Falta de policia na Vidigueira
Recebemos duas correspondências da Vidigueira que ambas concordam em pintar aquella villa e proximidades n’um estado lastimoso de falta de segurança. Parece que ha ahi uma companhia de indivíduos que se entretem a mudar as cousas de casa de cada um, e com tal limpeza e habilidade que nem precisam arrombar portas nem saltar por janellas ou telhados. O pacifico habitante sahe ás ave-marias, deixa a casa só, volta duas horas depois e já não acha os objectos de mais valor que lá tinha. Encontra porem as portas fechadas como as deixou. Os taes curiós parece que são extremamente dextros em manusear a gazua. Eis alguns dos factos: Roubaram a Gregorio da Rosa um bahu com dinheiro, roupas e outros objectos, e no dia seguinte foi encontrado o bahu vasio junto ás paredes dos quintaes. A viuva Maria Luiza roubaram vários objectos de prata, roupas &. Passados poucos dias amanheceram-lhe em cima do telhado de sua própria casa uns vestidos e outros objectos que podiam ser conhecidos. Roubaram o celleiro de José de Mira, e a adega dos Carneiros, apesar das grandes fechaduras, dos ferrolhos e cadeados. Ultimamente, na noite de 26 de Fevereiro, roubaram um porco do açougue abrindo a porta com gazua. Em 24 de Fevereiro de noute mataram um boi a tiro de espingarda no próprio quintal do seu dono José Lazciro. No campo furtam o trigo em rama, uvas, colmeias &. Não consta que se tenham tomado providencias a tal respeito. Alem disto ha muitos crimes d’offensas corporaes. Aquelles habitantes appellam para o ex.mo governador civil e cremos que fazem muito bem, porque Sua Ex.ª em tendo conhecimento de taes factos de certo fará proceder convenientemente.