O sr. conselheiro Dias Ferreira
Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoPreçosReligiãoSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAssociaçõesConcursos e provisõesConflitos locaisCostumes e hábitosDebates políticosDescobertas e achadosDestruição de patrimónioEleiçõesEstradasEstradas e calçadasFeirasImpostos comerciaisImpostos e finançasJulgamentosLivros e publicaçõesMercados e feirasNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras de infraestruturaObras municipaisObras religiosasPreços e mercadosPrisõesRestauro e conservacçãoRuínas e monumentos
Na segunda feira diz o Noticioso chegou a esta villa, vindo do Mondariz, o sr. conselheiro José Dias Ferreira, illustre chefe do partido constituinte. Aguardavam a sua chegada, no Caca, desta praça, um numeroso concurso de individuos de diversas classes e posições, que alli lhe apresentaram os protestos da alta consideração e subido respeito que lhes merece o nobre estadista. A sua chegada foi annunciada pela philarmonica de Fontoura e por innumeros foguetes. O sr. dr. Antonio Bernardino de Menezes, distincto lente da Universidade, offereceu-lhe um opíparo jantar, no qual tomaram parte differentes cavalheiros, admiradores do seu grande talento, da sua vasta erudição e da sua incansável actividade, qualidades que o tornaram uma das individualidades culminantes do nosso mundo politico. O jantar, em tudo sumptuoso, condigno do genio altamente obsequiador do cavalheiro que o offereceu e da eminente posição d’aquelle, em honra de quem se realisou, correu alegre e animado. Fez uso da palavra o sr. conselheiro Dias Ferreira. S. ex.ª disse que se honrava do epitheto de homem activo e de trabalhador infatigavel, porque reputa dever indeclinavel de todo o homem que se preza, approveitar, desenvolvendo-as, as faculdades que Deus lhe deu para com ellas servir a sociedade. Que não póde comprehender que ninguem, e principalmente aquelle que possue talentos superiores, não seja politico, e permaneça, preso pela descrença, indifferente á marcha dos negocios publicos. Que são elevados e sagrados os interesses da nação, mais que os da familia e do individuo, e por isso áquelles deve de preferencia todo o cidadão votar a sua actividade. Citou um exemplo d’abnegação patriotica, realisado em França posteriormente ao golpe de 16 de maio, em que um negociante de Marselha desprezou, durante os tres dias anteriores ás eleições, todos os seus negocios, porque então cumpre-lhe, segundo elle dizia, não tratar de si, mas tratar da França. Que desde o momento que todos se compenetrassem d’este dever, os ministerios deixariam de limitar a sua actividade governativa a nomear pares, a fazer eleições, a transferir empregados, despachar amigos e crear impostos. Mas quando viam que da urna não sahiam os representantes do povo, mas os representantes do governo, que pelos seus delegados os faz eleger, a soberania passou da nação para o governo, porque os mandatarios devem cumprir as ordens dos seus constituintes, e n’este caso o constituinte não é o paiz, mas quem governa. Que esta verdade é comprovada pelas tres ultimas eleições, em que se demonstra que em logar dos gabinetes servirem a nação é esta que serve o gabinete e elle receia que, prosseguindo-se n’este caminho, ellas marquem o inicio da agonia do systema representativo. E os seus receios vão ainda mais longe. Vendo que os representantes do poder, na epocha anterior ás eleições, descem ao seio do povo não para consultar a sua vontade, para conhecer as suas necessidades, mas para captar-lhe as sympathias á custa de concessões de subsidios para egrejas e sinos, de despachos para apaniguados dos influentes eleitoraes, de uma estrada para cada freguezia, estabelecendo-se assim um desarrado systema de corrupção e contra a corrupção dos costumes não ha governo forte nem reformas efficazes. Quer por isso as reformas politicas. Quer uma camara alta filha da eleição, quer um conselho de estado eleito, parte pelo senado e parte pela camara popular, quer a camara dos deputados eleita pela nação e não pelos governos, que trazendo nas suas mãos as armas, de que hoje se servem, para violentar as consciencias dos eleitores independentes, transferindo para o poder judicial e dando estabilidade aos funccionarios publicos, para que elles sejam empregados da nação e não dos ministerios. E, posta assim a nação a governar e o rei a reinar, ficará o poder moderador sobranceiro ás questões politicas e ás luctas dos partidos, e não será arrastado da alta e serena esphera da sua inviolabilidade, para as ardentes e apaixonadas questões partidarias; quer o rei respeitado e considerado, porque julga indispensavel á nossa tranquillidade interior e á nossa segurança no exterior a conservação da monarchia constitucional, por isso que reputa um grande perigo para a nossa autonomia, as luctas frequentes e as grandes convulsões que agitam o paiz por occasião da eleição do presidente da republica, e que quando se dessem no paiz poderia pôr em grave risco a nossa liberdade e independencia. E embora reconheça que o governo republicano é um governo racional e logico em outros paizes, como a Suissa e os Estados Unidos, não póde entre nós subsistir sem nos acarretar aquelle grande perigo. É certo, porém, que as ideias em seu caminhar evolutivo não conhecem distancias, e que entre nós os principios republicanos vão adquirindo grande numero de proselytos, em virtude da propaganda que d’elles se está fazendo, principalmente nas duas cidades de Lisboa e Porto. A immobilidade é contra as leis naturaes e contra todas as leis. As sociedades, como os individuos, tem epochas de infancia e robustez, vão-se desenvolvendo e progredindo sempre, e, por isso, todas anceiam possuir hoje o maximo goso de liberdades. Não é, pois, de estranhar que as ideias republicanas tenham incremento entre nós. A corrente, no entretanto, póde engrossar e chegar a ponto que submerja as instituições na sua passagem. Que contra isso o remedio mais efficaz não é sahir-lhe ao encontro, mas acompanha-la. E isso se conseguirá com a promulgação das reformas politicas, na qual se vê o meio mais seguro da conservação da monarchia. E isto é o que entende, são estas as suas convicções e apregô-a bem alto, perante o povo e o rei, porque nada pretende nem do rei, nem do povo. Não declara isto para acarretar o descrédito de seus adversarios, porque não quer, de modo algum, alcançar o predominio do seu partido por meio do descrédito e da ruina dos partidos oppostos. Quer todos os partidos fortes e vigorosos, pugnando todos pelo bem commum. Não quer que a lucta entre elles seja um pugilato, em que se jogam os epitheto mais affrontosos, as injurias mais acerbas e os mais baixos doestos. Quer que seja discussão levantada e digna de principios e de ideias. Relativamente á questão financeira disse, que ella preoccupa hoje o paiz e que todos os governos promettem resolve-la; primeiro do que tudo, porque assim lisongeiam o povo, visto que a este o que mais dóe é o pagamento das contribuições; e que entende não poder ter uma solução proficua, emquanto se não tratar da questão politica, porque o escrivão de fazenda não poderá fazer matrizes emquanto estiver encarregado de fazer eleições. Por ultimo, demonstrou que dentro da monarchia podiamos progredir e desenvolvermo-nos e terminou brindando a S. M. el-rei, a S. M. a rainha e a toda a familia real. Fizeram depois varios brindes diversos cavalheiros. Por ultimo o sr. dr. Menezes brindou ao sr. conselheiro Dias Ferreira agradecendo-lhe a subida honra de acceitar aquelle jantar; declarou conformar-se com as doutrinas politicas expostas por s. ex.ª, fazendo votos para, em breve, poder realisa-las. O sr. Dias Ferreira agradeceu penhorado o convite de seu nobre amigo, amigo de ha muitos annos, sincero e verdadeiro, que ainda conserva as qualidades dos antigos portuguezes, d’aquelles que, na phrase de um dos nossos mais distinctos poetas, são d’antes quebrar que torcer. Que não se comprometia a realisar as reformas que apregoára e que constituiam o programma do seu partido. Compromettia-se, porém, a abandonar o poder logo que visse não poder realisa-las, e, como garantia do que dizia, apresentava o seu passado, pois, ainda não ha muito, o seu partido se recusou a tomar parte no governo, por isso que viu não poder realisar as reformas politicas. Que não tinha ambições do poder e que se nunca el-rei o chamar, nem por isso lhe dirigirá invectivas, nem consentirá que a imprensa do seu partido o faça. Terminou brindando o sr. dr. Menezes. O jantar concluiu no meio de grande enthusiasmo. Veio o Districto com dois artigos em resposta ás poucas linhas que lhe dirigimos no ultimo numero: no primeiro diz que é creança, que tem apenas meia duzia de dias, o que é uma valente peta, porque o Districto é velho; o que fez foi chrismar-se. Mudou de nome, mas não perdeu as manhas; logo ao quinto ou sexto numero, o sr. Garrido se afastou do tão boa companhia. E’ que o Jornal do povo continuava. E porque continua é que o mandámos reler o que em tempo lhe dissemos. E’ verdade que então encolheste e agora aconteceu-te o mesmo. Que fazêr? Lavrou um empiasamento! Leiam que é divertido: “Agora intimamol-o terminantemente, e positivamente para nos dizer quando e porquem essa obra foi orçada e approvada, sob pena de lhe dizer tambem, e terminantemente, que falta á verdade.” E o mundo a pôrfiar que o Franco é tolo. E o Franco a dizer que o mundo mente. Pois, sim, berra para ahi e vê se nos respondes ao que ha tempos te dissemos quando te chamavas Jornal do povo, se te damos cavaco. Não queremos que os digam tambem! E cansado já que fervo com esta a setima vez; e boas noites. E’ verdade: é de agora que sustentamos que a eleição camararia não deve ser politica?
Acontecimentos na Europa
Economia e comércioEducacção e instruçãoEstatísticasExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoReligiãoCulto e cerimóniasDebates políticosEscolasExamesImpostos comerciaisNomeaçõesParadas e cerimóniasReformas
As folhas de Roma occupam-se d’um acontecimento importante que no seio do sacro collegio produziu vivissima sensação—referimo-nos á abjuração do conego Henrique de Campello, conego de S. Pedro de Roma, e do catholicismo, para abraçar a religião protestante. É facto realisado na capital do orbe catholico e encheo de espanto os reaccionarios que nos seus differentes matizes não occultam a perturbação do seu espirito. Campello, na carta que dirigiu ao cardeal Bartomeni, na qual declara os motivos que lhe dictaram a sua resolução, destruiu os argumentos inficiosos que as folhas ultramontanas levantaram contra a guerra acintosa e desleal que lhe promovem. O conego de S. Pedro de Roma diz mui preceitoriamente que abjura da religião em que vivera durante quarenta annos, que este acto lhe despedaça o coração, mas que lhe é imposto como um imperioso dever. Depois de ter esperado por muito tempo um melhor futuro, depois de ter durante longos annos almejado uma reconciliação entre a egreja e o estado, vê-se obrigado a reconhecer que essa reconciliação é irrealisavel, por causa de uma abominavel tyrannia e da invencivel obstinação do chefe do catholicismo. A abjuração do conego Campello produziu tanto mais impressão no Vaticano, que é a primeira vez que um dignitario de tanta importancia pratica similhante acto tão perto do pontifice. A situação pessoal de Campello dá ainda mais subida importancia à sua resolução. Pertence elle a uma familia antiga e muito nobre, e seus irmãos são officiaes da guarda papal. Leão XIII, que comprehendeu bem tudo isso, empregou todos os esforços para o fazer retratar-se do seu procedimento; mas foram baldadas todas as tentativas. A cerimonia da conversão effectuou-se na egreja dos methodistas. O pontifice acaba pois de ter um formal desengano na politica que, segundo os ultimos acontecimentos, parece ter abraçado. O partido moderado, isto é, o partido conciliador, inimigo igual do ultramontanismo, em face da resolução de Campello activa os seus trabalhos para levar o pontifice á convicção de que a egreja nada conseguirá se não se afastar da pessima politica forjada nas trevas pelos discipulos de Loyola contra a civilisação e contra os principios livres nas quaes se baseia a moderna sociedade. Vemos, pois, e n’isto está a grande importancia do facto, que a egreja se não se afastar dos velhos e anachronicos principios da escola jesuitica, isto é, da intolerancia, augmentará as desordens e as serias perturbações entre os estados e o sacro collegio, e, em face do livre exame, correrá o risco de ser batida em toda a linha. A situação é, pois, para os interesses do Vaticano muito critica, e peior será se o papa persistir nas suas ideas em ir viver para Malta, refugiando-se assim n’um paiz dominado pelo protestantismo, pela religião reformada. Fóra d’este assumpto vemos que na maior parte da imprensa liberal ainda se não dissipou a impressão produzida pela morte de Garfield, o presidente da grande republica dos Estados Unidos. O golpe foi na verdade doloroso e toda a Europa, ainda mesmo os paizes onde a monarchia tem profundas raizes, não poderam deixar de tomar parte na dôr que afflige a republica Norte Americana—o que Garfield era um cidadão honradissimo e tanto que a sua familia teve da acceitar a subscripção que em todo o paiz se abriu para ficar livre das garras da miseria. É, cremos, por todos conhecido o numero de presidentes que desde a independencia dos Estados Unidos tem havido n’aquella republica, o que no entanto não obsta a que por curiosidade apresentemos a relação. Eis, pois, o nome dos presidentes e epochas em que governaram: Jorge Washington 1789-1797; John Adams 1797-1801; Thomaz Jefferson 1801-1809; James Madison 1809-1817; James Monroe 1817-1825; John Quincy Adams 1825-1829; Andrew Jackson 1829-1837; Martin Van Buren 1837-1841; William Harrison 1 mez 1841; John Tyler 1841-1845; James Polk 1845-1849; Zachary Taylor 1849-1850; Millard Fillmore 1850-1853; Franklin Pierce 1853-1857; James Buchanan 1857-1861; Abraham Lincoln 1861-1865; Andrew Johnson 1865-1869; Ulysses Grant 1869-1873 e 1873-1877; Hayes 1877-1880; Garfield 1880-1881. Um grande numero poderá em pouco tempo conquistar as sympathias de todo o povo e entre elles contou-se Garfield; bastará dizer que além das grandes exequias que tiveram lugar em todas as cidades, nas que se fizeram em New-York assistiram para cima de duzentas e cincoenta mil pessoas, facto importantissimo e que admiravelmente corrobora o que avançámos. As folhas parisienses e depois dos esclarecimentos que o sr. Runatan, ministro da França residente em Tunis, deu ao conselho de ministros ácerca da situação d’aquelle paiz e dos meios de remediai-a, occupam-se largamente d’este assumpto, recebendo o governo a maxima energia para debellar a insurreição.
Vae melhor o nosso amigo, o digno par do reino, o sr. Manoel Vaz Preto Giraldes. N. ex.ª já está em Lisboa.
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioTransportes e comunicaçõesAcidentes ferroviáriosAgriculturaExplosõesQuedasTelégrafo
Estão avaliados em 1:400$000 reis os prejuizos causados no material pelo descarrilamento que houve no dia 22, na linha ferrea do sul, entre a Moita e o Pinhal Novo. Foram 7 os wagons descarrilados, sendo 4 com 400 sacos de trigo, 1 com 50 sacos de carvão e 2 com bagagem; a queda dos wagons inutilisou completamente a linha telegraphica, que só na manhã seguinte póde ter-se restabelecido. É grande o prejuizo no trigo, porque os sacos rebentaram, ficando todo o cereal espalhado pelo chão e sendo muito difficil apanha-lo.
Educacção e instruçãoReligiãoEscolasFestas religiosasNomeaçõesNomeações eclesiásticas
Eis os delegados parochiaes nomeados pela junta escolar em sua sessão de 29 de setembro ultimo: Salvador—José Pedro de Santa Anna; S. João—Jacintho Archer Eyrolles; S. Thiago—Francisco de Paula Soares; Baleizão—Antonio Henriques Doria Junior; Beringel—Joaquim Alves Palma; Salvada—José Francisco Lourenço Anjo; S. Mathias—Manoel Monte Mesquita; Albernôa—Manoel Jorge; Quintos—Sebastião Lopes de Mira; Trindade—Manoel Francisco Honorio.
Sahio a caderneta 26 da Mulher Fatal.
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioReligiãoFeirasFestas religiosasIncêndios
Sexta feira, pelas dez horas e tanto da noute, deu a torre signal de incendio. Manifestára-se em casa do sr. Manuel Coelho, na rua de Santa Catharina, n’uma porção de estopa e linho.
Educacção e instruçãoMunicípio e administracção localProfessores
O sr. Manoel Eduardo da Fonseca e Abreu Ja., professor vitalicio da cadeira de ensino primario de S. Luiz, concelho de Odemira, foi aposentado com o vencimento annual de 60:000 reis.
Exército
O sr. capitão Carrasco, do 17 de infanteria, vae brevemente para Evora a fim de tomar parte nos conselhos de guerra.
Cultura e espectáculoPreçosSociedade e vida quotidianaHomenagensLivros e publicações
Brado d’Alma, (homenagem a Camões, poema de [ilegível]) é este o titulo de um pequeno folheto que acaba de nos ser offerecido. Muito agradecidos. Custa apenas 200 reis, e vende-se no Porto em casa do editor—A. Mello.
Justiça e ordem públicaCrimes
Está com licença o sr. commissario de policia d’este districto.
No mez de setembro findo consumiram
se em Beja 20 vaccas que pesaram 4:023 kilogrammas e 343 carneiros que pesaram 3:488 kilogrammas.
Município e administracção localNomeações e cargos
Foi exonerado do cargo de administrador substituto do concelho de Barrancos, o sr. Augusto Cesar Sampaio.
Economia e comércioFeiras
Segunda feira á noute choveu e trovejou bastante.
Economia e comércioMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesCaminho de ferroFeirasPartidas
Partiu terça feira para Marvão, afim de prestar as honras ao chefe de estado que por ali passa e que vae assistir á inauguração do caminho de ferro de Caceres, uma força de infanteria 17, commandada por um capitão, e acompanhada da respectiva banda.
Economia e comércioMunicípio e administracção localImpostos comerciaisImpostos e finanças
O imposto municipal de 15 reis em kilogramma de carne produziu no mez de setembro 112:653 reis.
Economia e comércio
O sr. José Augusto Massapina, guarda a pé do districto da alfandega de Serpa, foi exonerado.
É mau o estado dos montados.
Estão pouco promettedores os olivaes.
Religião
O presbytero José da Piedade Caracol, parocho collado na egreja de Sant’Anna da Serra, n’esta diocese, foi apresentado na egreja parochial de S. Lourenço de Alhos Vedros, diocese de Lisboa.
Reassumiram as suas funcções o chefe de esquadra o sr. Navarro.
ExércitoMovimentos de tropas
Quando regresse de prestar honras a sua magestade que vae á fronteira de Hespanha, fica em Portalegre a força do 17 que partio d’aqui, pois que rende o destacamento que ali se acha.
Acidentes e sinistrosMunicípio e administracção localiluminação públicaIncêndiosObras municipais
Continuam interiormente, por conta da camara, as obras no edificio da illuminação e incendios.
Exército
O nosso amigo o sr. general Antonio Joaquim da Fonseca, foi agraciado pelo governo hespanhol com a commenda de ouro de merito naval. Os nossos parabens.
Começa brevemente a publicar
Cultura e espectáculo
se na Revista de viagens á volta do mundo, uma serie de cartas ácerca da expedição scientifica á serra da Estrella, escriptas pelo digno abbade de Murça o sr. Pedro Augusto Ferreira, que fez parte da expedição, e a quem devemos alguns escriptos importantes sobre as antiguidades de Beja.
O matadouro rendeu, no mez de setembro, 8$860 reis.
Município e administracção localTransportes e comunicaçõesEstradasEstradas e calçadasObras de infraestruturaObras municipais
Começaram nesta semana os trabalhos de grande reparação na estrada municipal de Beja á Salvada.
Acidentes e sinistrosSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitosIncêndios
Domingo, ha festança em Beringel. Cujo de costume na vespera ha, de tarde, corrida de touros, e reunirão de fogo logo de noute.
Foi collocado nas armas o capitão do 17 de infanteria, o sr. Eduardo Evaristo Baldino.
Município e administracção localNomeações e cargos
Para administrador substituto do concelho de Barrancos foi nomeado o sr. João Candido Couto Paes.
Transportes e comunicaçõesEstradasObras de infraestruturaPontes
Foi superiormente ordenada a construcção da ponte das Ermidas, no rio Sado, na estrada real de Ferreira a Sines, comprehendida entre a Abella e as Ermidas.
Em Aveiro, começou a publicar
Cultura e espectáculoLivros e publicações
se um novo jornal. Tomou por titulo a Revista Nacional. A impressão é nitida e em bom papel. Recebemos o n.º 6 que bastante agradecemos. Longa vida ao novo collega.
Economia e comércioExércitoFeirasTreinos e manobras
Teve exercício em ordem de marcha, segunda feira, o regimento 17 de infanteria.
Sahiu a caderneta n.º 45 da Mulher de tres caras, romance de Paulo de Kock.
ExércitoNomeaçõesTransferências
O sr. José dos Reis Barboza, alferes de infanteria 3, foi transferido para infanteria 17.
Município e administracção local
Está em Beja o sr. administrador do concelho de Barrancos.
ExércitoMunicípio e administracção localMovimentos de tropasPartidas
Partiu no dia 5, para Diu, o novo governador e nosso amigo, major Ascenção e Sá. Boa viagem.
Beringel
Acidentes e sinistrosCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoAcidentes de trabalhoAgriculturaColheitasEscolasExamesFestas religiosasIncêndiosInstrução públicaNomeaçõesNomeações eclesiásticasObras religiosasTouradas
Temos no domingo festa a Nossa Senhora da Conceição; no sabbado tourada, fogo, comedia. Dizem que vem musica de Ferreira. São festeiros os srs. Antonio Placido de Carvalho, José Baião e Antonio Faustino. — Já tomou posse da egreja, o parocho da freguezia que tem estado fora, e substituido pelo nosso patrício o muito reverendo sr. padre José Caetano d’Ayres Guerreiro, parocho encommendado em S. Brissos, que no pouco tempo que esteve aqui parochiando deu provas de que sabe cumprir os deveres de parocho com muita dignidade. — Já estão porque está a filtrar a agua lodosa para dentro dos poços! O repare demanda de pequena despeza que urge fazer. Para nos envenenar basta o pantano que orla parte da villa. O estado sanitario é mau, não póde ser bom. — Temos algumas ruas em estado intransitavel, com falta de calçadas; é de toda a necessidade reparar o estrago que se fez em duas ruas quando se fez [calçada] nova n’uma outra, que rebaixada, deixou as ruas a que alludiamos sem saida para as eiras. — Aguardamos a deliberação da junta de parochia em respeito á escola do sexo feminino aqui, e á escola mixta em Trigaxes; não podemos fazer casa, mas podemos toma-la de arrendamento porque a lei o faculta; este estado é impossivel; temos fé nos dignos membros da junta de parochia que efficazmente isemptou do serviço militar, presidida por um cavalheiro que tem instrucção. — Vae faltando o trabalho, o que é sempre um grande mal, e terrivel em anno de má colheita; o pão, o azeite, o vinho e a carne! D’aqui até á cava das vinhas falta o trabalho para homens, mulheres e rapazes, por que o tal poder é para fazer o mundo; o mais fazem? Não podemos dizer o que elles cumprem fazer. Tratam os poderes publicos de fazer o que lhes cumpre para evitar a fome porque a iniciativa particular é impotente para tão grande mal, que a todos chega. Dar trabalho ao povo é uma necessidade e é um dever.
Lisboa 4 de outubro de 1881
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Cidadão redactor.—Começa esta minha correspondência, pedindo-lhe um favor: que é—o representar-me aos estimáveis leitores do Bejense, não como o telegrapho, mas d’uma maneira mais veloz no campo. E’ certo que os leitores devem estar admirados de não ter escripto nada; pois mais admirado estou eu... de se admirarem. Ha vinte e tantos dias, que deixei Lisboa e fui dar um passeio até á Ericeira. E’ uma villa muito bonita; mas embora tenha lá bastantes politicos como os srs. Mariano de Carvalho, Antonio Maria de Carvalho, Teixeira Queiroz, e muitos mais que me não occorrem agora os nomes; falla-se pouco em politica. Os leitores nada, ou quasi nada teem perdido em não terem lido correspondências de Lisboa, pois que se as tivessem lido, e encontrassem as proezas d’estes celebres, dos bens penitenciarias, teriam muitas vezes de pôr de parte a leitura porque lhes causaria indignação em extremo. O governo mais baixo, mais vil que tem havido desde 1834 para cá, é o que está á altura da gravidade das circumstancias. As perseguições são movidas de todas as formas. Os jornaes republicanos, uns são suspensos, outros são roubados. Extorquem-lhes dinheiros em fianças para os matar. O Seculo tem 23 querellas!!! Isto abaixo de tudo; os centros republicanos, são dissolvidos arbitrariamente. Lisboa é uma segunda S. Petersburgo; não se póde exprimir as opiniões republicanas, que se não seja provocado pelos representantes d’el-rei 1.º e d’el-rei 2.º [ilegível]. Arrebatam mau numero e ajunta, e agora querem com ruins defeitos da imprensa os esquecimentos. Ainda são actualmente os espiões do sitio. Os sicarios do informe e debocado tigre, são mais do que a praga de gafanhotos. Teem feito as maiores indignidades possiveis. Os cidadãos pacificos são provocados a todo o instante. Emfim tudo quanto é capaz de fazer um governo como este. Foi nomeado ministro de Portugal em Madrid, o Corvo das tratadas. Acautelai-vos Zé povinho com as tratadas. Sua ex.ª, o trahidor mór da patria, foi ter com seu amigo o sr. Morier. Por hoje nada mais. Lacerda e Mello.
Almodovar 5-10-1881
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Sr. redactor.—A commissão dispensou por seu accordam de dois de setembro ultimo o mancebo Jacinto, filho de Antonio Mestre Botelho e Maria Celíaco, residentes no monte da Semblana, freguezia da Graça, com o fundamento, no artigo 8.º, numero 2.º da lei de 27 de julho de 1885, isto é, porque se provou (diz a commissão) ser o alludido mancebo o unico amparo de seus paes, que não poderam alimentar-se por absoluta carencia de meios e estado de não poder obtel-os!!!... Não trataremos hoje de tão singular accordam, e só diremos que elle veio surpreender a gente visto que o Botelho e sua mulher são pessoas validas, bons proprietarios e a isempção vem fazer pobrissima uma numerosa familia. Os membros da commissão que assignaram o accordam a que nos referimos, são os srs. Pedro Victor actual governador civil, Rozando Bacellar Meyrelles, Barbosa, tenente-coronel reformado e Almeida, major reformado, a quem pedimos um pouco de attenção para a leitura do adjunto documento: “Antonio Alves da Costa, escrivão de fazenda do concelho d’Almodovar, por sua magestade el-rei que Deus guarde. Certifico, em satisfação da petição supra, que revendo as matrizes prediaes vigentes d’este concelho, conheci ser a descripção e respectivo rendimento collectavel de todas as propriedades que possue Antonio Mestre Botelho, morador no povo da Semblana, freguezia de Nossa Senhora da Graça, é o que passo a mencionar: Freguezia da Graça...” Não trataremos hoje de tão singular accordam, e só diremos que elle veio surpreender a gente visto que o Botelho e sua mulher são pessoas validas, bons proprietarios e a isempção vem fazer pobrissima uma numerosa familia. É pena que não transcrevessemos em inglez, porque o sr. O’ deve saber bem aquella lingua, visto ter algum tempo pratica d’ella; que julgo não poderá negar. Como porém o sr. O’. exige resposta ás suas interrogações, asseverar-lhe-hei que [ilegível], não ficando todavia no esquecimento o fornecedor das noticias do sr. O’, apesar de que, é elle e a capacidade do publicador, como é sabido tudo quanto sabe o egregio e impagavel calaceiro... refiro-me ao conhecido A. X. L. Coitado, merece dó... Esperem os srs. O’ e A. X. L. um bocadinho, por que faltam apenas os documentosinhos e estes muitos insignificantes... para a resposta, e não chamarem depois ao tribunal da imprensa o que escreve esta correspondência. A. C. S.