Diario universal de noticias
Chegou este jornal ao terceiro mez da sua existencia, vendo cada vez mais radicadas no animo do publico portuguez as sympathias com que teve a fortuna de ver acolhida a sua idéa civilisadora, e a par d’ellas a protecção decidida que lhe auspicia uma existencia prospera e duradoura. A nossa folha creou uma nova industria, que vae servir de sustentação a muita gente. Já hoje, apesar da estupida resistencia que tem encontrado da parte da gente desempregada, que antes quer viver sem pão e esmolando, do que empregar-se no modo honroso de vender pelas ruas um periodico, como se vendem outros generos e artigos, que dão muito menos lucro, se occupam em vende-lo 30 rapazes, que colhem uma percentagem diaria de 200, 300, e 400 reis. A empresa dá 20 por cento, ou seja 200 reis em cada 100 numeros vendidos, aos individuos que vendem a folha por conta d’ella, e vende por 700 reis cada 100 exemplares, pagos á vista. O vendedor diligente não vende menos de 100 exemplares cada dia, pelo que tira um lucro certo de 200 reis, levando os jornaes á commissão, ou 300 reis vendendo por conta propria. A exemplo do que se usa em Hespanha e França, são admittidos para a venda todos os individuos de qualquer idade, e de um e outro sexo. Debaixo destas unicas condições, repetimos, se dão na administração do Diario de Noticias, na rua dos Calafates n.º 110: Um cento de jornaes, sendo pago á vista, 700 reis. Por conta da empresa, recolhendo-se os exemplares não vendidos: um cento, 800 reis, ou 20 por cento dos numeros vendidos. Como se vê, esta industria póde ser proveitosa a todos os individuos que não teem occupação nem meios de subsistencia, não só da cidade e seus arredores, como de fóra.