É falso
(Correspondência do noticiario.) Sr. redactor,—Pouco depois da noticia que lhe dei, e que v. fez inserir no ultimo numero do Bejense, relativamente á cholera-morbus, soubemos que aquelle boato fora falso—nem tão pouco eu o dei como veridico. Diz-se que a propagação d’aquella pseudo-epidemia fora originada, á simples vista, em consequencia de um individuo em Villa Real se achar em perigo de vida, ignorando-se todavia, diziam, qual a enfermidade que o havia conduzido áquelle estado. E, como todos por aqui andavamos e andamos com a pulga no ouvido, como costuma dizer-se, logo houve (má lembrança!) quem, irreflectidamente, considerasse tal caso consequencia d’affecção cholerica, e eis que não se sabia senão—Villa Real chegou já a cholera: ai Jesus, está lá está cá. Foi isto o que me moveu a fazer-lhe a participação que lhe fiz. Accrescentavam mais que a administração deste concelho tinha posto em pratica algumas medidas preventivas de hygiene, e prohibido a chegada a este porto de barcas sem a antecipada quarentena. É mixta, este; mas aquella não é de todo falsa, porque se ordenou a limpeza das ruas, e outras mais cousas. E hei de eu ainda crer em vozes vagas? Sr. redactor, ahi fica expendido o que foi e é que é. Permitta-me tambem agora esta rectificação, porque, como naturalmente fui eu que de conduzir talvez os leitores a um estado de temor, desejo tambem, com a verdade, tiral-os de tal estado. Mertola 20 de agosto de 1865. De v. etc. R.