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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 1030
46 notícias

Acontecimentos na Europa

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAchados funeráriosArquitectura históricaAssociaçõesAssociações recreativasBebedeiras e desordensCaminho de ferroComércio localConferênciasConflitos locaisDebates políticosDecretos e portariasDenúncias e queixasDescobertas e achadosEscolasEstradas e calçadasExamesFestas religiosasIndústriaJulgamentosLivros e publicaçõesMovimentos de tropasNomeaçõesNomeações eclesiásticas
Berlim · Londres · Madrid · Paris · Roma · Alemanha · Áustria · Espanha · Europa · França · Itália · Reino Unido · Sabóia Exterior / internacional

Promettemos em a nossa pretérita revista fallar da segunda applicação dos decretos de 29 de março e, cumprindo a nossa palavra, vamos tratar d’esta questão que em França continua a trazer os espiritos bastante agitados. O dia primeiro d’este mez, como era sabido, estava designado para a segunda applicação dos decretos de 29 de março, em França. Em Paris eram tres os estabelecimentos ameaçados: a escola de Santa Genoveva, rua de Lhomond; o antigo collegio Poilloux, rua de Vaugirard, e a escola de S. Ignacio, rua de Madrid. No estabelecimento da rua Vaugirard, os padres jesuitas haviam-se retirado voluntariamente, trespassando o estabelecimento a uma sociedade civil, de que é presidente o sr. Salançon. Ficára apenas no edificio monsenhor de Forges, seu actual director. Na rua Lhomond, egual transformação no estabelecimento. O novo director que já havia substituido o padre Du Lac é o reverendo Darblade, antigo capellão do collegio Rolin. A escola de S. Ignacio da rua de Madrid cessou tambem de pertencer aos jesuitas, passando a ser propriedade de uma sociedade inteiramente civil, sendo presidente do seu conselho de administração o sr. Riant e director o sr. Chevirot. Á uma hora da tarde apresentaram-se os commissarios de policia nos estabelecimentos dos jesuitas e deram-se por satisfeitos com a partida destes, limitando-se a verificar o facto. Nos demais pontos da França passaram-se as cousas da mesma maneira, excepto em Poitiers, onde os jesuitas se negaram a abrir as portas das suas casas ao commissario central, acompanhado de gendarmes, forçando-se as portas com o emprego de operarios chamados para esse fim. Quando o commissario penetrou no interior do edificio, achou-se em presença de seis jesuitas da casa. Os outros tres foram convidados a abandonar immediatamente o estabelecimento. Deu isto logar a que algumas pessoas rompessem em vivas aos jesuitas, gritando: abaixo os decretos! gritos a que se respondeu com outros de viva a republica! mas não houve desordem. Não deixa de ser para estranhar que, com a admiravel disciplina que reina entre os jesuitas, os das escolas de Poitiers se separassem da norma combinada por todos os outros estabelecimentos de França. Está sendo objecto de muitos commentarios e de viva polemica na imprensa franceza a declaração submettida á assignatura das associações religiosas não legalisadas, e que estas se propõem a apresentar ao governo, expondo as razões por que não se julgam no caso de solicitar a auctorisação a que se referem os decretos de 29 de março. O documento é importantissimo e sentimos immensamente que a absoluta falta de espaço nos inhiba de o apresentar aqui. Segundo L’Univers e outras folhas da colligação reaccionaria entre o governo e o Vaticano existe alguma combinação para tal fim, posto que La République Française e outros orgãos não menos importantes da maioria combatam energicamente a affirmativa dos reaccionarios. Esta questão, apesar de largamente discutida, tem comtudo pelo interesse que offerece de ser acompanhada em todas as suas phases. Diz-se geralmente que o governo resolverá conceder ás congregações não auctorisadas um novo praso até á abertura do parlamento. Nos primeiros dias de novembro apresentar-se-ha á camara dos deputados um projecto de lei para ser discutido com urgencia; se o projecto fôr adiado ou rejeitado, o governo usará dos decretos de 29 de março, executando-os severamente. Se isto assim se realisar será então muito provavel a demissão do sr. Freycinet. Num proximo conselho de ministros se tratará d’esta gravissima questão e se discutirá o projecto de lei sobre associações, e de modificações a introduzir na lei de 1850, sobre o ensino. Já que fallamos dos successos em França diremos que um novo incidente surgiu ha pouco entre a Italia e a gloriosa republica franceza. Quasi todos os jornaes attribuiram a repentina sahida de Paris do general Cialdini, embaixador do rei Humberto, em consequencia do conflicto tunesino; a causa, porém, não é esta. O motivo da viagem e das largas conferencias do general com o sr. Cairoli, presidente do conselho de ministros, consiste no seguinte: a abbadia de Haute-Combe, onde está a sepultura da antiga dynastia de Saboya e dos reis do Piemonte, está situada cerca de dez kilometros de Chambery, capital do departamento da Alta Saboya, um dos que foram cedidos á França em 1859. Em virtude dos decretos de 29 de março ultimo, os monges da abbadia tinham de sahir, e este facto encheu de desgosto a familia reinante na Italia. Ás observações que o general Cialdini apresentou, o sr. de Freycinet, presidente do conselho de ministros de França, limitou-se a responder que era necessario dar cumprimento ás leis. Disse-se que a resposta do general foi uma nota energica, e sahiu para Roma afim de conferenciar com o seu governo. O incidente considera-se, porém, terminado, e diz-se que os dois governos conseguiram chegar a um accordo, ficando de pé as resoluções do gabinete francez. Na Italia produziu a mais profunda sensação a victoria que a França alcançou na lucta em que ambas as nações andavam empenhadas ha muito tempo, em consequencia dos trabalhos diplomaticos, mercantis e industriaes, para influir e predominar na regencia de Tunis. L’Italie, diario francez que se publica em Roma, responde indignado á Riforma, n’estes termos: «A Riforma, que tomou por sua conta a conquista de Tunis e a expulsão dos francezes, denunciava hontem o facto de que a França havia tomado posse de uma provincia inteira de Tunis, e demonstrava que por este modo aquella regencia seria dentro em pouco um territorio francez. A quem incumbe a responsabilidade do que está succedendo ao commercio e ao banco italiano? Um dia o general Roredine, ainda ha pouco ministro do sultão, necessita de dinheiro e trata de levantar um emprestimo. E acha uns marselhezes que lhe facilitam a somma que precisa. Chega o praso de vencimento e não paga,—o que acontece todos os dias,—e os francezes tomam posse da propriedade hypothecada, que consistia em 800:000 hectares de terreno. A conclusão de tudo isto é que a questão tunesina entrou hoje n’um terreno exclusivamente commercial e economico. Aos nossos industriaes e banqueiros é que pertence obrar. E a influencia será do mais activo, do mais arrojado e do mais intelligente.» A Gazzetta di Torino tambem publica um artigo tratando d’esta questão. É escripto pelo sr. Meren, um francez, jornalista distincto. Nosso compatriota,—escreve o Courrier du Soir,—diz entre outras cousas: «A França adoptou para as colonias uma politica de exagerado egoismo, que provoca e continuará provocando a miudo conflictos internacionaes. A Italia tem uma diplomacia especial, pouco habil; porque em vez de tratar de attenuar ou de regularisar as consequencias de uma má intelligencia, trata, ao contrario, de as aggravar, e está sempre disposta a levar as cousas ao extremo.» O sr. Meren conclue dizendo: «Bom seria que os governos de França e de Italia dirigissem as suas vistas para o Norte, aonde os nossos inimigos communs, os nossos inimigos, se abraçam felizes perante as nossas discussões. A Austria é a inimiga da Italia, porque esta ultima lhe foi buscar as suas provincias, que receia perder ainda hoje. A Allemanha porque, olhando para o Rheno, deve consolidar as suas ultimas conquistas. Apesar de Sadowa, a Austria e a Allemanha estão alliadas e, como aliadas, esquecem os seus odios. É uma loucura dividir-se, separar-se perante tal alliança por uma mesquinha questão de influencia colonial, duas irmãs como são a França e a Italia e que, como taes, devem permanecer perfeitamente unidas.» A Gazzetta di Torino aspira com as suas patriotas palavras a armar ao effeito; a politica seguida pelo gabinete francez está porém muito acima de taes manifestações. As folhas de Londres occupam-se ainda da nova phase que tomou a lucta no Afghanistan com a derrota dos afghans. As folhas que lemos presentes trazem desenvolvidos pormenores. Na viagem do czar a Livadia foram descobertas na linha ferrea tres minas carregadas de dynamite e destinadas a fazer ir pelo ar o comboio imperial. Falla-se agora que o imperador se acha muito doente e que se cuida na sua abdicação. As noticias começam de novo a offerecer o maximo interesse. Mudando porém d’assumpto, somos obrigados a fallar ainda dos assumptos da politica interna de França, assim da seria impressão produzida em Berlim pelo discurso que mr. Gambetta pronunciou em Cherburgo. A linguagem das folhas allemãs é a este respeito frisante, e mostra clara e positivamente o receio de que se acha possuido o imperio em face do grande poderio da republica. A França, responderiam porém as folhas de Paris, não pretende a desforra nem sequer pensa em tal. As chagas que lhe foram abertas pelo segundo imperio saberá cural-as com uma politica sabia, prudente e liberal.

EstatísticasPolítica e administracção do EstadoDecretos e portarias

Decreto applicando aos depositarios geraes das comarcas judiciaes do ultramar as disposições do alvará de 25 de agosto de 1874, quanto ao premio ou percentagem pela guarda e conservação dos objectos levados a deposito por ordem judicial.

Sociedade e vida quotidianaAssociações
Índia Exterior / internacional

Ditto reformando a administração das associações agricolas da India Portugueza, denominadas—Communidades.

Índia Exterior / internacional · Geral

Ditto desamortisando os bens das corporações de mão morta na India Portugueza.

ExércitoPolítica e administracção do EstadoDecretos e portarias

Decreto approvando os novos modelos para candieiros, e determinando que a illuminação dos aquartelamentos dos corpos do exercito, e estabelecimentos dependentes do ministerio da guerra, seja feita a petroleo.

Justiça e ordem públicaCrimes

Ditto determinando que no serviço ordinario das guardas de policia e de guarnição seja supprimido o uso da patrona, devendo o cartuchame ser acondicionado nas bolsas de atanado para cartuchos, que fazem parte do correame de infanteria.

Serpa

Alentejo · Serpa · Portugal Geral

Está em Serpa, onde foi examinar as matrizes por ordem do governo, o sr. delegado do thesouro. Dizem que por lá a cousa é como por cá—leva coiro e cabello. Tambem que falta faz? Com uma albarda fica-se bem, e cá pelo Alemtejo os costados são talhados para ella.

Geral

Continua a reparação das calçadas.

Acidentes e sinistrosIncêndios
Portugal

Post tot tantos que labores, venit tandem diem em que as caixas para os signaes de incendio ficaram collocadas. Deu-se o caso domingo 19 do corrente mez de setembro, reinando em Portugal o sr. D. Luiz e governando Anselmo—o seraphico.

Exército

Foi collocado em infanteria 3 o tenente do regimento 17 de infanteria, o sr. Emilio Achilles Mendes.

Geral

Tem 30 dias de licença o sr. Domingos Martinho Cardoso, escrivão e tabellião n’esta comarca.

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras

Quarta feira teve revista de correame e armamento o regimento 17 de infanteria.

Geral

Já começaram as vindimas.

Publicou

Geral

se o 6.º fasciculo do Universo illustrado.

Município e administracção localObras municipais
Câmara Municipal

Chegou o resto da obra de madeira para o novo edificio dos paços do concelho.

Município e administracção local
Câmara Municipal

Está armado o esqueleto da cupula dos novos paços do concelho.

Geral

Agora já se conhece claramente que o tal frontão não o riscou para fazer um bonito o distincto engenheiro que modificou o alçado.

Meteorologia e fenómenos naturaisVentos fortes
Lisboa · Portugal

A fabrica de moagem ao Cano, e de que é gerente o nosso amigo Bernardo dos Santos, continua a acreditar-se cada vez mais. Todas as pessoas que ali concorrem com os seus cereaes affirmam que as vantagens na moagem são superiores a qualquer moinho d’agua ou vento. As farinhas são excellentes. Esta semana sahiram para Lisboa duzentas e tantas saccas.

Arqueologia e patrimónioMunicípio e administracção localDescobertas e achados
Câmara Municipal

Estão assentes as grades nas sacadas de tres fachadas do novo edificio dos paços do concelho. São solidas e muito elegantes.

Meteorologia e fenómenos naturaisCalor extremo

Os calores excessivos nestes ultimos dias teem prejudicado muito o vinhedo.

Acidentes e sinistrosIncêndios

Na salla da junta geral a c’roa, e no deposito de material para incendios e illuminação a cabeça de touro, são dois primores. Ora não ha cousa mais perfeita nem mais bem acabada!

Geral

Vieram mais bicaes circulares para os candieiros da cidade.

Ferreira

Justiça e ordem públicaCrimes

A policia deu em Ferreira caça aos batoteiros. Um quiz Deus que acordaram...

Economia e comércioJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesCrimesDiligênciasFeiras
Lisboa · Portugal

Sahiu quarta feira para Lisboa uma diligencia de policias civis commandada pelo cabo Rodrigues.

Transportes e comunicaçõesCorreio
Beja · Lisboa · Portugal

Vão, ao que ouvimos, para a administração do correio de Lisboa os praticantes da de Beja, os srs. Mascarenhas e Silva.

Ferreira

Economia e comércioAgriculturaFeirasPecuária

A feira de Ferreira não póde dizer-se boa; mas, em relação ás d’este anno, esteve muito animada. Fizeram-se bastantes transacções, e os gados, suino e cavallar, principalmente, tiveram procura.

Lisboa

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Lisboa · Portugal

Vio a luz da publicidade um novo jornal que tomou por titulo O Curioso Dramatico. Recebemos o n.º 1 e, agradecidos, desejamos ao novo collega as maiores prosperidades.

ExércitoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localChegadasMovimentos de tropasPrisões
Beja · Mértola · Portugal

Acompanhada de um forte destacamento de infanteria n.º 17, chegou a Beja, na noite de sabbado, vinda de Mertola, uma leva de presos.

Geral

Recebemos e agradecemos o fasciculo 6.º dos Subterrâneos de Rocambole.

S. Brissos

Sociedade e vida quotidianaBeneficênciaPobres e esmolas

Por intermedio do digno prelado desta diocese, um pobre cego de S. Brissos foi contemplado com a esmola de 12$000 rs. legada pelo barão de Castello de Paiva.

Município e administracção localSessões da câmara

Assummio a presidencia da camara o vereador mais votado, o sr. José Teiles Tinoco de Menezes.

Geral

Sahio o fasciculo 109 e 110 do Diccionario de Geographia Universal.

Mertola

Acidentes e sinistrosJustiça e ordem públicaCrimes
Almodôvar · Mértola · Portugal

Foi ferido mortalmente Ignacio Rosa, solteiro, natural de Almodovar. Foram auctores do crime Isidoro Ximenes e Bartholomeu Ximenes, hespanhoes.

Geral

Recebemos e agradecemos o fasciculo n.º 16 da publicação de Stanley, Atravez do continente negro.

Cultura e espectáculoLivros e publicações
Correspondência

O digno prelado desta diocese querellou de uma correspondencia injuriosa bastante para s. ex.ª, datada da Trindade, e publicada no Jornal do Povo.

ExércitoMunicípio e administracção localChegadasMovimentos de tropas
Beja · Portugal

Chegou a Beja o sr. Leotte, tenente coronel do 17 de infanteria.

Vae construir

Beja · Portugal Geral

se um barracão provisorio, junto ao palacio dos infantes, no largo do duque de Beja, para a venda do peixe.

Vão reparar

ReligiãoTransportes e comunicaçõesEstradasFestas religiosasObras de infraestruturaObras religiosas
Aljustrel · Beja · Ervidel · Portugal

se as calçadas da praça de Santa Catharina, e as vallatas e ramal da estrada do Poço de Aljustrel á estrada de Beja a Ervidel.

Quintos

Município e administracção localTransportes e comunicaçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais

Os habitantes de Quintos requereram á camara que a estrada em construcção tenha o seu termino no largo do Celleiro.

Geral

Está licenciado, por trinta dias, o digno vereador fiscal, o nosso dedicado amigo, o sr. José Pedro Pomita.

Cultura e espectáculoExércitoReligião

Sahio o n.º 3 do Camões. Eis o summario: Texto: Duquesne; Ao redor do mundo sem sahir de casa; O centenario de Camões, pela princeza Rattazzi; Scena triste (poesia), por Helena de Carvalho; Os cavalleiros do amor (romance historico); Quebec, por J. d. Silva; O bisão; O Manoel das Moças (excerpto), por Arnaldo Gama; O homem que não póde casar (conto), por A. A. Leal; Bom fazer (poesia); Zig-Zags; O padre Nossa; A solteirona; Charada, pelos Tres Dragões; Os animaes caçadores; Prospecto. Illustrações: Duquesne; Quebec; Uma emigração de bisões; A caça com auxilio da panthera.

Lisboa

Meteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoTransportes e comunicaçõesDebates políticosDiligênciasEleiçõesObras de infraestrutura
Lisboa · Portugal

Não ha povo mais costumado de contentar que o portuguez! Não ha governo que o satisfaça por mais que já canse e por mais reformas que opere; o povo continua sempre com a mesma exclamação: «queremos reformas; façam-se reformas!» Oh senhores! Mais obras e menos palavras! Pois então quereis um governo mais reformador do que esse que ahi tendes? Não reformou elle as administrações dos differentes concelhos? Reformou; verdade seja que essa reforma só consistiu em anichar os confrades do seu conventiculo, nomeando-os governadores civis, administradores, secretarios, amanuenses e até nos proprios regedores houve mutação! Não seria isto uma grande reforma? Certamente que sim! Verdade seja tambem que somente serviu para montar a carruagem eleitoral e collocar o desgraçado paiz mais proximo do abysmo que o submergirá dentro em pouco tempo, mas isso que importa? Venceram as eleições e levaram ao parlamento uma maioria quasi absoluta, já foi um producto vantajoso para o governo progressista! Reformaram os vencimentos aos operarios tirando-lhes 40 reis por dia! Então isto não foi mais que reforma? Foi até uma economia tão grande, que a divida fluctuante que o governo progressista encontrou em 10:000 e tantos contos tem-se elevado á resumida cifra de 17:000 e tantos contos! E nas repartições do estado não houve tambem aquellas grandes reformas que fizeram com que saissem dos cofres publicos mais algumas dezenas de contos de reis alem das que sabiam? Tudo isto são reformas de grande utilidade publica!—Está-se organisando um parlamento popular, para analysar os actos das camaras electiva e hereditaria, mas, segundo consta, o governo não está resolvido a deixar pôr em execução esta idéa. Porém já se acham aggregados para este fim muitos individuos de reconhecida intelligencia, e que estão resolvidos, no caso do governo fazer opposição, a convocarem um grande comicio para resolverem qual a attitude que devem tentar. —Está projectada uma grande recepção á esquadra franceza que deve aqui chegar no dia 24 do corrente. A recepção é feita pelo partido republicano portuguez, e constará de uma serenata no Tejo, para o que serão convidadas algumas bandas marciaes; no dia seguinte será offerecido um jantar á officialidade que compozer a esquadra. Do que houver darei parte. M. Bruno.

Ourique—Sr. redactor

Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaMunicípio e administracção localReligiãoSaúde e higiene públicaCrimesHospitaisiluminação públicaIrmandades e confrariasLivros e publicaçõesObras municipaisObras religiosas
Ourique · Portugal Hospital

Permitta v. que duas perguntas innocentes, mas do interesse publico, exaradas no seu muito lido e acreditado jornal, vão fazer luz nas trevas. O novo hospital d’Ourique, cujas obras, ha tres annos, estão paralisadas, será concluido para as kalendas gregas? O rendimento da confraria do Santissimo Sacramento, que ha cinco annos a esta parte para ali tem sido applicado, evaporou-se? Noventa e oito mil e tanto, que correu terem sido roubados da administração do concelho, pelo que houve um celebre processo, jazem sepultados com este? Na perpetua e annual gerencia de quatro até trinta sujeitos nas confrarias da misericordia e santissimo sacramento, haverá mysterio? ou suggestão d’agulha ferrugenta? Um exigente.

ReligiãoSociedade e vida quotidianaBeneficênciaCulto e cerimóniasFestas religiosas
Beja · Portugal Islâmico

Santa Victoria (Beja)—Parabéns aos festeiros de Santa Victoria, pela explendida festa á sua padroeira; parabéns ao revd.º prior, pelo excellente sermão que pregou no dia da festividade; parabéns ao publico que ali concorreu, por ter ajudado com a sua presença e cordura a que não houvesse motivo para desgostos; parabéns aos musicos de infanteria 17 que se portaram de fórma que está acima de todo o elogio. Não nos leva a escrever estas linhas a amizade ou outro qualquer motivo para com os habitantes de Santa Victoria; move-nos só o dever que é inspirado pela fórma por que tudo ali correu. [ilegível]

As Carteiras—Portugal a Camões

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioSociedade e vida quotidianaAgriculturaFestas civis e popularesHomenagensIndústriaLivros e publicaçõesMuseus e colecções
Paris · Porto · Viena · Áustria · França · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta

No campo da industria observa-se ha dias uma esplendida novidade—As Carteiras—Portugal a Camões—que os proprietarios da acreditada tabacaria da Praça de D. Pedro, Porto, os srs. Pereira Vianna & C.ª, mandaram fabricar á casa Engel de Vienna d’Austria, proprias de algibeira, as quaes, afóra de serem elegantissimas, teem estampado na primeira capa o frontispicio do Portugal a Camões, admiravel publicação da Empreza do Jornal de Viagens, com o retrato do grande epico, e na ultima a passagem do Gigante Adamastor, que aquelle jornal publicou em supplemento. Á imitação do que um estabelecimento francez executou com o Paris-Murcie, realisaram os srs. Pereira Vianna & C.ª relativamente á primeira publicação do Centenario. As gravuras são perfeitissimas, e tão nitidas que se lê perfeitamente o texto que as acompanha. Os srs. Pereira Vianna & C.ª vendem este verdadeiro bijou a 600 reis avulso, e a 500 rs. para os assignantes do Jornal de Viagens. Não traçamos estas linhas reclame ás Carteiras—Portugal a Camões, e parece-nos que esse objecto de arte, para ser procurado; o nosso fim é unicamente noticiar o seu apparecimento. As Carteiras, geralmente apreciadas, são dignas de figurar no museu ainda mesmo do mais escrupuloso curioso de objectos que appareceram no mercado por occasião das festas do centenario e em homenagem a Camões. É sob este ponto de vista que emitimos a nossa opinião.

A Africa Mysteriosa

Economia e comércioPreçosPreços e mercados
Braga · Coimbra · Lisboa · Porto · África · Portugal Exterior / internacional

A empreza de que são proprietarios os nossos amigos os srs. Emygdio d’Oliveira e Ferreira Brito tem agora no prelo o famoso romance A Africa Mysteriosa, por Jacolliot. O romance é dividido em 3 partes: 1.ª, O ultimo negreiro; 2.ª, O homem dos desertos; 3.ª, A cidade das areias. O preço da assignatura no Porto, Braga, Lisboa e Coimbra é o seguinte: trimestre 600 reis—provincias 630 reis. Lisboa. Sebastião J. Baçam.