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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 220
11 notícias

De Beja ao Algarve

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesAbastecimento de águaCaminho de ferroComércio localCrimesEstacçõesFeirasFontes e chafarizesGoverno civilMercados e feirasMovimentos de tropasObras de infraestruturaParadas e cerimónias
Algarve · Beja · Lisboa · Serpa · Portugal Caminho de ferro · Governo Civil

Na quinta feira, pelas duas horas e um quarto da tarde, teve logar a cerimonia da inauguração dos trabalhos da linha ferrea de Beja ao Algarve. Chegado o comboio que conduzia os convidados de Lisboa, e entre estes os srs. Ernesto de Faria, Sousa Brandão, Canto, Vieira, redactores da Revolução de Setembro, Portuguez, Crença, Commercio de Lisboa, Diario de Noticias, deputados etc., reuniram-se na estação, e d’ali na companhia do digno empresário o sr. Flord e os cavalheiros de Beja que tinham sido convidados para tal acto, dirigiu-se tudo ao sitio das Pedreiras, onde os ex.mos governador civil e engenheiro Canto inauguraram os trabalhos, findos os quaes levantaram vivas a s. m. el-rei D. Luiz, a s. m. a rainha Victoria, e á empresa dos caminhos de ferro de sueste. Finda a cerimonia teve logar em casa do ex.mo sr. Flord um sumptuosissimo lunch para o qual, além dos cavalheiros de Lisboa, foram convidados o deputado por este circulo, governador e vice-governador do bispado, commandante do regimento 17, juiz de direito, delegado do procurador regio, secretario geral, administrador do concelho, presidente da camara, e redactor do Bejense. No lunch fizeram-se os seguintes brindes: do sr. governador civil a s. m. el-rei D. Luiz e a s. m. a rainha Victoria; do sr. Flord ao sr. Sousa Brandão; do sr. Sousa Brandão á empresa dos caminhos de ferro de sueste; do sr. Marianno de Sousa aos srs. Fontes, Cesar Ribeiro e Antonio de Serpa; do sr. Flord ao sr. governador civil; do sr. governador civil ao districto de Beja; do sr. Canto ao sr. Flord; do sr. Flord ao districto de Beja; do sr. governador civil aos srs. juiz de direito e commandante militar; e do sr. Margiochi ao sr. Flord e governador do bispado. Terminado o lunch dirigiram-se os convidados n’um trem para a estação do caminho de ferro, onde a locomotiva esperava para conduzir á capital os cavalheiros que tinham vindo assistir a esta festa. A estação do caminho de ferro, assim como o local onde teve logar a inauguração dos trabalhos, achavam-se embandeirados. O lunch veio do Grande Hotel Central de Lisboa.

Passos

Economia e comércioReligiãoFeiras
Igreja

Estiveram muito concorridas na sexta feira passada as igrejas onde houveram passos; de todos elles os mais notaveis pela quantidade de luzes, flores, e decoração das capellas, foram o do Carmo, e Prazeres.

Trigo

Economia e comércioAgricultura

Continua a ser transportado para a capital. Esta semana foram perto de 130 moios. As compras continuam.

Ainda os carros

Município e administracção localEstradas e calçadasLimpeza urbana
Câmara Municipal

A camara municipal continua transgredindo a postura, consentindo que os carros da limpeza da cidade fiquem de noite á porta de seus paços, e demais a mais atravessados. O sr. administrador que deve velar pela exacta observancia da mesma postura consente que fiquem collocados carros á porta da administração? Ora nós que andamos a pedir que se reprima um tal abuso, visto não sermos attendidos na terra, fazemos votos ao céo para que o sr. administrador ou qualquer dos camaristas, apanhem um bom trambulhão, porque é a maneira de ser cumprida a postura, e de podermos andar de noite pelas ruas sem medo de quebrarmos a cabeça ou as pernas.

Perguntas

Economia e comércioMunicípio e administracção localPreçosAgriculturaarremataçõesImpostos comerciaisImpostos e finançasPreços e mercados

Porque é que as camaras municipaes desta cidade, nunca lhes tem faltado meios para crear novos empregos, e não póde ainda crear zeladores municipaes para acabar de uma vez com a absurda arrematação das coimas? Porque é que um quartilho de vinho, que custa 40 rs. ha de pagar 5 rs. de imposto municipal, e um que custa 480 rs. não ha de pagar imposto algum, quando aquelle póde ser considerado, para muitos individuos, como genero de primeira necessidade, e este é para todos objecto de luxo?

Vandalismo

Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstradasEstradas e calçadasObras de infraestrutura
Beja · Mértola · Portugal Câmara Municipal · Caminho de ferro

Ainda não ha muito tempo que a camara municipal mandou concertar o muro e assentos no largo do duque de Beja e o muro está vergonhoso e os assentos incapazes porque lhe teem roubado os tijolos! O mesmo acontece aos assentos que ha na estrada de Mertola. Tambem algumas das arvores do mesmo largo e da Corredoura, e bem assim algumas das que orlam a estrada rua do caminho de ferro a esta cidade estão quebradas. Não seria mau que as authoridades tratassem de descobrir o andor ou andores de tão altos feitos, para os premiarem como merecem.

Nomeação

Transportes e comunicaçõesCorreio

Foi nomeado official visitador da direcção geral dos correios e postas do reino o sr. Antonio Cesar de Gouveia Leite Farinha e Menna, administrador que foi do correio desta cidade, e nomeado para o logar que ficou vago, o sr. Alexandre Pinto da Fonseca Vaz.

Tirada mandada

Sociedade e vida quotidianaPobres e esmolas

Chegou um pobre audacioso a casa de um ricaço que tinha a sala mobilada com luxo e ostentação, mas andava sempre mal vestido. Tendo vontade de cuspir deitou-lhe a saliva na sobrecasaca. —Como? exclamou o dono de casa; que atrevimento é esse? —Perdoe, amigo, lhe respondeu o insolente, como no seu palacio não vejo nada mais sujo, julguei ser v. s.ª o escarrador!

Que imbroglio!—Não caiu o ministério;

Educacção e instruçãoInstrução públicaProfessores
Loulé · Porto · Portugal

(que a nova os não embatuque) — reconstruiu seu imperio — o rei de Sião, o duque! — Despediu mais tres criados — que lhe não faziam conta — e aos do novo deputado — dirigiu tremenda afronta. — Como elle quer, póde e manda, — quando vê que lhe desanda — a roda dos seus projectos — faz mil actos abjectos. — De forças auctor chibante, — quiz offerecer d’esta vez — uma farrada gigante — ao bom povo portuguez. — Mestre João do Topete — foi da peça ensaiador; — foi contra-regra o marquez — e o duque foi d’ella auctor. — Subiu o panno, e Loulé — entra em scena e diz: «Meu povo, — já não posso estar em pé; — é mister governo novo. — De vós hoje me despeço, — de meus erros perdão peço!» — Vendo os collegas este acto — de sublime abnegação — sem o menor espantalhafato — foram d’elle imitação; — e descem todos do poder, — mas o duque espertalhão — mal na rua os pôde ver, — de novo a escada subiu — e do cimo disse: «Subiu! O Chrysostomo, anda cá; — Tu ficas ao meu serviço; — ó seu marquez não se vá; — venha tambem p’ra o serviço, — que isto é tudo uma chalaça — a que eu acho immensa graça!» — Venha Mathias d’Alverca — para assistir á funcção; — e o nosso Ayres do Porto — o salvador da Instrucção; — Venha tambem Sabugosa, — brinquem todos quantos são! — Viva a minha creadagem, — viva o Ayres de Gouveia, — eu sou rei e os meus creados — hão de ter limos e ceia!

Diario universal de noticias

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasSociedade e vida quotidianaBeneficênciaIndústriaLivros e publicaçõesPobres e esmolas
Espanha · França Exterior / internacional

Chegou este jornal ao terceiro mez da sua existencia, vendo cada vez mais radicadas no animo do publico portuguez as sympathias com que teve a fortuna de ver acolhida a sua idéa civilisadora, e a par d’ellas a protecção decidida que lhe auspicia uma existencia prospera e duradoura. A nossa folha creou uma nova industria, que vae servir de sustentação a muita gente. Já hoje, apesar da estupida resistencia que tem encontrado da parte da gente desempregada, que antes quer viver sem pão e esmolando, do que empregar-se no modo honroso de vender pelas ruas um periodico, como se vendem outros generos e artigos, que dão muito menos lucro, se occupam em vende-lo 30 rapazes, que colhem uma percentagem diaria de 200, 300, e 400 reis. A empresa dá 20 por cento, ou seja 200 reis em cada 100 numeros vendidos, aos individuos que vendem a folha por conta d’ella, e vende por 700 reis cada 100 exemplares, pagos á vista. O vendedor diligente não vende menos de 100 exemplares cada dia, pelo que tira um lucro certo de 200 reis, levando os jornaes á commissão, ou 300 reis vendendo por conta propria. A exemplo do que se usa em Hespanha e França, são admittidos para a venda todos os individuos de qualquer idade, e de um e outro sexo. Debaixo destas unicas condições, repetimos, se dão na administração do Diario de Noticias, na rua dos Calafates n.º 110: Um cento de jornaes, sendo pago á vista, 700 reis. Por conta da empresa, recolhendo-se os exemplares não vendidos: um cento, 800 reis, ou 20 por cento dos numeros vendidos. Como se vê, esta industria póde ser proveitosa a todos os individuos que não teem occupação nem meios de subsistencia, não só da cidade e seus arredores, como de fóra.

EXTERIOR

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Berlim · Londres · Madrid · Nova Iorque · Paris · Roma · Viena · Washington · Alemanha · Áustria · Espanha · Estados Unidos · Europa · França · Itália · Polónia · Reino Unido Exterior / internacional · Igreja

New York, 18 de fevereiro.—O general Sherman tomou Branchville depois de uma batalha de tres dias. O general Beauregard (confederado) occupou uma posição que protege Calumbia. Grant continua a fortificar as suas posições. O presidente Lincoln convocou uma sessão extraordinaria do senado. Ouro a 201; algodão a 85. Roma, 1.—O cardeal Vigario disse que o fim da encyclica era condemnar a liberdade de cultos como erro prejudicial. Londres, 2.—Houve hontem um meeting nesta capital onde se declarou que a destruição da independencia da Polonia é um perigo para a Europa. Paris, 2.—O jornal «La Patrie» desmente a noticia dada pelo «Estafette du Mexique» sobre a derrota da columna expedicionaria franceza. Paris, 3.—No banco augmentou o numerario 9 milhões e tres oitavos, e as notas 11 milhões e dois terços. Paris, 7.—Foi feita no senado a leitura do projecto de resposta que applaude a politica aderna e externa do imperador; a discussão começa quinta feira. Montholon foi nomeado ministro de Washington. Foi apresentado no conselho d’estado um projecto de lei d’ensino primario. O ministro Duruy propõe n’elle que a instrucção primaria seja gratuita e obrigatoria. Madrid, 8.—Foi preso Emilio Castelar. Berlim, 7.—A resposta da Austria ás propostas prussianas já chegou; assegura-se que não traz a sua adhesão. Madrid, 9.—Fernando Alvarez foi nomeado presidente da camara dos deputados. Vienna, 8.—A commissão de fazenda da camara recusou authorisar as modificações no orçamento por capitulos.