Portimão
Em data de 8 do corrente diz-nos o nosso correspondente: No Jornal de Beja n.º 10, n'esse neopagão litterario, que ha pouco se apresentou ostentosamente protector das provincias Algarve e Alemtejo, appareceu um escripto de um guidum, algarviense, que vendo no Bejense n.º 360 a nossa noticia, subio á sua cadeira (sem ser da verdade) e de lá despeja sobre nós toda a sua bilis, e em voz altisonante, apoda-nos de psendonolidarbla, officio so perseguidor lo clero d'esta diocese, e tudo o mais, que o orgasmo de humores lhe suggeriu. Coitado! Foi infeliz, e se tivesse feito uso de capacetes de neve, antes d'escrever, havia de ser mais comedido e dar-nos toda a razão. Assim arengou infructiferamente, porque a lógica ilepolmÕeS pela qual s. s. é já conhecido só serve para os que estão em falso terreno, como s. s., ou para ás turbas inexpertas. Para nós apezar de rachatlicos na intelligencia, nada colhe a sua palinodia, e quasi que estamos como os pequenos a dizer-lhe "gabate cesta que logo vais á vindima" pois bem sabe que o louvor em boca propria é vituperio. Para crermos, que nalgumas parochias d'esta provincia se conduzem os mortos ao cemiterio da maneira que relatamos ao Bejense, não é preciso ver. É facto sabido por todos, e até pelo discreto escriptor (visto, que nós não passamos nem podemos passar de simples e humilde noticiarista), que a nosso ver, assiste urbi et orbi a todos os enterros, com a caridade, que o personifica, afim de ver prestar aos mortos todas as alterações e ceremónias lithurgicas. Mostra porem s. s. muita graça, quando nos diz que queria que lhe dissessemos, que vimos o cadaver entrar a cavallo no cemiterio. Os cadaveres não entram a cavallo n'alguns cemiterios, mas entra o jumento ou cavalgadura que os conduz como um fardo qualquer. Vimos os factos e commentamo'-os, não por os julgarmos insólitos, mas porque os estranhamos em 1867. Asseverar s. s., que todos os parochos n'esta diocese prestam a devida attenção aos mortos, e observam todas as praticas lithurgicas é tirar o mérito a quem o tem: é baralhar o bom com o mau; é medir a todos pela mesma rasa. Que lho agradeça o clero sisudo e honesto. Noticiamos aquelle facto pouco decoroso para uma cidade, e agora apontamos outro. No verão esteve uma defuncta 3 dias em casa, porque a família a que pertencia não tinha jumento para a conduzir ao cemiterio. Não era uma ovelha do seu rebanho? Era sim; mas pobre! Não stigmatjsamos portanto o clero algarviense, fustigamos sim os que não teem caridade e todos os que aviltarem a nobre classe, a que pertencem. Salvamos as honrosas excepções, e salvalas-emos sempre, porque essas teem direito a ser acatadas e respeitadas, como são. A sociedade actual não é a d'ha 30 annos: hoje felizmente está mais instruida, e por isso não lhe passam desapercebidos os deveres inherentes a cada membro da sociedade. Chamamos a attenção do ex.mo bispo d'esta diocese, para que os seus delegados fizessem substituir o systema da conducção dos mortos á sua ultima morada d'uma maneira mais propria e mais decente. Insistimos até no nosso proposito, e pedimos p[ilegível]