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Romano

Assistimos no domingo á representação do Simão o Tanoeiro pela companhia lisbonense. Representou o sr. José Romano, auctor da comedia drama, a parte do protagonista. O drama tem algum merecimento e muitos defeitos. Se não enthusiasma, nem agrada a todos os paladares, offerece todavia uma diversão tolerável. E mais nada a respeito do drama, que só foi escripto para ser representado, e não tem culpa das impertinências da nossa critica. O desempenho em geral não foi mau. O sr. José Romano comprehendeu, e tinha toda a obrigação de comprehender, o papel do velho tanoeiro; mostrou mesmo ao publico na verdade da declamação e na propriedade do typo o que era o velho octogenário; mas faltou-lhe, na nossa opinião, vigor e elevação em muitas scenas do seu papel, tornando-o monotono e por vezes sem interesse. Fallámos agora do sr. Sanguinetti, porque consideramos ainda o sr. José Romano hospede n’esta terra, e porque s. s.ª era o auctor do drama; se assim não fora teria o sr. Sanguinetti o primeiro logar n’esta noticia, porque soube merecel-o na representação do Simão o Tanoeiro. O sr. Sanguinetti e o sr. José Romano tiveram uma chamada no fim do drama, o primeiro pelo bom desempenho do seu papel, e o segundo por ser o auctor da peça representada. Na quinta feira representou-se o drama do sr. Camillo Castello Branco Bênçoadas lagrimas. Continua a agradar e com toda a justiça o sr. Silva (Manoel), que no papel de Theotonio da Cunha vai muito bem, e o sr. Silva Junior que é irreprehensivel no barão de Panzeres. A comedia As Felicidades das Felicidades foi bem representada, e agradou. Pena é que as péssimas condições acústicas do theatro não permittissem gosar de muitos calembourgs, que engenhosamente malham a comedia do sr. Luiz d’Araujo.