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Artigo

Execução de Ortega

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Madrid · África · Espanha Correspondência · Exterior / internacional · Telégrafo

Por uma participação telegraphica passada de Terragona para Madrid se soube que no dia 17, ás 7 horas da tarde entrava no Oratorio D. Jaime Ortega. A esta hora rega o solo de Hespanha o sangue de mais um bravo militar. Foi de bilde que o filho do Valente General veio depór aos pés da Rainha de Hespanha uma supplica de perdão para seu pae! A viuvez, as lagrimas, a orphandade, os serviços á Patria não poderam abrandar o sentimento de vingança, que só podia saciar-se com o sangue do bravo General, que havia arriscado a vida em cem batalhas. Não é facil levar a crueldade ao ponto em que foi levada pelos inimigos de Ortega. O filho do General, tenente de caçadores em África, era, como todos os militares portuguezes, um bravo. Tinha recebido, como elles, a cruz de S. Fernando; e veio, com a simplicidade e nobreza do soldado, depôr aos pés da Rainha as duas cruzes e pedir em troca a vida de seu pae. Era um espectaculo para abrandar qualquer coração. Mas o governo de Hespanha é implacavel. O perdão não se concedeu. O General foi executado. (Segue a carta do filho pedindo a vida do pae, oferecendo as suas condecorações e serviços em África.)