Aos sentidos queixumes, ás pathetic as lamurias, e ás sonoras imprecações que a rapaziada fina solta a proposito de qualquer demissão ou transferencia, responde assim a Revolução de Setembro: «Pediram a demissão quasi todas as auctoridades administrativas, e que a não pedissem, os jornaes ministeriaes nos annunciaram que lhes seria dada, porque era preciso montar a machina eleitoral! Estava no seu pleníssimo direito o governo procedendo assim, e só se lhe podia notar que, desde ha muitos annos, não havia tão considerável movimento de demissões por occasião de uma transformação politica. Era um symptoma para o diagnostico a fazer do procedimento e índole do governo; nada mais! Procederam melhor os outros governos, conservando as auctoridades que faziam boa administração, sem lhes investigar as propensões politicas, ou procedeu melhor este governo, querendo todos os governadores civis e administradores do concelho, todos os regedores e cabos de policia, da sua côr e feitio? Mas porque conserva o governo alguns governadores civis, alguns administradores de concelho? É um ultrage que lhes faz? É um estygma com que os marca? É um baldão com que os apregoa sem pundonor? Os que defendem a demissão de todas as auctoridades de confiança não fazem excepções! E todavia nós fazemo-las; e é n’isso que está a censura ao governo.» A Revolução faz politica mas não disparata. Reconhece o pleníssimo direito do governo demettir empregados. Isto entende-se; agora o procedimento do Illustrado é que poucos comprehendem. Acceite pois a rapaziada fina a lição. É de mestre do jornalismo e de amigo politico.
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