Acontecimentos na Europa. Nas considerações que no preterito numero fizemos acerca do actual estado da politica interna de França e da collisão que lavra no seio dos partidos monarchicos dizemos que o partido bonapartista está completamente desorganisado e perdido perante a opinião publica; hoje, pois, corroborando as nossas considerações e affirmativas vamos para intelligencia dos nossos leitores consubstanciar a opinião das mais importantes folhas parisienses. Do seio do partido bonapartista acabam de sahir duas vozes poderosas, uma nobre porém melancholica, outra cynica e interessada, mas que forma a mais evidente e incontestavel prova da dissolução d’esse antigo partido. A corrente republicana que invade toda a França, levou o sr. Rouher, o homem de Napoleão III, o preceptor do desditoso principe imperial, o ultimo amigo dedicado da ex-imperatriz Eugenia, a afastar-se d’esse partido e a proposito da lucta eleitoral a dirigir aos seus fieis eleitores um manifesto: «Meus caros compatriotas. O governo adeanta a convocação dos collegios eleitoraes; e se eu vos tivesse prevenido, ter-vos-ia dirigido antes estas linhas. Não vos solicito a renovação do meu mandato legislativo. Eis as razões porquê. No dia seguinte ao da morte de sua alteza o principe imperial, obedecendo não á influencia da exaltação, mas a um consciencioso exame do que me dictavam os meus deveres, concebi o pensamento de pôr fim em breve tempo á minha carreira politica. Desde essa epoca permaneci afastado de toda a acção militante e só subi á tribuna para discutir questões economicas ou especiaes. Este meu pensamento chegou a ser um designio, uma vontade, cuja execução foi fixada para o fim da actual sessão legislativa. Servidor affectuoso nos tempos de boa fortuna, amigo fiel na desgraça, creio ter cumprido a minha dupla missão. Depois de haver passado largos annos dedicado aos arduos trabalhos da politica, tenho direito a abandonal-a, e a pertencer religiosa e exclusivamente ao passado. Retirando-me, pratico ao mesmo tempo um acto de dignidade e uma homenagem aos que já não existem: sagrada homenagem cheia de sacrificios e de consolação. Poderiam acaso os novos acontecimentos variar a minha determinação? Não. As minhas convicções formadas sobre a alta direcção do imperador não se modificaram. Em 1876 e 1877 duas vezes me apresentei; e recebi a sancção dos vossos votos. Se na lucta que vae empenhar pudesse fazer uso da palavra, não diria outra coisa. Recebam, meus amigos, a expressão do mais sincero agradecimento, do mais vivo reconhecimento, pelos vossos testemunhos de affecto e de confiança. Os vexames, as injustiças, as perseguições de que fostes victimas, causaram no meu animo profunda tristeza. Mas, ai de mim! Esta tristeza que sinto, não póde servir de consolo nem de compensação. Recebei, caros compatriotas, a segurança dos meus gratos sentimentos. Eugenio Rouher.» Ao mesmo tempo porém em todas as folhas bonapartistas davam consentimento á publicidade a esse documento apparece um novo documento — o manifesto do principe Jeronymo, cujas antigas ideas republicanas e mesmo socialistas, se evaporaram desde o momento em que lhe appareceu a visão do throno. O demagogo tenaz, o inimigo de Napoleão III, o conspirador á outrance, atreve-se agora a tomar a serio a herança imperial, e chama em seu auxilio os verdadeiros filhos da revolução, invocando a soberania do povo como unica base de direito publico. O regimen actual, diz elle, é uma monarchia electiva com um chefe irresponsavel, nomeado por sete annos; uma oligarchia que sanciona todos os abusos e adia todas as reformas; e com estes fundamentos pede a corôa, desejoso, sem duvida, de proceder logo áquellas reformas e de corrigir em seu interesse alguns esses abusos. «Somos napoleonicos, continua, porque lembramos que as bases da organisação franceza devem-se a Napoleão I e as nossas reformas populares a Napoleão III; porque sempre que o povo francez foi consultado, elegeu um Napoleão para o governar e dar vida á sociedade franceza. Naturalmente, agora succede o mesmo.» Decididamente, o partido bonapartista morreu; não com Napoleão e seu pobre filho; não por causa da retirada de Rouher e dos poucos que ainda estavam a seu lado, mas ás mãos d’este ultimo hystrião, que na hora da agonia quiz tomal-o á sua conta. Os successos na Inglaterra a proposito da lei agraria, a qual é destinada a suavisar as dores e as afflicções do povo irlandez, constituem a ordem do dia. Na camara dos lords o bill agrario soffreu importantes emendas, mas o governo não desiste do projecto tal como o formulou e se não fôr como deseja approvado a questão será tratada na imprensa e nos meetings. Aguardam-se noticias importantes ácerca dos successos do imperio moscovita; procuraremos informar os nossos leitores.
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