Temos nova questão politica na camara dos pares. Está em discussão, ha tres dias, n’aquella casa, o famoso bill, chamado dos coronéis. Mas o que se quer? O que se pretende? O que diz o bill? O bill diz que é illegal o decreto de 10 de setembro de 1880, que concedeu melhoria de reforma ao coronel Affonso de Campos e illegaes os decretos analogos que depois d’elle se promulgaram; mas declarando-os illegaes, e prejudiciaes á fazenda publica, o que suppõem os leitores, que a respectiva commissão propõe? Pensam talvez que propõe a revogação d’esses decretos? ou que elles se restrinjam? Pois propõe que elles se ampliem! Leiam: Art. 3.º São extensivos aos officiaes de todas as armas e aos do corpo do estado maior que tiverem a antiguidade de tenente de 14 de janeiro de 1846, as disposições do decreto de 10 de setembro de 1880, para o fim de obterem iguaes vantagens no acto da reforma ou para lhes ser melhorada a que teem, nos postos correspondentes áquella antiguidade. Os decretos foram illegaes, foram maus, trouxeram encargos para os contribuintes; e a commissão pede que elles se ampliem aos officiaes de todas as armas, e até aos officiaes que, por já estarem reformados, se devia entender que de todo liquidaram as suas contas com o estado! Comprehende o povo? A ampliação que se propõe, abrangerá talvez mais de 140 officiaes sendo: Coronéis das armas scientificas, 21; Officiaes, constantes da relação de reformados, publicada com a sessão parlamentar de 29 de janeiro, sendo 15 a quem pertence a melhoria de reforma em generaes de brigada, e 11 em coronéis, 26; Marechaes de campo, generaes de brigada e coronéis reformados, e ainda 9 majores e 5 capitães sem accesso, 93; total, 140. A estes 140 officiaes, ha ainda a accrescentar alguns tenentes coronéis, e não sabemos mesmo se majores, que a falta de um almanach antigo nos não permitte verificar. Em numero redondo, não será inferior a 150 o numero de officiaes, comprehendidos no beneficio do artigo 3.º do bill pendente na camara dos dignos pares. Somos opposição mas n’esta questão separâmo-nos. Insurgimo-nos violentamente contra o sr. João Chrysostomo, do que nos não arrependemos, e insurgimo-nos da mesma fórma contra a camara dos pares. Não seremos bons soldados, mas somos logicos. Pois nós condemnando uma fornada dos 21 generaes, haviamos de ir applaudir outra de 150? Pois nós que achámos ser a primeira fornada um abuso, um desperdicio, haviamos de ir, e porque o bill é dos nossos, corrigir o abuso com outro abuso, obstar ao desperdicio com outro desperdicio? Não pode ser. Nós sabemos que a politica obriga a grandes sacrificios, temol-os feito mas no caso presente não vemos politica; vemos especulação e só especulação. Pois os interessados que trabalhem. Com o nosso auxilio não lograrão o que desejam.
Reunio a commissão de fazenda estando presentes o director das contribuições directas, e o delegado do thesouro em Lisboa. Discutiu-se largamente a reforma do processo das execuções fiscaes e ficou concluida a discussão.
Meetings
Houve domingo dois meetings no Porto um a favor do imposto de rendimento e outro contra. Estiveram ambos muitos concorridos. Que os contribuintes e outros promovam meetings contra o imposto de rendimento bem está, mas que os promovam os regeneradores que votaram esse imposto e que venham para o comicio censurarem o que applaudiram no parlamento não se comprehende. Mas ha mais: os regeneradores tiveram na sua mão fazer rejeitar, na camara dos pares, o imposto de rendimento. Passou o respectivo projecto quasi em fins da sessão legislativa, e quando o governo já não tinha maioria n’aquella casa do parlamento. Gabava-se o sr. Fontes — e se a ostentação d’esse predominio era vaidade reprehensivel, nem por isso o facto era menos exacto — gabava-se o sr. Fontes de dirigir a seu talante os trabalhos na camara dos dignos pares. Só ali passou o que quiz que passasse. Assim o disseram, sem cautellas nem reservas, os seus arautos. E sabe-se, como logo foi declarado sem contestação, que na votação sobre o imposto de rendimento o sr. Fontes fez sahir da sala alguns pares da sua parcialidade, afim de que o respectivo projecto podesse ser approvado, como foi. Não comprehendemos tambem como é que o partido que ao sr. Fontes obdece, vem hoje aos meetings protestar contra o imposto de rendimento, que no parlamento podia ter feito rejeitar e que só foi convertido em lei por virtude d’aquella abdicação voluntaria de votos hostis.
O sr. marquez de Vallada obtendo a palavra para uma questão previa, leu um telegrumma recebido por via de Londres, que foi tambem apresentado na camara electiva, pelo sr. Hintz Ribeiro, no qual se dizia ter havido um tumulto na ilha de S. Miguel contra o imposto do real d’agua, chegando o povo a fazer queima de papeis.
O sr. ministro do reino declarou que o governo nenhuma noticia havia recebido a esse respeito. Hade ser isso.
Ao Boletim Judicial agradecemos a transcripção nos nossos artigos A instrucção primaria.
O sr. ministro da marinha apresentou na camara dos deputados as seguintes propostas de lei, por parte dos seus collegas da fazenda e obras publicas. 1.ª Auctorisando o governo a mandar passar os avisos de conformidade, relativos á importancia de 1:582$240 reis, de guias de transporte do exercito, entregues no thesouro publico pelo ex-contador de fazenda do districto de Lisboa, José Antonio Carlos Torres, em setembro de 1837, março e abril de 1839, que estavam desencaminhados no ministério da guerra. 2.ª Alterando os impostos que os concessionarios de minas devem pagar ao estado, segundo o disposto no artigo 40 do decreto com força de lei de 31 de dezembro de 1852.
Na Revolução de Setembro de domingo, diz
se o seguinte: «Descobrio agora a granja que o sr. Fontes votára o imposto de rendimento, e fez esta descoberta depois que s. ex.ª o declarou n’uma das sessões passadas. E’ verdade! E votal-o-hia segunda vez como o votou a primeira se o governo segunda vez o propuzesse. Isto tem o merito supremo da franqueza; mas, na conjunctura actual, tem uma significação politica muito valiosa. A regeneração do sr. Fontes julga do seu dever affirmar bem alto, que os impostos são necessarios, o que approva o imposto de rendimento, precisamente quando uma outra regeneração declama contra esse imposto e protesta contra os sacrificios tributarios.» Ura entendam os lá.
A camara dos deputados encerrou a discussão do contracto de navegação para a Africa, votou um credito de 50 contos para a ilha de S. Miguel, e o projecto de reforma administrativa até ao titulo IV (juntas de parochia).
Foi apresentada, na casa electiva, uma proposta de lei, prorogando até 22 de março de 1883 o praso para o registo dos onus reaes.
O novo codigo administrativo
(Continuado do n.º antecedente.) Eu já vi uma maioria de vereadores oppôr-se ao legal andamento da sessão, dada pelo respectivo presidente, e um dos taes gritava como possesso, que o presidente havia de fazer o que a camara ordenasse! E’ preciso que s. ex.ª se lembre, que o paiz não é uma academia, que o paiz não é o parlamento, onde s. ex.ª profere com a sua palavra eloquente e illustrada, cousas muito bonitas, mas que a pratica destroe completamente. Venha s. ex.ª para cá, para a provincia, para fóra dos grandes centros de população, viver junto das corporações administrativas, e verá que os homens illustrados e sensatos se desviam em geral, de pertencer-lhes, para não terem que sujeitar-se a opiniões caprichosas de maiorias caturras e ineptas, que atrophiam a existencia d’essas corporações. Nós temos administrado dois concelhos n’estas condições, e o que n’elles vimos, além da má administração, dá para um grosso volume de anedoctas, que entreteria mais o espirito de qualquer leitor, do que as Viagens de Gulliver, do celebrado Suwit. Mas se s. ex.ª, nem o codigo de 1878, são felizes n’este ponto, esta infelicidade sobe no seguinte trecho do seu discurso do dia 5, fazendo critica, a que só podemos dar resposta pelo projecto, ser administradores dos concelhos de 1.ª ordem, individuos que tenham habilitações litterarias, representadas n’um curso superior, especial ou secundario: «Aqui tem s. ex.ª, diz o sr. Julio de Vilhena, para que o governo foi fazer uma classificação de concelhos em tres ordens; para dar nos concelhos de segunda ordem, camaras municipaes com sete vereadores, e administradores de concelho completamente analphabetos!» Como vemos, s. ex.ª poz um ponto de admiração no final da sua critica; mas nós deviamos pôr um cento, adiante d’ella, pelo immenso disparate que ella encerra. Com que então, são completamente analphabetos todos os que não teem curso! Os homens illustres que tem havido n’este paiz, e em todas as nações, são completamente analphabetos, porque não teem curso! Que lhes agradeçam s. ex.ª esta fineza, que nós desculpamos, por ser produzida n’um discurso apaixonado. Mas se os homens sem curso, são completamente analphabetos, ou mesmo só analphabetos, para que é que o partido que s. ex.ª sustenta, com a sua brilhante palavra e intelligencia, os conservou á testa das administrações do concelho, depois da promulgação do codigo de 1878?! Foi naturalmente porque ao sr. Rodrigues Sampaio assim lhe conveio; e elle lá tinha as suas razões!... Pois olhe que nós conhecemos alguns, a que não chamamos completamente analphabetos, porque já soletram; o que duvidamos, porém, é se elles saberiam ler por cima, quando foram nomeados pelo partido a que s. ex.ª pertence. Podíamos apresentar-lhe os nomes de alguns, e até as provas do que avançamos. Podia o illustre deputado accusar o governo de contradictorio no ponto mais criticado, que nós passamos em revista, sem offender melindres, sem offender illustrações que não precisam de diplomas de academias, para se aferirem, nem de elogios de s. ex.ª para serem ou deixarem de ser o que effectivamente são. Podia, por exemplo, dizer ao governo, ou ao relator do projecto do codigo em discussão: — Dizei-nos, senhores: que differença existe nas regras de boa administração publica, entre os concelhos de 1.ª, de 2.ª ou de 3.ª ordem? O individuo que administra bem um concelho de 3.ª ou de 2.ª, não poderá bem administrar um de 1.ª? E n’este pressuposto, para que hade o de 1.ª precisar de curso, e aquelles não? Para que hão de aquelles vencer apenas 200$000 ou 300$000 reis, e este 400$000, além de maiores emolumentos? O direito administrativo é differente? Ás obrigações inherentes ao cargo de administradores dos concelhos de 1.ª, 2.ª e 3.ª ordens, são diversas? As administrações de concelho de sédes de districto, considerados de 1.ª ordem, não teem ao pé o governo civil, que promptamente os illucidará sobre qualquer problema mais difficil de administração, que seja urgente resolver? Emquanto que nos dos concelhos ruraes, longe do governo civil, taes problemas teem que ser resolvidos por sciencia do proprio administrador? E não se diga, que a densidade da população é que faz mais difficil a administração publica; porque lá temos sédes de districto, concelhos de 1.ª ordem, com inferior população a concelhos de 3.ª e 2.ª, e se isto não provasse a contradicção, diria que é mais facil administrar os povos das cidades, do que os povos da maioria dos concelhos ruraes; e o que é mais difficiloso de administrar, deve ter melhor remuneração, deve ter funccionarios mais ou egualmente habilitados. Devia s. ex.ª, egualmente, reflexionar a proposito dos completamente analphabetos: — Como não devo eu desejar, que os administradores de concelho sejam mais do que analphabetos? Pois não fui eu que deixei que alguns d’elles ficassem ganhando o que as camaras lhe queriam dar: a uns 90$000 reis, a outros 100$000, e a outros 150$000, etc.? Agora o menos que podem ganhar os de 3.ª ordem, são 200$000 reis, deduzidos dos quaes os correspondentes impostos, derramas, decimas, etc., ficará em 150$000 reis, o que não pode deixar de incital-os a illustrarem-se, para se livrarem do anathema do sr. Julio de Vilhena; de incital-os — a esses elles da grande cadeia, a que se chama, administração geral do estado — a que sejam o que geralmente são: — uns esfomeados, que os ministros de todas as situações apanham, ás dezenas, debaixo das arcadas do Terreiro do Paço, e que mandam para a provincia, para não morrerem de fome, como machin as eleitoraes, com promessa de lhes melhorarem a posição... se forem optimos galopins! Tem-se proclamado em toda a parte e nos ultimos tempos esta... figura de rethorica: que a instrucção primaria — a alavanca do progresso — é a necessidade publica mais urgente! Fazem uma lei de ensino obrigatorio, e dão aos professores uns magros doze vintens diarios pelo seu trabalho de educarem o povo!... Tambem se diz, que a administração publica precisa do remedio urgente; porque é n’ella que está a salvação do paiz! Rethorica. Discute-se uma lei nova, porque a velha não serve; e vae d’ahi, os salvadores... da rethorica, legislam que se dê de gratificação aos fiscaes d’essa administração, uma remuneração quasi egual á dos professores! Se pelo que se deprehende da critica do sr. Julio de Vilhena, parece que s. ex.ª queria que os bachareis começassem a sua carreira, ganhando 240 reis! Deixe isso cá para nós: teem mais largos horizontes os senhores bachareis. Um administrador... (Completamente analphabeto.)
Acontecimentos na Europa
A elevação de Sagasta ao poder é para os democratas hespanhoes um acontecimento de grande importancia e por este facto em quasi todas as cidades e povoações principaes nas provincias teem sido realisados repetidos banquetes saudando esse acontecimento. Os conservadores monarchicos que teem estado colligados aos reaccionarios de todos os matizes, não encobrem o seu odio á marcha politica iniciada pelo novo gabinete e já as suas folhas começam a jogar-lhe varios epigrammas. Sagasta, porem, que entendendo e com justa razão que sem liberdade governo algum é possivel, acaba de decretar a ampla liberdade de imprensa e bem assim a amnistia para todos os delictos politicos. Estas leis estendem-se ás colonias de Hespanha. Assim, pois, e em resultado das medidas recentemente postas em pratica, annuncia-se em Madrid e em muitas cidades das provincias a proxima publicação de folhas republicanas. Além disto Sagasta recommendou aos governadores civis a mais rigorosa imparcialidade nas eleições, de fórma que os deputados, sem a menor impressão da auctoridade, possam representar a vontade genuina do povo. Ora ninguem por certo ignora que o partido republicano é um dos partidos mais fortes de Hespanha e que o establishemento que ultimamente tem mostrado é devido não só ao despotismo exercido por Cánovas mas igualmente á sua desorganisação. O partido republicano na actualidade, graças aos louvaveis esforços de Zorrilla e d’outros vultos não menos importantes e respeitaveis, acha-se reorganisado e vae agora entrar de novo e com desassombro em lucta com os partidos monarchicos. A imprensa parisiense occupa-se ainda do projecto apresentado mas reprovado na camara electiva para o restabelecimento do divorcio. A questão é de muito interesse e muito importante. As opiniões dividem-se conforme os campos. Um outro assumpto — a reforma da lei eleitoral — está agora na tela da discussão. A absoluta falta de espaço obriga-nos a não relatar minuciosamente quaes as bases da reforma. No proximo numero fallaremos mais detidamente d’este negocio. Continuam a ser muito importantes as noticias acerca da revolução no Transwaal. Os boers vão ganhando terreno e a sua causa começa a encontrar muitas sympathias na Hollanda e na Allemanha. O governo inglez, no interesse de pôr termo á lucta, offerece aos boers entre outras garantias a sua independencia local uma vez que obedeçam ás auctoridades britannicas. Segundo lemos em varias folhas uma nova guerra ameaça a Inglaterra. Os achantis, teem n’estas ultimas semanas atacado as feitorias inglezas na costa do Oiro e entre essa tribu, importante pela sua força numerica, clima e meios de defeza, a agitação contra os inglezes augmenta de dia a dia. As noticias de S. Petersburgo annunciam estar terminada a guerra entre a Russia e a China.
NOTICIAS DIVERSAS
É grande o numero de creanças que, n’estes ultimos dias, tem sido vaccinadas ao commissariado de policia.
O sr. dr. Joaquim Antonio Neves, juiz de direito da comarca de Cintra, e deputado por Odemira, foi promovido a juiz de 1.ª classe e nomeado para a comarca de Silves. Os nossos parabens.
Tem estado abundantes os mercados desta semana.
Na freguezia do Sobral, afogou
se uma rapariga n’um barranco. A infeliz estava sobre a barreira de uma das margens, e, abatendo n’esse momento a mesma barreira, aquella cahio á agua, e foi logo arrastada pela corrente, sem que o marido, com que casara dois ou tres mezes antes, e que se achava na margem opposta, lhe podesse acudir.
Vae apparecendo a ferrugem nos olivedos.
Moura
Queixa-se-nos um amigo nosso de Moura, das [ilegível] que está causando ao [ilegível] da villa a falta de estampilhas [ilegível].
O mau serviço do correio denuncia
se de dia para dia.
Vidigueira
Deu-se ordem ao director das obras publicas para proceder á construcção da casa para escola dos dois sexos, na villa da Vidigueira, ficando auctorisado a despender a quantia de 6:730$000 reis, importancia do respectivo orçamento.
Ha no recenseamento politico d’este anno, comparado com o de 1880, uma diminuição de 118 eleitores.
O sr. José Joaquim do Rego foi nomeado provisoriamente para o logar de continuo do lyceu desta cidade.
O conselho escolar applicou a pena de expulsão a um alumno do lyceu.
Regulou de 3:300 a 3:500 reis cada 15 kilogrammas de carne suina em pé, no mercado de domingo, e ha tendencias para a alta.
Estiveram brilhantes os bailes de mascaras que, domingo e quinta feira, tiveram logar no café Constantino.
Foi reparado, pela quarta vez, o famoso cano do Collegio.
Está em obras a casa da esquadra de policia civil.
No dia 17 de março proximo vão á praça differentes bens nacionaes nos concelhos de Beja e Odemira.
Domingo percorreram as ruas da cidade bastantes mascaras.
Para o carnaval não ha baile na Sociedade bejense.
Recebemos, agradecemos e muito apreciamos, um folheto intitulado Questão Constitucional. Contem o discurso proferido na camara dos deputados, em 24 de janeiro ultimo, pelo nosso collega o sr. Emygdio Navarro. O discurso, foi mandado imprimir pela redacção do Primeiro de Janeiro, e, o distincto orador, faz parte.
Foi nomeado definitivamente guarda a pé da alfandega de Serpa, o sr. José Baião.
Escutado por um selecto auditorio fez, segunda feira, no [ilegível] de higiene, leitura do seu drama Beatriz, o sr. dr. Cunha Seixas. Dissemos maravilhas do drama.
O sr. coronel do 17 de infanteria, ao que se diz, vae entender-se com o sr. governador civil para a prompta remoção das estrumeiras que cercam o edificio do hospital militar.
Tivemos hontem espectaculo, dado no theatro provisorio por alguns artistas que fizeram parte da companhia de E. Adelaide. Representou-se a engraçada comedia A Mascara Verde que teve bom desempenho, e o publico não regateou applausos aos que a interpretaram. O sr. Cabral recitou a poesia Liberdade que lhe valeu uma chamada fóra. Seguiu-se A Machinista, linda opereta em que a sr.ª D. Concha foi justamente applaudida, e fechou o espectaculo As Touradas. Tem bonita musica esta opereta e nada mais. Hoje ha outro espectaculo. Eis o programma: O Salva vidas, drama em 1 acto; O Photographo ao correrio, scena comica, pelo actor Plácido Lima; Os Sinos de Corneville, opereta em 1 acto; Portugal e Hespanha, opereta em um acto.
As armas reaes e as do concelho, collocadas nos tectos de algumas sallas da nova casa da camara, são de um trabalho perfeito. Pena é ser em gesso.
Morreu o nosso collega do Jornal do Commercio o sr. Balthasar [ilegível]. Sentimos.
A banda do regimento 17 tocou da uma ás tres da tarde, domingo ultimo, no largo nove de julho.
O relogio da cidade anda quasi dez minutos atrazado do da estação, do caminho de ferro, quando deve dar-se o contrario. Bom será que a camara tome o nosso aviso em consideração. Se o fizer obstará a grandes transtornos.
Serpa
A camara de Serpa vae construir mais um lanço de estrada da villa a Ficalho.
A camara arrendou, por 115$000 reis annuaes, o ferragial ao campo de Oliva.
Foi dada ordem para serem licenciadas mais 100 praças do 17 de infanteria.
Está em licença o sr. presidente da camara.
A policia tem deitado mão aos que entendem que no tempo de entrudo é tudo permittido, e tem obrigado uns a conterem-se nos verdadeiros limites, e outros a indemnizarem as victimas. Louvamol-a.
O sr. Motta, conductor d’obras publicas, foi mandado fazer serviço na direcção de Beja.
Hontem devia ter
se effectuado, em Faro, o casamento da ex.ma sr.ª D. Adelaide Fonseca, filha do distincto prestidigitador Fonseca, com o sr. Adolpho Julia, artista hespanhol.
Falleceu o marquez de Fronteira.
Domingo ha reunião de familias na Sociedade Philharmonica Artistica Bejense.
Quasi que podemos affirmar que as commissões parochaes para o imposto do rendimento, não se installam.
A camara está procedendo a pequenas reparações nas estradas municipaes.
Está assentado o rodapé de azulejo nos corredores do novo edificio [ilegível].
Parece que todas as juntas que celebram as suas sessões e as commissões do rendimento, se vão pôr de remedio, se vão pedir uso de uma ou duas sallas á camara municipal. Mas onde as tem ella? E que as tivesse emprestal-as-hia? Duvidamos.
No baile de mascaras appareceu uma allusiva ao imposto do rendimento. Foi muito applaudida.
Parece que por estar com pouca força, o 17 de infanteria são mandados recolher alguns destacamentos de policia civil.
Tem sido substituidas as arvores publicas que, no interior da povoação, estavam seccas. O nosso amigo o sr. César Banha offereceu ao municipio frondosas [ilegível].
Os empregados addidos da extincta administração do correio de Beja, pediam ás cortes melhoria de collocação.
No dia 19 de março proximo vão á praça differentes bens nacionaes nos concelhos de Beja, Cuba, Castro Verde e Aljustrel.
S. Miguel
Em S. Miguel tem havido grandes tremores de terra. Ha lombas completamente arrasadas. O Africa está prompto a largar á primeira voz. Leva soccorros.
No ultimo baile de mascaras o premio tocou ao sr. Manoel Antonio Gonçalves.
Sepultou
se quarta feira o filho mais velho do nosso particular amigo o sr. Guedes Pimenta. Falleceu de um typho. Á familia do finado os nossos pezames.
O emprezario do baile de mascaras o sr. Constantino [ilegível], prepara, para os proximos dias do carnaval, grandes surpresas.
Assumio a presidencia da camara o sr. Telles Tinoco.
Terça feira foram presos em uma das regateiras ruraes do concelho, [ilegível].
Publicou
se o n.º 24 do II anno de O Camões semanario popular illustrado.
Está em Beja o distincto advogado e nosso collega o sr. dr. Cunha Seixas.
A carne de marranita regulou no mercado de terça feira por 220 rs. cada kilogramma.
Aljustrel 17 de Fevereiro
O sr. dr. Figueiredo que por bem conhecido se não confronta é presidente da commissão do recenseamento politico d’este concelho e n’essa qualidade, não só excluiu individuos que tinham voto nos recenseamentos transados, mas declarou que visto o sr. José Julião Peres e seu irmão Martinho não terem entrado no recrutamento militar e por esse facto estarem inhibidos de exercer cargos publicos, não podiam serem recenseados, o que os punha de parte para averiguações. Ora não ha disposição nenhuma de lei que exclua do recenseamento politico o individuo que deixou de ser inscripto no recrutamento militar, e tanto assim que sendo o sr. Figueiredo secretario da commissão no anno de 1880, julgou que seu cunhado Antonio Joaquim Godinho de Barahona Junior podia ser eleitor elegivel apesar de não ter sido recrutado; e não esse seu, outro cunhado, Joaquim Antonio Inglez e seu primo Francisco de Paula Inglez de Oliveira, que foi amanuense da camara e hoje recebedor do concelho? Sendo pois o sr. Figueiredo bacharel e de direito homem que tinha obrigação de saber alguma cousa, por onde é que regula a sua jurisprudencia eleitoral? Pois os srs. Peres não podem ser eleitores nem servir em como vereadores, só porque não foram recrutados e os seus parentes que estão no mesmo caso, são aquelles inhibidos de exercerem o cargo, que a maioria dos eleitores lhe conferio e estes não? Para que foi pois officiar a tantas auctoridades administrativas a saber se os srs. Peres tinham ou não sido recrutados? Diz elle que são hespanhoes quem o affirmará? Pois o sr. Figueiredo não conhece o que dispõe o nosso codigo civil a tal respeito? Para que eram então todos esses espalhafatos e acarretar sobre si responsabilidades que mal lhe podem caber? E o que lhe disseram n’esses officios? Disseram-lhe que não tinham sido recrutados? Pois se assim foi tambem o escrivão da camara passou uma certidão dos cadernos do recrutamento d’este concelho em que certifica que Antonio Joaquim Godinho Barahona Junior, Joaquim Antonio Inglez, João Roberto Paes Pinção, Filippe Paes Pinção, Francisco de Paula Inglez de Oliveira, Antonio Roberto de Sousa Pinção e seu irmão João, o 1.º, 2.º, 4.º e 5.º não estão inscriptos nos cadernos do recenseamento militar, o que o bom do escrivão vendo que a certidão era requerida pelo irmão do sr. José Julião Peres, teve a generosidade de levar quatorze mil duzentos e vinte cinco reis — 14:225 reis — levando de busca 12:900 reis de 7 certidões quando o requerimento era só um e só uma certidão a pedida — 840 reis — dois sellos de sete certidões — 420 — e dois ollos de papel em que elle passou as sete certidões 65 reis. Vejam os leitores como aqui se interpreta a lei — 14:225 reis por uma certidão que só devia ter uma busca e essa de 25 annos! Quem deu esse conselho ao escrivão que antes de a passar, elle e os seus amigos, esfregavam as mãos de contentes por uma exorbitancia tal? E as consequencias quem as soffre? quem livra o escrivão que já tem em seu poder a importancia da certidão, das disposições do art.º 316 do cod. pen.? Ah commediantes! está marcada pela ordem das cousas a vossa hora fatal e não é certamente as zumbaias que estais ensaiando, para o sr. dr. Fialho, que vos hade livrar da justiça que s. ex.ª sabe fazer e sabe obrigar a respeitar. Mas digam os leitores, desde o momento que o sr. Figueiredo nega o voto a uns cidadãos portuguezes, fundado n’uma jurisprudencia que não existe; desde o momento que o sr. Figueiredo pôz de parte as informações do regedor e do parocho sobre a identidade dos eleitores, podemos nós dizer que este sr. bacharel sabe ser justo e imparcial ou interpretar a lei tal qual ella é e que se conhece como uma das mais liberaes do mundo? E’ que o sr. Figueiredo é um [ilegível], que ninguem conhece e nem elle mesmo sabe explicar. M. L.
Bibliographia
Jornal de Viagem.—Distribuiram-se os fasciculos 89 e 90, 4.º anno, d’este excellente semanario geographico que se publica no Porto sob a direcção dos srs. Emygdio d’Oliveira e Ferreira de Brito. Os assumptos de que trata são de muito interesse e altamente proveitosos á boa instrucção. Cada fasciculo 100 reis.
Bibliographia
Maravilhas da Creação.—Publicou-se a folha 19.ª, 3.º e ultimo volume d’esta utilissima obra. Esta folha trata ainda das aves e começa a descrição da ordem das pernaltas. A obra deve em breve estar concluida. Cada folha 60 reis. A assignatura continua aberta.
Bibliographia
Chronica Moderna.—Revista Critica illustrada por Gervasio Lobato. Esta curiosissima publicação da Empreza Litteraria de Lisboa continua a publicar-se com a maxima regularidade e é sempre aguardada com impaciencia e interesse pelo publico. E’ esta uma das publicações de reconhecida utilidade e como tal a recommendamos.
Bibliographia
Os Communistas no exilio.—Vae muito adiantada a publicação do segundo e ultimo volume d’este romance por H. Rochefort que a empreza Serões Romanticos tem no prelo. O primeiro volume custa brochado 500 reis.
Bibliographia
Bibliotheca do Povo e das Escolas.—Sob este titulo inaugurou o arrojado editor o sr. David Corazzi, proprietario da empreza Horas Romanticas, a publicação d’uns livrinhos — propaganda da instrucção para portuguezes e brazileiros — de summa utilidade. O primeiro livrinho é a Historia de Portugal. Lisboa. Sebastião J. Baçam.