O regedor de Neves officiou para a repartição de fazenda pelo mesmo theor e forma, que, no numero passado, dissemos terem officiado os de Baleizão e Beringel. As coisas vão entrando nos eixos. É os mais regedores imitarem aquelles. Ganhamos todos.
Domingo foi roubado, na estrada de Baleizão, um individuo da freguezia de Neves, conhecido pelo Barrocas. Os ladrões levaram-lhe algum dinheiro, o tabaco que comprára para vender no Monte, e um par de sapatos novos.
Estes factos repetem
se diariamente.
Uma quadrilha de 9 gatunos cahio, na noite de segunda para terça feira, nas mãos da policia. Acoitavam-se no monte da Appariça.
Continua o temporal. Não ha trabalho e a fome visita-nos.
Partio na quarta feira, 5 do corrente, para Bordéus o sr. barão de Mendonça que vae desempenhar o lugar de cônsul de Portugal n’essa cidade. A nomeação do sr. barão para tal logar foi bem recebida porque s. ex.ª, com verdade o dizemos, é altamente competente para o desempenho de tão importante missão. O governo andou bem na escolha e tanto isto é assim que a respeitavel associação commercial de Lisboa mandou um officio ao sr. barão felicitando-o pelo seu novo cargo.
Domingo tentou evadir
se da cadeia o auctor dos assassinatos em Odiarça.
A carne de porco regulou de 2:800 reis a 2:850 cada quinze kilogrammas, no mercado de domingo.
ERRATAS
No nosso ultimo folhetim, 3.ª col. (nota) em vez de «Mgdo»—leia-se abbade, e em vez de irou (4.ª col.) leia-se viu; e na ultima col. em vez de descobriam leia-se descurriam.
Com o temporal cahiram, terça feira, quasi todos os postes da linha telegraphica entre esta cidade e Cuba.
No projecto sobre caminhos de ferro, apresentando ás côrtes pelo sr. ministro das obras publicas, figura um de Beja a Sines por Ferreira e S. Thiago de Cassem.
No caminho de ferro de Beja á fronteira faltam por construir 36 kilometros.
O temporal de terça feira causou immensos prejuizos. O cyclono que rebentou pelo meio dia arrancou muitas oliveiras, destruio montes, muros etc. etc.
O caminho de ferro de sueste rendeu na semana finda em 9 de dezembro reis 6:345$910, menos 557$750 do que em egual periodo do anno passado.
Regressou parte da força do 17 de infantaria que estava em Portalegre, e a que tinha ido a Elvas.
Descarrilou, proximo de Baleizão, o comboio que de Quintos vinha para esta cidade. O de Beja para Lisboa sahio com duas horas e meia de atrazo.
O sr. Domingos Galvão, recebedor interino da comarca de Serpa, no periodo decorrido de 1 a 31 de julho de 1877, foi julgado quite para com a fazenda publica.
No dia 5 de março proximo vão á praça differentes bens nacionaes no concelho de Odemira.
Já foi entregue á camara o corrimão de ferro para a escada interior aos paços do concelho.
Publicaram
se os fasciculos 125 e 126 do Diccionario popular.
Na casa n.os 7 e 8, na rua da Cadeia Velha, inauguraram-se hontem os bailes de mascaras. Correu na melhor ordem a diversão, e esteve muito concorrida e animada. Domingo ha baile outra vez.
Chegaram as andorinhas e os lavradores dizem que é signal de que o tempo segura. Oxalá.
Tem licença por 60 dias o habil director do hospital civil, o sr. dr. Xavier.
Publicou
se a caderneta n.º 5 dos Padres e beatos e a 18.ª da Mulher do Saltimbanco.
Está a concurso a paroquial egreja de S. João de Negrilhos, n’esta diocese.
As amas dos expostos receberam, sabbado, os salarios do mez de janeiro.
Vae parochiar interinamente a freguezia de Baleizão, o presbytero, o sr. Vasco Mattas.
No hospital civil de Beja receberam
se, desde 29 d’outubro de 1878 até 5 de fevereiro de 1879, os seguintes donativos, que a administração deste estabelecimento agradece, em nome dos infelizes que nelle acham protecção e soccorros. Beja, 9 de fevereiro de 1879. Pelo provedor Bernardino José d’Almeida Rebello. Escrivão. Esmolas: Das ex.mas sras. D. Maria Archer, panno de linho—D. Joaquina Lucia Pereira de Mira, fios—D. Maria Olympia de Mira, panno de linho—D. Narciza Vargas, um lençol de linho—D. Augusta Eugenia Lobo de Brito, fios—D. A. Amorosa (convento da Esperança), panno de linho—D. Anna Carolina de Britto, fios—D. Luiza Lobo da Gama, panno de linho—D. Maria do Amparo, panno de linho—D. Thereza Pereira de Mira, idem—D. Izabel da Cruz, idem—D. Joaquina do Carmo Mendes, um lençol de linho—D. Maria das Dores Nunes Galindo, panno de linho—D. Anna Barbara Mattos, idem—D. Joaquina de Menezes, idem—D. Mathilde Silva Carvalho, fios—D. Candida Adelaide Rebello, um lençol de linho—Dg.ma Abbadessa de Santa Clara, panno de linho—D. Marianna Amelia Palma, fios e panno de linho—D. Carolina Vargas, fios—D. Carlota Branco, fios e panno de linho—D. Felicia Julia, fios—D. Marianna Angelica de Brito Godins, doze ataduras novas e uma porção de fios—D. Francisca Penedo Nobre de Carvalho, fios e panno de linho—D. Amelia Corrêa da Fonseca, panno de linho—D. Margarida Augusta Duarte, panno de linho e fios—D. Henriqueta Fonseca Andrade, um lençol de linho e panno para fios—D. Francisca d’Assis, panno e fios—D. Maria Clara Xavier, idem—D. Camilla Lima, panno para fios—D. Maria José Fonseca, panno de linho—D. Candida Julia da Costa, idem—D. Marianna Amelia Ferreira Lima d’Oliveira, 6 lençoes novos e seis cobertores novos—D. Adelaide Machado, um pacote de fios—D. Felicidade Canchas, fios e panno de linho—D. Maria Amalia Rebello da Fonseca, panno para fios—D. Michaela Leandra Nobre Sobrinho, uma porção de fios—D. Cypriana Vargas, idem—D. Victoria da Cunha Negrão, fios. (Continua).
Occorrencias policiaes (L. S.)—Dia 8 e 9—Nada.
Occorrencias policiaes (L. S.)—Dia 10—Por suspeita estiveram detidos na esquadra 9 individuos, e uma mulher, bem como foram mandados apresentar ao ex.mo juiz de direito desta comarca, dois individuos, pelo crime de roubo, feito na estrada de Baleizão proximo ao Ribeiro dos Frades.
Occorrencias policiaes (L. S.)—Dia 11 até 14—Nada.
Tribunal correccional
Presidencia do ex.mo juiz de direito. Accusação—Ministerio publico. Escrivão—Carvalho. Defensor—Esteves. Rés—Maria Ignacia e Maria Motta, accusadas a primeira de roubo domestico e a segunda de receptadora do roubo. Condemnada aquella em 15 dias de prisão e a segunda absolvida.
Cabeça Gorda—7-2-79
O sr. José Thomaz Guerreiro Lampreia foi substituido na presidencia da junta de parochia da Salvada pelo sr. Ricardo Gomez, subdito de Sua Magestade Catholica, Affonso XII. Não nos surpreende, nem nos podia surpreender a escolha feita pelos membros da junta. Calligula elevou a senador o seu cavallo! Verdade seja, que o cavallo de Calligula em cousa alguma podia obstar ás deliberações do senado romano! Com o sr. Gomez não succede outro tanto. Educado na legislação de Hespanha aonde os pimentos nascem encarnados, segundo este senhor affirma, pirronico por indole, caprichoso e casmurro, não nos admiraremos se um bello dia virmos a salla das sessões d’aquella esclarecida corporação transformada em anta de esgrima, imperando não a espada ou o florete, mas o mais affecto dos divertimentos inglezes—o côco. Não obstante, a junta lucrou e muito na honra que faz ao sr. Gomez. De ora avante os seus vogaes—emquanto durar o quadriennio—estão ao abrigo de qualquer enfermidade duradoura, que por ventura os possa accommetter. Se, por exemplo, alguns dos vogaes carecer de sangria, lá está o seu presidente para lh’a applicar. Se em vez de sangria for de boticão que se careça, o mesmo presidente prompto sacará d’aquelle instrumento e tirará um, doise... até mesmo todos os dentes, se tanto necessario fôr, o que Deus não permittirá. Se alguma gastrite ou gastro-enterite sobrevier a algum dos vogaes com a presteza do arlequim o sr. Gomez acudirá com a sua clinica infallivel, e esta freguezia será salva com a salvação d’aquelle vogal! Que mais podem ambicionar os vogaes da junta d’esta parochia! Feliz corporação! O cavallo de Calligula não possuia o dom da palavra. A maioria de nossos deputados parece achar-se tambem privada d’aquelle dom! Salomão tornar-se-hia um João Fernandes ante esta estrella septentrional! Se em logar de solidas razões este Cesar contemporaneo podesse conceder razão aos seus collegas, quando a tenham, nada deixaria a desejar! Nós porem, que folheamos o livro do futuro, lastimamo-nos pelo pouco que esta felicidade parochial deve durar. A presidencia do sr. Gomez é como o meteoro, que brilha por um momento! Cumpre-nos explicar o caso. Contava nosso avô, que em tempo de sua mocidade vivia n’uma herdade dos arredores de uma abastada velha, a qual se deixou captivar pelas blandicias de certo ex-soldado, que alli viera parar. Este, tanto que sentiu a velha apaixonada, fallou-lhe em casamento, ao que ella alegremente annuiu. Combinado entre ambos o dia em que devia ter logar o enlace, Álvaro, assim se chamava o ratão, pedio á velha o dinheiro que ella possuia, afim, dizia elle, de ir dar andamento aos pregões e comprar alguns preparos para o banquete, com que tencionavam abrilhantar o seu consorcio. Entregou-lhe pois a velha a sua recheada bolsa, recommendando-lhe abreviasse tudo o mais possivel, tel-o partir. Ora é o caso que Álvaro não mais appareceu, e ainda a velha hoje o espera. Ao sr. Ricardo Gomez foi promettido um emprego se o livro do futuro não está errado ou nós o não entendemos na sua tradução, pelos revelantes serviços por este senhor prestados á eleição do sr. Malheiros para deputado por este circulo e, ultimamente—diz ainda o livro—disse-se-lhe que brevemente receberia carta para se apresentar a tomar posse do ditto emprego, e que o portador d’aquella carta seria o Álvaro da Velha, quando este regressasse com os papeis de seu noivado despachados. Eis, pois, em poucas palavras, o motivo porque nós podemos affirmar que brevemente esta freguezia terá a lamentar a ausencia de tam erudito quanto apreciavel senhor! Emquanto porem não chegar a alludida carta, ou emquanto não chegar o Álvaro da Velha, estamos certos de que esta freguezia hade lucrar muito, e a presidencia do sr. Gomez figurará ainda um dia nas paginas da historia! Felicitamos esta freguezia pela acertadissima escolha que os vogaes da junta fizeram. — Pela junta de parochia, foi exonerado da thesouraria o sr. padre João Ignacio Godinho, achando-se indigitado para o substituir o senhor Manuel Lourenço Anjo, que não pertence á corporação. Diz-se que o sr. Godinho se recusára a prestar fiança. Mais tarde trataremos d’este assumpto. Sidi Hussein e Solimão.
Aldeia Nova
12 de janeiro de 1879. (Continuado do numero 944). Ora, este sr. Rogado, réo de miseraveis traições e vis intrigas, delictas de suas habituaes tendencias, por sua apparente industria tem captado a obediencia e o temor da actual junta de parochia, de que elle é escrivão, de modo, segundo o trinar da fama, a sujeitar aquella corporação a actos menos dignos, como o de conservá-lo na qualidade de seu empregado e o de representar o tragico papel de assignar indevida e illegalmente um attestado, que o digno regedor se recusou confirmar, engendrado por elle seu escrivão, abonando seu cumprimento magistral, a sua innocente conducta e sobre tudo a incapacidade de se transformar em Bacchante e Baldomera. Com este pois, o sr. Rogado muitos outros escandalos tem praticado, que bem exuberantemente definem e justificam o seu caracter traiçoeiro e a sua indole nefasta, que o tornam sobremaneira incompetente e até inhabil para instruir, educar e moralisar. Se por ventura estas e outras asserções similhantes, que publica e francamente temos exhibido com respeito ao sr. professor Rogado, lhe parecerem menos justas, menos verdadeiras ou menos razoaveis, franco e publico tambem, se tanto aprouver ao réo para levantar a sua reputação justamente abatida, se acha o fôro, para onde com exhoberante alvoroço invocamos, não as almas dos mortos, mas o irrefragavel testemunho de todas as pessoas de educação e dignidade desta terra, e de fóra della, as quaes alli sem temor, sem receio nem cobardia, mais pronunciadamente que a nossa penna, desenrolarão o sudario das gentilezas do sr. Rogado réo de lesa-humanidade, que no meio daquelle tribunal tambem escutará as vozes unisonas e accentuadas de muitos paes de familia, taxando-o de prejudicial e nocivo á instrucção e educação de seus filhos. Por tanto sr. Rogado, se as agudas e penetrantes vibrações da nossa penna, que são a expressão fiel dos factos positivos, que vimos de apontar, o não movem a ter a dignidade precisa, movam-o ao menos a regenerar-se, devidamente por forma a reter a sua posição social, do que muito necessita, e para o que muito lhe cumpre conduzir-se modesto e temperado, dando a cada um o que é seu physica e moralmente; se bem que não acreditamos a esta regeneração, que igualmente se nos afigura inconciliavel em Aldêa Nova de São Bento, terra a que desejamos ser util e que por isso em abono della ainda não derribámos a guarita, em que nos collocamos de sentinella para continuarmos de soltar aos ares a voz poderosa e constante da verdade, d’este verbo, que deve ser o principal objecto do pensamento e da palavra do homem e da humanidade. Z. (Segue o reconhecimento.)
Moura
Mais um nome illustre acaba de riscar-se do livro da vida! Do ex.mo sr. João d’Almeida Grave já não existe senão a saudosa memoria das suas virtudes. A inexoravel morte que não respeita vida alguma, acaba de roubar para sempre esse venerando ancião, que a todos consolava com a suave influencia da sua bondade. Sua ex.ª, que no dia oito do corrente estivera á noute com os seus amigos, como costumava, e que parecia gosar saude, sentiu-se bastante afflicto ás duas horas da madrugada do dia nove; e nesse mesmo dia ás 11 da noute foi provocado por um vomito de sangue, que apezar dos esforços da sciencia e do mais desvelado cuidado dos dois habeis medicos assistentes, não foi possivel estancal-o; pelo que ás quatro horas e um quarto da madrugada de hoje, o venerando ancião succumbiu, entregando resignadamente o espirito nas mãos do Creador! Chora-o n’este momento a sua ex.ma familia, que tinha n’elle mais do que um pae desvelado e caritativo; choram-no os seus innumeros amigos, que acabam de perder um amigo sincero e verdadeiro, que sempre se achava prompto a obsequiar a todos; chora-o a sociedade, que perdeu um cidadão illustre e prestante; choram-no os pobres: uns a quem elle dava o sustento quotidiano; outros a quem tinha estabelecido mezadas, e outros finalmente que lhe imploravam o obolo da caridade, e a quem elle estendia a sua mão caritativa e benefazeja. Chora até—se soffre dizer-se—a religião; pois que acaba de perder um dos seus mais solicitos e dignos filhos. Seja-me, pois, licito pagar aqui o tributo da minha saudade e gratidão, desfolhar um goivo sobre a campa do meu nunca assaz chorado amigo, e desabafar a dôr que ora me opprime o coração por tão irremediavel perda! Morte cruel! Não te glories de teres assim inesperadamente ceifado tão preciosa vida! O teu imperio tyrannico não se estende alem do tumulo; porque alem deste só ha a eternidade! Aquelle que tu iras roubado ainda vive, e já está fóra do alcance da tua foice terrivel! Vive e viverá eternamente na presença de Deus, onde o conduziram as suas virtudes. Descança pois, em paz, illustre finado e presado amigo; e que a terra te seja leve. Requiescat in pace. Moura, 1.º de fevereiro de 1879.