A’os leitores
As damas de Nova-York e d’outras cidades da America do norte substituíram a linguagem das flores,—tão discreta, tão bella,—por outra linguagem menos pudica, porém mais apropriada ao espirito pratico dos americanos. E a linguagem das fitas, cuja descripção nos dá o Courrier des Etats-Unis. Ei-la: “E’ sabido, diz o citado jornal, que as damas enfeitam-se hoje com longas fitas que lhes flutuam em redor dos hombros, á similhança de galhardetes de guerra, ou de bandeiras mercantis. Ora estas bandeiras ou signaes teem, como a bordo dos navios, uma significação particular, segundo o logar que ellas occuparam. Quando as extremidades das fitas pendem em linha recta sobre o peito, isto quer dizer que a dama é casada;—é permittido approximar-se, porém a praça está vigiada. Sobre o hombro esquerdo significa que a jovem dama tem galanteadores, mas que não está ainda comprometlida, n’este caso é tempo: rompei o fogo. Sobre o hombro direito significa que já deu a sua palavra, e nada mais: n’este caso cumpre accelerar o passo: é chegado o momento da abordagem. Se a dama se apresenta sem fitas, isto será um indicio de que ella já dispôz do seu coração e da sua mão, e que nada ha a esperar: virai de bordo. Finalmente, se as fitas fluctuarem á mercê do vento pelas costas abaixo, isto significará: quem me quizer amar que me siga!—E’ assim que se costumam dizer, effectivamente, em Nova-York; o folião ou galante, é o acompanhamento «dirigam» do Kis-”