Virá o homem? No tempo d’el-rei D. João VI uma das corporações dos misteres de Lisboa convidou o rei para assistir á festa do santo seu protector que devia começar ao meio dia. A esta hora estavam os padres na sacristia paramentados, a musica occupava o coreto, e tudo estava a postos esperando que chegasse o rei para se começar a funcção. Esperaram até ás 3 horas e el-rei não apparecia; os membros da irmandade já sem esperanças, perguntavam todos uns aos outros: =Virá o homem?= e tantas vezes trocaram esta pergunta, que por muitos annos cada um d’elles fazia o papel de Mestre Pim-pim, quando lhe perguntavam virá o homem? Em Beja actualmente não se pergunta senão: =Quando vem o 17?= Este 17 é o regimento que ha dois mezes recebeu pelo telegrapho prevenção para marchar para Beja!!
Beja · Lisboa · Portugal Telégrafo
Folhetim
O d’este numero é d’um joven estudante de 16 annos, muito applicado e talentoso.
Geral
Passos
Apezar do frio e ventania estiveram muito concorridos, principalmente os de N. S. do Carmo.
Estragos do temporal
Tem cahido immensa quantidade de laranja, que era este anno optima.
Carnaval
Passaram-se os tres dias d’entrudo sem occorrencia alguma desagradavel. Na terça feira de tarde percorreram as ruas alguns mascarados a pé e a cavallo, e uma dança burlesca. Houve muitos bailes... de roda á moda da provincia; mas nem o Club nem família alguma quizeram dar uma reunião. Está tudo cheio de spleen.
Falta de policia na Vidigueira
Recebemos duas correspondências da Vidigueira que ambas concordam em pintar aquella villa e proximidades n’um estado lastimoso de falta de segurança. Parece que ha ahi uma companhia de indivíduos que se entretem a mudar as cousas de casa de cada um, e com tal limpeza e habilidade que nem precisam arrombar portas nem saltar por janellas ou telhados. O pacifico habitante sahe ás ave-marias, deixa a casa só, volta duas horas depois e já não acha os objectos de mais valor que lá tinha. Encontra porem as portas fechadas como as deixou. Os taes curiós parece que são extremamente dextros em manusear a gazua. Eis alguns dos factos: Roubaram a Gregorio da Rosa um bahu com dinheiro, roupas e outros objectos, e no dia seguinte foi encontrado o bahu vasio junto ás paredes dos quintaes. A viuva Maria Luiza roubaram vários objectos de prata, roupas &. Passados poucos dias amanheceram-lhe em cima do telhado de sua própria casa uns vestidos e outros objectos que podiam ser conhecidos. Roubaram o celleiro de José de Mira, e a adega dos Carneiros, apesar das grandes fechaduras, dos ferrolhos e cadeados. Ultimamente, na noite de 26 de Fevereiro, roubaram um porco do açougue abrindo a porta com gazua. Em 24 de Fevereiro de noute mataram um boi a tiro de espingarda no próprio quintal do seu dono José Lazciro. No campo furtam o trigo em rama, uvas, colmeias &. Não consta que se tenham tomado providencias a tal respeito. Alem disto ha muitos crimes d’offensas corporaes. Aquelles habitantes appellam para o ex.mo governador civil e cremos que fazem muito bem, porque Sua Ex.ª em tendo conhecimento de taes factos de certo fará proceder convenientemente.
Vidigueira · Portugal Correspondência · Governo Civil · Interpretacção incerta
Lãs produzidas no districto de Beja no anno de 1861
Trigo rijo alqueire 680; Dito ribeiro 650; Cevada 400; Centeio 480; Favas 650; Batatas 280; Feijão branco 1:300; Dito amarello 1:200; Dito frade 680; Azeite 1:800; Vinho a almude 1:100; Carne de porco (14 k.) 2:200; Farinha 2:500; Carne ensacada 6:100; Aguardente de 28° almude 1:600. Á excepção do vinho que se tem exportado para Lisboa em grande escala, pouca mais animação se encontra no mercado. A aguardente cotada por 1:600 reis com referencia aos 18 graos, augmenta 100 reis d’ahi para cima até ao n.° 21, depois do que sobem os valores segundo a sua graduação, e torna-se bastante procurada para a confecção de vinhos.