Serpa 21 de julho de 1869. Sr. redactor,
Cultura e espectáculoMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaarremataçõesBeneficênciaLivros e publicaçõesMédicos e cirurgiõesPobres e esmolas
Pela inserção das seguintes linhas, lhe ficarei extremamente agradecido. Deparando no seu jornal n,° 448. com um artigo que me diz respeito, e no qual se pretende mostrar que não tenho coração» nem amor A pobreza, etc., cumpre-me justificar, não para com o auctor de tal artigo, mas sim para com o publico. «Dizia o supra dito artigo que eu reagi contra o donativo, offerecido pelo ex.mo sr. D. Diogo aos pobres do districto de Beja; e que linha escripto uma carta a um collega d’essa cidade» sobre tal assumpto» e que este me dera uma lição de moral, negando-se a fazer côro comigo. É verdade sr. redactor, que escrevi uma carta a um pharmaceutico d’essa cidade, assim como uma outra ao sr. Antonio Manoel Gomes Cano, que fui a pessoa encarregada aqui de distribuição do sulfato de quinino offerecido: porem nenhuma d’ellas tinha por fim guerrear tão sublime intenção, mas tão sómente a fórma porque se pretendia levar a effeito e para que possam minhas asser ções ser devidamente acreditadas pelo publico, invoco o testemunho d’estes senhores, assim como o do sr. dr. José Maria de la Feria» que como medico dedicado d' este concelho» seguiu este negocio» e foi sobre elle sempre ouvido e consultado. O que eu pretendia sr. redactor» «n» primeiro bgar» era que o sulfato em ques tão» desse entrada nas pharmacias» e ahi fosse convenieatementemanipulado por pes soas competentes» em segundo logar que se empregasse toda a fiscal isaçáo possível» a fim de que não fosse recair o beneficio em pessoas que não estivessem nas circumstancias de o receber» ficando assim logra do o fim caridoso, e us legítimos interes ses d uma classe offerecendo desde logo o meu preslimo gratuito caso se dessem es tas circumstancias. Agora pergunto onde está aqui a immoraliJade? Como provará o auctor do arti go, que eu reagi depui* (Testa minha jus tificação? Que prova mais evidente do que estar-se despachando o rettiluariu de mi nha casa graluitamenle? Que lei me obrigaria a fazei-o senão a da caridade? De tudo o que deixo dito concluo-se que o meu fim nunca foi guer rear o beneficio que mão caridosa prodígalisava aos infelizes, mas là» Emente ob star a que fossem violados ns sagrado* di reitos da classe, a que tenho a honra de pertencer: ainda mais para que o publico fique bem certo que o phanhuceuticu de Serpa não é algum Isca» iole, de*o dizerlhe que sempre que o infeliz recorre á minha caridade, implorando o remedio pa ra ateimar os díReiewles males que o defi nham» é servido e é para mim uma satis fação. Par» os pobres enfermo* do hospi tal desta vira» estou annualmcnle concor rendo com uma esmola não infeuor a reis 50^000, mal esb a publicação de t»'^ a. tos pelo propno» porem vejo-nv constran gido pela cahmnia: estes fados não exis tem registados uosjurnae^ porem pruvamse pelos proprios infelizes, e pelas pessoas demaii respeitável aulhui idade d esta vilh. Agora duas pahvi as ao audar do incon veniente artigo. O pharmaceutico de Serpa, respeita muito a todos» e muito particuldrmente os seus collegas, po em não varece das suas lições de moral» o que me parece é que o auctor do artigo se devia entender com algum d’elles. a fim de lhe darem algumas lições, pois nào me parece saber muito d'úhe. aliás não se entreteria a dizer mal de quem não conhece: por esta occasião pervino-o» que não estou dis posto a sustentar polemica» e que lanço ao desprezo o seu artigo» e todos os de mais que de futuro possa enviar á. Sou com toda a consideração De v. etc. João Augusto Sollar. (Segue-se o reconhecimento).
Ferreira 16 de julho de 1869. Sr. redactor
Cultura e espectáculoReligiãoLivros e publicações
Continuaram os noticiaristas do Jornal de Beja, do dia 14 de julho corrente» sob n.° 91» a pôrem a minha vida publica e particular, em espectáculo aos leitores e que» pelo menus foliassem verdade, mereceriam ser lidos por homens máos, porem verdadeiros; e assim nem uma única acção boa se lhe pôde attribuir; e por este motivo» bem contra minha vontade, me vejo ainda obrigado a responder; e prometto fazel-o para o dia, em que possa» ir no seu primeiro jornal, não a fazendo já, por não ter hoje occasião» em atlençào aos meus muitos afazeres, e ainda muitomaior incapacidade, para de repente agradecer aos meus tão grandes ami gos, a honra que lhes devo» por lhes merecer tanta consideração. Tenciono sr. redactor, apresentar a publico coisas mais interessantes» ou já pela novidade, ou pelas pessoas de que tenho de fallar» e prometto, torno a dizer que só exporei verdades, e não tantos disparates ou não sei que lhe chame; as cousas que me dizem respeito, por velhas aborrecem, enquanto que as novas agradam mais ao publico. Sou como sabe De v. etc. Amaro José Fernandes de Moura.
Odemira 16 de julho de 1869. Sr. redactor
Economia e comércioJustiça e ordem públicaPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesCrimesDebates políticosIndústriaPobres e esmolas
Ahi vae» ipsis verbis et litteris, a insigne epistola que ha muito promettemos publicar.—O seu auctor, é possível ter já deitado á conta d^squecimento a demora. Não senhor; muito d’industria o deixamos descuidar, a fim de lhe causarmos esta surpreza, e lembrar-lhe» que não se esquecem facilmente» injurias graves! e que ainda existe em aberto a divida, que, está a fazer um anno, contrahiu para com* nosco!..., Não nos agradeça» embora, o author da insone... termo-lo tratado com demasiada indulgência em tudo quanto temos dito a seu respeito!..., nunca olhámos por tal. *. conheça, todavia, que da nossa pouca ou nenhuma propensão para a bisbilhotice. Iam tirado grande partido as suas venalidades! e corrupções 1... mas islo não quer dizer, que o futuro não tenha direito a sabchas... E para que saiba se somos ou não obsequiosos» ahi vae a insigne... restringida a leitores determinados—são estes os sabedores du trama urdido contra a victima de Mo<tagua... Também passamos em claro as subtilezas e peripécias que na mesma se leem, por implicarem com um negocio de fam lia» a que no* queremos tornarf estranhos; satisfazemo-nos aueüiis, com dar publicidade ao que o author da insigne mais desejaria lenão coubesse. Ei-lo: ........................................mas eu não gosto da terra porque não ha comomcação para Lisboa só um ou dois togistas é que de ali vem em setembro ou outubro a Lisboa fazer d'islo nada, ali perto knho um pequ no rio só vão bateiras e Hintes de Lisboa de mez a mez—e á« vezes dois e Ires mezes é também a rasôo que me disgosb, por que quando me é preciso alguma cousa gnslo por L rra em frete daruba 1500 (a) sae muito caro a terra é estilada no fim do Meintejo pegando em Algarve fica num canto, as casas são de ham» e telha vãa» e muito caras, por que ficando a villa numa cova cercada de outeiros de roda (b) não se pode fa^er nhfirius nos oiteiros e por isso os que ha e muito poucos para arrendar sáo—-muihi caros, como são de telha vã, e caem ali muitas gelos (cj talvez a islo se atribua.................................... .. Odemira não tem chufaris (d) bebem de passos da* ruas (w) possos que á, um á mais de 30 aunus, não é limpo, a agua traz seus bixinhos (f) e d invemo é turva ê uma terra eX"primial nada de augmeuto progressivo nada de policia sanitaria, vive edbrme aquellr pobre gente de sociedade com o* jumento* e cavalgadura* na mesma casa (g) .....................................................Odemira é terra que Driu mandou fazer (h) da qui a 200 annos talvez lá chegue o progresso, o que dutido porque aquella gente não tem industria, esta só noutra geração podará aparecer (i)............. .................... .................... Tenho-lhe frito uma pintura do que «ãv aquella* terras, desejo-lhe não se embar- mnque e que lenha fortuna que cordeal- mente lhe deseja o seu cullega e amigo ♦ * * *» Agradece a inserção o De v. etc. Z. NOTAS (») Ej/a / d*file!,.. jh) Este areado dernda, tem o peso do te- gredo confidencial ha pouco sabido da penna de um celebre jurisconsulto notável. fc) Que convenha ao author da tnn^ne... não tem per certo, mas tem chafariz. (d) Segundo a opinião do preclaro cusmogra- fú, é Odemira a Sibéria de Portugal!... fe) Senão fora expressão teia, cabia aqui di zer-se: É mentira. fí) Bixinhos traz, mas é o author da fari^nt no miolo. (g) A esta só se respondia hem a foeiro. (h) Para refugio dos corruptos. (i) Por certo, não tem a tWujfría do author da Mutyif
Theatro
Cultura e espectáculoEconomia e comércioFeirasTeatro
Assistimos no domingo á representação do Simão o Tanoeiro pela companhia lisbonense. Representou o sr. José Romano, auctor da comedia drama, a parte do protagonista. O drama tem algum merecimento e muitos defeitos. Se não enthusiasma, nem agrada a todos os paladares, offerece todavia uma diversão tolerável. E mais nada a respeito do drama, que só foi escripto para ser representado, e não tem culpa das impertinências da nossa critica. O desempenho em geral não foi mau. O sr. José Romano comprehendeu, e tinha toda a obrigação de comprehender, o papel do velho tanoeiro; mostrou mesmo ao publico na verdade da declamação e na propriedade do typo o que era o velho octogenário; mas faltou-lhe, na nossa opinião, vigor e elevação em muitas scenas do seu papel, tornando-o monotono e por vezes sem interesse. Fallámos agora do sr. Sanguinetti, porque consideramos ainda o sr. José Romano hospede n’esta terra, e porque s. s.ª era o auctor do drama; se assim não fora teria o sr. Sanguinetti o primeiro logar n’esta noticia, porque soube merecel-o na representação do Simão o Tanoeiro. O sr. Sanguinetti e o sr. José Romano tiveram uma chamada no fim do drama, o primeiro pelo bom desempenho do seu papel, e o segundo por ser o auctor da peça representada. Na quinta feira representou-se o drama do sr. Camillo Castello Branco Bênçoadas lagrimas. Continua a agradar e com toda a justiça o sr. Silva (Manoel), que no papel de Theotonio da Cunha vai muito bem, e o sr. Silva Junior que é irreprehensivel no barão de Panzeres. A comedia As Felicidades das Felicidades foi bem representada, e agradou. Pena é que as péssimas condições acústicas do theatro não permittissem gosar de muitos calembourgs, que engenhosamente malham a comedia do sr. Luiz d’Araujo.
Agricultura bejense
Cultura e espectáculoEconomia e comércioPolítica e administracção do EstadoAgriculturaConferênciasFeirasGoverno civilIndústria
Os nossos amigos e intelligentes engenheiros de minas os srs. Pedro Xavier da Costa e Eduardo Carneiro, foram na terça feira conferenciar com o ex.mo sr. governador civil, sobre a melhor maneira de promover a criação e educação do bicho de seda, n’este districto. S. ex.ª, verdadeiro amigo do progresso e riqueza do districto cuja administração lhe está confiada, recebeu-os com particular deferencia e prometteu empregar todo o seu valimento em favor de industria tão proveitosa. Oxalá se não alevantem tropeços para o desenvolvimento da idea tão civilisadora, e que tanto promette.
Festividade
Cultura e espectáculoReligiãoConcertosCulto e cerimóniasFestas religiosas
No domingo 18 do corrente teve logar a festividade de Nossa Senhora do Carmo, na sua respectiva igreja. A missa foi por musica vocal e instrumental, sendo orador o sr. dr. Emigdio, que, como sempre, agradou ao auditorio. De tarde, antes do sermão, tocou com toda a maestria umas lindas e difficieis variações de clarinete, o sr. José Maria de Almeida Doria. Professaram n’este dia um grande numero de terceiros que foram este anno admittidos na ordem. Findisou a festividade com um solemne Te-Deum. O templo que é um dos melhores da cidade, acha-se hoje no maior acceio e decencia.
Lyceu nacional de Beja
Educacção e instruçãoEstatísticasEscolasExamesInstrução pública
Terminaram n’este estabelecimento os trabalhos relativos ao anno lectivo findo. Nos dias 13 e 15 do mez proximo passado realisaram-se os exames sobre instrucção primaria; no dia 25 principiaram os das disciplinas do curso do lyceu. Em instrucção primaria foram examinados 15 indivíduos, um dos quaes pertencia ao sexo feminino. Todos receberam em seu exame a qualificação de admittidos: 3 d’estes com 10 valores, 2 com 12, 1 com 13, 7 com 11 e 2 com 15. Nas disciplinas do lyceu foram examinados: Em portuguez do 3.º anno 3 dos 5 alumnos matriculados. Em francez 8 dos 17 alumnos internos e 1 externo. Em inglez 3 dos 4 alumnos matriculados. Em latim 9 dos 20 indivíduos matriculados. Em desenho do 1.º anno 9 dos 11 filhos da aula. Em desenho do 2.º anno 4 dos 8 matriculados. Em desenho do 3.º anno 2 dos tres também matriculados. Em arithmetica e geometria plana 2 dos 6 filhos da aula, e não compareceu 1 externo. Em logica os 4 alumnos do lyceu e 1 externo. Em geographia 10 de 13 alumnos matriculados. Em rethorica 2 alumnos externos. Em princípios de physica e chimica e introducção á historia natural os 3 matriculados. E não houve exames em latinidade, tendo perdido o anno os 2 alumnos matriculados. De todos os indivíduos examinados foram reprovados 3, sendo 1 em português do 1.º anno, 1 em logica e 1 em geographia. Os alumnos approvados receberam differentes valores na approvação, mas nenhum d’elles em numero tal que lhe desse a qualificação de louvor. Os alumnos do lyceu contados por matricula, incluindo os do 2.º anno de portuguez, foram 122; contados individualmente não passavam de 47. Os alumnos externos foram 9.
Candieiros
Vão collocar-se mais tres candieiros: um na rua da Conceição, outro na Corredoura e outro no largo de 9 de julho.
Revista
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras
Na segunda feira teve revista de armamento e correame o regimento 17 de infanteria, passada pelo seu commandante.
Calçada
Está completa a da rua da Infanta. Consta-nos que vae calçar-se a rua da Cisterna, que é uma das que muito o necessitam.
Partida
O sr. Albino Botelho Souto Mayor, pagador da 9.ª divisão de obras publicas, parte amanhã com sua ex.ma família, para Evora, que é a sede da divisão de que s. s.ª é pagador. O sr. Souto Mayor é um cavalheiro digno de toda a consideração. Sentimos a sua ausência.
Epigrammas
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioReligiãoAgriculturaEpigrafiaVisitas pastorais
Uma folha do Porto publica os seguintes epigrammas: Ergue o bispo a fronte altiva, E diz de S. Bento á porta: «Vós estaes em carne viva Pois eu cheiro á carne morta!» O ministro da marinha é um vaso d’erudição, mas nunca chega a S. Bento, se não do fim na sessão. Tem immensa actividade, muito talento e energia, mas só abandona a cama depois de dar meio dia. Os seus milhões de projectos são de vantagem enorme, porém mancha-os um defeito: dormem... se o ministro dorme. Por isso como o ministro dorme sempre (estaes a rir) acontece que os projectos não fazem se não dormir...
Maldizente
Tomava um individuo informações de um sujeito casado e perguntava a um vizinho, naturalmente maldizente, que morava no mesmo predio: «Quem é este homem, que vida leva elle?» «Não sei nada, o que lhe posso dizer é que vem sempre á noite para casa.» «E a mulher?» «A mulher? A mulher, isso é differente. Entra sempre em casa de manhã.» Que bonito...
Reforma
ExércitoReformas
Foi reformado na conformidade da lei o major do regimento de infantaria n.º 17 Joaquim José de Sarria.
Musica
Cultura e espectáculoExércitoBanda militar
Desde as cinco e meia até ás sette e meia da tarde, tocou no domingo na praça a banda do regimento 17 d’infanteria.
Proclamas
Nos dia 18 de julho proclamaram-se nas freguesias da cidade: Francisco Manoel, com Gertrudes Maria, solteiros. Joaquim das Dores, com Maria Francisca, solteiros.
Mina
Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localReligiãoFestas religiosas
Ao sr. Francisco Antonio Pulido foi feita concessão, por tempo illimitado, da mina da Figueirinha, na freguesia de Santa Victoria, n’este concelho.
Tribunal de contas
Justiça e ordem públicaMunicípio e administracção localJulgamentos
Foi por este tribunal julgado quite pela sua gerencia de 1 de novembro de 1866 a 30 de junho de 1867 o recebedor do concelho de Odemira.