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O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 447
20 notícias

Serpa 15 de julho de 1869. Sr. Redactor

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoReligiãoEpigrafiaLivros e publicações
Serpa · Portugal

Como não engeito filhos; nem perfilho os alheios, rogo a v. s.ª digne declarar no seu jornal se é meu o artigo sob a epigraphe=Christo e os Iscariotes de Serpa=E isto para mostrar aos expertos, que bem longe de conhecerem o estilo e linguagem, a ignoram! Ficando porem v. certo de que é a ultima vez que rogarei obséquios de tal natureza, porque todos sabem, ou devem saber que sempre hei firmado tudo quanto tenho escripto, e que se aquelle artigo fôra meu tambem o haveria assignado. E mesmo porque taes declarações podem prejudicar; porque por exclusão se chega ao descobrimento da verdade. É mais uma vez agradecido quem é De v. etc. F. Assis e Silva

Correspondência · Geral

Não é do sr. Silva o artigo a que a carta supra se refére.

Theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoSociedade e vida quotidianaCalor extremoDebates políticosExamesFeirasFestas civis e popularesHomenagensInstrução públicaMovimentos de tropasRecrutamentoTeatroTempestades
Beja · Braga · Coimbra · Portugal Islâmico · Romano

Subiu á scena no domingo o 29 ou Honra e Gloria. Este drama vimos-o, em Coimbra, muito bem representado. Desempenhou o papel de 29 o sr. Simões e colheu não poucas bagas de ouro para a sua corôa de artista. Tínhamos porem para nós que o papel de 29 podia ser mais alguma cousa. Ter um melhor encarreto. E o tempo veio mostrar-nos que não nos enganavamos. Domingo, vimos no mesmo papel, o sr. José Romano, e ficámos plenamente satisfeitos. Sahimos impressionados o mais agradavelmente possivel. E como nos sahio no numeroso concurso que foi ouvir o actor do Feio de corpo. O sr. José Romano andou magistralmente e no segundo acto foi onde começou a revelar o seu talento. Não proferio nota que não fosse afinada pelo diapasão dos verdadeiros affectos, não fez um gesto que não traduzisse fielmente o que lhe ia n’alma. A tempestade que começou a formar-se quando ouvio a voz de sua filha no quarto de Jorge rebentou n’um grito terrível que fez estremecer a platea—mãe—e assumio proporções medonhos na maldição. A posição em que o sr. José Romano fica depois de amaldiçoar Clara não se descreve. Foi n’aquella posição—admiravel e digna de ser copiada—que o actor vio curvar-se a platea e prestar-lhe homenagem ao seu talento. Os bravos e as palmas rebentaram espontaneas. Houve enthusiasmo. Depois do panno cair o sr. José Romano foi chamado fóra cinco vezes e applaudi do freneticamente. Em nenhuma das vezes porem veio só. Fez-se acompanhar por outros artistas repartindo assim com elles os applausos que lhe deram. O acto terceiro começa por um sonho—sonho de esculptor e sonho de maestro—A orchestra, se attendermos a que é composta de curiosos, executou-o bem. O sr. José Romano declamou perfeitamente. Ainda no sonho foi superior a Simões e no perdão satisfaz os mais exigentes. Colheu tambem muitos applausos e teve chamadas. No quadro final foi admiravelmente o que lhe valeu uma chamada fóra e a platea, saudando-o de pé. O sr. José Romano deve estar satisfeito com o brilhante acolhimento que recebeu em Beja. É verdade que não teve corôas, nem bouquets mas teve uma cousa que vale mais:—teve homenagem sincera ao seu talento, teve uma festa espontanea n’uma terra desconhecida, onde se apresentou sem recommendações mas forte na sua consciencia de actor. Agora fallaremos dos outros actores. Coube ao sr. Silva Junior o encarnar-se no typô já de si faceto e o sr. Silva Junior apresentou-se com a sua graça natural. Foi optimamente. Sentio-se á vontade e espraiou-se, permittam-nos a phrase, nos horisontes vastíssimos de um Batatudo—fazendo-nos rir a mais não puder. Ainda assim, na scena do primeiro acto, no manejo de armas, o sr. Sá, (alferes instructor) pela precipitação das vozes do commando, não o deixou dar largas, á sua veia comica: não o deixou tirar todo o partido que podia tirar. Mas como não havia de ser assim se o sr. Sá parecia mais recruta do que instructor... Prompto sempre a fazer justiça o publico chamou o sr. Silva Junior e pagou o seu esmerado trabalho com uma salva de palmas. Depois de Silva Junior temos o sr. Soares (Jorge), É difficil o papel e o sr. Soares empenhou-se em superar as difficuldades, e no todo foi regular. Já não fez pouco. O sr. Silva (Manoel) fez a parte de sargento Placido. E o dialogo no carcere, entre Placido e 29 um dos mais mimosos do drama. A scena está bem traçada e leva, sem esforço, ao seu magnifico final. Pois essa scena ficou compromettida bastante porque o sr. Silva, (Manoel) que sempre se esmera em representar bem, estava na dependencia do publico. Por isso faltou toda a viveza que o auctor imprimiu ao dialogo e houve arrefecimento. Um militar que assistio a combates e que, convertendo-se com um seu companheiro falia acerca d’elles, não o faz como o sr. Silva o fez. Falla com enthusiasmo. Toma calor. E foi justamente enthusiasmo que lhe faltou: e a razão demol-a ja. Pois o sr. Silva por si, e pelo publico e sobretudo pelo actor com quem jogava em scena devia ter estudado mais a sua parte, porque não deve ignorar, não ignora de certo, que ha cousas que qualquer personagem, ainda que tenha uns hombros [ilegível] como Atlante não póde aguentar. E a prova temol-a ja. Se o sr. José Romano estivesse acompanhado, achara o justo complemento do seu trabalho de actor. O sargento Má Cara (o sr. Mendonça) foi bem e ao sr. Sanguinetti (Ercopeça) não temos senão a tecer-lhe louvores. É sempre correcto este actor e captado a sympathia da platea. Assim, tem elle captado a sympathia da platea; assim demonstrou ella, applaudindo-o, que sabia avaliar o seu trabalho. O sr. Sanguinetti deve dar-se por satisfeito porque vio bem coroados os seus esforços. E nós dizemos que o sr. Sanguinetti é cuidadoso porque o temos observado attentamente. Nunca se apresenta em scena que não seja com o maior rigor. Ainda no domingo quem repassasse conhecia logo que o lenço que elle trazia na algibeira da jaqueta não tinha sido mettido ao acaso, mas mui calculadamente e que a cabeça, affeita ao carapuço do rancheiro, estranhava o pesado chapeo de Braga, assim como o tronco se sentia apertado n’aquella famosa jaqueta. Revellou estudo e observação o sr. Sanguinetti. É assim que nós gostámos do actor, verdadeiro em tudo. Fallam-nos as damas. Maria coube á sr.ª D. Maria José e a sr.ª D. Candida encarregou-se do papel de Angélica. Admiravel na Tia Angélica do O. da Novella, fazendo rebentar a gargalhada, a sr.ª D. Candida na Angélica das Dores, do 29 esforçou-se, no terceiro acto, por enternecer-se e enternecer-nos. Embora a não auxiliasse em tudo ainda assim, a boa vontade, servio-lhe em muito. A sr.ª D. Maria José, a actriz que todos apreciam pelo modo correctissimo porque diz sempre a sua parte, compenetrou-se da idéa do papel e traduziu-a na forma o melhor que pende. Até ao fim do drama conservou-se na mesma altura. Não rastejou. Damos-lhe os nossos sinceros parabéns. Quinta feira repetiu-se o 29 e no domingo teremos o Simão, o tanoeiro. A parte principal desempenha-a o sr. José Romano.

Geral

Parecia! Anciverte!—Hoje ao meio dia o thermometro marcou 51 grãos centigrados ao sol, á sombra 38 graus, ás 10 horas da noute marcou 30.

Trovoada

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgriculturaTrovoadas

Na tarde de sabbado e noute trovejou bastante e choveu alguma cousa. Finalmente não houve estragos em trigos e cevadas.

Outra

Economia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgriculturaFeirasTrovoadas

Na tarde de quinta feira, apresentou-se uma trovoada com aspecto temível. Nas proximidades da cidade, para o lado da nascente foi onde combateu mais. A ventania que se desenvolveu foi tal que causou bastantes estragos nos olivedos, e nos trigos e palhas, nas eiras.

Colheita

Economia e comércioAgriculturaColheitas

Geralmente são más. Ha lavradores que apenas tiveram o dobro da semente.

Transferencia

Município e administracção local

O sr. dr. José Alberto da Costa Fortuna Rosado, administrador do concelho de Ferreira, foi transferido para o de S. Thiago de Cassem.

Outra

Justiça e ordem públicaCrimes
Almodôvar · Portugal

O sr. José Maria Correia Durão, escrivão e tabellião do juizo de direito da comarca de Almodovar, foi transferido para identico logar na Certa...

Despacho

Município e administracção localReligiãoNomeações eclesiásticas
Vidigueira · Portugal Igreja

Na parochial egreja de S. Cucufate, de Villa de Frades, concelho de Vidigueira, d’esta diocese, foi apresentado o presbytero Christovão Pereira.

Feira

Economia e comércioPreçosAgriculturaFeirasPecuáriaPreços e mercados
Vidigueira · Portugal

A de Vidigueira esteve bastante concorrida. De gado venderam-se grandes partidas e por preço alto.

Musica

Cultura e espectáculoExércitoBanda militar

Desde as cinco e meia até ás sette e meia da tarde, tocou no domingo, á praça, a banda do regimento 17 d’infanteria.

Proclamas

Geral

Nos dia 11 de julho proclamaram-se nas freguezias da cidade: Bernardo Antonio, com Marianna Barbara, solteiros. Francisco Manuel, com Gertrudes Maria, solteiros. Joaquim das Dores, com Maria Francisca, solteiros.

Eleição

Política e administracção do EstadoEleições
Barreiro · Porto · Portugal

A sociedade artistica dramatica, elegeu no domingo á sua direcção que ficou composta do modo seguinte: Presidente: Antonio Ignacio de Sousa Porto. Secretario: João Antonio Simenta. Thesoureiro: Manoel Augusto Barreiro. Vogaes: José Maria Paes Rente. Manoel Franco.

Revista

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoSaúde e higiene públicaFeirasMédicos e cirurgiões

Passada pela cirurgião desta divisão e pelos facultativos do regimento, teve, na quarta feira, pelas onze horas, revista de saude, o 17 d’infanteria.

Escola

Economia e comércioEducacção e instruçãoEscolasFeiras

Na quarta feira, com a escola de quarenta e tantas recrutas, foi dada por prompta.

Nomeação

Geral

Foi nomeado engenheiro subalterno deste districto o sr. José Joaquim de Faria.

Contribuições

Economia e comércioImpostos comerciais

A empreza de S. Domingos, pelo imposto de minas, tem pago ao thesouro 112:497$739 réis moeda insulana: Em 1863 réis 6:459$815; 1864 16:196$830; 1865 18:869$893; 1866 21:432$211; 1867 31:981$614; 1868 14:256$346. Somma 112:497$739.

Esmola grande

Economia e comércioMunicípio e administracção localSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaBeneficênciaFarmáciasImpostos e finançasMédicos e cirurgiõesPobres e esmolas
Beja · Serpa · Portugal

Erratas—na 4.ª columna da 3.ª pagina na diversa Esmola grande a linhas 17 onde se lê apresentarem deve ler-se apresentavam, e 18—não podem deve ler-se podem—e 28 benifica deve ler-se beneficiar e 34 onde se lê roguemos deve ler-se rogamos. Agora por esmolas, já que fallamos n’ella. Lembramos aos pobres do concelho de Serpa, que agradeçam aos boticarios da sua localidade os sentimentos humanitarios que possuem para com elles! Pessoa de confiança nos diz que um dos pharmaceuticos de Serpa escrevera a um dos seus collegas em Beja para reagir contra o donativo do sr. visconde de S. Domingos, porem a resposta foi negativa, porque o digno pharmaceutico, a quem se dirigiu tem coração e ama a pobreza. Não publicamos o seu nome para não offender-mos a sua modestia; mas estamos authorisados a declarar que em Beja sem excepção, todos os pharmaceuticos se prestam de boa vontade, e gratuitamente a preparar com receita de medico o quinino, que s. ex.ª o sr. visconde de S. Domingos offerece á pobreza. Aqui tem pois o pharmaceutico de Serpa, que reagiu, uma lição de moralidade e humanidade, lição que nobilita o homem que a dá, porque quem quer, muito embora esteja ao abrigo da lei, oppor-se a que uma alma bem formada proteja os nossos irmãos desfavorecidos da sorte, se lhes não tira a pelle é porque não póde.

Recursos

ExércitoMunicípio e administracção localRecrutamento

Foram denegados provimentos aos recursos de recrutamento militar do anno de 1868, que para o conselho do estado interpuzeram Anna Alexandrina, viuva, por seu filho Jacintho, do concelho e freguezia de Ferreira, e Maria José, viuva de Manoel da Rosa, por seu filho Fernando, da freguezia da Figueira de Cavalleiros.