Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 311
32 notícias

BEJA 7 DE DEZEMBRO

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesBailesBeneficênciaCaminho de ferroConcursos e provisõesConflitos locaisCostumes e hábitosDebates políticosDecretos e portariasEstacçõesEstradasFalecimentosFestas religiosasIndústriaInstrução públicaJulgamentosLivros e publicaçõesMovimentos de tropasNomeaçõesNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras de infraestruturaObras religiosasParadas e cerimóniasSecasSegurança públicaTransferências
Badajoz · Beja · Bragança · Ciudad Real · Lisboa · Madrid · Espanha · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Revista da semana — Respiraram, esta semana, algum interesse as columnas da folha official. Desejando attender seriamente ás colonias, acaba o governo de nomear uma commissão para tratar dos melhoramentos das nossas províncias ultramarinas, tomando por base a abolição da escravatura. Tem a commissão por presidente o sr. marquez de Sá, por vice-presidentes os srs. conde de Lavradio, Mendes Leal e Carlos Bento, por secretários os srs. Teixeira de Vasconcellos e Costa e Silva e por vogaes os srs. Seixas, Costa Leal, Calheiros, Maia, Tavares de Almeida, Pinto de Magalhães, Mattos Correia, Francisco Luiz Gomes, Leandro José da Costa, José Baptista d’Andrade, Silva Guardado e Oliveira Lima. Na escolha dos membros da commissão andou o governo acertadamente, o que resta é que elles se dediquem com sollicitude a estudo tão importante, e que os trabalhos que fizerem não tenham a sorte que tantos outros tem tido. Havendo-se suscitado duvidas sobre a applicação do preceito do artigo 2.º da carta de lei de 4 de junho de 1859 acaba de resolvel-as o sr. ministro do reino determinando em portaria de 28 do passado mez, que todo o mancebo, quando chamado ao serviço militar, não tenha nas fileiras ou por fallecimento ou por ter obtido baixa ou findado o tempo legal do serviço, um irmão, lhe não aproveita o disposto no citado artigo. É justa esta resolução e, com quanto alguns tribunaes tenham procedido muitas vezes em harmonia com o determinado pelo sr. Martens Ferrão, bom foi que a duvida se esclarecesse. De hoje em diante fica fechada aos afilhados mais uma porta. Ainda bem. Sobre representação do conselho de saude, apoiada por voto do conselho d’estado, foi decretado em data de 24 do passado que as fabricas de cortumes sejam consideradas como estabelecimentos insalubres de primeira classe e por portaria de 28 do mesmo mez suscitou, aos governadores civis, o sr. ministro do reino, a observância das disposições policiaes do regulamento geral de policia de 7 de abril de 1863, e nomeadamente as que respeitam aos viandantes entrados pelos differentes pontos da raia. No conselho de estado houve mudança de conselheiros de umas para outras secções. O sr. conde d’Avila que estava no contencioso passou para a secção administrativa. Substituiu-o o sr. Anselmo Braamcamp, mas como o sr. conde, por estar no estrangeiro, não pode occupar o seu logar, foi chamado para supprir a sua falta o sr. Roque Joaquim Fernandes Thomaz. No corpo diplomático tambem se deram duas transferencias. Foram as dos srs. Fausto Guedes e Figanieri, este secretario da legação do Rio de Janeiro e aquelle primeiro addido á de S. Petersburgo. Ambos passaram para Madrid na mesma cathegoria. Além destes decretos deu-nos tambem o Diario diversas consultas do conselho geral de instrucção publica e bem assim os programmas dos concursos, a que ellas se referem, para as cadeiras de principios geraes de administração publica, de economia política e de economia rural e industrial. Aos directores de obras publicas foram dadas, pelo ministerio respectivo, as instrucções que devem observar-se para se verificar se qualquer obra construída por empreitada ou por administração preenche as devidas condições de solidez e as mais que exigidas forem nos projectos. Tambem aos mesmos funccionarios, communica o director geral, qual o modo porque devem attender ao recalque nos empedramentos das estradas, para assim calcular o volume de pedra britada que deve lançar-se na caixa da estrada. Uma consulta do conselho de obras publicas, sobre este objecto, acompanha o officio do director geral. Realisa-se o boato que correu da visita da rainha Izabel II ao sr. D. Luiz. Sua magestade partirá de Madrid no dia 9, e pernoitará em Ciudad Real; no dia 10 descançará em Badajoz e na tarde de 11 entrará em Lisboa. Os nossos ministros vão esperar á fronteira, sua magestade catholica e na estação do Caes dos Soldados aguardal-a-ha el-rei, o sr. D. Fernando, o sr. infante D. Augusto e mais pessoas da côrte. Com a rainha de Hespanha vem além de seu esposo e filhos, numerosissimo séquito do qual fazem parte Narvaez e outros ministros. Para obsequiar os reaes hospedes preparam-se grandes festas officiaes. Alem de illuminações, paradas e espectáculos de galla haverá no Tejo um combate simulado, e grande baile e jantar no palacio da Ajuda. O sr. Lobo d’Avila parece que vae subir da concha. Uns seus amigalhaços de Alcobaça corre que desejam elegel-o deputado. Afigura-se-nos que ficarão com os bons desejos e Deus queira que assim succeda. O governo não consentiu que se celebrassem em S. Vicente de Fóra as exéquias pelo sr. D. Miguel de Bragança. Entrou em convalescença a sr.ª D. Maria Pia. Por esse motivo cessaram os boletins desde o dia 3. Abrimos neste numero uma nova secção—Variedades. É o lugar que pede o escripto que ali damos. Tomar a serio o que o seu tonsurado autor diz, era caso para lhe peneirarmos fundo nos ilhés. Mas isso é que nós não fazemos, porque para castigo, julgamos bastante tornar conhecida a sua producção. A’ tela jornalística veio um debate importante. Trata-se de saber se aos filhos de D. Miguel deve ou não ser permittida a residência n’estes reinos revogando-se a lei que de Portugal expulsou o ex-infante e toda a sua descendencia. Posto que de todos os sacerdotes da imprensa sejamos os mais humildes, nem por isso queremos deixar de emittir sobre a questão, a nossa opinião. Entendemos que as portas da patria devem continuar a permanecer cerradas para o primogênito de D. Miguel. Apenasar assim leva-nos não a ferocidade politica nem a crueza de animo, mas as conveniências sociaes e a ordem publica. Bem sabemos que o primogênito de D. Miguel tem por passado as innocências da infancia e que está puro do sangue derramado e dos insultos commettidos, mas não ignorámos tambem que n’essa creança veem os partidários de seu pae o depositário das tradições a que elles chamam da legitimidade, que o consideram seu rei e que como tal lhe prestaram juramento de fidelidade. Tão pouco ignorámos que em Lisboa, acto continuo ao receber-se a noticia do fallecimento de D. Miguel se nomeou a regência que na menoridade do rei hade governar e que dias depois se fez a ceremonia da quebra dos escudos. Ora quem entra em farças tão ridículas abalança-se tambem a cousas se rias. Por isso sômos contra a admissão do primogênito de D. Miguel n’esta terra porque a sua residência em Portugal é o mesmo que facilitar e promover a organisação de um centro antidinastico e anti-liberal pois que o filho de D. Miguel seria obrigado a seguir as tradições de seu pae tanto mais sendo a sua educação, até á chegada do sr. Gomes d’Abreu, influenciada por padres e frades. É isto o que entendemos a respeito do primogênito de D. Miguel. Em quanto a suas irmãs achamos que se dias casassem com cidadãos portuguezes e requeressem domiciliar-se n’esta terra, o poder legislativo podia deferir a pretensão permittindo-lhes a residência no reino, mas em quanto não fossem successoras dos pretendidos direitos do ex-infante D. Miguel, pela morte ou desistência de seu irmão. É esta a nossa opinião.

DESCALÇA (No álbum do ill.mo sr. Antonio Pereira Ferraz Junior)

Meteorologia e fenómenos naturaisSociedade e vida quotidianaNevePobres e esmolas

Quem és? que a gente vendo-te suspira E em puro amor desfaz-se? Raia crepuscular do sol, que nasce? De lampada, que expira? Como os teus pés são lindos! Como é doce A curva do teu peito! Oh! se o meu coração fosse o teu leito! E o teu amado eu fosse! Que preciosas pérolas descobre teu meigo húmido labiu! E, virgem! como Deus foi justo e sabio Em te deixar tão pobre! Não tens fofo veludo onde se atole teu lindo corpo, ó bella! Mas quando é bello o céo? bella um estrella, E quando é bello o sol? Limpo de nuvens, nu, derrete a neve E a aguia até desmaia! Tu não tens mais do que uma pobre saia E, essa, curtinha e leve! Ingênua como a flor que nasce e cresce Não para estar occulta Onde o corpo te alteia a saia avulta, Onde te abaixa, desce. Encerram-se em ti mesma teus desejos. De nada, flor! precisas? E que eu nem seja o mármore que pisas... Calçava-te de beijos! J. D.

A UMA FEMEA

Geral

Ouviste-me não sei quê Trincolejar n’algibeira Disseste muito lisonjeira Que me amavas ... Já se vê Tens amado mais de mil, Não era agora o primeiro, Mas pensas que era dinheiro?.. É a pedra e o fusil. J. D.

MARGARIDA (La dame aux camélias)

Economia e comércioComércio local

Moldada ao bem nasci; mas debil planta Verguei do vicio ao sopro pestilente Dentre o vicio porem minha alma crente Castos hymnos a Deus, saudosa, canta Quando um mentido affecto amor levanta N’um frágil coração inexperiente D’elles a culpa é toda, uma innocente Não consulta a razão, razoes supplanta Cahi, verguei, Senhor; já pervertida Graças, beijos, vendi, vendi belteza,... Triste commercio de mulher perdida.... Mas oh! Deus do amor!.... foi só fraqueza! De ímpias mãos me livrae.. tirai-me a vida! Alcance-me o perdão mortal tristeza! J. D.

BOAS NOITES

Geral · Interpretacção incerta

Estava uma lavadeira A lavar n’uma ribeira Quando chega um caçador —Boas tardes, lavadeira! —Boas tardes, caçador! —Sumia-se-me a perdigueira Ali naquella ladeira, Não me fazeis o favor De me dizer se a bregueira Passou aqui a ribeira? —Olhae que dessa maneira, Até, um dia, senhor! Perdereis a caçadeira... Que ainda é perda maior Que me imporia, lavadeira! Aqui na minha algibeira Trago dobrado valor... Assim eu fora senhor De levar a vida inteira Só a vêr o meu amor... Lavar roupa na ribeira! —Talvez que fosse melhor Vêr... cozer a costureira. Apanhar esta canceira? Vir de ladeira em ladeira, E tudo só por amor De vêr uma lavadeira Lavar roupa na ribeira... É escusado, senhor. —Boas noites... lavadeira —Boas noites, caçador... J. D.

Ainda sobre a carta do duque de Saldanha

Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSociedade e vida quotidianaAcidentes de trabalhoBeneficênciaComércio localCondecoracçõesFalecimentosFestas religiosasHomenagensLivros e publicaçõesMovimentos de tropasNomeaçõesNomeações eclesiásticasPrisões
Bragança · Lisboa · Porto · Setúbal · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

O sr. Francisco Travassos Valdez, filho do general conde de Bomfim, publicou no Jornal do Commercio a seguinte carta: Sr. redactor—Devéra eu ser um dos primeiros, mas não serei talvez dos últimos, a escrever estas regras e a pedir a v. o obséquio de as fazer inserir no proximo numero do Jornal do Commercio, a proposito de uma carta que no meu regresso de fóra do reino, vim encontrar publicada em 26 de outubro ultimo no n.° 3:905 da mesma folha, na qual s. ex.ª o marechal duque de Saldanha falla de seus serviços e relata varias occurrencias, que lhe dizem respeito, por occasião do cerco do Porto e das campanhas que se lhe seguiram: mas, infelizmente, vim tambem logo passar pelo desgosto do fallecimento de minha muito prezada mãe, a ex.ma condessa do Bomfim. Por isso e pela dor que tenho soffrido, não me foi possível até agora cumprir este sagrado dever, em homenagem á memória respeitável do meu sempre lembrado pae, o bravo e honrado general conde do Bomfim. Por diversos motivos que interessam ao illustre marechal, apresenta s. ex.ª, na sua mencionada carta, os nomes, os feitos, as opiniões, etc., de alguns dos beneméritos milhares que mais se distinguiram durante aquella guerra fratricida. Como eu veja, porém, que não é citado um dos mais principaes, qual foi, sem duvida, o meu já fallecido pae, para com quem, aliás, houve sempre muita ingratidão da parte de alguns ministros que dirigiram este paiz, assim como, por morte d’elle, houve egual e manifestamente para com a minha infeliz mãe, apezar dos serviços e do copiosissimo sangue derramado do primeiro e dos trabalhos e riscos de ambos pela causa da liberdade e do throno constitucional, como o prova a historia do paiz e os preciosos autographos e outros documentos que, na minha família, possuímos—única herança de meus paes, além do seu honrado nome, como já alguém o tem publicado,—seja-me relevado, como filho extremoso, que me préso de ser, fazer aqui notar muito claramente, que se o sr. marechal duque de Saldanha não citou o nome de seu digno camarada de armas, o valente e bem conhecido general conde do Bomfim, foi de certo, por entender que era desnecessário para o fim que levou em vista, e nunca por não ser s. ex.ª o primeiro, em todo o tempo a tributar respeito por aquelle seu illustre companheiro de guerra,—o único, além do nobre duque, que teve a honra de haver servido de chefe do estado maior de sua magestade imperial o senhor D. Pedro, duque de Bragança, dirigindo, sob as suas immediatas ordens, meu pae, por consequencia as respectivas operações militares. Não ha que admirar de que o sr. duque de Saldanha, tractando de tão memorável guerra, não falle do general conde do Bomfim, na carta a que alludo, quando provavelmente por alguns motivos, tambem não falla ou pouco diz de outros muitos bravos, uns já fallecidos, outros ainda vivos, e commandantes de corpos, n’aquella epoca, que tanta ajudaram s. ex.ª nas batalhas que ganhou, e n’outras em que não entrou, taes como os srs. Sartorius (hoje conde de Penha Firme), Napier (depois conde do cabo de S. Vicente), visconde da serra do Pilar, barão do Monte Pedral, condes da Campanhã, da Foz, das Antas e o de Santa Maria, Schwalbach (depois visconde de Setúbal), barão de S. Cosme, general Bravo, coronel Pacheco, etc., etc. Sobretudo, deve-se notar muito particularmente, que tambem do nosso glorioso duque da Terceira, commandante em chefe do exercito constitucional, cujos relevantissimos serviços são notáveis entre nacionaes e estrangeiros, muito pouco diz o sr. marechal de Saldanha na sua referida carta, e nada absolutamente de maiores glorias, adquiridas, incontestavelmente, acima de todos os generaes do exercito constitucional, por sua magestade imperial o senhor D. Pedro, duque de Bragança, que a nação e o mundo todo sabem foi quem verdadeiramente assegurou o throno constitucional, graças á valentia, sem egual, de tão grande capitão, a maneira porque se expunha aos perigos e dava o exemplo, e, com especialidade, á sua reconhecida perícia e firmeza. Em vista de quanto tenho exposto, repito, não ha que admirar de que na alludida carta do sr. marechal duque de Saldanha não toque nem sequer por incidente no seu camarada e antigo amigo o general conde do Bomfim. Mas, apezar d’isso, não deve esquecer-se a gloriosa parte que a este ultimo coube, quando ainda conhecido como o general Valdez, durante o cerco no Porto, e as memoráveis campanhas que se lhe seguiram, muito mais sendo certo que meu pae mereceu a sua magestade imperial o senhor D. Pedro a alta distinção de nomear seu ajudante general, logo depois da batalha no dia 23 de junho de 1832, pelos importantes serviços que ajudado do bravo coronel Pacheco, prestou n’aquella acção; distinção e confiança que o valente general conde do Bomfim continuou a merecer, a ponto depois, ser encarregado das funcções de chefe do estado maior do exercito, e dirigindo as operações sob as immediatas ordens do imperador, como dito fica, até que falleceu sua magestade imperial, porque a verdade é que o nobre marechal duque de Saldanha, mesmo quando chefe do estado maior imperial se achava distraído das respectivas funcções, por commandar um corpo do exercito em operações, com o qual, ajudado de tantos bravos, alcançou brilhantes victorias, que tanto lustre déam á carreira militar de s. ex.ª. Além de quanto deixo referido, a melhor prova da subida consideração e particular estima do illustre marechal para com o conde do Bomfim são as próprias partes officiaes de s. ex.ª das quaes, como de justiça fez a meu pae os elogios os mais honrosos pela maneira porque coadjuvou o sr. duque em algumas das acções famosas em que ambos entraram—particularmente por occasião do ataque contra as linhas que occupavam defronte do Porto as tropas do senhor D. Miguel de Bragança, rompendo o bravo marechal e meu pae as mesmas linhas, e levantando o cerco da cidade, cada um por seu lado; á frente de suas respectivas columnas. Não são estes só os serviços mais notáveis prestados pelo conde do Bomfim, e que lhe dão justa consideração publica, porque antes e depois fez outros muitos e da maior transcendência para o paiz e para a actual família reinante, dando-se a circumstancia, mezes antes da chegada de s. ex.ª o marechal duque de Saldanha ao Porto, de ter meu pae contribuído efficazmente para que o exercito inimigo não conseguisse entrar na cidade havendo rompido as linhas das tropas constitucionaes, do que lhe proveiu o titulo de Barão do Bomfim, porque este general, na defesa de tão arriscado ponto alli ficou ferido quasi mortalmente no memorável dia 29 de setembro de 1832 sendo depois em 1838, elevado á grandeza d’este reino, com o titulo de conde, por haver suffocado a anarchia no paiz e evitado graves desgostos, e novamente salvado Lisboa, até o proprio throno constitucional, que essa mesma anarchia ameaçou seriamente, muito de perto, como é bem sabido. Finalmente, ouço, que s. ex.ª mesmo o sr. duque de Saldanha a todos diz com a maior imparcialidade pelo seu natural e cavalheirismo e pela sua muita bondade, quanto foi sempre amigo e respeitador de meu pae, tanto por haverem servido de soldados juntos, desde a guerra da peninsula, sendo ambos mui jovens e partilhando eguaes perigos como muito especialmente tambem pelo muito sangue que o conde do Bomfim, já na patente de general, derramou pelo bem da nação, salpicando até a farda do illustre marechal na acção de 5 de setembro de 1833, em Lisboa, quando meu pae ficou gravemente ferido n’um braço. Creio, portanto, haver mostrado bem palpavelmente que da carta do nobre duque de Saldanha não deve resultar a mais pequena impressão, no inexacta acerca da consideração e estima que merece, particularmente a s. ex.ª, e á nação em geral a memoria do bravo e honrado general conde do Bomfim, meu sempre chorado pae, e, cumprindo assim o meu dever de filho, terminarei aqui esta minha carta, assignando-me, como sempre, com toda a estima e n maior consideração, por sympathia d’aver e gratidão. De v. etc. Francisco Travassos Valdez.

CORRESPONDÊNCIAS

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasJustiça e ordem públicaReligiãoComércio localConcursos e provisõesCrimesEscolasExamesFestas religiosasLivros e publicaçõesProfessores
Beja · Portugal Correspondência · Interpretacção incerta

Ao ex.mo ministro do reino — Beja 4 de dezembro de 1866. — Se não ligássemos, sr. redactor, no seu jornal a consideração que merece, e bem assim aos nossos escriptos em assumptos similhantes, começaríamos a resposta ao artigo do sr. Thomaz Nobre de Carvalho inserto no Jornal do Commercio numero 3935 pelo verso seguinte do Palimnestiço: Unde venit tibi, parva, vae fiducia tanta? porem deixamos esse thema, que assentava tão bem no sr. Nobre, e abraçamos antes o estylo serio baseado somente na verdade, para rebater a sua bagatella, pela qual se nos quer inculcar um Demosthenes, um Cícero, e não sei que mais. O sr. Nobre pelos seus escriptos, e pelo juízo que faz de si, quer-nos levar a crer que o Espirito Santo operou milagres, illuminando o espirito e intelligencia daquelle, que quando estudava geographia respondia ao seu professor da maneira seguinte. Perguntava o digno professor de geographia: onde vai, sr. Nobre, desaguar o Danubio? Respondia o sr. Nobre pondo a mão no mappa sobre o reino de Portugal: «aqui sr. doutor.» Hilaridade de todos os condiscipulos!! Tornava o digno professor: onde fica, sr. Nobre, o Cabo da Boa Esperança? Respondia o sr. Nobre pondo a mão sobre o norte do mappa: «cá o sr. doutor» etc., etc. Hilaridade geral!!! E quer ser professor d’um lyceu um individuo, que arrastou creditos d’esta natureza, e que hoje são apontadas publicamente na praça e lojas publicas d’esta cidade, pelos seus contem por aneus, e proprios condiscipulos!!! É aonde pode chegar a innocencia do sr. Nobre, para não dizermos outra cousa. Deixamos as provas do concurso, para onde nos chamou, porque já está discutida a superioridade do sr. Graça sobre o sr. Nobre, e creia que a opinião publica é um juiz auctorisado, e que n’ex.mo ministro do reino deve respeitar, porque o sr. Nobre tem visto que alguns jornaes se teem pronunciado a favor do sr. Graça, e tem sido coherentes comnosco no nosso pensar a seu respeito. Se s.s.ª tivesse justiça não faltar ia quem viesse advogar a sua causa, porem até hoje ainda ninguém o fez, e foi necessario que s. s.ª se arvorasse em seu defensor e proprio juiz. Quando a opinião publica levanta os seus brados a favor d’um indivíduo, é porque tem fundamentos, e bem assim no caso combatido, e se não veja sr. ministro do reino o systema que o sr. Nobre adoptou n’este lyceu como professor interino, e que o recommenda muito. Ei-o—Lê-se no Bejense n.º 100 de 22 de novembro de 1862: «Que bom professor! ...Que coração! —Homo horae accusativo do singular? perguntava com grande emphase da magistral cadeira que interinamente occupa, o profundo latino Nobre de Carvalho a um innocente de 13 a 14 annos. Horae... respondeu o innocente. Quinau! Horam... respondeu um membrudo e alambazado que se seguia. Chegue-lhe, e sem dó nem consciência tremenda palmatoadas era dada no innocente. Ablativo do plural? Torna de novo o professor. Iluribus... Quinau! Iloris... Chegue-lhe, dizia o interino acudindo-lhe aos brios aquelle sorriso alvar que tão bem lhe fica, e assim continuou a perguntar e a mandar bater desapiedadamente n’aquella criança: affirmam-nos que o innocente levara vinte e tantas palmatoadas. Aposto sr. professor padre mestre ou que é, que te lha perguntassem o verbo tero, v. s.ª ou v. reverendíssima errava? Que lhe parece?» Por estes motivos e pelas impressões pouco lisongeiras que deixou a todos os professores, e mui especialmente n’um dos ornamentos d’este lyceu o sr. dr. Barradas, cuja grandiosidade d’alma e fina educação soffreu ao sr. Nobre certas leviandades de ditos, como dizem nos círculos d’esta cidade, se conhece quão inconveniente seria para o lyceu desta cidade, se as protecções do sr. Nobre supplantassem a razão e a justiça. Conteste-nos pois sr. Nobre isto tudo se é capaz, e prove-nos que no seu concurso sustentou o dialogo em inglez, como o sr. Graça, que não se servio de diccionario para fazer as versões, que vive em perfeita harmonia com os professores do lyceu, que então eris mihi magnus Apollo, e acreditaremos no milagre do Espirito Santo, de outra forma persistirão sempre os nossos exemplos.

Reunião de famílias

Economia e comércioFeiras
Veneza · Itália Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Realisaou-se, na sexta feira, como noticiámos, nas sallas da sociedade bejense, uma reunião de famílias. Devido talvez á noute que esteve tempestuosa, a concorrencia de senhoras foi limitada mas assim mesmo passou-se bem. Dançou-se com bastante animação, e o sr. Doria e o Vargas Junior tocaram, este no seu instrumento de pau e palha, um waltz, e o carnaval de Veneza, e aquelles umas variações de flauta sobre um thema do Trovador acompanhadas a piano e harmoniosamente. Ambos os concertistas foram applaudidos. O serviço, como sempre foi profuso e bem dirigido. Pelas dez horas da manhã estava terminada a reunião.

Desordem

Economia e comércioJustiça e ordem públicaBebedeiras e desordensFeirasPrisões
Interpretacção incerta

Na noute de segunda feira houve na rua da Infanta, entre dois indivíduos, uma desordem detido talvez o ter terminado, só em palavras, ás pessoas que a ella acudiram.

Noticia militar

ExércitoTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacções

Foi parado para o 9 de caçadores o alferes do regimento 17 d’infanteria, aqui estacionado, o sr. Manoel Joaquim Barruncho de Azevedo.

Outra

Exército

O sr. Manoel Antonio de Oliveira, alferes de caçadores n.º 9, foi mandado para o 17 d’infanteria.

Cadeira a concurso

Educacção e instruçãoInstrução públicaNomeações
Moura · Portugal

Pela direcção geral de instrucção publica se mandou abrir concurso de sessenta dias, que começaram a decorrer desde 5 d’este mez, para o provimento da cadeira, de instrucção primaria, para o sexo feminino, da villa de Moura, n’este districto.

Despacho

Município e administracção localReligiãoNomeações eclesiásticas
Barrancos · Beja · Évora · Portugal Igreja

Na egreja parochial de Nossa Senhora da Conceição, concelho de Barrancos, districto de Beja e diocese de Évora, foi apresentado o presbytero, Antonio Jacintho da Cunha.

O novo theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEstatísticasTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesObras de infraestruturaTeatro
Caminho de ferro

Eis a nota da despeza effectuada com a construcção do novo theatro d’esta cidade até ao dia 1.º de dezembro. Despendido até ao dia 27 de outubro (Vid. Bejense n.º 306) 546:653. Semana finda em 3 de novembro: Mão d’obra 21:310; Conducção de pedra 6:000; Areia (12 e meio moios) 8:100; Cal (6 metros a 4:000 rs.) 24:000; Despesas diversas 1:210; Somma 61:120. Semana finda em 10: Mão d’obra 24:860; Areia (14 moios) 8:100; Empreitadas (abertura de alicerces e demolições de paredes) 3:920; Zinco para um aljaroz e feitura de um cano 2:555; Adubos (100 a 1500 e frete) 1:700; Conducção de pedra 2:400; Despesas diversas 530; Somma 41:365. Semana finda em 17: Mão d’obra 24:760; Areia (1 moio) 600; Conducção de cantaria desde a estação do caminho de ferro até ao local da obra 3:200; Adubos (100 a 1500 e frete) 1:700; Cal (2 metros a 4:000 rs.) 8:000; Empreitadas (abertura de alicerces e arrecadação de tijolo) 1:280; Cal em pedra (2 alqueires a 240) 480; Dita em pó (2 metros a 4:000 rs.) 8:000; Canteiro (3 dias a 700 rs.) 2:100; Despesas diversas 840; Somma 42:860. Semana finda em 24: Mão d’obra 31:120; Conducção de pedra 4:000; Areia (15 moios) 9:000; Cal (6 moios a 1:280 rs. e frete) 8:760; Ferramentas apontadas 1:040; Despesas diversas 2:200; Somma 56:420. Semana finda em 1 de dezembro: Mão d’obra 29:320; Conducção de pedra e remoção de entulhos 8:000; Areia (8 e meio moios) 5:100; Cal (6 moios a 1:280) 7:680; Ferramentas apontadas 520; Ferragem 1:695; Despesas diversas 120; Somma 52:435. Recapitulação: Despendido até 27 de outubro 545:665; 1.ª semana de novembro 61:120; 2.ª dita 44:365; 3.ª dita 42:860; 4.ª dita 56:455; 4.ª dita 52:434; Total 803:855.

Proclamas

Geral

No dia 2 de dezembro fizeram-se, nas freguesias da cidade, os proclamas seguintes: José Vicente da Palma, viuvo, com Antonia Rita, solteira. Francisco Antonio Castilho, com Gertrudes das Dores Ramos, solteiros. Antonio Joaquim Guerreiro, com Gertrudes Carolina, solteiros. Joaquim Manoel Engana, com Maria José, solteiros.

Baixas

ExércitoMeteorologia e fenómenos naturais

Deram-se hontem, no regimento 17, grande numero de baixas ás praças que completaram o tempo de serviço e ás da reserva.

Movimento da freguezia de Santa Maria

ReligiãoSociedade e vida quotidianaCasamentosFalecimentosFestas religiosas

O numero de baptismos n’esta freguezia no mez findo, foi de 1—o de casamentos 1—e o de obitos 5, sendo 1 de menor.

Justiça e ordem públicaPrisões
Bragança · Brasil · Portugal Exterior / internacional

A casa de Bragança e o mez de novembro—A 29 de novembro de 1630 morre D. Theodosio II, 7.º duque da Bragança. A 6 de novembro de 1657 morre D. João IV. A 23 de novembro de 1697 é preso e abdica D. Affonso VI. A 26 de novembro de 1807 é a família real constrangida a embarcar para o Brasil por causa da invasão franceza. A 13 de novembro de 1855 morre a rainha D. Maria II. A 6 de novembro de 1861 morre o infante D. Fernando. A 11 morre el-rei D. Pedro V. A 14 de novembro de 1866 morre D. Miguel.

Um requerimento modelo

Religião
Igreja

Lê-se no Campeão das Provincias: Um nosso amigo encontrou ha dias n’uma das ruas d’esta cidade copia d’um requerimento ha pouco dirigido ao sr. vigário geral da diocese, e fez-nos presente d’ella. Em seguida lhe damos publicidade tal qual saiu da penna do litterato, que redigiu o citado documento. Ill.mo e Ex.mo Sr. Vigário Geral: Diz Luiz Henriques Cazado que este suplicante he bom christão e de boas condições e bem comportado que nunca teve desordens com pessoa algua em toda a sua bida por isso pertende que sua Ex.ª Ill.mo Sr. Vigário Geral tenha a bandade de mau dar-lhe passar um Attestado pelo Ill.mo Sr. Prior da Freguesia de Nossa Senhora da Graça da sua Religião que nesta mesma freguesia he que se Arrecebeu o dito suplicante e para o que Pede a V. S.ª Ill.mo e Ex.mo Sr. Dr. Vigário Geral seia servido a sim o mandar. E, H. M.

Martyres do mundo

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoJustiça e ordem públicaSociedade e vida quotidianaCrimesDescobertas e achadosLivros e publicaçõesPobres e esmolas
Porto · Portugal Correspondência · Islâmico

Lê-se no Jornal do Porto: O ministro, martyr dos importunos. O deputado, martyr dos pedidos. O juiz, martyr de memoriaes. O redactor, martyr de correspondências. O noticiarista martyr de falta de noticias. O pretendente, martyr de esperanças. O rico, martyr de cuidados. O pobre, martyr de necessidades. O poderoso, martyr das ambições. O discreto, martyr de entendimento. O ocioso, martyr de vícios. O sábio, martyr de invejas. O néscio, martyr de presumpções. O despachado, martyr de parabéns. O escuso, martyr de desejos. O virtuoso, martyr de escrúpulos. O peccador, martyr de culpas. O temerário, martyr de riscos. O cobarde, martyr de temores. O retirado, martyr de esquecimentos. O entremettido, martyr de desprezas. O valido, martyr de receios. O desvalido, martyr de sentimentos. O glutão, martyr de achaques. O necessitado, martyr de miserias. O casado, martyr de obrigações. O solteiro, martyr de incommodos. O ambicioso, martyr de sustos. O bemfeitor, martyr de ingratidões. O amante, martyr de ciúmes. O avarento, martyr de faltas.

Museu do Louvre

Arqueologia e patrimónioEducacção e instruçãoEstatísticasEscolasMuseus e colecções
Itália Exterior / internacional

Conta actualmente 2:000 quadros, dos quaes 650 das escolas de Italia, 620 das escolas do norte, 700 francezas, 25 da escola hespanhola, resto de diversas escolas. Nas escolas da Italia contam-se 12 quadros de Raphael, 3 de Corregio, 18 de Titien, 22 d’Alpane, 13 de Paulo Veronne, 9 de Leonardo de Vinci, 8 de Perugio, 5 de Giorgion. As escolas do norte são representadas por: 22 de Rubens, 22 de Van Dich, 11 Gerard Dow, 17 Rembrandt, 11 Filippe Hoppema, 11 Bergheon, 10 Van Huysund, 3 Lucas de Lnyde etc. A escola franceza conta 40 quadros de Poussin, 48 Lesneur, 16 Claudio Lorrain, 20 Filippe de Champaigne, 17 Sebastião Bourdon, 26 Lebrun, 12 Mignard, 41 José Vernet, 1 Largillière, 1 Valtran, 13 David, etc., etc. A escola hespanhola conta 11 de Murillo e 6 de Velasquez.

Uma terrível mania

Economia e comércioExércitoJustiça e ordem públicaSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaCapturasCostumes e hábitosJulgamentosMédicos e cirurgiõesQuartéis
Paris · França Exterior / internacional

Perante os tribunaes de Paris foi submettido um notável caso de anthropophagia ou vício de comer carne humana. Uma rapariga de 11 annos de idade attentou com pleno exito contra a vida da sua própria mãe e de uma irmã só pelo gosto de lhes beber o sangue!! A rapariga foi examinada por cirurgiões competentes e provou-se estar accommettida de tão singular quanto terrível mania de comer carne humana. A sua pouca idade leva os cirurgiões a suppor que a rapariga pode facilmente ser curada desta terrível doença. A «Opinião Nacional», commentando este caso recorda a historia do sargento Borland que ha dez annos, tinha por costume deixar subrepticiamente o seu quartel de noite, para ir escalar os muros dos cemitérios, desenterrar os corpos e tragar-lhes acamel. A «Opinião» recapitula tambem a historia de Blaise Ferrage, que no anno de 1779 abandonou a sua família para se ir metter n’uma taverna do cume das montanhas de Atire. Pela calada da noite este terrível canibal deixava o seu esconderijo para ir á maneira das feras, apanhar as victimas humanas desgarradas pelos caminhos das montanhas, e assim que capturava um homem, uma mulher ou uma criança, cortava-lhe as guélas e sugava-lhe até as ultimas gotas de sangue. Era tão feliz nas suas sanguinosas carreiras que nos últimos tres annos de vida não teve outro sustento. Afinal um camponez deliberou ir arriscar a vida na captura do monstro. Fingiu desejos de se tornar tambem canibal para mais facilmente o illudir e chegar a acompanhar nas suas caçadas. Assim conseguiu os seus fins e pôde conduzir a sua fera a Toulouse, onde o parlamento desta cidade condemn ou Ferrage a ser esmagado pela roda, sentença que teve a sua execução em 12 de dezembro de 1782.

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Preços por que correm os generos em Beja. Trigo alqueire 530 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca alqueire 360 reis; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 320; Azeite almude 3:400; Vinho 1:100.

EXTERIOR

ExércitoNomeações
Paris · China · França Exterior / internacional

Paris, 30.—La Lieman foi nomeado ministro da França, na China. Nod foi nomeado ministro junto da Confederação. Assegura-se que as forças militares do exercito serão divididas em tres cathegorias: exercito activo, reserva e guarda nacional. A nova organisação dará ao exercito permanente 400 mil homens, e 800 mil ao eventual.

EXTERIOR

Florença · Itália Exterior / internacional · Geral

Florença, 30.—Foi convocado o parlamento para 15 de dezembro.

EXTERIOR

Florença · Itália Exterior / internacional · Geral

Florença, 1 de dezembro.—O periódico «Italie» assegura que o papa manifestou desejo de receber Vegezzi, para continuar as negociações relativas aos negocios ecclesiasticos.

EXTERIOR

Geral

Southampton, 1.—Corria em Vera-Cruz o boato de ter Maximiliano abdicado, e de já ter embarcado na fragata austríaca «Dandido».

EXTERIOR

Justiça e ordem públicaCrimes

Dublin, 1.—Tem-se feito importantes prisões na cidade, e no condado de Limerick foi proclamado o estado de sitio.

EXTERIOR

Saúde e higiene públicaTransportes e comunicaçõesNavegacção

Southampton, 1.—Chegou o barco de vapor Seisse, trazendo a bordo a febre amarella.

EXTERIOR

Exército
Roma · França · Itália Exterior / internacional

Roma, 3.—O regimento 85.º regressou já a França. O periodico «Oservatore» desmente o que se tem dito sobre a iniciativa de novos preliminares do papa com a Italia.

EXTERIOR

Geral

Nova York, 3.—O presidente Johnson, no seu discurso convidou o congresso a adoptar a política já declarada por elle.

VARIEDADES

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaAgriculturaAssociaçõesConcursos e provisõesCostumes e hábitosCulto e cerimóniasDecretos e portariasDescobertas e achadosEpidemiasEscolasFestas religiosasInstrução públicaLicençasLivros e publicaçõesNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras religiosasReformasTempestadesVisitas pastorais
Lisboa · Roma · Itália · Portugal Correspondência · Exterior / internacional · Igreja · Interpretacção incerta

(TOMOS) D. Manuel Martins Manso, por mercê de Deus e da santa sé apostólica bispo da Guarda, do conselho de sua magestade fidelíssima, par do reino, etc. — A todos os reverendos parochos do nosso bispado, saude, paz e benção em Jesus Christo, nosso redemptor e salvador. Fazemos saber que no Diario de Lisboa n.º 234, deste anno, vem publicadas umas instrucções, expedidas pelo ministerio do reino em 12 de outubro ultimo, pelas quaes se devem regular os commissarios dos estudos, inspectores das escolas de instrucção primaria, da visita extraordinaria e inquérito, a que hão de proceder no corrente anno lectivo. Nestas instrucções faz-se um apello aos prelados diocesanos, para que convidem os reverendos parochos a coadjuvarem os inspectores das escolas, ao serviço da visita que lhes é commettido. Igual appello se faz aos prelados, em portaria do ministerio dos negocios ecclesiasticos e de justiça, de 24 do mesmo outubro; na qual o ex.mo ministro se compraz em reconhecer a benefica e salutar influencia, que o digno clero parochial exerce sobre os povos, e o valioso auxilio que elle pode prestar aos poderes públicos, no empenho de diffundir a instrucção e educação popular, fazendo-a chegar até ás ultimas camadas sociaes. Atendendo nós gostosamente aos desejos do governo de sua magestade, convidamos os reverendos parochos do nosso bispado, a que da melhor vontade e promptamente auxiliem os commissarios dos estudos e inspectores mencionados, em tudo o que de si dependa para o bom e instruido desempenho da sua missão; prestando-lhes os esclarecimentos e informações que neste sentido lhes solicitarem; e satisfazendo a qualquer justa requisição, que a bem das escolas de suas parochias por elles lhes forem feitas. Podem alem disto os reverendos parochos prestar um bom serviço á causa de desenvolvimento e propagação da instrucção popular; já preparando a opinião publica para que favoravelmente acceite as uteis reformas, que neste ramo o governo de sua magestade tenciona em breve propor ao poder legislativo, segundo as bases indicadas nas precitadas instrucções; já persuadindo ao estudo, pelas vantagens que delle resultam para os muitos e variados usos da vida; e admoestando publica e particularmente os chefes de familia, a que não descurem a educação intellectual e moral de seus filhos e familiares, mas sejam zelosos em os fazer frequentar as escolas diurnas ou nocturnas, que por toda a parte se vão estabelecendo em grande numero. Outro serviço maior podem os reverendos parochos prestar á egreja e ao estado, á causa da religião e da moral, á mesma causa da sã instrucção e educação popular. Para lembrar este serviço, reproduziremos as bellas palavras do ex.mo ministro dos negocios ecclesiasticos e de justiça, na citada portaria de 24 de outubro proximo pretérito: «Pregar e ensinar, diz elle, é preceito do Evangelho. A visita e a inspecção dos que ensinam, e a correcção dos erros de doutrina, é um dos primeiros encargos do officio pastoral.» Segundo esta doutrina, absolutamente conforme ao evangelho e aos sagrados cânones, os reverendos parochos, cada um na sua freguezia, são uns verdadeiros inspectores, ordinários e permanentes, constituidos pela santa egreja como sentinellas vigilantes tendo como um dos primeiros encargos do seu officio pastoral, o visitar as escolas, e vigiar assiduamente sobre as doutrinas que nella se ensinam, para corrigir os erros, contrários as verdades do evangelho, que lhes cumpre pregar e ensinar constantemente, e procurar que sejam ensinadas e observadas em toda a parochia, e muito principalmente nas escolas publicas e particulares d’ella. A este proposito, não podemos dispensar-nos de empenhar o zelo e constante vigilância dos reverendos parochos, para preservar os fieis commettidos ao seu cuidado espiritual, e sobretudo as innocentes creanças das escolas da leitura dos maus livros, e jornaes anticatholicos, que são uma verdadeira peste da sociedade. É bem sabido, como a imprensa, por um deplorável abuso da liberdade, está lançando diariamente no centro da sociedade, e introduzindo no seio das famílias, milhares de livros e impressos os mais detestáveis e corruptores. Uns, declaradamente impios e atheus, chegam a negar a divindade de Nosso Senhor e Dominador Jesus Christo! e até a existência do proprio Deus!! Outros pregam mais ou menos abertamente essa heresia, ou aggregado de heresias, que se chama o protestantismo. Cremos que n’esta diocese não terão ainda penetrado estas duas classes de livros prohibidos. Mas se desgraçadamente alguém os possuir sem licença canônica, tem rigorosa obrigação, segundo os sagrados cânones, de immediatamente os entregar ao seu reverendo parocho, para este os remetter ao seu prelado. É de receiar, que sejam mais vulgares, especialmente entre a mocidade, os chamados romances e livros amalorios, cheios pela maior parte de obscenidades e torpezas revoltantes, e repassados do mais brutal sensualismo. Os menos offensivos d’entre elles sob o ponto de vista da honestidade, são a outros respeitos immoraes. O duello, o suicidio, o aborto, o infanticídio, o perjúrio, a blasfêmia, o sacrilégio e mil outros flagícios, são nelles propostos ás turbas incautas, como outras tantas acções indifferentes senão virtuosas. Parecem adrede escriptos para promover a depravação e corrupção de costumes. Um christão, uma pessoa honesta peja-se de os lêr. A par de todos estes nefandos escriptos, e tal mais ainda do que elles, empenha-se, na obra de perverter e descatholisar o povo portuguez, o grande numero de jornaes que se publicam por todo o reino, infensos á santa egreja catholica, e ao seu chefe, o summo pontífice, bispo de Roma, e vigário de Jesus Christo na terra. Quanto são dignos dos maiores louvores os poucos athletas catholicos que no campo da imprensa periódica tão gentil e denodadamente rebatem o erro e a mentira; tanto são dignos de lastima os muitos adversários, que, desconhecendo a nobre missão da imprensa, a toda a hora a desauthorisam por seus ataques mais ou menos violentos ao catholicismo. Ainda que nem todos ousam atacar descobertamente e affrontar os sentimentos eminentemente catholicos, que animam a grande maioria do nosso povo; vão sempre lançando pérfidas insinuações e calumnias contra o supremo chefe da egreja, e contra a santa sé, no intuito de separarem o reino fidelíssimo do centro da unidade catholica. Neste particular, ha uma regra certa para discernir os jornaes verdadeiramente catholicos dos que falsamente se dizem taes para illudir os incautos: é o modo como fallam do papa, e da santa sé. Não pode ser catholico, não pode ser lido por catholicos, todo o escriptor ou escripto, que diz mal do pae commum dos fieis, e desacata ou se insurge contra o seu poder espiritual ou temporal. Estes taes jornaes, bem como os livros obscenos e immoraes, ou hereticos e impios a que alludimos cumpre que os reverendos parochos se empenhem com toda a solicitude, em retirá-los das mãos dos fieis e afasta-los para bem longe das escolas, aonde elles podem fazer os maiores estragos. Pelo púlpito e pelo confessionário, pelas admoestações publicas e pelas correcções fraternas, seguindo sempre os dictames da prudência e as regras evangelicas, podem os reverendos parochos, pelo legitimo ascendente que o seu sagrado ministério lhes dá sobre as consciências, combater com vantagem contra todas estas pestiferas producções da imprensa, que tanto a degradam e envergonham. Em todo o caso, avisam os inexperientes, desencarregam suas próprias consciências, e offerecem um poderoso concurso aos poderes públicos, no empenho de derramar nas classes populares a verdadeira illustração; que é só a que anda acompanhada do santo temor de Deus, e da observância da religião de nossos paes, hoje tão desacatada e combalida. E agora, já que alludimos á crua guerra que por tantos modos se está fazendo ao catholicismo, não concluiremos, sem chamar a attenção dos reverendos parochos e mais clero desta diocese, para o impreterivel dever, que todos temos, de orar sempre, e cada vez com maior insistência, pelas necessidades espirituaes e temporaes da santa egreja, e do seu chefe supremo. Muitas são estas necessidades; muitos são os males que a egreja soffre por toda a parte. Mas os que ha annos affligem, e os que ameaçam de futuro a cabeça do orbe catholico, são superiores a todos os outros. Proximo se annuncia o prazo, em que pela sahida das tropas francezas de Roma, tem o santo padre de ficar entregue exclusivamente aos seus próprios recursos de defesa, no meio de tantos inimigos que o cercam. Fracos, bem fracos, humanamente fallando, são estes recursos. Ao sahir de Roma o exercito francez, quem ficará ali para defender o pontifice-rei?!... Uma crise medonha se avizinha... Mas é certo que Deus não abdicou nem abdica o governo do mundo: é certo que elle prometteu, que as portas do inferno nunca prevalecerão contra a sua egreja, nem contra a pedra que lhe serve de alicerce: é finalmente certo, que a oração é um poderosíssimo recurso para obter de Deus o auxilio em tempo opportuno. Recorram pois os fieis, recorram tambem os pastores, recorramos todos á oração, com fé viva, esperança certa, e perseverança indefectivel; façamos, com esta arma, uma grata violência a Deus, á qual elle não resiste longo tempo; e, interpondo o valimento da immaculada sempre virgem Maria Senhora nossa, roguemos a seu beneditissimo filho, que se digne humilhar os inimigos da egreja catholica; que proteja e defenda o magnânimo pontífice que ora a governa, bem como a sua soberania espiritual e temporal; e que dê paz aos nossos dias. Nesta conformidade, para que tambem no santo sacrifício da missa congruentemente se implore do altíssimo ás necessidades espirituaes e temporaes da santa egreja catholica, e deste reino fidelíssimo; ordenamos e mandamos que o ill.mo e ex.mo cabido da nossa cathedral, e todos os reverendos parochos e mais sacerdotes do nosso bispado, immediatamente antes da collecta da missa recitem as orações—Pro quacumque necessitate, até ao fim da futura quaresma. Cada um dos reverendos parochos communicará esta nossa carta pastoral aos reverendos sacerdotes da sua freguezia, e depois a archivará competentemente. Dada no paço episcopal da Guarda, sob o nosso signal e sello das nossas armas, em 5 de novembro de 1866. Manoel Bispo da Guarda.