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Artigo

Correspondencias—Aljustrel 6 de agosto

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Aljustrel · Portugal Correspondência · Governo Civil · Interpretacção incerta

Neste concelho tem-se necessidade da syndicancia aos differentes ramos de administração, porque as auctoridades d’este concelho teem dormido o somno da indifferença emquanto o povo, esse martyr das prepotências administrativas, geme no meio do despotismo que contra elle ainda hoje se põe em pratica. Quando dizemos que a syndicancia se torna necessaria, não dizemos tudo, porque tambem é urgente; assim como o governo por intermédio da commissão de inquerito quer dizer ao paiz o que tem sido feito do seu dinheiro, assim a syndicancia vinha dizer ao concelho o que tem sido feito dos seus haveres. E de facto este concelho é excepcional, a lei está paralisada, a sua acção é exercida d’uma maneira vexatoria contra um certo numero de indivíduos, que nas ultimas eleições foram contrarios aos regeneradores. Qual é entre esse esfarrapado grupo que tem tido em casa vexames executorios como os seus adversarios? Quaes teem sido as citações ou penhoras que lhes teem sido feitas, apesar d’elles serem todos os annos os ultimos remissos ao pagamento das contribuições? Mas estas excepções que a lei não auctorisa não são só o motivo que pede a syndicancia, ha mais e vamos narrando as cousas pouco a pouco por que não havemos de levantar mão d’este assumpto emquanto não as virmos no seu logar. Continuamos. O artigo 543 do cod. civ. diz que prescrevem por cinco annos as pensões emphyteuticas; ora nós sabemos que ha indivíduos, e até alguns empregados, que devem muitos annos de fôros; ora estando muitos d’elles ao abrigo do art. citado quem é o responsavel pelo prejuizo que soffre o cofre do concelho e por consequencia os contribuintes? As camaras respectivas não é verdade? Logo, como se ha de tornar a ellas essa responsabilidade senão por meio d’uma rigorosa syndicancia? Pois o povo vê ir á praça a unica casa em que se recolhe, por uma quantia relativamente insignificante, e não ha de o povo, essa victima expiatoria da malvadez e dos habitos selvagens dos seus algozes, ver a entrada dos seus debitos no cofre do concelho? Este tem-so tolerado, mas não pode nem deve continuar; ha abusos e grandes para que todo o rigor é pouco e que é preciso applical-o com brevidade e sem receio. Temos muito de que lançar mão, havemos de arrancar a mascara mais uma vez a estes paralvilhos, até que os vejamos no logar que a cada um pertence. E já que estamos na matéria da syndicancia queremos os leitores ver até que ponto chega o cynismo d’esta cafila de baldomeras? Oiça. Cautella que o Bejense diz que se falla n’uma syndicancia á camara. Cautella. Qual historia, syndicancia a que? Com que direito? E ainda que o houvesse teria o governador civil tempo para proceder a ella, se está a expirar o governo? Ah... ah... ah! Dizem mais que é preciso não poupar a canalha que nos guerreou. Miseráveis. Guerreámos a vossa politica porque ella e vós representáveis a immoralidade e a devassidão, não adulámos como vós os pés do homem que tantas poucas vergonhas vos pôde tapar; e a nossa politica equivalia a apresentar-vos as faltas de Alvalade, o dinheiro da viação sem lhe faltar um só real, a dar ao concelho o terreno do coito que lhe foi roubado, a perguntar pelo dinheiro dos expostos, a saber de vós para que se creou o artigo 294 do cod. civil, a perguntar-vos pelo dinheiro do povo, e a dizer-lhe: O teu dinheiro povo, não apparece, sumiu-se na immensidade dos estômagos famintos que te teem administrado; o teu dinheiro, quando o davas e que julgavas ver applicado em estradas, pontes, escolas e outros melhoramentos indispensáveis á civilisação actual evaporou-se como o fumo, sumiu-se. Estradas? Onde? Pontes? Em que sitio? Escolas? [ilegível] aqui na cabeça do concelho se queres educar os teus filhos pagas ao mestre particular, porque os régios esses conspiram contra a civilisação moral e a prova é que teem as escolas ás moscas! Isto é mais que escandaloso, isto é barbaro, é indigno d’este seculo. Pedimos providencias e esperamos obtel-as porque nos devem muito respeito os srs. governador civil e administrador do concelho. A este cavalheiro temos uma advertência a fazer-lhe para o que lhe pedimos respeitosamente licença. Ha n’esta villa uma sucia que se bazofeia de fazer da auctoridade tudo o que quer; nós bem sabemos que ha [ilegível] de s. s.ª nada influirá, mas emfim é bom s. s.ª acautelar-se d’[ilegível] os seus risinhos d’[ilegível] ao pé da porta. Como noticias isto me abundam por aqui. Diz-se que Rasquinho substituido no logar d’escrivão da camara pelo Teixeira e se assim acontecer veja o Teixeira se modifica mais essa veia com que a natureza o dotou de só ver nos actos da sua jurisdicção o inimigo; verdade seja que o Teixeira já tem feito uma modificação respeitável porque quando estava indisposto com o Joaquim Pedro era o Teixeira outro homem, ainda que o seu valimento para pouco poderia servir, segundo elles dizem. No dia 1 houve missa na Senhora do Castello e diz-se que em acção de graças por o sr. Cardote ter affiançado ao Joaquim Pedro da berradola que não deixaria de ser substituto do administrador. Já é ter devoção e crença. Como vae longa para a semana continuaremos. Perguntam-nos ainda se o grande sr. da manteirola já pagou as suas derramas ou se tem moratoria por mais alguns annos, e como é que elle exerce o cargo de substituto do administrador sendo juiz ordinario?