Temos nova questão politica na camara dos pares. Está em discussão, ha tres dias, n’aquella casa, o famoso bill, chamado dos coronéis. Mas o que se quer? O que se pretende? O que diz o bill? O bill diz que é illegal o decreto de 10 de setembro de 1880, que concedeu melhoria de reforma ao coronel Affonso de Campos e illegaes os decretos analogos que depois d’elle se promulgaram; mas declarando-os illegaes, e prejudiciaes á fazenda publica, o que suppõem os leitores, que a respectiva commissão propõe? Pensam talvez que propõe a revogação d’esses decretos? ou que elles se restrinjam? Pois propõe que elles se ampliem! Leiam: Art. 3.º São extensivos aos officiaes de todas as armas e aos do corpo do estado maior que tiverem a antiguidade de tenente de 14 de janeiro de 1846, as disposições do decreto de 10 de setembro de 1880, para o fim de obterem iguaes vantagens no acto da reforma ou para lhes ser melhorada a que teem, nos postos correspondentes áquella antiguidade. Os decretos foram illegaes, foram maus, trouxeram encargos para os contribuintes; e a commissão pede que elles se ampliem aos officiaes de todas as armas, e até aos officiaes que, por já estarem reformados, se devia entender que de todo liquidaram as suas contas com o estado! Comprehende o povo? A ampliação que se propõe, abrangerá talvez mais de 140 officiaes sendo: Coronéis das armas scientificas, 21; Officiaes, constantes da relação de reformados, publicada com a sessão parlamentar de 29 de janeiro, sendo 15 a quem pertence a melhoria de reforma em generaes de brigada, e 11 em coronéis, 26; Marechaes de campo, generaes de brigada e coronéis reformados, e ainda 9 majores e 5 capitães sem accesso, 93; total, 140. A estes 140 officiaes, ha ainda a accrescentar alguns tenentes coronéis, e não sabemos mesmo se majores, que a falta de um almanach antigo nos não permitte verificar. Em numero redondo, não será inferior a 150 o numero de officiaes, comprehendidos no beneficio do artigo 3.º do bill pendente na camara dos dignos pares. Somos opposição mas n’esta questão separâmo-nos. Insurgimo-nos violentamente contra o sr. João Chrysostomo, do que nos não arrependemos, e insurgimo-nos da mesma fórma contra a camara dos pares. Não seremos bons soldados, mas somos logicos. Pois nós condemnando uma fornada dos 21 generaes, haviamos de ir applaudir outra de 150? Pois nós que achámos ser a primeira fornada um abuso, um desperdicio, haviamos de ir, e porque o bill é dos nossos, corrigir o abuso com outro abuso, obstar ao desperdicio com outro desperdicio? Não pode ser. Nós sabemos que a politica obriga a grandes sacrificios, temol-os feito mas no caso presente não vemos politica; vemos especulação e só especulação. Pois os interessados que trabalhem. Com o nosso auxilio não lograrão o que desejam.
Artigo
Economia e comércioEstatísticasExércitoMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoAgriculturaDecretos e portariasReformasSessões da câmara