Economia e comércioExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAgriculturaGoverno civilNomeaçõesRecrutamentoTransferências
No n.º 433 do Progresso lê-se que era administrador do concelho da Vidigueira um advogado muito distincto e cavalheiro da maior respeitabilidade de caracter. Tratando mais de administração do que de politica, tentou reprimir varios abusos, sendo o principal o que dizia respeito a negocios de recrutamento. Sabendo que na lista dos mancebos recenseados tinham sido omittidos alguns, que eram protegidos pelos graudos da terra, pedia as necessarias informações, e, não accedendo ás instancias que lhe foram feitas para consentir na traficança, participou para o governo civil o que havia na lista do apuramento. O presidente da camara não gostou da participação, por ser prova de rebeldia, e admoestou o administrador, fazendo-lhe saber que naquelles logares era necessario transigir com as influencias locaes, e que a participação nenhum resultado teria, como outras havia succedido. O administrador do concelho, o sr. Antonio Joel Batalha de Campos, respondeu briosamente á cynica reprehensão declarando que emquanto occupasse aquelle logar não consentiria em taes escandalos. Poucos dias depois encontravam-se em logar aprazado, não longe da Vidigueira, o presidente da camara e o governador civil de Beja. Logo em seguida foi o sr. Batalha de Campos chamado a Beja, intimando-se-lhe a transferencia para Aljustrel. O sr. Batalha de Campos recusou-se a acceitar a transferencia, e por isso lhe foi dada a demissão, que o sr. ministro do reino promptamente submetteu á assignatura d’el-rei.
Portugal
Educacção e instruçãoPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesCorreioDecretos e portariasEleiçõesInstrução pública
Decreto de 14 do corrente, approvando as instrucções regulamentares provisorias para execução da carta-de-lei de 17 de maio de 1878, approvadas por decreto de 14 de junho de 1878. Outro, marcando o dia 21 de julho proximo para se proceder ás eleições dos corpos administrativos. Outro, auctorisando todas as direcções do correio a emittirem vales.
Beja / Ferreira
Acidentes e sinistros
Ardeu um destes dias, no caminho, o carro e encommendas que o estafeta Gameiro conduzia desta cidade para Ferreira. Parece que uma pouca de isca fôra o que deu causa ao sinistro.
Beja
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaReligiãoSaúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesAgriculturaBanda militarCulto e cerimóniasFeirasFestas religiosasHospitaisIncêndiosIrmandades e confrariasMovimentos de tropasNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras de infraestruturaPontesPrisõesProcissões
A festividade ao SS. Sacramento proseguio na segunda e terceira oitava, sendo nestes dias (sabbado e domingo) as missas por musica vocal e instrumental. No sabbado de tarde houve vesperas e sermão, que desagradou, e á noite fogo de artificio. Á vél-a concorreram mais de 18:000 pessoas, mas ficaram, como as que foram assistir á inauguração da ponte sobre o Douro, logradas. As taes bichinhas de rabiar estiveram abaixo de tudo. O fogo foi o senão da festa. Mas o adagio diz que não ha formosa sem elle, e o adagio verificou-se. Domingo deu-se, depois da missa, o jantar aos presos. Constou de sopa, vacca, arroz, assados, doce, fructas, vinho etc. etc. Foi conduzido em 168 aléolas, procissionalmente, á cadeia, e o préstito acompanhavam-no as auctoridades ecclesiastica, civil e militar e as dignidades das irmandades do SS. Sacramento. Depois seguiu-se a procissão; precediam o pallio os ricos andores do Baptista e do Evangelista, e além destes os de Nossa Senhora do Carmo, S. Sesinando, Santo Antonio, Santo Amaro, S. Francisco, Senhor Ressuscitado, S. João Baptista e S. Sebastião. Finda a procissão, que ia magestosa e acompanhada pelo regimento 17 de infantaria, foi a irmandade de S. João dar posse á de S. Thiago, a quem para o anno toca fazer a festividade. Dada a posse queimaram-se, depois do Te-Deum, 130 duzias de foguetes. Entre elles houve alguns eguaes aos que se queimaram em Lisboa por occasião dos festejos ao príncipe do Galles, que causaram enthusiasmo. O fogo da posse foi feito pelo bem conhecido fogueteiro de Baleizão. A irmandade de S. João, durante os dias da festa, deu 20:000 reis aos presos, 30:000 á casa pia e 30:000 ao hospital, para melhoria do jantar. O nosso amigo o sr. José Francisco da Silva, a quem deve ter corrido, como correu, a festividade, compareceu em todos os actos tomando sempre a direcção d’elles. Foi incansavel. Não se excede. Segunda feira ainda houve festa. De S. João foram acompanhadas pela irmandade e pela banda do 17 as imagens ás suas igrejas, e deu-se o jantar chamado da posse, offerecido aos presos pela irmandade de S. Thiago. O serviço de policia foi bem detalhado e bem feito durante os dias da festividade.
Beja
ReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaFestas religiosasPobres e esmolas
De um anonymo, da capital, recebemos hontem 2:000 reis para darmos aos pobres. Da melhor vontade o nosso gerente se prestou a fazer a distribuição das esmolas, dando: 500 reis a Francisco Crujo, entrevado, morador na rua de Mertola, freguezia de S. João Baptista; 500 reis a Joaquim Braz Segurado, morador na rua das Ferrarias, freguezia de Santa Maria; 500 reis a Antonio Maria Proença, morador na rua da Catella, freguezia do Salvador; 500 reis a Joaquim Carrega, morador no Terreiro dos Valentes, freguezia de S. João. Em nome dos esmollados beijámos a mão ao caridoso anonymo.
Beja / Angola
O sr. José de Sousa Tavares foi promovido definitivamente ao logar de escripturario da junta da fazenda de Angola.
Beringel
Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordens
Um d’estes dias houve em Beringel grande desordem entre alguns individuos, de que resultou um levar uma facada que o deixou por morto.
Beja
Economia e comércioFeiras
Segunda feira houve reunião de familias na Sociedade bejense. Foram as varreduras da eira, que, juntas com o que alguns socios deram, proporcionaram passar-se bem uma noite. Dançou-se a bom dançar, tomou-se chá, refrescos e ceou-se bem. A reunião terminou ás cinco horas da manhã. Foi o ponto final da festividade. Abrio por uma reunião, e por uma reunião terminou.
Beja / Lisboa
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisEscolasLivros e publicaçõesProfessores
Petit abrégé de versification française é o titulo de um compendio de que é auctor o nosso discipulo e amigo o sr. Thomaz Nobre. Este compendio foi recommendado pelo professor do lyceu de Lisboa aos alumnos do ultimo anno, e será adoptado, de ha muito tempo, com grandes vantagens praticas, na Escola academica, Collegio Europeu e Luso Brasileiro, etc. etc. Recomendámos o livro e agradecemos o exemplar com que o auctor nos brindou.
Mertola
ExércitoQuartéis
O governo mandou reconstruir o quartel destinado aos guardas da fiscalização em Mertola.
Beja / Evora
Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaCrimesFeiras
Foi fazer a policia da feira de Evora uma força do regimento 17 de infantaria, commandada pelo sr. capitão Silva.
Moura
O sr. Bernardo de Albuquerque Cabral Silva Amaral, delegado do procurador regio na comarca de Moura, tem 30 dias de licença.
Conceição / Ourique
Educacção e instruçãoEscolasProfessores
Foi transferido para a cadeira de ensino primario de Ourique o professor da escola da Conceição.
Beja
Publicou-se a 13.ª caderneta do Rei dos mendigos e a 6.ª do Homem de gelo.
Beja / Lisboa / Evora
Acidentes e sinistrosMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesAcidentes ferroviáriosCaminho de ferroChegadas
O comboio descendente de Beja chegou a Lisboa, antes de hontem, com uma hora e meia de atraso, em consequencia de ter descarrilado um dos wagons, passando por cima de uma vacca, que estava no kilometro 212, na linha de Evora.
Infantaria 17 / Caçadores 7
ExércitoNomeaçõesTransferências
Foi transferido para o 7 de caçadores o capitão Manuel Honorato Dias, e deste regimento foi para aquelle batalhão o sr. Emilio Henrique Xavier Nogueira.
Hespanha
Sociedade e vida quotidianaFalecimentos
Morreu a rainha de Hespanha.
Beja
Economia e comércioExércitoSaúde e higiene públicaFeirasHospitaisQuartéis
Na terça feira suicidou-se, com um tiro de espingarda no quartel de infantaria 17, um belegim, o furriel J. A. Sant’Anna, filho do sr. Sant’Anna, enfermeiro do hospital civil desta cidade, ignorando-se o que dera motivo a tão desastrado intento; e hontem á noite um outro filho do sr. Sant’Anna, que era praticante em pharmacia do sr. Mendes, ao saber a noticia do suicidio, teve um ataque epiléptico a que succumbio.
Grandola / Beja
Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localCrimes
O guarda n.º 26 do corpo de policia civil deste districto foi elogiado em officio do administrador do concelho de Grandola, pelo bem que se desempenhou de uma commissão de serviço recommendada por aquelle magistrado.
Districto de Beja
No dia 20 de julho vão á praça differentes bens nacionaes situados neste districto.
Aljustrel
Município e administracção localNomeações e cargos
O sr. Manoel José Rodrigues de Figueiredo foi nomeado administrador do concelho de Aljustrel.
Beja
Economia e comércioReligiãoFeirasFestas religiosas
Na Conceição e na parochial de S. João houve segunda feira solemne festividade ao Baptista. Se a egreja tributou honras ao santo mais garrido e brincão do calendario, o povo tambem o festejou. Grandes ranchos percorreram cantando, até de madrugada, as ruas da cidade; houve fogueiras em abundancia, bombas, bichinhas de rabiar, estallos etc. etc., grande consumo. Mastros tiveram quatro, dois á porta de Moura, um na rua de S. Gregorio e outro na da Lobata.
Odemira
Economia e comércioMunicípio e administracção localPreçosReligiãoSociedade e vida quotidianaAgriculturaColheitasCostumes e hábitosFestas religiosasPreços e mercados
Como de costume festejou-se o Precursor de Christo com mastros, bailes, etc. Continuam a ser desagradaveis as noticias da fundição do trigo: muitas das cearas não dobram a semente. A colheita de cereaes pode reputar-se neste concelho menos d’um terço d’um anno regular. O trigo conserva um preço altissimo, as classes menos abastadas soffrem já crueis provações. Se ao menos o nosso governo acudisse a tantas miserias, derramando trabalhos no Campo d’Ourique! Mas qual!
Odemira
Município e administracção localSociedade e vida quotidianaFalecimentos
No mez de maio ultimo morreram neste concelho unicamente 17 individuos de ambos os sexos; e ainda dizem que não. A media mensal de obitos neste concelho foi de 76 pessoas no anno de 1870, o anno de maior mortalidade neste concelho, e de 38 pessoas no de 1862, o anno mais saudavel destes ultimos 20 annos.
Odemira
Cultura e espectáculoExércitoAssociações recreativas
A sociedade recreativa odemirense, ou por outra a sua direcção, projecta solemnizar o dia 24 de julho, anniversario da entrada em Lisboa do exercito libertador ás ordens do immortal duque da Terceira.
Odemira
EstatísticasMunicípio e administracção localReligiãoFestas religiosas
Eleitores do concelho de Odemira (numero d’elles por freguezia): Salvador 144 e 161; S. Theotonio 338 e 349; Saboya 303 e 325; Santa Clara 127 e 191; S. Martinho 237 e 264; Colos 109 e 103; Relíquias 93 e 100; S. Luiz 159 e 187; N. S. de Milfontes 95 e 57. Total 1:902 e 1:877; differença 25.
Odemira
Meteorologia e fenómenos naturaisNeve
Começou a espalhar-se, com insistencia, o boato de que o candidato governamental por este circulo é o sr. dr. Joaquim Antonio Neves. Não sei que fundamento tenha a noticia.
Odemira
Umas mulheres que roubaram em um estabelecimento desta villa bastantes lenços de seda e alguns cache-nez foram presas, e com ellas uns tantos malandros que as acompanhavam.
Odemira / Curvotello
Acidentes e sinistrosReligiãoSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Uma creança do Curvotello, que fugira de casa de seus paes, foi, segundo todas as presumpções, devorada pelos lobos. Encontrou-se apenas o fato da desgraçadinha feito em tiras e um braço. E, já agora, fecharei o noticiario com casos identicos succedidos sabbado: morreu um carreiro esmagado pelo carro; foi ferido em um pé um individuo por se lhe disparar a espingarda; e morreu asphyxiada na eira uma mulher. Não desejarei continuar a dar-lhe noticias tão desagradaveis.
Odemira
Justiça e ordem públicaJulgamentos
De 22 homens que requereram ser admittidos no corpo de policia civil deste districto, apenas 11 foram julgados aptos para o serviço. Estão ainda vagos 17 logares.
Odemira
ReligiãoCulto e cerimóniasFestas religiosas
Hoje, vespera de S. Pedro, houve na sua ermida, fóra da cidade, o arraial costumado, e ámanhã ha missa cantada e sermão. Na cidade os folguedos populares foram como pelo S. João, fogueiras, mastros, descantes etc. etc.
Odemira
Acidentes e sinistrosAfogamentos
Hontem tentou afogar-se no tanque dos cavallos um individuo, servente de pedreiro. Foi salvo por um carreiro. O homem parece não estar no uso da razão.
Odemira
Cultura e espectáculoEconomia e comércioAgriculturaFeirasTeatro
Debutou quinta feira no theatro provisorio a companhia de zarzuela dirigida pelo sr. D. Santiago Mugosa, levando á scena as zarzuelas em 1 acto D. Jacinto e O Menino, a comedia A casa de campo e O Muricas, scena comica, pelo sr. Argenta. A companhia se não enthusiamou tambem não desagradou.
Lisboa
Cultura e espectáculoEconomia e comércioPreçosPreços e mercados
A acreditada empreza Horas românticas vae editar os Lusiadas. Esta edição de cincoenta exemplares, e mais dois que por lei pertencem um á bibliotheca de Lisboa e outro á do Porto, serão todos numerados e terão cada um impresso no ante-rosto o nome do possuidor e o respectivo numero de ordem. A distribuição do poema estará completa em junho de 1880, terceiro centenario da morte de Luiz de Camões, sendo distribuida semanalmente uma folha de 4 paginas, em folio, impressa a duas côres, em magnifico papel, sendo os começos dos cantos illustrados com vinhetas. Preço de cada folha 500 reis pagos no acto da entrega. Toda a correspondencia dirigida a David Corazzi, proprietario-gerente da Empreza Horas Românticas, Lisboa, rua da Atalaya, 42.
Lisboa / Evora
Acidentes e sinistrosEducacção e instruçãoSociedade e vida quotidianaCasamentosCostumes e hábitosEscolasIncêndios
Publicou-se o 5.º fasciculo do Universo illustrado correspondente ao mez de maio. É o summario do que contém: O castello Heidelberg; O que dizem os moveis em a noite de Natal; Noções d’optica; Mummias egypcias; O elexir da longa vida; Escola d’um nome; Galeria de homens celebres; Mosaico; Ermida de Garcia de Resende, na cerca do Espinheiro (Evora); O ramo de camelias; Os jardins do mar; Pyramides do Egypto; Casamentos de conveniencia; Laura; Escolha d’um nome; Cidadella da praça de Peniche; Costumes chinezes; Rodas; Castello de Alnwick; Nos incendios; Na valsa; A minha mãe; N’um album; Apontamentos diversos.
Aljustrel
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaEleiçõesGoverno civilLicençasNomeações eclesiásticasObras municipaisPobres e esmolas
Aljustrel, 25 de junho. É o dia 21 de julho o destinado para as eleições camararias e neste concelho vae outra vez luctar o povo contra os seus tyrannos, as victimas contra os seus algozes. É preciso que o povo se não deixe illudir; é preciso que se lhe mostre que tem deveres sagrados a cumprir, quaes são repellir das cadeiras curues essa gente que nada tem feito em nosso beneficio e que só tem sabido fazer do nosso concelho o concelho mais desgraçado do paiz. A camara actual foi eleita a troco de mil infamias e de miserias, desde o governador civil, que se não envergonhou de pedir votos na companhia de um presidente da camara contra quem pesavam tantas accusações, até ao porteiro municipal, tudo foi immoralidade e infamia. O povo foi logrado; teve influentes que lhe prometeram muitos melhoramentos, e até hoje nada lhe tem dado; esqueceram-se, só lhes não esqueceu a derrama municipal que leva couro e cabello aos pobres, porque os ricos, esses grandes senhores, só pagam o que querem, como nós sabemos de muitos. Pois não ouviu o povo, com especialidade a freguezia de Ervidel, dizer aos ricos que a camara nova devia tomar contas ás camaras velhas? Não ouviu isto o povo? E já se tomaram essas contas? Não. E porque? Porque é impossivel! São taes as mazelas, que a propria auctoridade fóra de vergonha ao olhar para ellas. De forma que o povo paga e, a respeito de melhoramentos e de contas, passa muito bem. Ora, na lucta que se vae travar, existe um plano que muito póde prejudicar os nossos interesses, porque dizem que, como os encargos dos municipios são, em vista do novo codigo administrativo, muito maiores, e como o concelho não tem rendimentos suficientes para a sua conservação, elles querem reclamar a suppressão do concelho, com a promessa de não prestarem contas, que é a sua mira principal; mas o povo não deve deixar supprimír o concelho: o que não tem é administradores bons, rendimentos e contas. O povo tem o povo; cautella, não se deixe illudir. Não ha freguezia que com uma camara boa não tenha direito a uma boa parte dos rendimentos do municipio. Cautella pois. Nós continuaremos a mostrar-lhe o verdadeiro caminho, com a devida licença do sr. padre Cardote. Historico.
Beja
ExércitoJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensCapturasDeserçõesPrisões
Occorrencias policiaes. Dia 22, 23, 24 e 25, nada. Dia 26: por embriaguez estiveram detidos na esquadra 5 individuos. Dia 27: foi remettido ao ex.mo commandante de caçadores n.º 2 José d’Oliveira, soldado desertor daquelle batalhão, o qual foi capturado n’esta cidade pelo guarda n.º 16. Dia 28: nada.
Beja / Odivellas
Justiça e ordem públicaJulgamentos
Tribunal de policia correccional, audiencia de 27, presidencia do ex.mo juiz de direito. Accusação: Ministerio publico. Auctor: Antonio Maria Camacho, d’Odivellas. Advogado do auctor: dr. Virgolino. Escrivão: Carvalho. Advogado do réo: dr. Barradas. Réo: João Maria Salgado, d’Odivellas, accusado de injurias verbaes ao auctor. Condemnado em 20 dias de multa a 100 reis e custas.
Beja
Justiça e ordem públicaFurtos e roubosJulgamentosPrisões
Tribunal de policia correccional. Escrivão: Cardoso. Defensor: Esteves. Ré: Maria Thereza, de Beja, accusada de furto de 3:920 a Maria Rita Baptista. Condemnada em 6 dias de prisão e custas.