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Promettêmos em a nossa ultima revista ácerca dos successos mais importantes fallar detidamente do projecto da reforma eleitoral em França, e, no cumprimento do nosso dever, vamos hoje consubstanciar o que a respeito de tão importante assumpto encontramos nas folhas parisienses. Os nossos leitores por certo não ignoram que a actual reforma eleitoral dispõe a eleição de deputados por districtos; porém, obra da reacção, esta lei parcial e arbitraria dá ás regiões insignificantes a mesma representação que ás cidades populosas, e encaminha-se directa e claramente a reduzir a representação das massas, favorecendo até limites extraordinarios os circulos ruraes. Ha unanime desejo em toda a democracia franceza em restabelecer a devida proporção, em chegar a justa equidade na maneira de produzir as vontades da soberania nacional, e daqui nasce um verdadeiro accordo sobre a urgencia da reforma. Querem uns, porém, que se observe a divisão por districtos e outros que se adopte a eleição por grandes circumscripções, em que cada eleitor designe a lista de deputados que lhe corresponda eleger. Na camara ha uma proposta do sr. Bardoux para que se adopte o chamado escrutinio de lista, e esta proposta está dada para proxima ordem do dia. A camara tem desejos e necessidade de resolver o assumpto, porque todos os deputados hão de preparar os seus trabalhos de reeleição de conformidade com o que for resolvido. Porém, desde o momento em que se trata de resolver as eleições de deputados em favor das grandes circumscripções, surgiu uma idéa peregrina, que não tem exemplo em paiz algum, que é a da permanencia constante da camara, obtida pela renovação parcial. Os srs. Guillot, Chavanne, Guyot, Couchet e Bertholon apresentaram uma emenda, para que a camara seja eleita pela primeira vez por quatro annos, e renovada cada anno na quarta parte dos seus membros. A eleição annual, parecendo demasiada fatigante, poderá fazer-se em cada dois annos, prolongando-se por seis a duração da primeira, e renovando-se na terça parte. Affirma-se que o presidente da camara é partidario da renovação parcial, e por consequencia, da permanencia e da eleição de lista. Diz-se mais, que descera da cadeira da presidencia para subir á tribuna a defender a reforma como fez quando se tratou da amnistia. A permanencia da camara evitaria as andanças bruscas, as convulsões inseparaveis da renovação total. A renovação parcial estabeleceria uma solução de continuidade favoravel á estabilidade e ao regular progresso das instituições. Com este systema, não obstante, não haveria consultas decisivas ao paiz, e a vontade d’este subiria á camara fraccionada e debil. Além de que, o equilibrio das instituições vigentes, estabelecido pela constituição, exige unicamente a permanencia do senado, sendo o conselho do poder executivo quando este julgue necessaria essa consulta ao paiz, decretando a dissolução da camara popular, para o que está auctorisado. A permanencia da camara debilitaria, pois, os outros poderes sem contar que seria precisa uma reforma constitucional para a qual se exige a reunião em congresso das duas camaras. O presidente da republica opina por esta solução? O Rappel diz que nas conversações que o sr. Grevy teve com diversos deputados, declarou estar em principio pela eleição de lista, porém observou que era negocio para se decidir com a maxima circumspecção. Em 1849 e em 1871 o voto pelas grandes circumscripções foi desfavoravel á republica, o voto por districto deu-lhe o triumpho contra o 16 de maio e consolidou-o. Ninguem duvida de que esse triumpho é hoje completamente seguro, quer venha pelo voto dos districtos quer pelo de listas, e as reservas do sr. Grevy devem ter explicação. A desconfiança que inspira o voto de listas é que nestas o nome que as encima dá o triumpho aos que nella seguem. As grandes individualidades do paiz apenas teem bombeiros. Este assumpto, conforme dizemos, preoccupa todos os espiritos e está sendo vigorosamente tratado na imprensa. No dia 27 do mez preterito realisou-se em Paris uma imponentissima e explendida festa—saudação a Victor Hugo pelo seu octogesimo anniversario natalicio. O correio ainda não nos trouxe as folhas correspondentes a esse dia, mas por este telegramma da agencia Havas: «Realisou-se a manifestação pelo anniversario de Victor Hugo. Desfilaram diante da casa do poeta numerosas delegações de sociedades, no meio de enthusiasticas acclamações. A enorme multidão que desfilou diante da casa de Victor Hugo é calculada em 300:000 pessoas»—poderão os leitores avaliar de quanto foi de grandiosa. As noticias do Transvaal são de dia a dia mais importantes, e as folhas de Londres occupam-se seriamente deste assumpto. Segundo um recente telegramma consta que n’um dos combates pereceu o general Colley.