A Mão
E’ a mão um orgão que pode definir-se o nosso factotum e que se presta a muitas considerações. A mão do avaro é tão secca, geralmente, como seu coração. A mão de uma coquette tem sempre muitos pretendentes. Ao homem probo todos estendem a mão. Ha mãos largas, e mãos de queijo. O empregado a quem se pergunta pelo estado de algum assumpto, costuma responder: «não levanto mão d’elle». Ao que nos dirige uma má chalaça procuramos assentar-lhe a mão. Antigas leis ordenam cortar a mão direita aos falsificadores. Os noivos pedem a mão. Ha sempre uma mão occulta. O homem desgraçado, «diz onde eu pôzer a mão». De uma pessoa de reconhecida aptidão material, dizemos: tem boas mãos. Vinte e cinco folhas de papel compõem uma mão. O que protegeu outro diz: eu dei-lhe a mão. Entre os escarneos que soffreu o Homem Deus conta-se o de uma bofetada. Uma das maiores provas de respeito na familia consiste no beijo que os filhos imprimem na mão de seus paes. A mão é o primeiro agente dos grandes crimes e figura nos primeiros actos da vida. Apparece nos juramentos, no matrimonio, nas confissões; com ella fazemos o signal da cruz! por fim, nos ultimos momentos da existência, cruzam-nos as mãos.