O BEJENSE

JORNAL DE UTILIDADE E RECREIO

Edição n.º 1002Beja, 13 de Março de 188043 notícias

Camara dos deputados

Apoiou os seus argumentos na sua longa pratica do magisterio, e terminou pedindo no governo que para a coordenação dos regulamentos não chamasse os sabios, chamasse os praticos dos diversos lyceus do reino. O sr. ministro do reino defendeu o projecto, e quanto aos exames por cursos de annos, que elle prefere aos exames singulares por disciplinas, apoiou-se na opinião de Jules Simon. Jules Simon tem para tudo, visto como é apostolo do ensino livre, liberdade que estas restricções evidentemente contrariam. A argumentação do sr. Dias Ferreira não achou no governo um argumento só que a combatesse, a não ser a auctoridade do Jules Simon, cuja competencia, como theorico, não póde pôr-se em duvida. Seguiu-se o revd.º Luiz José Dias, que entende de metaes preciosos e usa corôa á banda. Mas que disse o padre? Psalmodeou Laudate dominum — o Senhor é o vate da Torreira — e orou pro domo sua. Quer ambulancias examinadoras e tambem quer muito latim o bom do padre que é professor do sobredito na terra do terço e já foi ambulante a 3:000 rs. por dia. Hontem faltou o relator, o sr. Simões Dias, que continua hoje.

Camara dos deputados

O sr. Oliveira Valle apresentou tres notas de interpellação: 1.ª ao sr. ministro da fazenda sobre a fórma porque o sr. arcebispo de Braga tomou posse do convento das Ursulinas, d’aquella cidade, fazendo sahir do dito convento a unica freira que ali existia, e as educandas, não fazendo inventario das pratas e alfaias do convento; 2.ª ao sr. ministro da justiça sobre o modo irregular como é administrada a diocese de Braga, principalmente no que respeita aos processos dos sacerdotes que concorrem aos beneficios ecclesiasticos; 3.ª ao mesmo sr. ministro sobre o estado em que se encontra o processo da confirmação do bispo eleito do Algarve.

Algarve · Braga · Portugal Igreja

Camara dos deputados

O sr. ministro da guerra, na casa electiva, mandou para a mesa uma proposta de lei fixando em 4.335:650$131 reis a despeza ordinaria e extraordinaria do ministerio da guerra para o anno economico de 1880-1881, auctorisando o governo, dentro d’aquella verba total, a despender até á quantia de 150 contos com as fortificações, quartéis e carreiras de tiro, sendo ella tirada do producto do licenceamento das praças de pret que, sem inconveniencia do serviço e da instrucção, possam ser dispensadas, ou de outras quaesquer reducções de despeza.

Odemira

Sabbado, na casa electiva, o sr. Joaquim Antonio Neves mandou para a mesa uma representação, assignada por 164 cidadãos do concelho de Odemira, contra o imposto sobre a cortiça.

Odemira · Portugal

Camara dos deputados

O sr. presidente do conselho apresentou as seguintes propostas de lei, na casa electiva: 1.ª approvando o artigo addicional á convenção celebrada com a Belgica, para a garantia reciproca da propriedade litteraria, artistica e industrial; 2.ª approvando a convenção telegraphica com a Hespanha; 3.ª approvando a convenção com o Gran-Ducado do Luxemburgo, para a reciproca extradição de criminosos; 4.ª applicando ás despezas a mais as sobras dos capitulos do orçamento do ministerio dos negocios estrangeiros; 5.ª renovando a iniciativa da proposta de lei tendente a legalisar algumas despezas que excederam os creditos auctorisados.

Bélgica · Espanha Exterior / internacional · Telégrafo

Importante

A commissão de fazenda fez nas propostas do sr. Barros Gomes as seguintes modificações: mantem-se a legislação vigente com relação á exportação de gado vaccum; cortiça em obra, livre, e em bruto 30 rs. por cada 15 kilogrammas; o governo propunha 100 rs.; carvão para consumo interno por tonelada 300 rs. e para navios 150 rs.; o governo propunha 500 reis; oleo de algodão, decalitro 600 rs.; cals estrangeiras 130 rs.; das colonias 60 rs., e mantem-se no mais a legislação em vigor. Na reforma das alfandegas a commissão levou as economias mais longe que o governo queria.

Votação

Regeitaram a arrematação do real d’agua os srs. marquezes de Ficalho, de Fronteira, de Monfalim, de Vallada e de Vianna, condes dos Arcos, de Avillez, de Bomfim, de Cabral, de Farrobo, da Fonte Nova, de Gouveia, da Torre, da Ribeira e de Valbom, viscondes de Alves de Sá, da Borralha, de Chancelleiros, do Seixal e de Silva Carvalho, barão de Ancede, Ornellas, Mello e Carvalho, Couto Monteiro, Fontes, Sampaio, Sousa Barjona, Barreiros, Margaride, Corrêa, Trigueiros Martel, Lourenço da Luz, Camara Leme, Ferreira de Novaes, Palmeirim e Vaz Preto. Approvaram a arrematação do real d’agua os srs. Martens Ferrão, duques de Avila e Palmella, marquez de Sabugosa, cardeal patriarcha, arcebispo de Evora, bispo eleito do Algarve, condes do Bretiande, de Castro, Linhares, Paraty, do Rio Maior, bispo de Bragança, viscondes de Borges de Castro, de S. Januario, de Ovar, de Portocarrero e de Villa Maior, Quaresma, Sousa Pinto, Barros e Sá, Mello Saldanha, Costa Lobo, Eugenio de Almeida, Sequeira Pinto, Mendonça Cortes, Braamcamp, Baptista de Andrade, Mello Gouveia, Costa Cardoso, Mexia Salema, Baião Mattoso, Luiz de Campos, Daun Lorena, Castro Guimarães, Seixas, Francisco Mathias de Carvalho, Miguel do Canto, Miguel Osorio, Placido de Abreu, Sebastião Calheiros, Thomaz de Carvalho, Ferrer, Seiça, Vasconcellos Coutinho, Xavier da Silva e Palmeirim. E para obter uma maioria de 10 votos fez o governo uma fornada de 26 pares, mandou vir á camara as mulinhas, os ministeriaes de todos os ministerios, e abraçou-se com a heresia graúda que, não tendo assistido á discussão, nem talvez lido o projecto, entendeu que podia em boa consciencia evangelica dotar o paiz com a arrematação por grosso do real d’agua. Dez votos de maioria!

Algarve · Bragança · Évora · Ficalho · Portugal Igreja · Interpretacção incerta

Acontecimentos na Europa

O nihilismo continua a ser o assumpto obrigado nas discussões suscitadas na imprensa europea, e, apesar do czar, na occasião do ultimo attentado, ter dito aos altos dignatarios do imperio que o felicitavam que a opinião dos homens sensatos estava do seu lado, o facto é que a maior parte das folhas, ainda mesmo das que seguem a escola conservadora, condemnam a sua teimosia em se recusar a outorgar uma constituição. As festas do dia 2 do corrente em S. Petersburgo fizeram-se sem o maior incidente; escusado será dizer que as festas foram meramente officiaes. Os nihilistas entenderam não as dever perturbar, o que não quer dizer que abandonassem os meios de conspiração seguidos até aqui; a conspiração é vasta e póde ser classificada como o prologo da revolução. Um assumpto não importante esteve, durante a semana, na tela da discussão — referimo-nos ao nihilista Hartmann, preso em Pariz, a pedido do embaixador moscovita. Hartmann é considerado como um dos implicados no attentado de Moscovo. O embaixador russo exigio que o preso fosse entregue ás auctoridades do seu paiz, ao que o governo da republica não annuio, depois do relatorio de Casot. Mandou porém sahir Hartmann de França. As folhas italianas occupam-se do discurso da corôa na abertura do parlamento, discurso que exprime a esperança que a presente sessão não será nem menos activa nem menos fecunda que a anterior. Ora já que fallámos ácerca da Italia, vem a proposito dizer alguma cousa relativamente aos manejos da Italia irredenta, cujos clubs se teem dissolvido; actualmente existe um unico de certa importancia em Napoles; porém não é de crêr que de Napoles se organise a expedição ao Tyrol. Em todo o caso o governo austriaco, e n’isto está a importancia do assumpto, mandou proceder a grandes reparos nos fortes que defendem as gargantas do Tyrol. Comquanto se considere que o gabinete de Vienna tem em vista precaver-se contra o espirito bellicoso que se observa em Berlim e S. Petersburgo a proposito da questão oriental, comtudo os movimentos bellicos por agora encetados despertam a attenção da imprensa italiana. Oxalá que das ambições de uns e da precipitação d’outros não tenhamos a lamentar novos e mais graves successos. A Republique Française, orgão do sr. Gambetta, diz que está começada a guerra, mas que será preciso salvar o senado contra a propria vontade d’este. As folhas radicaes reclamam a applicação das leis existentes contra os jesuitas.

Berlim · Nápoles · Paris · Viena · Alemanha · Áustria · Europa · França · Itália Exterior / internacional · Relatório

Paris

9. «Senado»: O sr. de Freycinet defendeu o artigo 7 affirmando que elle não ataca a liberdade, nem lesa a religião; dizendo que se a lei fosse votada o governo a saberia applicar com moderação; é necessario votar o artigo 7, accrescentou, porque de contrario o governo terá necessidade de fazer executar leis mais duras. O sr. Dufaure lembrou que o proprio sr. Ferry declarou que o artigo 7 é arma de guerra contra a religião, disse que o senado deve rejeitar as leis que julgar perigosas, como as da magistratura, sem se preocupar com o sentimento da camara dos deputados. Terminou buscando demonstrar que o projecto humilha a religião e ataca a liberdade, recordando as leis dos governos despóticos. O artigo 7 foi rejeitado por 148 votos contra 129. Os tres ultimos artigos do projecto foram votados. A segunda deliberação será na segunda feira.

Paris · França Exterior / internacional

Paris

10. Os srs. Freycinet e Gambetta tiveram hoje uma demorada entrevista, conversando relativamente á votação do senado.

Paris · França Exterior / internacional · Geral

Parte official

Circular aos governadores civis para que determinem aos respectivos conselhos de agricultura que, até ao dia 10 de cada mez, organisem, com relação ao mez anterior, uma parte mensal do estado da agricultura do districto, com o titulo de «Boletim mensal de agricultura do districto», que deverá ser enviada á direcção geral do commercio e industria.

Beja

Foi preso, quarta feira, pela policia e, sendo presente ao sr. juiz do direito, foi processado e acha-se na cadeia, um individuo que, de caso pensado, deu uma facada n’uma cadella perdigueira. O dono, parece que pede indemnisações.

Beja · Portugal Interpretacção incerta

Beja

Eu e o sr. Alberto Goes, é o titulo de um folheto escripto pelo sr. Ariokto Machado. Versa sobre coisas litterarias. Agradecemos o exemplar com que esta redacção foi brindada.

Beja · Portugal

Infantaria 17

Do regimento 17 teem sido licencceadas cento e tantas praças. A proposito: a inspecção a este regimento pode dizer-se concluída e ao inverso do que tem succedido em outros corpos este, ao que nos dizem, recebeu da fazenda publica cento e tantos mil reis. Tambem nos affirmam que o sr. general inspector tem tecido os maiores louvores ao regimento.

Beja

Recebemos e agradecemos o 1.º numero da Chronica litteraria, revista semanal de litteratura moderna.

Beja · Portugal

Districto de Beja / Mertola / Villa Real / Amareleja

Foram mandados entregar á junta geral d’este districto as estradas districtaes de Mertola a Villa Real, e a da Amareleja.

Beja · Mértola · Vila Real · Portugal

Beja / Evora

Foi nomeado desembargador da relação ecclesiastica de Evora o prior da matriz de Beja, o nosso amigo o reverendo Alexandre Ramea Cid. Os nossos parabéns.

Beja · Évora · Portugal Geral · Islâmico

Portalegre / Aljustrel / Infantaria 17

As forças do 15 de infantaria, destacadas em Portalegre e Aljustrel, foram rendidas por infantaria n.º 17.

Aljustrel · Portalegre · Portugal

Graça / S. Thiago

Na noite de sabbado hade ser conduzida, da Graça para S. Thiago, a imagem do Senhor dos Passos, que, no dia seguinte, sahirá procissionalmente.

Campo de Oliva / Infantaria 17

Domingo, da uma ás tres da tarde, tocou a banda do 17 de infantaria no Campo de Oliva.

Beja

Recebemos e agradecemos o Jornal de Lamego, folha religiosa, litteraria, commercial e noticiosa. Seja bem vindo o novo collega.

Beja · Lamego · Portugal

Beja

Recebemos e agradecemos o primeiro fasciculo da explendida obra de Stanley — Atravez do continente negro.

Beja · Portugal Geral

Beja

Sahiu a caderneta 13.ª das Doidas de Paris, e a 28.ª do Amor e Crime.

Beja · Paris · França · Portugal Exterior / internacional

Beja

Publicou-se a folha 31 do 2.º volume editado pela empreza Noites Romanticas, As mil e uma mulheres.

Beja · Portugal Geral

Beja

Exposição do Processo relativo ao crime commettido no Banco Ultramarino. Recebemos um folheto assim intitulado. É uma brilhante defeza do governo do banco. Agradecemos.

Beja · Portugal

Villa Alva

O presbytero, o sr. Francisco Magro da Silva, foi apresentado na parochial egreja de Villa Alva.

Vila Alva · Portugal Igreja

Vidigueira

O sr. Pedro Covas foi nomeado escrivão da camara municipal de Vidigueira.

Vidigueira · Portugal Câmara Municipal

Mertola

A variola continua fazendo victimas n’este concelho, atacando a epidemia com mais força as povoações da margem direita do Guadiana.

Mértola · Portugal

Mertola / Cambas

Em Cambas houve uma grande desordem entre Joaquim Guerreiro e Antonio Pedro, ficando este ferido.

Cambas · Mértola · Portugal

Mertola

O tempo vae correndo pouco favoravelmente para as searas. Começaram, por esse motivo, as preces ad petendam pluviam.

Mértola · Portugal

Mertola

No dia 3 de abril proximo vão á praça os fóros impostos na herdade das Biqueiras em 669$991 rs. e o da Atheuguia em 1:156$896 rs. A arrematação é no ministerio da fazenda.

Mértola · Portugal

Serpa

O sr. Francisco Bailo Fialho foi nomeado escripturario da repartição de fazenda de Serpa.

Serpa · Portugal

Mertola

Abrio, domingo, o salão recreativo e tem sido muito frequentado. Passa-se ali mui agradavelmente.

Mértola · Portugal Geral

Mertola

A’manhã começa o septenario das Dores no Carmo e no Salvador.

Mértola · Portugal Geral

Pomarão / Mertola

No mez findo vieram ao Pomarão carregar mineral 13 vapores e 6 barcos de vella.

Mértola · Pomarão · Portugal Geral

Infantaria 17 / Lanceiros 2

Passou do 17 d’infanteria para lanceiros n.º 2 o primeiro sargento aspirante Joaquim Francisco Nobre Sobrinho, mancebo intelligente e estudioso, a quem agouramos um futuro muito brilhante.

Beja

Os Navegadores do seculo XVIII, obra de Julio Verne. Da acreditada empreza Horas Romanticas, recebemos e agradecemos um volume assim intitulado.

Beja · Portugal Geral

Beja

Recebemos e agradecemos o 4.º fasciculo do Amor dos Amores.

Beja · Portugal Geral

Bibliographia

Novissimo Diccionario Orthographico e Prosodico. Foi addiada para o dia 5 de abril proximo a distribuição do primeiro fasciculo do diccionario; a empreza foi forçada ao addiamento em consequencia de não haver chegado o papel para a impressão e não estar concluída a fundição do typo.

Geral

Bibliographia

Distribuiu-se o n.º 29.º de A Moda illustrada e o fasciculo 41.º do Jornal de Viagens.

Bibliographia

A Venus Negra. Com as primeiras folhas do 8.º fasciculo concluo o 1.º volume d’este notavel romance geographico. Á venda avulso cada volume brochado custa 800 reis.

Bibliographia

Methodo de Ahn Reformado ou Novo Methodo Theorico e Pratico da lingua franceza, para aprender este idioma em 4 mezes, por H. Bruuswiek, professor de linguas no Porto. Entre as obras de reconhecida importancia litteraria e scientifica que ultimamente teem apparecido no nosso mercado destaca-se esta de que tratamos e a qual pela sua utilidade dispensa todo e qualquer encomio. O meu amigo e ex.mo sr. A. G. Vieira Paiva, proprietário da acreditada livraria Archivo Juridico, editando o livro prestou mais um assignalado serviço á instrucção publica, serviço que muito o honra e nobilita. Pela nossa parte, e profundamente reconhecidos, agradecemos o exemplar e bem assim a dedicatória com que muito nos honrou, fineza esta que jamais olvidaremos.

Porto · Portugal

Aljustrel

Sr. redactor. Deu-se hontem aqui um facto, que mais uma vez veio confirmar a veracidade do proverbio: Ninguém as faz que as não pague. Historiemos. No tempo em que Manoel José Rodrigues de Figuiredo era administrador d’este concelho, entre as innumeras arbitrariedades que commetteu, apprehendeu a Luiza Maralhas um meio alqueire, por illegal e não aferido. Poderiamos dissertar largamente ácerca da injustiça d’essa apprehensão e certamente o fariamos se a questão não tivesse sido bem notoria e debatida nas columnas do Bejense. Pois bem! O famoso Luneta foi encontrado hontem no celleiro do sogro, dando sabida a uma porção de trigo, medido por um alqueirão, cujo ultimo aferimento tinha sido feito em 1841!!! Foi, como é naturalissimo, a medida apprehendida, e o doutor autuado á presença d’umas quantas testemunhas. Ora agora ponhamos em parallelo os dois factos e vejamos o que podemos concluir. A apprehensão feita á Luiza Maralhas foi em tempo que as novas medidas para seccos não estavam rigorosamente sujeitas á aferição. A apprehensão feita ao Luneta teve logar hontem, na epocha presente em que todos teem ido aferir as suas medidas; Luiza Maralhas não vendia nesse tempo genero algum pelo seu meio alqueire, e, apesar d’isso, foi responder a uma audiencia. O Luneta, quando foi apprehendido, tinha já mandado encher seis ou sete sacos com o trigo medido pelo velho alqueirão. Não deverá com muita mais razão responder a audiencia? Luiza Maralhas podia allegar ignorancia sobre os quesitos da lei; o Luneta está collocado n’um dilemma fatal: para allegar ignorancia hade deixar de ser doutor; para continuar a ser doutor, hade confessar que calcou a lei a pés juntos. Entre Scylla e Carybdes não póde haver escolha. Daqui conclue-se que o Luneta ou é mau, ou doido, ou ignorante! Se é mau, cadeia; se é doido, Rilhafolles; se é ignorante, escola. Pobre Luneta! Lastimo-te deveras! Parece incrivel que tu, que outr’ora foste tão intrepido ao abrigo da lei, isto é, sophismando-a a teu bel-prazer, viesses cahir tão irrisoriamente do alto do teu orgulho! Porque não te juntaste com o teu amigo Bôa e como valentão que és não lançaste mão da espada ferrugenta para castigar o insolente que ousou fazer-te a apprehensão? Mas como hade ser, ser se todos vocês andam boiando no mar da asneira? De que te serve a luneta se não has-de ver por ella? Olha, um conselho d’amigo. Colloca a luneta na nuca, o chapeo nos pés e as botas na cabeça, e faze uma viagem aos antipodas, a digerir os remorsos, que te hão de dilacerar a alma. Creia, sr. redactor, na sinceridade com que me assigno, De v. etc. Francisco Maralhas.

Aljustrel · Portugal Interpretacção incerta