Meetings
Houve domingo dois meetings no Porto um a favor do imposto de rendimento e outro contra. Estiveram ambos muitos concorridos. Que os contribuintes e outros promovam meetings contra o imposto de rendimento bem está, mas que os promovam os regeneradores que votaram esse imposto e que venham para o comicio censurarem o que applaudiram no parlamento não se comprehende. Mas ha mais: os regeneradores tiveram na sua mão fazer rejeitar, na camara dos pares, o imposto de rendimento. Passou o respectivo projecto quasi em fins da sessão legislativa, e quando o governo já não tinha maioria n’aquella casa do parlamento. Gabava-se o sr. Fontes — e se a ostentação d’esse predominio era vaidade reprehensivel, nem por isso o facto era menos exacto — gabava-se o sr. Fontes de dirigir a seu talante os trabalhos na camara dos dignos pares. Só ali passou o que quiz que passasse. Assim o disseram, sem cautellas nem reservas, os seus arautos. E sabe-se, como logo foi declarado sem contestação, que na votação sobre o imposto de rendimento o sr. Fontes fez sahir da sala alguns pares da sua parcialidade, afim de que o respectivo projecto podesse ser approvado, como foi. Não comprehendemos tambem como é que o partido que ao sr. Fontes obdece, vem hoje aos meetings protestar contra o imposto de rendimento, que no parlamento podia ter feito rejeitar e que só foi convertido em lei por virtude d’aquella abdicação voluntaria de votos hostis.