Por espancar um individuo e roubar outro foi segunda feira recolhido á cadeia um servente do forno da rua da Moeda. O preso tentou evadir-se aos soldados que o acompanhavam e conseguio-o-hia se dos individuos que lhe iam na pista, um d’elles não conseguisse derribal-o com uma pedrada.
O sr. dr. Antonio Camilo de Brito offereceu ao sr. dr. Boavida, para a bibliotheca, algumas obras de direito e de theologia. O distincto escriptor o sr. Pinheiro Chagas offereceu um exemplar de todas as suas obras. O sr. Manoel de Jesus Paes deu a livraria de seu sogro o nosso distincto collaborador José Pedro de Carvalho e Souza. Ha em medicina, agricultura, historia, mathematica etc. etc. boas obras. Registamos jubilosos estes donativos e fazemos votos porque continuem.
Os presos sentenciados a degredo na comarca de Moura, escoltados por uma força de cavallaria e infanteria, deram entrada, na noute de terça feira na cadeia desta cidade e na quinta feira partiram para a capital acompanhados por uma força do 17 de infanteria.
Recebemos e agradecemos o Jornal do Minho folha politica que se publica em Braga e de que é proprietário, o sr. João Antonio da Silva Ferreira. Que o novo campeão tenha longa e prospera vida.
Terminou a publicação das Noites de insónia, escriptas pelo sr. Camillo Castello Branco e editadas pelo sr. Ernesto Chardron. Deixam saudades aos amadores de boa leitura.
Recebemos e agradecemos o n.º 7 de terceira serie do excellente jornal Artes e letras e bem assim o n.º 1 do Recreio infantil util publicação da casa Rolland & Semiond.
Recebemos e agradecemos o Esboço biographico do Manoel de Mattos Costa. É um opusculo de 34 paginas dedicado pelo seu auctor, o sr. A. Franco, ao illustre presidente do conselho de ministros.
Noticias de Moura
Instalou-se uma sociedade dramatica recreativa presidida pelo sr. dr. Fialho. Faz tambem parte da mesma s. ex.ª o sr. general Mendonça. Dizem-nos, que s. ex.ª tem bastante vocação para a arte dramatica. Folgo, que estas diversões sejam duradouras, para o sr. general, ex administrador deste concelho pisar o palco. Até ha pouco representou s. ex.ª o papel d’administrador para obter o generalato, agora póde ser actor. Isto é que é um abençoado paiz! Arranja generaes, sem que se esteja na fileira. A propriedade está ainda pouco subcarregada e é dar-lhe p’ra a frente. O povo pode e deve pagar mais, para arranjar um exercito de generaes reformados. O sr. general Mendonça, que está ainda com boa saude, podia exercer agora um cargo administrativo gratuitamente, e aliviar o governo desta forma, o thesouro, ou os cofres municipaes. Quando fallo do sr. Mendonça apresento a idéa, para todos os que estão no mesmo caso.
Noticias de Moura
A Folha do povo continua a ser mal recebida por aqui. A linguagem chula é o seu forte. Interesse pelas cousas do districto é para a Folha contrabando. Descompostura a um, galéguice a outro é o que se vê em semelhante papelucho. Bulas e mais bulas, missas e mais missas são os principaes pomos da sua discussão. Se não sabem mais outro officio. Juntem-se todos os redactores, e vão tirar agua para a nora do sr. visconde da Boa Vista. Ahi é que é o posto dos auxiliadores de um primeiro jornal, que é enviado a muitos cavalheiros deste concelho, sem o terem mandado assignar. A maior parte tem-no recambiado á redacção, mas um dos directores insiste em o enviar, e tem escripto como o fez ha pouco a certo prior, que acceite e continue em o ler, que ha de gostar. De cá porém dizem-lhe ao ajuste de contas, que quem encommenda o sermão é que o paga. Se foi o sr. visconde da Boa Vista que o fez ou aconselhou a remetter ao administrador do concelho, a camara municipal que o pague. É esta a nossa opinião. Até á semana. R.
Na manhã de sexta feira ultima entre as estações dos Pegões e Poceirão, encontraram-se dois comboios extraordinarios de mercadorias, o que vinha de cima com o do Barreiro; as machinas, alguns carros e diversas mercadorias ficaram despedaçados, e os dois machinistas gravemente feridos. Deu motivo a este desastre os dois chefes de estação não participarem um ao outro a partida dos comboios.
Chegou a esta cidade, o professor que ha de reger no curso de sciencias ecclesiasticas desta diocese a cadeira de direito ecclesiastico portuguez. Foi sua ex.ª um estudante distinctissimo na universidade e das suas qualidades temos as melhores informações.
A banda do 17 de infanteria tocou no domingo, no largo nove de julho.
Recebemos um folheto que tem por titulo
Algumas reflexões acerca da pena de morte e da indisciplina militar. É a collecção dos artigos que no Jornal do commercio em 1872 e no Jornal da noite em 1874, publicou o nosso condiscipulo e amigo o digno 1.º tenente de artilheria, o sr. Antonio Guilherme Ferreira de Castro. Agradecemos o exemplar com que nos obsequiou.
Correspondencias—Odeceixe 4 de janeiro de 1875. Sr. redactor
Sabemos, pelo seu acreditado jornal que está decretada a circumscripção comarcal de Lisboa e Beja. É de crer que breve se procederá ao mesmo no districto de Faro, ao qual temos a honra de pertencer, esperando impacientes (qual processado a duro ou clemente sentença) a sorte que tocará á nossa malfadada freguezia. Antes da extincção do julgado d’Aljezur, havia duas vezes que solicitavamos do governo de sua magestade a graça de annexar esta freguezia á comarca de Odemira para nos livrarmos da torta, imbecil e tasca vara d’aquelle julgado, e sempre nos foi funesta. Se bem que aquella extincção melhorou muito a nossa posição moral, submettendo-nos á vara do juiz de direito da comarca de Lagos, podia melhora-la por outra parte, na distancia, se pelo nosso pedido pertencessemos á comarca d’Odemira, como era tão justo, se é que o governo attende á commodidade dos povos, que nesta parte temos sido—despregados. Todavia, já conhecemos que temos justiça accommodada á significação da palavra: e a prova está, alem d’outras, que havia aqui um individuo que partiu os queixos a outro com uma pedra, formou-se-lhe corpo de delicto, mas aquelle bom tribunal contentou-se em conhecer o artista e lançar-lhe a sua santa absolvição. Continuou o bem no desenho physiognomico e tirou o nariz a outro; mas o tempo que já estavamos unidos á comarca, já lá vai caminhando para as costas da África, lugar que outr’ora lhe havia pertencido. Mas vamos ao que na actualidade mais nos deve interessar: Quando out’ora se tratou da divisão administrativa em parochias civis, cujo trabalho ainda se operou no districto de Beja, que pouco depois ficou sem effeito, ficou S. Theotonio com sede de parochia civil composta das freguezias de Saboia e Odeceixe. Parece que a razão que havia n’aquelle tempo para assim se fazer deve hoje existir. Os mappas geographicos o poderão dizer. Demonstraremos o seguinte: As povoações mais proximas da freguezia d’Odeceixe no districto de Faro são: Aljezur, que dista 13 kilometros; Marmelete, que dista 19 kilometros cortados por escabrosas serras e pela ribeira do Pacil, cujas torrentes horrorisam na estação do inverno. Se nos fizerem pertencer a Lagos como cabeça de comarca contamos para mais de 40 kilometros cortados pelas ribeiras d’Aljezur, Alfombras e Bensafrim que no inverno, muitas vezes interceptam a passagem e gastamos tres dias de ida e volta, quando para S. Theotonio contamos 9 kilometros, para Odemira cabeça de comarca 25 kilometros, todo bom caminho, sem ribeiras mais que os rios Odeceixe que os habitantes desta freguezia passam por instantes, no serviço domestico, e Odemira, com uma bella barca em todas as condições que nunca impede a passagem. Temos demonstrado de sobejo quanto interessa á freguezia de Odeceixe a sua annexação ao julgado de S. Theotonio comarca de Odemira. Se o administrador do concelho de Aljezur informou o contrario nas nossas requisições nós o consideramos suspeito e incompetente em taes informes, porque nenhuma ave quer que lhe cortem as azas por onde toma vento. E de V. S.ª, digno redactor, muito gratos lhe ficaremos pela inserção destas no seu acreditado jornal, e assigna-se. De v. etc. Pedro José da Costa.