O Economista, recebemos o 1.º e 2.º numeros d’este excellente jornal, de que é proprietário e redactor-gerente o sr. Antonio Maria Pereira Carrilho. O jornal é de grande formato, em typo miudo, muito bem impresso e tem uma boa collaboração. Desejamos-lhe uma longa vida.
[ilegível]. Dallot. As [ilegível] são á cunha.
Em Campo de Ourique continuam a ser excessivos os calores. Os milharaes em Odemira quasi que se podem considerar perdidos.
Recebemos e agradecemos o n.º 96, do 4.º volume do Occidente. Vem primoroso tanto na parte litteraria, como de gravura.
Retiraram ao seu quartel nesta cidade as forças de infanteria 17 que haviam ido para Beringel e Quintos por occasião das eleições. Tambem retirou a força de cavallaria.
Diccionario de geographia. Publicou
se o fascículo 134.
Para Serpa, marchou, commandada por um subalterno, uma força de infanteria 17, que foi auxiliar a policia na feira de S. Bartholomeu.
As branduras nestas ultimas noites, começaram a cahir, o que bastante beneficia a uva.
Foi nomeado administrador interino d’este concelho o sr. Antonio Anacleto Paes.
Tem 30 dias de doença, o sr. juiz de direito d’esta comarca, José Maria d’Andrade.
O sr. Eugene Gibert presenteou
nos com o seu ultimo folheto Le monument economique en Portugal et le vicomte de S. Januario. Agradecidos.
A’ casa editora Jacintho Silva do Porto, agradecemos o folheto que nos enviou e que contem a moderna legislação sobre instrucção publica. Na secção competente vae o annuncio.
Distribuiu
se a caderneta 2.ª de A Mulher fatal.
Acontecimentos na Europa. Nas considerações que no preterito numero fizemos acerca do actual estado da politica interna de França e da collisão que lavra no seio dos partidos monarchicos dizemos que o partido bonapartista está completamente desorganisado e perdido perante a opinião publica; hoje, pois, corroborando as nossas considerações e affirmativas vamos para intelligencia dos nossos leitores consubstanciar a opinião das mais importantes folhas parisienses. Do seio do partido bonapartista acabam de sahir duas vozes poderosas, uma nobre porém melancholica, outra cynica e interessada, mas que forma a mais evidente e incontestavel prova da dissolução d’esse antigo partido. A corrente republicana que invade toda a França, levou o sr. Rouher, o homem de Napoleão III, o preceptor do desditoso principe imperial, o ultimo amigo dedicado da ex-imperatriz Eugenia, a afastar-se d’esse partido e a proposito da lucta eleitoral a dirigir aos seus fieis eleitores um manifesto: «Meus caros compatriotas. O governo adeanta a convocação dos collegios eleitoraes; e se eu vos tivesse prevenido, ter-vos-ia dirigido antes estas linhas. Não vos solicito a renovação do meu mandato legislativo. Eis as razões porquê. No dia seguinte ao da morte de sua alteza o principe imperial, obedecendo não á influencia da exaltação, mas a um consciencioso exame do que me dictavam os meus deveres, concebi o pensamento de pôr fim em breve tempo á minha carreira politica. Desde essa epoca permaneci afastado de toda a acção militante e só subi á tribuna para discutir questões economicas ou especiaes. Este meu pensamento chegou a ser um designio, uma vontade, cuja execução foi fixada para o fim da actual sessão legislativa. Servidor affectuoso nos tempos de boa fortuna, amigo fiel na desgraça, creio ter cumprido a minha dupla missão. Depois de haver passado largos annos dedicado aos arduos trabalhos da politica, tenho direito a abandonal-a, e a pertencer religiosa e exclusivamente ao passado. Retirando-me, pratico ao mesmo tempo um acto de dignidade e uma homenagem aos que já não existem: sagrada homenagem cheia de sacrificios e de consolação. Poderiam acaso os novos acontecimentos variar a minha determinação? Não. As minhas convicções formadas sobre a alta direcção do imperador não se modificaram. Em 1876 e 1877 duas vezes me apresentei; e recebi a sancção dos vossos votos. Se na lucta que vae empenhar pudesse fazer uso da palavra, não diria outra coisa. Recebam, meus amigos, a expressão do mais sincero agradecimento, do mais vivo reconhecimento, pelos vossos testemunhos de affecto e de confiança. Os vexames, as injustiças, as perseguições de que fostes victimas, causaram no meu animo profunda tristeza. Mas, ai de mim! Esta tristeza que sinto, não póde servir de consolo nem de compensação. Recebei, caros compatriotas, a segurança dos meus gratos sentimentos. Eugenio Rouher.» Ao mesmo tempo porém em todas as folhas bonapartistas davam consentimento á publicidade a esse documento apparece um novo documento — o manifesto do principe Jeronymo, cujas antigas ideas republicanas e mesmo socialistas, se evaporaram desde o momento em que lhe appareceu a visão do throno. O demagogo tenaz, o inimigo de Napoleão III, o conspirador á outrance, atreve-se agora a tomar a serio a herança imperial, e chama em seu auxilio os verdadeiros filhos da revolução, invocando a soberania do povo como unica base de direito publico. O regimen actual, diz elle, é uma monarchia electiva com um chefe irresponsavel, nomeado por sete annos; uma oligarchia que sanciona todos os abusos e adia todas as reformas; e com estes fundamentos pede a corôa, desejoso, sem duvida, de proceder logo áquellas reformas e de corrigir em seu interesse alguns esses abusos. «Somos napoleonicos, continua, porque lembramos que as bases da organisação franceza devem-se a Napoleão I e as nossas reformas populares a Napoleão III; porque sempre que o povo francez foi consultado, elegeu um Napoleão para o governar e dar vida á sociedade franceza. Naturalmente, agora succede o mesmo.» Decididamente, o partido bonapartista morreu; não com Napoleão e seu pobre filho; não por causa da retirada de Rouher e dos poucos que ainda estavam a seu lado, mas ás mãos d’este ultimo hystrião, que na hora da agonia quiz tomal-o á sua conta. Os successos na Inglaterra a proposito da lei agraria, a qual é destinada a suavisar as dores e as afflicções do povo irlandez, constituem a ordem do dia. Na camara dos lords o bill agrario soffreu importantes emendas, mas o governo não desiste do projecto tal como o formulou e se não fôr como deseja approvado a questão será tratada na imprensa e nos meetings. Aguardam-se noticias importantes ácerca dos successos do imperio moscovita; procuraremos informar os nossos leitores.
LISBOA 23 de agosto de 1881. Cidadão redactor
Com respeito a eleições o que heide dizer que os leitores não imaginem? Contar-lhes as demissões, transferencias, empregos, violencias, compra de votos, enfim tudo quanto este governo possa ter feito? Não, porque se fosse a cantar a centessima parte de todas as torpezas que estes insignificantes, que por irrisão, e eterna vergonha d’uma nação, estão á frente dos negocios publicos, encheria todas as columnas do Bejense, e não chegariam. Para se fazer uma idéa do que podia ser basta dizer que o cambio cá regulou de 1:500 reis a 12 libras!!!! Vergonha das vergonhas!! Isto é infame!! Isto só um ministerio por graça de Deus será capaz de o fazer! E isto foi não comprando a opposição votos, porque se os comprasse, chegariam a um preço tal, que seria impossivel ir um deputado ás côrtes. Mas do que serve ao governo ou o desgoverno, comprar votos? Se não fossem as patifarias que commetteram, não levavam lá um deputado por Lisboa. No circulo 96, na assembléa de Santa Justa, que é o centro do commercio, fecharam a urna á hora em que se fechavam todos os estabelecimentos, e os caixeiros não poderam ir votar! Tudo isto obra do pastel de S. Nicolau, vulgo, o cocó. O dinheiro [ilegível] freguezias pela parte do desgoverno regenerador bilionera, andou cá a rodos! São estes os deputados que representam a vontade do povo! Que libérrimas eleições!! Miseraveis, que se aproveitam da miseria, para especularem. Em quanto na França republicana se decretam castigos para os empregados que se mettem em eleições, em Portugal dão-se commendas e honrarias para as authoridades que sejam gatopinas, e demittem-se aquelles que o não querem ser!! Lisboa soube dar uma lição a estes infames e pulhas que sobraçam as pastas de ministros. No circulo 94, o dr. Theophilo Braga, teve 711 consciencias que foram á urna depôr um protesto solemne contra estas infamias. No circulo 95, venceu o candidato republicano por 206 votos de maioria. No circulo 96, o dr. Manoel de Arriaga teve 1267. No circulo 97, o candidato republicano, apesar de ser bem combatido por dois centros republicanos que ha no circulo, ainda teve 237; e o progressista 444. No circulo 98, o dr. Magalhães Lima teve 673; e o sr. Simões Carneiro 883. A votação que o governo teve, foi tudo á força de dinheiro. Mas o povo gosta que lhe tirem o dinheiro das algibeiras... faça-se lhe o gosto. Bem disse o sr. Marianno de Carvalho, que o povo quer é albarda e peixe de espada. Sua magestade el-rei de Sandwich já foi para Madrid. As despezas que fez no tempo que cá esteve, foi paga pelos cofres do estado. Anda Zé povinho, pucha pelos cordões á bolsa... e bico callado... Por hoje nada mais. Fernando Augusto de L. e Mello.
A Mulher Fatal
Terminou o segundo volume d’este lindissimo romance que a empresa Series Romanticas dos sr. Bellot & C.ª está publicando e acha-se em distribuição o terceiro volume. A Mulher Fatal, por Emile Richebourg, produziu em Paris grande sensação e a edição foi rapidamente esgotada.
Jesus Christo, por Luiz Veuillot
Distribuiu-se o segundo fasciculo d’esta obra que tanto tem pela sua importancia prendido a attenção dos catholicos. As gravuras são magnificas. A impressão é feita em Paris e tudo conforme o original francez. O segundo fasciculo tem 32 paginas, 12 gravuras e um cromo — A visitação — e uma photogravura — A Natividade. Custa cada fasciculo 600 reis, preço muito insignificante em relação ao valor litterario e artistico da obra. Na empresa Horas Romanticas continua aberta a assignatura d’este grande trabalho de Luiz Veuillot.
A mesma empresa acaba de distribuir o numero 64 da Moda illustrada, verdadeiro e indispensavel jornal de familias. O presente numero vem esplendido, e os figurinos são admiraveis pela variedade no vestuario que apresentam.
O nosso bom amigo o sr. Francisco Nunes Collares, proprietário da empresa Noites Romanticas, esforça-se quanto póde em bem corresponder á protecção do publico já na escolha das boas obras já na regularidade na distribuição dos fasciculos, e, com franqueza, tem visto os seus esforços bem coroados. Logo que termine a publicação da Volta de Rocambole será encetada a publicação d’um romance que deve causar a sensação entre nós e que em Paris obteve o mais esplendido successo. Lisboa. Sebastião J. Baçam.