Juntas geraes
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Recordaremos hoje as patifarias de Aveiro não só porque é preciso recordal-as para o fim a que nos propomos, mas porque os regeneradores estranham que se peça a dissolução das juntas geraes illegalmente constituídas, o que se emende e corrija o codigo de 1878, na parte que estabeleceu disposições realmente deploráveis para a boa administração, como são, entre outras, as attribuições conferidas ás commissões executivas—commissões contra as quaes o paiz vae mostrando certo rancôr porque, alem de sugarem aos cofres uma boa soma annualmente, a titulo de se dotarem, teem levantado conflictos, a cada passo com as municipalidades e os chefes dos districtos. Que admira portanto que se peça a reforma do codigo, principalmente n’esta parte? E os regeneradores porque se mostram tão sentidos? Donde lhes vem esse respeito serodio pela obra do sr. Sampaio? Pois não foi a própria regeneração a primeira a rasgar o codigo para se salvar em Aveiro? Pois pensam que os diplomas de 29 de julho e 14 de setembro do anno passado já esqueceram? Não, estão ainda na memória de todos, e se houvéssemos reflectido melhor não telegrapharíamos ao ministro do reino informando-o do que se passava n’uma salla do governo civil entre dez sujeitos, e pedindo-lhe providencias, porque, no fim de contas, aquelle honestíssimo caracter não podia providenciar. Como havia elle de reprimir os desafôros da minoria da junta geral de Beja, se por interesse de partido, tinha de sancionar as patifarias da de Aveiro? Declara a lei que é da exclusiva competência das juntas geraes designar o numero de procuradores; como a divisão feita em Aveiro não desse maioria aos regeneradores, o sr. Fontes declarou em vigor o artigo 184 do codigo do sr. conde de Thomar, e addiou as eleições districtaes e municipaes n’aquelle districto. Mais tarde a junta geral reagiu contra tamanha prepotência sustentando a distribuição e o nobre ministro decretou a dissolução! Infringiu a lei, espalmou a consulta dos fiscaes da corôa, e passou pelo desgosto de perder novamente a eleição. O resto fel-o o seu logar tenente no districto. Declarando o ministro em vigor o artigo 184 do codigo de 1842, o governador civil declarou vigente o 199 do mesmo codigo, e dirigiu convocatoria aos procuradores seus correligionários. Os excluídos, seguindo o preceituado no codigo de 1878, reuniram no dia marcado no decreto e assim Aveiro vio-se com duas juntas geraes—a do governo composta de 10 vogaes, e a da opposição de 11. Ambas elegeram conselho de districto e commissão executiva. E sabem o que aconteceu? As eleições da opposição estavam perfeitas por isso que tinha votado a maioria, 11 procuradores, metade e mais um do quadro pleno da corporação; pois o governo considerou legaes os actos da minoria, e illegaes os da maioria e confirmou a nomeação do conselho de districto e a trempe executiva assumiu as suas funcções! Pois isto pode continuar? Pois juntas geraes como a de Aveiro e a de Beja, constituídas tumultuaria e illegalmente, devem consentir-se? Que vontades podem merecer, que auctoridade podem ter? Nenhuma. Urge pois dissolvel-as para que a anarchia tenha um termo, e a lei receba uma desafronta completa.
Não acreditamos
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Mandaram-nos, de um concelho deste districto, copia de um officio circular da commissão executiva. Temos a pessoa que nos enviou a copia no mais alto conceito, mas a sua boa fé pode ter sido illudida, e por isso, nós, sem que procedamos a certas indagações, não damos publicidade ao seu escripto. É que ha coisas que só vendo se acreditam, e nós, sem que vejamos a assignatura do presidente, que conhecemos muito bem, não nos convencemos que os srs. da executiva interpretem o artigo 54.° do codigo como se diz no papel que temos presente. Interpretal-o, de tal modo seria attacar as franquias municipaes, trazer as camaras constantemente sob um jugo de ferro, porque, á sombra da tutela, pretende-se, nada mais e nada menos, que fazer reviver umas instrucções que um governador civil deste districto, o sr. Villasboas, organisou em 1852, e que logrou fazer cumprir—instrucções que tambem quiz fazer executar quando, mais tarde, governou os districtos de Castello Branco e Leiria, mas que não conseguio. Em Beja as camaras consentiram a albarda, mas em Leiria e Castello Branco sacudiram-na. Se o codigo administrativo de 1842, como o governo declarou ao resolver o conflicto entre o sr. Villasboas e as camaras do districto de Leiria, não dava aos governadores civis attribuições tão latas, o codigo de 1878, o actual, então nega-as completamente ás commissões executivas, porque marca os casos de tutela, e fóra d’elles nem as commissões, nem qualquer auctoridade, tem que ver com as deliberações tomadas pelas camaras. É claro, claríssimo, o § unico do artigo 106.° Mas a ser verdadeira a circular, a commissão executiva não passa só por cima do § unico do artigo 106 do codigo. No seu furôr de tutelar chega até a invadir attribuições que pertencem ao governador civil, que são suas, exclusivamente suas! Repetimos: não acreditamos que um tal documento sahisse da commissão executiva. Procuraremos pois saber a verdade.
O nosso estimado collega o Diario da manhã, fez-nos a honra de transcrever o artigo intitulado Juntas geraes, e egual honra nos dispensou o nosso apreciável collega o Progresso. Agradecemos.
Acontecimentos na Europa
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAcidentes de trabalhoAssociaçõesBeneficênciaCasamentosComércio localConflitos locaisDebates políticosEleiçõesHospitaisImpostos comerciaisImpostos e finançasIncêndiosInstrução públicaJulgamentosObras de infraestruturaObras municipaisReformasSessões da câmaraTelégrafoVandalismo
As folhas de Madrid e as de Londres, a proposito dos assumptos da politica interna hespanhola, occupam-se em dar curso aos boatos que dizem respeito ao projectado enlace matrimonial do rei D. Affonso XII com a archiduqueza d’Austria D. Maria Christina. Assim é que a folha El Globo, orgão dos castellaristas, El Acta e outras muitas se preoccupam com a proxima viagem do rei a Biarritz. Os conservadores monarchicos empenham-se, o mais possivel, para que o enlace seja levado á realidade, mas em alguns circulos duvida-se que se realise. Já que fallamos nas folhas de Londres vem a proposito fallar novamente na guerra entre a Inglaterra e a Zulandia não obstante os optimistas pretenderem fazer acreditar que a luta terminou com a batalha de Ulundi onde os zulus perderam 1:500 homens. Eis o telegramma que o Times recebeu apoz essa batalha: «Capetown, 6.—Chelmsford annuncia que não tendo Cetewayo aceitado as suas propostas, e tendo mandado atirar contra as tropas inglezas, o exercito inglez avançou no dia 3 de julho e derrotou completamente os zulus, que tiveram perdas enormes. Foi tomada Ulundi e destruída. Eis alguns pormenores desta victoria: No dia 3 de julho, ao amanhecer, o general Chelmsford ordenou um reconhecimento, que obrigou o exercito inimigo a avançar e a mostrar-se. O general inglez deu ordem immediatamente ás tropas para que avançassem em toda a linha. O exercito inglez transpôz o rio Umvoloshi e avançou. O exercito formou em quadrado com a engenharia e as munições, e apossou-se de uma excellente posição entre Enadweni e Ulundi. Ás sete e meia horas da manhã o exercito inimigo saiu dos seus bivaques, avançando de todos os lados contra os inglezes. Ás nove o ataque dos zulus estava completamente desmascarado, mas d’ali a meia hora os inimigos começaram a perder terreno. N’esta occasião a cavallaria ingleza deu uma carga geral, que poz o inimigo em debandada. Conforme contam os prisioneiros, o rei Cetewayo commandava em pessoa as suas tropas, e dirigia a acção. Calcula-se que os zulus eram em numero de 20:000. O exercito inglez compunha-se de 1:000 homens de tropas europeas, e de 1:100 indígenas, com 8 peças de artilheria. No dia 4 as tropas inglezas queimaram Ulundi, e destruíram todos os kraals militares do inimigo, estabelecidos em Ulundi e no valle do Umvoloso. No mesmo dia o exercito inglez começou a retroceder para os seus acampamentos. Não se podem calcular exactamente as perdas dos zulus, mas julga-se que não são menos de 1:000 homens. Os inglezes tiveram 10 mortos e 53 feridos. Numerosos zulus se teem submettido. O general Garnett Wolseley, que não poude desembarcar no porto de Durnford, retrocedeu para Durban, afim de se juntar com o exercito por terra.» Telegrammas posteriores dizem porém que o rei dos zulus prepara as forças do seu exercito para continuar na luta. É possivel que a paz seja um facto mas não nos parece que tenha sido resultado meramente da batalha de Ulundi. As grandes despezas levadas a cabo com a guerra na Zulandia levou alguns lords a olhar seriamente para o estado do thesouro britannico e sir Stafford Northcote, fallando na camara dos communs em tão importante assumpto expôz que o orçamento da receita para o anno que terminou em 31 de março ultimo subiu a 83.118:5000 libras sterlinas, e o da despeza a 85.408:[ilegível], havendo, portanto, um deficit de 2.291:000 libras. As despezas comprehendem os creditos applicados á guerra com os zulus, bem como outros creditos supplementares. Os preparativos da guerra do Oriente custaram 6.125:000 libras; a guerra do Transwal, 592:000 libras; a guerra contra os zulus 1.059:000 libras; ao todo uma somma de 7.525:000 libras, das quaes 5.035:000 foram levantadas por emprestimo, porém, d’estas já se acham pagas com as receitas 2.900:000. Sir Stafford Northcote calcula as despezas do anno corrente em libras 81.155:000, havendo portanto um excesso de 1.900:000 libras. O orçamento da despeza não comprehende as sommas que tenham de applicar-se á guerra de Africa, nem o pagamento das obrigações do thesouro. Sir Stafford Northcote espera que esse excedente de 1.900:000 libras bastará para saldar as despezas da guerra dos zulus, e propõe a prorogação por um anno do pagamento das obrigações do thesouro, pois que não quer augmentar a divida permanente. O ministro propõe igualmente o augmento de 2 pence por arratel no direito de importação sobre o tabaco. Algumas folhas são porém de opinião opposta á de sir Stafford e pronunciam-se abertamente em pró das reformas económicas em larga escala asseverando que todo e qualquer imposto ainda que diminuto seja sobre os ramos do commercio affectará o viver já desgraçado das classes trabalhadoras e augmentará ipso facto a força ao socialismo com que a monarchia britannica está lutando. Os receios das folhas burguesas não são infundados. O socialismo na Inglaterra assim como na Allemanha e na Rússia progride por uma fórma espantosa. A proposito do movimento socialista na Grã-Bretanha eis um aviso da commissão parlamentar das Trades-Unions que é summamente importante: «A commissão parlamentar das Trades-Unions publicou as primeiras convocações para o congresso geral d’estas associações operarias, que será aberto no dia 15 de setembro proximo e durará cinco dias. As Trades-Unions, segundo vemos em differentes jornaes inglezes, contam 1.250:000 associados.» Conforme dizemos o quarto estado social na Allemanha secundou o movimento iniciado na Grã-Bretanha. Os socialistas allemães obtiveram ultimamente uma nova victoria. Hasenclever foi eleito deputado socialista ao reichstag. A eleição havia sido empatada, lutando o socialismo contra o candidato dos nacionaes liberaes e progressistas reunidos, e alcançando ainda assim 5:415 votos. Em Sonneberg foi eleito nas ultimas eleições um conselho municipal inteiramente composto de socialistas. Estes factos são altamente importantes e não devem ser olvidados. Resta-nos ainda fallar ácerca dos successos em França e na Italia e como o espaço de que podemos dispor é exiguo, consubstanciaremos as noticias. A camara dos deputados, em Versailles, occupou-se do projecto para a demolição das Tulherias, approvando-o. A discussão dos projectos de Jules Ferry sobre a instrucção terminou sem maiores incidentes ficando approvados. A Republique Française diz que alguns deputados da extrema esquerda querem renunciar os seus logares para cederem os circulos ao cidadão Augusto Blanqui. A maior parte das folhas italianas mostram-se favoráveis á politica do novo ministério. O sr. Cairoli, fallando acerca da politica estrangeira do gabinete, disse que actualmente era impossível discutir esta questão, que exige discussão completa afim de esclarecer os equivocos resultantes de interpretações erróneas. O governo quer a execução dos tratados e sobretudo a do tratado de Berlim. A politica estrangeira do gabinete será conciliadora, mas firme. Foram approvados todos os orçamentos. A policia apprehendeu em Roma grande numero de exemplares de um programma da associação universal republicana. O programma previne os filiados que estejam promptos para um movimento proximo. Fizeram-se algumas prisões. Suspeita-se que o programma seja obra dos jezuitas porque o partido republicano de Italia tem outros meios de luctar e com mais segurança sem ser necessario recorrer ás armas. Cairoli é tolerante e não se oppõe á propaganda republicana quando seja feita pelos meios legaes. Pelo menos as folhas avançadas na sua attitude benevola mostram confiança no novo presidente do conselho. De Odemira noticiam, para o Diario de Portugal, a eleição da mesa da misericordia e fazem sensatas considerações sobre o hospital que lucta, pela affluencia de enfermos, com falta de meios. O que lemos no Diario de Portugal não nos surprehendeu, porque o tínhamos ouvido, na ultima sessão da junta geral, a um dos procuradores pela localidade, o nosso amigo e correligionario o sr. Britto, quando pedio um subsidio para aquelle estabelecimento de caridade—subsidio que foi negado com o voto do outro procurador por Odemira, o sr. Fernando Penedo. Isto, ao que parece, passou despercebido na localidade, em compensação porém deu-se pela calumnia forjada contra o sr. Britto, a proposito do hospicio. Coisas.
Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localCrimesLivros e publicações
Aos sentidos queixumes, ás pathetic as lamurias, e ás sonoras imprecações que a rapaziada fina solta a proposito de qualquer demissão ou transferencia, responde assim a Revolução de Setembro: «Pediram a demissão quasi todas as auctoridades administrativas, e que a não pedissem, os jornaes ministeriaes nos annunciaram que lhes seria dada, porque era preciso montar a machina eleitoral! Estava no seu pleníssimo direito o governo procedendo assim, e só se lhe podia notar que, desde ha muitos annos, não havia tão considerável movimento de demissões por occasião de uma transformação politica. Era um symptoma para o diagnostico a fazer do procedimento e índole do governo; nada mais! Procederam melhor os outros governos, conservando as auctoridades que faziam boa administração, sem lhes investigar as propensões politicas, ou procedeu melhor este governo, querendo todos os governadores civis e administradores do concelho, todos os regedores e cabos de policia, da sua côr e feitio? Mas porque conserva o governo alguns governadores civis, alguns administradores de concelho? É um ultrage que lhes faz? É um estygma com que os marca? É um baldão com que os apregoa sem pundonor? Os que defendem a demissão de todas as auctoridades de confiança não fazem excepções! E todavia nós fazemo-las; e é n’isso que está a censura ao governo.» A Revolução faz politica mas não disparata. Reconhece o pleníssimo direito do governo demettir empregados. Isto entende-se; agora o procedimento do Illustrado é que poucos comprehendem. Acceite pois a rapaziada fina a lição. É de mestre do jornalismo e de amigo politico.
Política e administracção do EstadoDebates políticos
O Progressista, orgão do partido dominante no districto de Coimbra, referindo-se ao desmentido que o Diario da manhã deu aos boatos de se ter rompido o pacto entre o governo e o nosso honrado chefe o sr. Dias Ferreira, diz entre outras cousas: «O Diario da manhã, orgão do grupo constituinte, veio desmentir pelo modo mais formal e cathegorico semelhantes boatos, explanando-se em considerações altamente desfavoráveis ao partido regenerador tanto com relação aos seus actos de governo, como ao modo porque se está havendo para com o governo actual.» Muito bem. Se os nossos encómios alguma cousa valessem, não os pouparíamos ao grupo constituinte pela dignidade e firmeza com que mostra manter-se na louvável posição que ultimamente resolvera tomar entre os dois partidos contendores.
Os successos
Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaCrimesNomeaçõesTransferências
Foi demettido o director da alfandega de Bolama e transferido o de Cacheu. Foi demettido o director das obras publicas de Angra. Foi demettido o governador de S. Thomé e Príncipe e mandado metter em processo por faltas graves. O governo de S. Thomé foi dado ao governador de Mossamedes. Foram transferidos: o juiz de Castello Branco; os delegados, de Castello Branco para Fronteira, o de Fronteira para Castello Branco, o de Cantanhede para Tabua, o de Louzã para Cantanhede, o de Tabua para Louzã; os conservadores, d’Arouca para Fronteira, e o d’esta para Arouca; os escrivães de direito, de Santarem, o de Estremoz para Santarem, o de Pedrogão Grande para Estremoz, o de Miranda do Douro para Caminha. Foi nomeada uma commissão para reorganisar os serviços do ministério das obras publicas. Foram despedidos do conselho geral das alfandegas todos os empregados temporarios. Os srs. Teixeira, Doria e Macedo, officiaes do exercito, empregados na penitenciaria, foram mandados regressar aos corpos a que pertencem.
Parte official
Política e administracção do EstadoDecretos e portarias
Portaria do ministério das obras publicas, estabelecendo quaes as gratificações que podem ser abonadas por aquelle ministério em harmonia com o que dispõe o decreto de 26 de junho ultimo. A differença entre as antigas gratificações e as que se abonam é de 30 contos de réis de economia.
Parte official
Ditta determinando que d’ora em diante sejam providos, segundo suas cathegorias, nos logares que vagarem, os indivíduos que tenham sido distrahidos das direcções do ministério das obras publicas.
Parte official
Ditta nomeando para propor a reorganisação do ministério das obras publicas uma commissão composta dos srs. Marianno de Carvalho, presidente, Carlos Henrique da Costa, João Pedro Tavares Trigueiros, Domingos Pinheiro Borges, Cândido Celestino Xavier Cordeiro, Viriato Luiz Nogueira e Gaspar Cândido da Graça Correia Fino.
Parte official
Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoCrimesDecretos e portarias
Ditta aos procuradores régios junto das relações de Lisboa, Porto e Açores para que exijam dos seus delegados e enviem com toda a brevidade possível, uma nota por classes, do numero de processos judiciaes distribuídos no juízo de direito da respectiva comarca durante os tres ultimos annos, e uma nota do numero dos processos instaurados em cada um dos juízos ordinários da respectiva comarca durante os ultimos tres annos. Ditta mandando que os governadores civis do continente e ilhas remettam, com toda a urgência, as consultas das camaras municipaes, juizes de direito, conservadores de registo e procuradores régios, dos seus respectivos districtos, em resposta aos quesitos que acompanham a referida portaria sobre a divisão comarcã.
Lisboa 7-8-79
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Fomos n’um dos ultimos dias sobresaltados com uma noticia pavorosa espalhada por algumas folhas regeneradoras e segundo as quaes o paiz estaria sobre um vulcão que prestes a rebentar, levaria a anarchia a todas as povoações. O Progresso e o Diario da manhã esconjuraram porém, em excellentes artigos, a tetrica tempestade, demonstrando mui judiciosamente o Diario da manhã, que a razão do annunciado vulcão estava na demissão das auctoridades administrativas. O artigo foi muito apreciado e transcripto no Progresso e outras folhas. No Diario appareceu o relatorio e decreto ácerca das gratificações do ministério das obras publicas. É documento importante e que demonstra a anarchia e o caos em que as coisas estão. Realisou-se o emprestimo portuguez em Paris, apesar da opposição dos descontentes e dos portadores da divida de D. Miguel, ás duas horas da tarde estava coberto o emprestimo, julgando-se que haveria rateio. O emprestimo foi obtido em boas condições para o thesouro. As noticias commerciaes recebidas do Rio de Janeiro são animadoras. O estado da praça, que era precario, vae melhorando e as transacções fazem-se com bastante animação. Ácerca dos trabalhos da exposição portugueza n’aquella capital recebeu-se em Lisboa um telegramma muito lisongeiro. As noticias agricolas recebidas dos differentes pontos do paiz são bôas. As vinhas apresentam bom aspecto, se bem o oidium e o phylloxera lhe tenha causado algum damno. De dia para dia se nota maior actividade nos trabalhos eleitoraes. Aqui por Lisboa são propostos quatro candidatos republicanos e crê-se que um pelo menos obterá victoria. A eleição do sr. Rodrigues de Freitas pelo Porto considera-se certa. É muito possivel que o partido republicano obtenha d’esta vez quatro logares no parlamento. Como vae melhorando o estado da praça vae igualmente diminuindo a crise de trabalho. Felizmente já se não encontram tantos operarios sem trabalho como se encontravam ha dois mezes se bem as coisas não tenham entrado nos seus verdadeiros eixos, espera-se comtudo que em breve desappareça totalmente a crise que ainda afflige as classes trabalhadoras. Até breve. J.
Lisboa 7-8-79, ás 4 horas da tarde
EstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisQuartéis
Acabo de ser informado do seguinte: Estiveram presas ao quartel 200 praças de infantaria n.º 2. Foi o caso que o sr. director do rancho mandou esburgar pelas citadas praças uma porção de nabos podres, que comprou para o rancho. As ditas praças, vendo que era impossivel aproveitar a rama pelo estado de putrefacção em que estava, apenas lhe aproveitaram as cabeças, o que lhe resultou dois dias de detenção, e o que ainda tem mais graça é o sr. official director do rancho continuar no dia seguinte a comprar nabos; note-se que os nabos além de não prestarem no presente tempo, são carissimos aqui em Lisboa. Em o numero seguinte daremos mais pormenores a este respeito, porque effectivamente os ha. M. Bruno.
Noticias diversas
Município e administracção local
Recebemos de Ferreira um conscienciosissimo trabalho sobre o estado moral e material do concelho, seu adiantamento agricola, governo municipal etc. etc. Sentimos não poder, pelo haver recebido tarde e ser extenso, dar-lhe cabimento n’este numero. Irá porém no seguinte sem falta, e ao seu auctor agradecemos ter preferido o Bejense para lhe dar publicidade.
Noticias diversas
Um correspondente de Mafra para o Diario de Portugal diz que a força do 17 de infanteria que ali esteve destacada em julho, se conduziu irreprehensivelmente.
Noticias diversas
Município e administracção local
O nosso amigo e correligionario, o sr. Manoel Ignacio de Mello Garrido, administrador do concelho de Vidigueira, foi recebido, na localidade, com as maiores demonstrações de regosijo.
Noticias diversas
Foi brilhantissima a inauguração da sociedade democratica vidigueirense.
Noticias diversas
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Sahio o 10.º n.º do Jornal de Viagens. É impresso, como dissemos, em papel assetinado o que muito influe na gravura. Está um numero explendido o que nos foi mandado. Agradecemos.
Noticias diversas
Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Subio o preço dos trigos lobeiros.
Noticias diversas
Economia e comércioSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesCorreioFalecimentosFeiras
Falleceu quarta feira, o sr. João Bernardo Vital, praticante da administração central do correio d’esta cidade. Á sua familia os nossos pesames.
Noticias diversas
Economia e comércioFeiras
Começa amanhã a feira annual d’esta cidade, denominada de S. Lourenço.
Noticias diversas
Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesDiligênciasFeirasPrisões
Uma diligencia de caçadores 8, acompanhada d’um policia civil d’Evora, escoltou até esta cidade quinta feira, tres presos implicados em differentes crimes.
Noticias diversas
Cultura e espectáculoMeteorologia e fenómenos naturaisLivros e publicaçõesSecas
Recebemos e muito agradecemos um livro intitulado Viagens á roda do codigo administrativo, do sr. Alberto Pimentel, com que nos brindou a empreza litteraria de Lisboa. Ácerca d’este livro, que é assás importante, occupa-se mais detidamente e na sua secção bibliographica o nosso bom amigo e collega o sr. Sebastião Joaquim Baçam.
Noticias diversas
É correspondente da empreza n’esta cidade o sr. Adriano Antonio Trindade, e no seu estabelecimento se encontram á venda as obras que a empreza tem publicado.
Noticias diversas
ExércitoBanda militar
Hontem, tocou, na praça de D. Manoel das 8 ás 10 horas da noute, a banda do regimento 17 de infanteria. A concorrência de senhoras e cavalheiros foi numerosa.
Noticias diversas
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras
Quarta feira teve revista de correame e armamento, o regimento 17 d’infanteria.
Noticias diversas
Justiça e ordem públicaCrimes
Tem 60 dias de licença, o sr. juiz de direito da comarca de Serpa.
Noticias diversas
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Publicou-se o n.º 15 do jornal de familia A Moda illustrada. Vem curiosissimo.
Noticias diversas
Religião
Publicou-se a 31.ª caderneta dos Padres e Beatos e 20.ª dos Companheiros da Guitarra.
Noticias diversas
Fomos presenteados com a Oração gratulatoria que na festividade em Vizeu, pelo restabelecimento da rainha, recitou o sr. abbade de Besteiros, José Maria da Silva Cardoso Castellão. Agradecemos tão mimosa offerta.
Noticias diversas
Economia e comércioFeiras
Esteve na Cuba, segunda feira, o sr. infante D. Augusto. Hospedou-se em casa do sr. conde da Esperança.
Noticias diversas
O escrivão de fazenda de Mira foi transferido para Alvito e o de Alvito para Mira.
Noticias diversas
Município e administracção local
O concelho de Mertola está infestado de ciganos que ameaçam e roubam.
Noticias diversas
Cultura e espectáculoLivros e publicações
Recebemos e agradecemos um livro intitulado Historia de uma administração ultramarina. Versa sobre negocios de Macau. Leremos e com a attenção que o caso requer.
Noticias diversas
Recebemos e agradecemos o Direito popular, folha opposicionista que se publica em Horta.
Noticias diversas
Recebemos e agradecemos A victima de um lazarista, romance por J. Augusto de Ornellas.
Noticias diversas
Justiça e ordem públicaCrimes
O sr. João Rodrigues de Azevedo, juiz de direito da comarca de Cuba, tem licença por trinta dias.
Noticias diversas
Cultura e espectáculoConcertos
Tem tirado algum resultado do annuncio que por este publicou sobre musica, o sr. Thêa, mestre de philarmonica de Aljustrel.
Correspondencias—Aljustrel 6 de agosto
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Neste concelho tem-se necessidade da syndicancia aos differentes ramos de administração, porque as auctoridades d’este concelho teem dormido o somno da indifferença emquanto o povo, esse martyr das prepotências administrativas, geme no meio do despotismo que contra elle ainda hoje se põe em pratica. Quando dizemos que a syndicancia se torna necessaria, não dizemos tudo, porque tambem é urgente; assim como o governo por intermédio da commissão de inquerito quer dizer ao paiz o que tem sido feito do seu dinheiro, assim a syndicancia vinha dizer ao concelho o que tem sido feito dos seus haveres. E de facto este concelho é excepcional, a lei está paralisada, a sua acção é exercida d’uma maneira vexatoria contra um certo numero de indivíduos, que nas ultimas eleições foram contrarios aos regeneradores. Qual é entre esse esfarrapado grupo que tem tido em casa vexames executorios como os seus adversarios? Quaes teem sido as citações ou penhoras que lhes teem sido feitas, apesar d’elles serem todos os annos os ultimos remissos ao pagamento das contribuições? Mas estas excepções que a lei não auctorisa não são só o motivo que pede a syndicancia, ha mais e vamos narrando as cousas pouco a pouco por que não havemos de levantar mão d’este assumpto emquanto não as virmos no seu logar. Continuamos. O artigo 543 do cod. civ. diz que prescrevem por cinco annos as pensões emphyteuticas; ora nós sabemos que ha indivíduos, e até alguns empregados, que devem muitos annos de fôros; ora estando muitos d’elles ao abrigo do art. citado quem é o responsavel pelo prejuizo que soffre o cofre do concelho e por consequencia os contribuintes? As camaras respectivas não é verdade? Logo, como se ha de tornar a ellas essa responsabilidade senão por meio d’uma rigorosa syndicancia? Pois o povo vê ir á praça a unica casa em que se recolhe, por uma quantia relativamente insignificante, e não ha de o povo, essa victima expiatoria da malvadez e dos habitos selvagens dos seus algozes, ver a entrada dos seus debitos no cofre do concelho? Este tem-so tolerado, mas não pode nem deve continuar; ha abusos e grandes para que todo o rigor é pouco e que é preciso applical-o com brevidade e sem receio. Temos muito de que lançar mão, havemos de arrancar a mascara mais uma vez a estes paralvilhos, até que os vejamos no logar que a cada um pertence. E já que estamos na matéria da syndicancia queremos os leitores ver até que ponto chega o cynismo d’esta cafila de baldomeras? Oiça. Cautella que o Bejense diz que se falla n’uma syndicancia á camara. Cautella. Qual historia, syndicancia a que? Com que direito? E ainda que o houvesse teria o governador civil tempo para proceder a ella, se está a expirar o governo? Ah... ah... ah! Dizem mais que é preciso não poupar a canalha que nos guerreou. Miseráveis. Guerreámos a vossa politica porque ella e vós representáveis a immoralidade e a devassidão, não adulámos como vós os pés do homem que tantas poucas vergonhas vos pôde tapar; e a nossa politica equivalia a apresentar-vos as faltas de Alvalade, o dinheiro da viação sem lhe faltar um só real, a dar ao concelho o terreno do coito que lhe foi roubado, a perguntar pelo dinheiro dos expostos, a saber de vós para que se creou o artigo 294 do cod. civil, a perguntar-vos pelo dinheiro do povo, e a dizer-lhe: O teu dinheiro povo, não apparece, sumiu-se na immensidade dos estômagos famintos que te teem administrado; o teu dinheiro, quando o davas e que julgavas ver applicado em estradas, pontes, escolas e outros melhoramentos indispensáveis á civilisação actual evaporou-se como o fumo, sumiu-se. Estradas? Onde? Pontes? Em que sitio? Escolas? [ilegível] aqui na cabeça do concelho se queres educar os teus filhos pagas ao mestre particular, porque os régios esses conspiram contra a civilisação moral e a prova é que teem as escolas ás moscas! Isto é mais que escandaloso, isto é barbaro, é indigno d’este seculo. Pedimos providencias e esperamos obtel-as porque nos devem muito respeito os srs. governador civil e administrador do concelho. A este cavalheiro temos uma advertência a fazer-lhe para o que lhe pedimos respeitosamente licença. Ha n’esta villa uma sucia que se bazofeia de fazer da auctoridade tudo o que quer; nós bem sabemos que ha [ilegível] de s. s.ª nada influirá, mas emfim é bom s. s.ª acautelar-se d’[ilegível] os seus risinhos d’[ilegível] ao pé da porta. Como noticias isto me abundam por aqui. Diz-se que Rasquinho substituido no logar d’escrivão da camara pelo Teixeira e se assim acontecer veja o Teixeira se modifica mais essa veia com que a natureza o dotou de só ver nos actos da sua jurisdicção o inimigo; verdade seja que o Teixeira já tem feito uma modificação respeitável porque quando estava indisposto com o Joaquim Pedro era o Teixeira outro homem, ainda que o seu valimento para pouco poderia servir, segundo elles dizem. No dia 1 houve missa na Senhora do Castello e diz-se que em acção de graças por o sr. Cardote ter affiançado ao Joaquim Pedro da berradola que não deixaria de ser substituto do administrador. Já é ter devoção e crença. Como vae longa para a semana continuaremos. Perguntam-nos ainda se o grande sr. da manteirola já pagou as suas derramas ou se tem moratoria por mais alguns annos, e como é que elle exerce o cargo de substituto do administrador sendo juiz ordinario?
Bibliographia
Cultura e espectáculoPreçosLivros e publicações
Uma nova obra de Camillo Castello Branco—Sentimentalismo e Historia—vae apparecer á luz da publicidade, editada pelo sr. Chardron. O livro sahirá impreterivelmente no dia 10 do corrente. É dedicado a Fernandes Costa, e custa 800 reis.
Bibliographia
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localObras municipaisProfessores
Mais duas excellentes obras acaba o sr. Ernesto Chardron de publicar e das quaes nos brindou com um exemplar. Referimo-nos ás Viagens em Marrocos, por Ruy da Camara, com illustrações de Manoel de Macedo, C. Alberto e Pastor, e ao Methodo de Ahn, curso da lingua italiana, pelo professor H. Brunswich.
Bibliographia
Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoInstrução públicaLivros e publicações
Os livros de que fallamos custam o primeiro 1:000 reis e o segundo 500 reis. Por tão diminuta quantia quem deixará de os possuir? Por isso, devemos assim dizer, porque esta é a verdade, o serviço que o sr. Ernesto Chardron está prestando ao paiz e á instrucção não pode ser descurado e torna-se digno de encómios.
Bibliographia
Cultura e espectáculoEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoPreçosSociedade e vida quotidianaAssociaçõesCheiasCostumes e hábitosDebates políticosLivros e publicaçõesPreços e mercados
A Empreza Litteraria de Lisboa acaba de publicar um curioso livro Viagens á roda do codigo administrativo por Alberto Pimentel. É um livro de leitura variadissima, temperado para todos os paladares. A sua leitura torna-se agradavel a todas as classes pela grande variedade dos assumptos: para as damas, romance; para os politicos, critica do nosso systema administrativo; para os archeologos, investigações de historia antiga; para os bibliomanos, curiosas escavações bibliographicas; para todos, finalmente, os beliscões allegres e maliciosos do folhetim apalpando ligeiramente as carnes de alguns dos nossos ídolos litterarios e politicos. Traçado com um certo espirito de observação das nossas instituições, dos nossos costumes e dos nossos homens, cuida a Empreza Litteraria de Lisboa haver publicado um livro que contém idéas sãs, e que estuda a nossa sociedade sob o ponto de vista de uma critica verdadeira e independente. Na parte politica o auctor desprende-se de individualidades para analysar os principios, e sobretudo n’esta parte crêmos que será interessante, especialmente para os leitores dos grandes centros, a critica por vezes ironica, e cheia de actualidade das luctas quixotescas em que os diversos partidos estão empenhados. Um elegante volume nitidamente impresso. Preço 500 reis.
Occorrencias policiaes
Justiça e ordem públicaPrisões
Dia 20—Por offensas á moral, esteve detido, na esquadra, um individuo e por roubar uma manta, foi remettido ao ex.mo juiz, um outro.
Occorrencias policiaes
Justiça e ordem públicaBebedeiras e desordensPrisões
Dia 21—Por embriaguez, esteve detido, na esquadra, um individuo.
Occorrencias policiaes
Justiça e ordem públicaCrimes
Dias 22 e 23—Nada.
Occorrencias policiaes
Justiça e ordem públicaPrisões
Dia 24—Por insultos á auctoridade, esteve detido na esquadra, um individuo.
Occorrencias policiaes
Justiça e ordem públicaCrimes
Dias 25 e 26—Nada.