Voltar ao arquivo
Artigo

E... queria entrar

Sociedade e vida quotidianaBeneficência

Davam duas horas e um embuçado dava tres mysteriosas pancadas á porta da sr.ª D. Xica, moradora na rua Ancha, e que se achava já em valle de lençoes. —Truz... Truz... —Quem é? perguntou de dentro uma voz. —Sou eu, queridinha, não me conheces? —Ai!... agora não posso abrir, venha d’outra vez. —Anda, amor, abre. Não tens dó de mim? —Ora não seja tolo, respondeu a sr.ª D. Xica; e revolvendo-se nos lençoes soltou uma gargalhada que complicou de tal maneira com os nervos do paciente, que atirou taes pancadas á porta que por um triz a não mette dentro. D. Xica pegou da candeia, correu á janella, gritou por soccorro, poz a visinhança em alarme, e no dia seguinte participava o acontecido á auctoridade. Consta-nos que se está formando o competente auto.