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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 98
18 notícias

Boato

ReligiãoNomeações eclesiásticasVisitas pastorais
Lamego · Portugal Igreja

Diz-se que o sr. D. Antonio da Trindade de Vasconcellos Pereira de Mello, bispo desta diocese, foi transferido para Lamego.

Festividade

Acidentes e sinistrosReligiãoSaúde e higiene públicaCulto e cerimóniasFestas religiosasHospitaisIncêndios
Hospital

Festejou-se no domingo 1 na capella do hospital civil desta cidade a milagrosa imagem de Nossa Senhora da Piedade, havendo na vespera fogo de vistas, e no dia missa cantada. Tocou a philarmonica artistica.

Theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioFeirasTeatro

A sociedade artistica dramatica deu na terça feira uma recita no seu theatrinho, levando á scena o drama em 2 actos A Modesta e os Tres, e o entremez Os três vivas enganados, famoso entremez que foi as delicias dos nossos avós. O desempenho foi soffrivel.

Ao compadre de Aleixo Peres, morador na vista Belga

Correspondência · Geral

Não obstante dizer na sua carta que a Luizinha estava apaixonada pelo nosso correspondente Aleixo Peres, porque sympathisava muito com as suas chistosas cartas, que queria conhecel-o e amal-o, a labia não pegou. Assigne-se meu amor, e depois fallaremos. Não fica mal comnosco, não?

E... queria entrar

Sociedade e vida quotidianaBeneficência

Davam duas horas e um embuçado dava tres mysteriosas pancadas á porta da sr.ª D. Xica, moradora na rua Ancha, e que se achava já em valle de lençoes. —Truz... Truz... —Quem é? perguntou de dentro uma voz. —Sou eu, queridinha, não me conheces? —Ai!... agora não posso abrir, venha d’outra vez. —Anda, amor, abre. Não tens dó de mim? —Ora não seja tolo, respondeu a sr.ª D. Xica; e revolvendo-se nos lençoes soltou uma gargalhada que complicou de tal maneira com os nervos do paciente, que atirou taes pancadas á porta que por um triz a não mette dentro. D. Xica pegou da candeia, correu á janella, gritou por soccorro, poz a visinhança em alarme, e no dia seguinte participava o acontecido á auctoridade. Consta-nos que se está formando o competente auto.

Cavalheiro d’industria

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localFeirasIndústriaMercados e feiras
Alvito · África · Portugal Exterior / internacional

Antonio da Rocha Raposo, lavrador no concelho de Ferreira, achava-se em Alvito por occasião da feira, e vendo um bello furão disse áquelle que o trazia: —Quanto vale o bicho? —Um soberano. —Dou-lhe tres mil reis, serve-lhe? —É o furão seu. Antonio da Rocha puxou uma peça e entregou-a ao homem dizendo-lhe: —Pague-se. —Não tenho troco, mas se... —Se quer eu lhe faço o troco, disse um figurão de calça de casimira, fraque e bengalinha de couceiro... —Faz-me muito favor, disse o Rocha. —Então venha d’ahi. O figurão entrou n’uma barraca, cochichou ao ouvido do dono d’ella e puxando duas libras disse ao lavrador: —Dê-me dez tostões. O lavrador na melhor boa fé entregou-lh’os, quando um outro disse: —Então tu vaes dar-lhe o dinheiro sem pesares a peça e sem veres se é boa? —Tens razão, vê-a lá; e entregou-lh’a. Este passou-a a um dos outros que se achava presente, e assim foi de mão em mão até que o cavalheiro disse: vou leval-a ali áquella loja para a pesar; espere um pouco. E sahiu. Decorreu uma boa meia hora, e Antonio da Rocha roendo as unhas e coçando-se exclamou: —A modos que o tal senhor demora-se? Os que estavam na barraca soltaram uma gargalhada, dizendo-lhe: —Que ratão!! Não vêem como elle se deixou roubar? Ao ouvir isto o lavrador deitou a correr e entrando na administração do concelho contou o que lhe havia acontecido á auctoridade; esta chamou o regedor José Maria Lopes e ordenou-lhe a captura do ladrão. O Lopes, honra lhe seja feita, portou-se como um perfeito Canarim e tanto fez, tanto andou, que passada uma hora mettía o melro na gaiola; verdade seja que se demorou lá pouco tempo, porque o administrador, entregues os 9$000 reis ao lavrador, poz ao fresco o honrado cavalheiro, para quem as Costas d’Africa deviam ser o premio de suas gentilezas.

Audiências geraes em Serpa

Justiça e ordem públicaReligiãoAgressõesFestas religiosasFurtos e roubosJulgamentosPrisões
Serpa · Portugal

Desceu a este julgado o illustre juiz de direito da comarca para audienciar nos dias 4, 5 e 6 do corrente, o que effectivamente teve logar. Punir o crime, absolver a innocencia, fazer justiça é o magisterio santo e divino; mas absolver o criminoso e punir o innocente é desmoralizar; é concorrer para o desmoronamento social. A impunidade dos crimes importa maioria de delictos, e a injustiça offende a quem a soffre, deshonra o que a ministra, e revolta a sociedade. Tudo a lamentar. As testemunhas balbuciavam; regateavam a verdade; mentiam; perjuravam! E o jury, recusado o illustrado e consciencioso [ilegível], depunha a balança da justiça, e alçava a bandeira da misericordia, e o estandarte da paz; e as offensas e injurias publicas ás auctoridades foram absolvidas; os crimes de roubo impunes; e o infeliz que deu duas pancadas no malvado, que lhe roubou a mulher, é sentenciado a dois annos de prisão!!... E assim terminaram as audiências geraes!!

Valha a verdade

Geral

N’um poço pertencente a José da Avó, morador na villa de Ferreira, descobriram uma porção de pesos do novo systema metrico decimal; ha bem fundadas suspeitas de serem os que foram roubados no dia 17 de julho do corrente anno do açougue da mesma villa. O administrador levantou o competente auto de noticia.

Noticias da ilha do Fayal

ReligiãoProcissões

Por cartas recebidas da cidade de Horta, capital da ilha do Fayal, e vindas pela corveta americana, consta que reina grande desolação n’aquella ilha, por causa dos successivos abalos de terra. Conforme essas cartas, havia 19 dias que os tremores se succediam, de modo que muita gente emigrara para as outras ilhas, e no Fayal todos os negocios, todo o movimento estava suspenso, entretendo-se o povo só em preces e em procissões de penitencia. Á procissão denominada da Praia, que é votiva, acudiram mais de 6:000 pessoas. Emfim o estado da ilha é afflictissimo. As cartas são contestes em affirmar estes factos; accrescentando que os tremores são acompanhados de pavorosos estrondos subterraneos.

Morreu José Estevão

Município e administracção localReligiãoSociedade e vida quotidianaAssociaçõesFalecimentosPartidas
Interpretacção incerta

No dia 5 do corrente, pelas 4 horas da tarde, sahia o prestito funebre acompanhando á sua ultima morada os restos mortaes de José Estevão Coelho de Magalhães, primeiro orador portuguez e dedicado mantenedor das ideas de liberdade e progresso. No cortejo que o acompanhou á sua ultima morada não houveram precedencias; todas as classes da sociedade viam-se confundidas. O caixão foi levado sempre á mão até ao largo do Principe Real pelos membros do ministerio e pelo eximio poeta e prosador Antonio Feliciano de Castilho, e d’alli até ao cemiterio dos Prazeres por diversos cidadãos. O prestito seguiu a pé até junto á campa que escondeu para sempre o inspirado orador liberal, e ahi todas as associações, todas as classes, e homens de todas as cores politicas ajoelharam e prestaram o ultimo preito ao Demosthenes da tribuna portugueza. É porque n’essa hora solemne e magestosa as paixões partidarias emmudeccem, desapparecem os resentimentos, calla-se a inveja e só falla a consciencia. Concluidas as ceremonias religiosas e conduzido o féretro ao jazigo dos srs. Pinto Bastos, tomaram a palavra os srs. Mendes Leal, Freitas e Oliveira, Gonçalves e Rebello da Silva, que arrancou merecidas lagrimas a todas as pessoas presentes. De José Estevão Coelho de Magalhães só resta agora a saudade immensa que deixou, e um nome immortal nas paginas da historia parlamentar portugueza.

Coração de José Estevão

Geral

O coração do grande orador ficou em sua casa depositado n’uma urna de prata, a pedido da desditosa viuva.

Meteorologia e fenómenos naturais

Que grande exemplo!—José Estevão fez em tempo testamento de mão commum com sua mulher, e ordenou-lhe que nunca pedisse ou aceitasse para si ou para seus filhos nenhuma graça ou mercê, fossem quaes fossem as circumstancias em que viesse a achar-se, em recompensa ou memoria dos serviços por elle feitos ao paiz. Que eloquente lição para muitos que teem feito relevantes serviços pagos com abundantes graças e pingues mercês!

Embaixador

ExércitoTransportes e comunicaçõesNavegacçãoNomeações
Roma · Itália · Portugal Exterior / internacional

Sua ex.ª o marechal duque de Saldanha foi nomeado embaixador de Portugal em Roma. Sua ex.ª parte brevemente no vapor de guerra Estephania.

O príncipe Humberto

Cultura e espectáculoEconomia e comércioSociedade e vida quotidianaAssociaçõesBeneficênciaComércio localLivros e publicaçõesPobres e esmolas
Coimbra · Portugal

(Diz o Commercio.) Além das esmolas que o príncipe Humberto deu em Coimbra, e de que já demos conhecimento neste jornal, temos a accrescentar 45$000 á Sociedade Consoladora dos Afflictos.

Colheita a vapor

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaBeneficênciaColheitasNavegacção
Londres · Reino Unido Exterior / internacional

Nos suburbios de Londres fizeram-se ultimamente ensaios mechanicos agricolas extremamente admiraveis. É o “dito e feito” inglez levado no ultimo grau! Fizeram-se funccionar machinas de segar e ventilar trigo. Os effeitos foram promptissimos. Chegou-se logo um apparelho de subir o cereal escolhido aos armazens; d’ahi passaram-n’o em seguida a moinhos, e depois de reduzido a farinha logo amassaram pão com o que, duas horas antes, estava no campo em espiga. Em tão breve tempo os circunstantes viram o trigo na seara, em terra segado, no armazem recolhido, no moinho triturado, na maceira em bolos, no forno loirejando! E quando o ajudaram a comer, para cumulo da experiencia, já o arado de vapor havia disposto o campo de maneira que se podia semear de novo!

Caminho de ferro do sul

Cultura e espectáculoEconomia e comércioTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroComércio localLivros e publicaçõesObras de infraestrutura
Londres · Reino Unido Caminho de ferro · Exterior / internacional

Espalhou-se o boato calumnioso de que a companhia do caminho de ferro do sul se achava em criticas circumstancias pecuniarias, quando effectivamente se acha n’um estado florescente. Chegando-nos aos ouvidos o boato, tratámos de colher informações, e soubemos que a companhia está no melhor accordo com o seu empreiteiro mr. Price, e que na ultima reunião da direcção, em Londres, a que assistiu o empreiteiro, resolvera a mesma direcção não receber nenhumas sommas do governo portuguez antes da conclusão das obras de S. Thiago. As pessoas que teem conhecimento desta linha ferrea sabem que as obras das trincheiras entre Safara e S. Thiago são mui difficeis. Já se vê pois que a companhia está devidamente habilitada para levar as obras ao cabo, e que o boato que se fez correr foi uma pura calumnia. (Jornal do Commercio.)

Presente

Alentejo · Lisboa · Portugal Geral

Um sargento de veteranos, offereceu a um seu amigo existente em Lisboa uma cigarreira. Remetteu-a dentro d’um papel levando por fóra a seguinte quadra: “Pataca que já és minha / E és de nova invenção; / Vai, leva um cigarro, / Ao amigo do coração.” (A Voz do Alentejo.)

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo, alqueire, 740 a 780 reis; cevada branca, 440 a 480; farinha, 700 a 760; sal, 160; feijão, 800; aguardente, almude, 2$400 a 2$500; vinho, 1$200 a 1$400; azeite, 3$700; vinagre, 900 a 1$200; batata, 1 kil., 40.