Por não cumprir a postura
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioMunicípio e administracção localSociedade e vida quotidianaBeneficênciaEstradas e calçadasFeirasIncêndiosMercados e feiras
Ordena o codigo municipal no n.º 16 § unico, que os donos ou rendeiros dos fornos os limpem tres vezes por anno; este artigo, ao que parece, não se entende com o dono ou rendeiro do forno da rua dos Aferidores, porque segundo nos consta nunca executam o que elle ordena. Querem saber agora qual foi o resultado de se desprezar a lei? Foi na terça feira o fogo communicar-se á ferrugem, e desta ao telhado, e Deus sabe o que mais aconteceria se por acaso os soccorros não fossem tão promptos. Pedimos á authoridade competente que mande inspeccionar os fornos, e obrigue ao cumprimento da postura os donos ou rendeiros, que por acaso a não tenham observado.
Infamia
Economia e comércioFeiras
Na noite de segunda feira pela volta das dez para onze horas, foram arremessadas algumas pedras contra as janellas da casa onde habita o honrado cidadão Antonio Maria da Lança. Lamentamos que n’uma cidade se deem casos d’estes, e pedimos ao sr. administrador que não descanse em quanto não descobrir o author ou authores d’este attentado.
Trovoadas
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgriculturaFeirasTrovoadas
Quasi todos os dias d’esta semana tem havido trovoadas acompanhadas de grandes chinas de pedra; felizmente, alem da que houve na segunda feira, que no sitio das Erugueiras estragou muitas vinhas e alguns olivaes, não causaram mais prejuizos.
Minas
Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoAbastecimento de águaDecretos e portariasFontes e chafarizes
Nos termos do decreto de 12 de agosto de 1862, caducaram no concelho de Mertola n’este districto as minas de manganez, sitas na coutada da Escorginha, Penedo de Corvo, Mata-filhas, Fonte dos Mantrastos, Horta do Brejo, Portella Grande, e a de cobre sita no Barranco das Ferrarias.
Despacho
Política e administracção do EstadoReligiãoDecretos e portariasNomeações eclesiásticas
Por decreto de 12 de março, publicado no Diario de Lisboa de 23 do corrente, foi apresentado na parochial igreja de N. Senhora da Visitação de Villa Alva o presbytero Francisco Maria Guerreiro da Costa.
Noticias de Moura
ExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisTransportes e comunicaçõesDiligênciasPrisõesTrovoadas
Dizem-nos d’aquella localidade, que na aldeia das Pias as trovoadas teem feito grandes estragos, e que foi preso um individuo por se encontrar com 4 onças de tabaco hespanhol. Diz-nos mais o nosso informador que no dia 23 se deu uma busca a duas casas d’aquella villa por se desconfiar existir n’ellas contrabando; a diligencia foi feita pelos empregados do contracto coadjuvados por alguns soldados do regimento 17, mas não se encontrou tabaco em nenhuma das duas casas.
Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoGoverno civil
E esta?—Acaba de informar-nos pessoa competente, que foi remettido pelo administrador do concelho de Moura para o governo civil d’esta cidade, um rato que se encontrou n’uma quarta de tabaco caporal!! Consta-nos que o sr. José Borges o mandara de presente ao sr. Lobo d’Avila. Para que? Alto mysterio! Coisa papa-fina e que não está ao nosso alcance!
Musica
Cultura e espectáculoExércitoMunicípio e administracção localBailesBanda militarFestas civis e popularesTeatro
Tocou no domingo no jardim do regimento 17 a excellente banda do mesmo regimento, e o programma desempenhado foi o seguinte: Passo doble.—Sinfonia da opera Os Martyres, do maestro Donizetti.—Quarteto das Fiadeiras do 2.º acto da Martha, do maestro Flotow.—Festa do baile e scena final da opera Un Ballo in Maschera, do maestro Verdi.—Terceto da opera Martyres, do maestro Donizetti.—Introducção e aria de baixo da opera Marco Visconti.—Passo doble por José Lago. Todas estas peças foram executadas perfeitamente, mas merecem especial menção pela maestria com que foram tocadas a scena final do Baile de mascaras, e o quarteto das Fiadeiras da Martha. Ouvimos em Lisboa estas peças executadas pela banda da guarda municipal, uma das melhores do reino, e confessamos que a musica do 17 não lhe ficou inferior, mui principalmente no Quarteto das Fiadeiras. Ao exm.º coronel commandante agradecemos do coração a fineza que se dignou dispensar-nos e aos habitantes d’esta cidade, tomando em consideração o nosso pedido, satisfazendo-o da melhor vontade.
Corpus Christi
Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoFeirasProcissões
Em consequencia da copiosa chuva que cahiu durante o dia de quinta feira, não pôde ter lugar a procissão de Corpus Christi.
Juiz
Justiça e ordem públicaReligiãoCrimesFestas religiosasNomeações eclesiásticas
Foi nomeado juiz de direito para a comarca de Santa Maria nos Açores, o delegado do procurador regio n’esta comarca, Manoel Ignacio do Canto Ramos e Silveira.
Demissões
Foram demittidos por despacho de 25 do corrente mez, de guardas supranumerarios no circulo de Mertola, os srs. Manoel Alves, e Casimiro José Capella, este guarda a pé, e aquelle a cavallo.
Nomeação
Economia e comércio
Por despacho effectuado em 25 d’abril foi nomeado guarda a cavallo supranumerario do circulo das alfandegas de Mertola, o sr. Sebastião Lazaro da Encarnação Vieira.
Complicado parentesco
Sociedade e vida quotidianaCasamentos
Em Lille, França, vivia um viuvo rico e de 70 annos de idade. Apaixonou-se por uma menina de 17 annos e casou com ella. A intimidade de relações entre as familias do noivo e da noiva deu occasião a que um filho do noivo, de idade de 40 annos, se namorasse da mãe da noiva, sr.ª de 35 annos e viuva ha mais de 10. Pouco tardou o casamento, apesar dos embaraços suscitados pelo pae do namorado. Ahi está pois um filho, sogro de seu pae, este genro e sogro da mãe de sua mulher, esta madrasta e enteada do marido de sua mãe, e sogra d’elle. É uma verdadeira confusão. Se estes dois casaes tiverem filhos, que infinitos parentescos resultarão!
Modelo de contestação
Justiça e ordem públicaSociedade e vida quotidianaCapturasCostumes e hábitos
O que se segue, apresenta-se sem mais nem menos, porque nem menos nem mais estava n’uns autos que nos forneceram: «A contestar. Diz Antonio Monteiro Junior contra a justiça que o perseguiu. E’ S. C. A. P: ha infelizmente reconhecido em uma aspera esposa, com que os destinos lhe agrilhoaram uma existencia lugubre, atroz vontade de zurzir a elle esposo!! P: esta infamia tem sido pabullo a endemoninhadas scenas conjugais! (miratur!...). Practerea C. P: se faz da sede da memória saltar á vista do mundo o rubro sangue d’uma mulher, que hoje presa, e com quem vive matrimoniado em casa theuda e mantheuda de portas a dentro em phrase da vetusta ordenação, foi involuntariamente (lá está em cima quem o sabe) e em defesa propria de sua mulhersinha, possessa d’assazgo ensejo. Practerea D. P: e se houve por bem evadir-se de casa por uma quelha abaixo (quelha é a expressão queridinha das testemunhas), como reza tambem o processo, foi porque impoeza sós consigo era costume seu, quando embezerrado, corria a procurar um sitio ermo, aliás, para abalar a sua magoa. R. e J. mel mod. Apresentam-se para defesa as boas das duas testemunhas primeiras em Libello retro. Felgueiras, 20—abril—1864. De advocato.» Saiba o leitor agora que o advogado que escreveu isso concluiu a sua formatura ha dois annos. É um moço de grandes esperanças... para fazer rir a gente—em contestações. (Nacional)
Theatro
Cultura e espectáculoFestas civis e popularesTeatro
Foi no domingo a recita de despedida dos irmãos Munnés, e foi uma noite de verdadeira festa. Bravos, palmas, flores, bouquets, tudo emfim de que são merecedores os grandes artistas, receberam no domingo os irmãos Munnés. Os artistas annunciaram que a recita de domingo era a ultima, mas o publico pedia ainda mais algumas representações, e temos fé que os artistas annuirão de bom grado ao pedido que lhes foi feito.
Mais
Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoFeiras
Assistimos na quinta feira, á representação do drama social, Fortuna e Trabalho, devido á intelligente penna de Ernesto Biester, e que já em outra occasião tivemos o gosto de ver executado pela companhia Viuva Lopes. Ainda que foi a mesma companhia que na quinta feira o levou novamente á scena, tivemos comtudo o prazer de admirar os genios artisticos dos srs. M. J. Carreta, J. J. Salles Lobo e L. J. da Costa da cidade de Evora, que obsequiosamente vieram coadjuvar a companhia. Apesar de serem curiosos na arte, teem tanta arte que conseguiram enthusiasmar o publico a ponto de arrancarem estrondosas palmas, terem chamadas fora e especiaes, recebendo flores e uma ovação completa. Terminou o espectaculo com a comedia Convido o coronel, a qual se estivesse mais estudada pelos actores, teria tido melhor exito. A concorrencia foi regular.
Roubo
Justiça e ordem públicaReligiãoCulto e cerimóniasFestas religiosasFurtos e roubos
No dia 23 de manhã foi roubado um missal do SS. da igreja de Santa Maria d’esta cidade; a authoridade fez levantar o competente auto de noticia. O larápio foi o sr. Manoel Gonçalves Calimbão—que é useiro no inspecionamento das sacristias.
Diario Commercial
Cultura e espectáculoEconomia e comércioComércio localLivros e publicações
Recebemos o primeiro numero da edição franceza d’este excellente jornal. Agradecemos.
Noticias de Villa Alva
Saúde e higiene pública
Dizem-nos d’aquella localidade o seguinte: Pedimos providencias.—Em uma das travessas de mais transito, e no centro de Villa Alva, ha bastantes estrumeiras, que pela exhalação de seus fetidos vapores as julgamos muito nocivas á saude publica. As authoridades a quem isto competir devem prover, immediatamente, a estes abusos, para que se não deem os repugnantes casos de ficarem os passageiros atacados em immundicia, o que já tem acontecido.
A Camara Municipal da Cuba
Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção local
Pedimos que prohiba a venda de peixe no açougue em Villa Alva. A camara tem uma casa que em outro tempo serviu de pescadaria; tem balanças proprias para aquelle intento; faltam-lhe somente os pesos: porque motivo se não compram? Esperamos ser attendidos.
LISBOA 25 DE MAIO (Correspondencia particular)
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As sessões do parlamento teem sido até hoje e sel-o-hão talvez até final da legislatura um escandalo como tem sido até hoje. O cofre das graças continua aberto pelo legislativo, e pelo executivo. Um entretem-se a dar titulos e condecorações, outro a conceder pensões, reformas etc., e sem se attender se a receita comporta com a despesa votada. No meio desta lufulufa de despesa improductiva até a pensão Penafiel se votou; se nesta gente existisse um sentimento de dignidade e amor pelo systema, a camara sustentaria as votações anteriores, mas levantou-se o sr. duque de Loulé e disse fiat e o escandalo fez-se, a maioria votou a pensão. Votou-se tambem a reforma da junta de credito, isto é, das repartições, porque em quanto á Junta o nobre ministro das moureclas de Arouca tornou a afiar o dente contra esta util e necessaria instituição. E sabem a rasão do afiamento do dente contra a junta? é porque ella é uma barreira, á factura das inscripções mais do que a lei designa. Isto é que estes progressistas não querem. Diante d’elles tudo deve ceder desde as administrações brilhantes inauguradas nas provincias do norte, umas á mocada outras a tiro, até á prepotencia do Mendes dos Furacões a extinguir empregos, unicamente porque suppõe ser auctor dos artigos um empregado do ministerio da marinha. Ora se a regeneração em 1851 tivesse applicado a mesma doutrina ao sapientissimo Cartographo quando na Lei atacava a honra de Fonseca de Magalhães e lhe extinguissem o logar o que diria o ministro da Fome? Chamaria a isto progresso e tyrannia? Mas como o sr. Nascimento é chamado ao gabinete, e extincto o logar em nome do progresso então é uma virtude. Ah! catões, catões. No meio de todos os escandalos o projecto dos raptos parlamentares de que é auctor o nobre e independente caracter do sr. José de Moraes, foi dado para a ordem do dia de hoje, mas tememos que não se discuta porque quem rege os trabalhos não é o presidente, é um Tanas ou Quaresma qualquer que exige se ponha em discussão um projecto que elles imaginam salvar a patria. A camara como está é uma anarchia. As emendas ao orçamento tiveram hontem discussão. O sr. Casal mostrou evidentemente o pessimo estado da fazenda publica, e que o paiz em mãos dos Aroucas ia em declive rapido. As rasões procedentes do sr. Casal, respondeu o ministro com uma verrina. É o costume não ha que estranhar. Approvou-se a creação em Braga do banco do Minho, e na camara dos pares o projecto para a lei das dotações das estradas municipaes. A reforma do exercito dá que fazer; a commissão de guerra e fazenda não chegaram a um accordo; sabe-se porem que só o capitão Cunha relator da commissão de guerra approva o projecto do governo, os mais membros são todos contra. As reclamações começam a affluir e devem vir porque se a lei passasse os officiaes d’infanteria nunca chegariam a generaes. Ora quando em todos os exercitos o generalato é por armas, aqui segue-se o contrario. Onde estão as opiniões d’hontem do sr. Bessa (tenente coronel do estado maior) que defendia a idéa da approvação do generalato ser por armas, e hoje a toma exclusiva das armas scientificas? Pois o exercito são só as armas scientificas? A cavallaria e infanteria, pesando sobre esta o serviço de policia, não será digna de consideração do governo? Para se ver quão parcial é a reforma, basta ver que os officiaes superiores do estado maior são eguaes aos capitães. Para que se augmentou o n.º de officiaes na artilheria? Porque criam mais um regimento? Não porque se attendessem a economias, diminuíssem no estado maior os logares de officiaes superiores. A cavallaria essa se não ficou apeada foi por milagre. Depois que reforma é esta que extingue e faz desapparecer a artilheria de montanha n’um paiz essencialmente montanhoso? E com as baterias de campanha que hão de trabalhar na serra da Estrella, em Portalegre, em Tras-os-montes? Pobre paiz! desarmam-no, e não se lembram que a Hespanha, unico paiz limitrophe com quem podemos ter guerra terrestre, tem bella artilheria de montanha, e que hoje pelo systema das peças raiadas a montanha chega onde chega a outra artilheria? E que alem disso uma bateria de montanha é muito mais barata que uma de campanha, porque com 16 muares teem uma bateria de 4 bocas de fogo? a nada d’isto se attende? Para que? Basta que haja 1 marechal general e 2 marechaes do exercito, e tá tudo salvo. Desculpem estas reflexões feitas ao correr da penna, que não podem ser tomadas como um estudo sobre a reforma, mas que é unicamente apontar o que ha de mais esquisito, nesta monumentoca obra. No domingo foi a procissão de transferencia de S. Vicente para a Sé. A procissão ia bella e grandiosa, levava os andores de Santo Antonio levado pelos meninos do coro, S. Sebastião, S. Anna, N. S. da Rocha e as cinzas de S. Vicente levadas por 4 diáconos paramentados; no fim ia o cabido em habitos coraes, que foi revestido na Conceição Velha, levando s. ex.ª o sr. patriarcha o Sacramento. Acompanhavam a procissão as irmandades de N. S. da Conceição e Enfermaria, Passos das Monicas e S. Vicente, e as irmandades do Santissimo de S. Vicente, Sé, Resurreição, Magdalena, S. Christovão, S. Lourenço, S. André, S. José, Santos e S. Catharina. Á noite illuminou-se a frontaria da Sé e tambem as frontarias das casas dos habitantes da freguezia. Cahiu hontem ás 3 horas uma forte trovoada sobre Lisboa, durou cousa de 1 hora; cahiram differentes raios, um no terreiro do ministerio da guerra partindo as lanças dos trofeus, outro n’uma trapeira da rua Augusta, um no rio, e outro junto a Odivellas, que incendiou um moinho de vento, matou um homem e feriu tres pessoas. Hoje tem chovido bastante. Por hoje não posso ser mais extenso.
Á ULTIMA HORA
Meteorologia e fenómenos naturais
Por carta que recebemos de Moura, sabemos que já ahi chegou tabaco em estado de se poder fumar: não foi sem tempo.