Cá e lá mais fadas ha
ReligiãoObras religiosas
Segundo nos dizem de Mertola, o prior da freguezia da Côrte do Pinto acaba de dar uma prova de respeito ás leis e um exemplo de mansidão evangélica. A semana passada o escrivão do regedor foi intimar por ordem superior um indivíduo da mesma freguezia a fim de que não tirasse de certo poço agoa para obras. O reverendo causou-lhe isto n’uma (palavras textuaes) e começou a chamar o povo á revolta, gritando: acendam, vamos rapazes, a elle... o povo não fez caso, e o reverendo fóra de si pegou n’um varapau, correu para o escrivão e espancal-o-hia barbaramente se alguns dos espectadores se lhe não metessem de permeio!!! Não é só na Covilhã, e no Braçal que os padres levam os povos a desobedecerem ás leis e a praticarem actos que pouco depõem a favor da nossa civilisação.
Ponte do Tejo
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Recebemos de Constância uma carta com data de 19, na qual nos referem que hontem ás cinco horas da tarde, viram pela primeira vez passar a locomotiva sobre a nova ponte do Tejo, que se acha inteiramente concluída. Todo o povo de Constância das janellas das habitações, do alto dos cerros e outeiros, das margens do rio, contemplava o grandioso espectáculo que offerecia a passagem da locomotiva pela ponte colossal mas elegante, que ao cabo de tantos trabalhos conseguio atravessar o Tejo. Ninguém podia acreditar no que com os proprios olhos estava presenciando. Ninguém quasi acabava de se convencer de que tão solida, tão custosa, e ao mesmo tempo tão ligeira construcção estivesse prompta para ligar a via ferrea em uma e outra margem do Tejo. A locomotiva atravessou a ponte duas vezes levando atraz de si um wagon. Iam apenas na locomotiva o director da empresa, o sr. Page, o engenheiro em chefe da linha de Badajoz, o sr. João Evangelista de Abreu, e alguns outros empregados. O wagon levava dois trabalhadores. Foi hontem o dia em que a empresa deu o primeiro passo notável em Portugal. Por elle felicitamos a empresa cujos trabalhos hão de exercer sobre a futura prosperidade do paiz a mais efficaz e fecunda influencia. Brevemente estaremos habilitados a dar uma completa descripção d’esta magnifica obra d’arte, que hoje se sujeitou á primeira experiência de viação. De differentes províncias se recebem lisongeiras communicações ácerca da extraordinaria actividade que reina em todas as secções das linhas construídas pela empresa Salamanca. O que nos faz confiar em que brevemente veremos em grande parte mudadas as condições sociaes e economicas do paiz, cabendo por este resultado uma parte da gloria á empresa, que tem podido dispor de poderosos elementos para vencer quantas difficuldades se tem apresentado no decurso dos trabalhos. (Jorn. do Commercio.)
Caminho de ferro subterraneo
Transportes e comunicaçõesCaminho de ferroEstacçõesNavegacçãoTrânsito e circulacção
Affirma o periódico La España que segundo noticias de Londres, ha alguns dias se fez a primeira prova do caminho de ferro subterraneo que ha-de pôr em communicação todas as estações dos diversos caminhos de ferro d’aquella cidade. Assistiram ao acto muitas pessoas notáveis, que haviam sido convidadas pelos directores d’essa empresa colossal, em cuja realisação hão tido de vencer difficuldades incríveis. O resultado d’essa primeira prova não podia ser mais satisfactorio: as locomotivas que se empregam não arrojam a menor partícula de fumo nem de vapor, condição indispensável, e sem a qual seria impossível circular por aquella via subterranea; a ventilação e a claridade dos túneis nada deixam a desejar; a segurança é completa. Crê-se que o novo ferro-carril será aberto á circulação desde o 1.º d’outubro.
Incêndio
Acidentes e sinistrosEconomia e comércioMeteorologia e fenómenos naturaisAgriculturaIncêndiosQuedas
O Memorial dos Pyrineos dá conta d’um raríssimo phenomeno. É um incêndio produzido pela queda d’um aerolitho. No 1.º d’este mez, a família Plante, do povo de Morlh, achava-se a tomar fresco á noite, assentada sobre gavellas de trigo, quando de repente um dos membros d’essa família começou a ver arder o tecto da casa. O chefe da família apressou-se a subir por uma escada de mão ao telhado, e forcejava por conter o incêndio quando sentio que a escada se quebrava, e teve de deixar que elle progredisse. Um dos visinhos que se achava proximo ao lugar do incêndio declarou haver visto cahir uma estrella sobre a casa. Essa estrella cahida era um desses meteoros luminosos, que vulgarmente se chamam estrellas errantes, e que a sciencia considera como pequenas massas planetarias que entrando na nossa atmosphera com uma violencia sufficiente para atravessal-a se inflamam no seu curso. Quando estas massas cedem á attracção do nosso planeta precipitam-se sobre elle e formam o que se chama o aerolitho. Fôra um phenomeno destes que produzira o incêndio na casa da família Plante. (La España.)
Vamos vel-os
Arqueologia e patrimónioEconomia e comércioExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoTransportes e comunicaçõesAgriculturaCorreioDescobertas e achadosDestruição de patrimónioMovimentos de tropasSecas
Assegura-se, diz o Correio dos Estados Unidos, que existe nos bosques que se estendem ao longo dos lagos de Saint-Clair e Huron, uma tribu ou família selvagem d’aspecto summamente extranho, e d’uma especie phenomenal e desconhecida. É composta de 7 ou 8 individuos; dois d’elles, homens, uma mulher e 3 ou 4 pequenos seres. Os homens são de elevada estatura, mas magros, apesar da robustez dos musculos; a mulher é de baixa estatura, e os filhos parecem ter de 10 a 16 annos. São todos cobertos de pello, e tanto a mulher como as crianças, e os homens tem o rosto coberto de barba encrespada, como a de certos monos do Brazil. Um dos homens é calvo, e tem a barba branca. A cabeça é pelo grande volume muito desproporcionada ao corpo. Tem um ventre enorme, os braços extremamente compridos e são cambados. São estes os caracteres apresentados em geral pela raça dos indigenas da Australia, de Borneo, e da Nova Guiné, os quaes constituem o ponto de transição entre a especie humana e os quadrumanos. Donde procede aquella tribu? Ninguém o sabe. Ha proximamente dois mezes que foi descoberta por alguns caçadores indios, que iam levar pelles a Monte Clemente, 30 milhas de distancia para o Oeste. Oito dias depois era ella encontrada nas cercanias de Puerto Huron. Mais tarde a mesma família era vista em Saginow, nas margens do rio Shiawac. Por toda a parte por onde ella passa infunde grande espanto, irreflectido e injustificado, porque não ha facto algum positivo e real que possa imputar-se-lhe com visos de culpabilidade; todavia n’alguns dos sitios por onde tem passado, teem occorrido successos tão singulares, que disparam a malignidade e a attenção dos habitantes. Assim n’uma aldêa junto de Lapeer quasi todos os cães morreram n’uma só noite, noutra parte as sarnas enfurecidas fugiam atraz dos campos e das selvas. Alguns dias depois, vinte cinco milhas mais longe, as cabras deixaram de dar leite, e os morcegos soaram a luz do sul. Em resumo parece que desde o momento da apparicão d’aquellas estranhas personagens o paiz que percorrem é victima d’alguma feitiçaria. Existe uma parochia junto do Lago Huron; á approximação d’aquella família repicou o sino da igreja por si só durante uma noite inteira; na manhã do dia seguinte viram-nos divertir-se nas agoas do lago durante uma tormenta espantosa, e em seguida chegar a nado a uma pequena ilha. Os camponezes armaram-se de espingardas, e embarcaram direitos á ilha em sua perseguição, mas quando abordavam ahi, já haviam desapparecido os individuos a quem buscavam. As folhas dos arbustos junto dos quaes haviam passado pareciam seccas como no fim do outono. Os que tem visto tão estranhos sêres, dizem que elles se arrastam como as serpentes, correm como gamos, nadam como peixes, e em caso d’apuro se desvanecem como sombras. N’uma palavra é uma apparicão extraordinaria; a superstição, como é natural, apodera-se do assumpto, e espalha o terror por toda a parte. As povoações armam-se, e n’alguns districtos chegam a organisar-se forças para dar caça ao bando maldito. Até agora ainda não foi possível chegar até elles, e nem os cães corredores teem chegado a alcançal-os. Em toda a região dos lagos se celebram meetings frequentes, a fim d’accordar nos meios mais adequados, para purgar o paiz da família do diabo, como lá lhe chamam. É provável que desappareça da mesma maneira que appareceu, sem se saber o caminho por onde vai, da mesma maneira que ninguém viu aquelle por onde veio.
Coches reaes
Sociedade e vida quotidianaCasamentos
São quatro os coches da casa real que se estão reparando, duas estufas e duas berlindas. As estufas são talvez as mais antigas que existem na casa real. Uma é toda de talha, obra primorosa. Querem não sabemos com que fundamento, que seja do reinado d’el-rei D. Manuel, o que parece averiguado não ser exacto. A outra é toda doirada, porém de mais singelo lavor que a primeira. Tem excellentes pinturas bem conservadas. Em ambas se nota que a coroa real é aberta. Será dispendiosa a reparação destes dois antiquíssimos coches, mas ficam realmente admiráveis. As duas berlindas são do século passado, e uma tem óptimas pinturas muito bem conservadas. Parece que no préstito do regio consorcio figurarão quatorze coches, sendo os quatro agora restaurados, e os 10 que foram restaurados por occasião do baptismo da sr.ª infanta D. Antonia e do casamento d’el-rei o sr. D. Pedro V.