Enfermo
Tem estado gravemente enfermo o nosso bom amigo, e um dos proprietarios desta folha, o sr. Antonio Joaquim de Carvalho, abastado negociante desta cidade. Fazemos sinceros votos pelo seu prompto restabelecimento.
Tem estado gravemente enfermo o nosso bom amigo, e um dos proprietarios desta folha, o sr. Antonio Joaquim de Carvalho, abastado negociante desta cidade. Fazemos sinceros votos pelo seu prompto restabelecimento.
O sr. Sebastião, dono da casa de pasto, sita na rua da Esperança, tinha um cozinheiro o qual ha tempo se despedio e foi servir uns inglezes empregados na linha ferrea para o Algarve. Hoje veio á cidade o pobre homem, e passando pela rua da Esperança foi cumprimentar o seu antigo amo. Disse-lhe este que tinha em seu poder uma carta para elle, e que entrasse para a casa immediata para lêr a dita carta. O rapaz entrou, e fechada a porta o tal Sebastião pegou n’um cacete e espancou-o fazendo-lhe algumas contusões no peito e braço esquerdo, e certamente o mataria se dois individuos que se achavam no estabelecimento não arrombassem a porta. O sr. juiz eleito substituto formou o auto de corpo de delicto, e o tal Sebastião, que pelo sobrenome não perca, foi conduzido para a cadeia.
Continua a funccionar este instituto com toda a regularidade, e nem podia deixar de ser assim, estando a dirigido o sr. dr. Emygdio Duarte Ferreira, que se não poupa a trabalho, para fazer prosperar aquelle estabelecimento de tanta vantagem para esta cidade. O sr. dr. Emygdio, depois que faltou o sr. Jervis, tem empregado o maior zelo e cuidado para adiantar os alumnos deste instituto. Fazemos votos para que não afrouxe na sua actividade, e que não renuncie o onus a que se sujeitou, e que tanta honra lhe causa, porque sabemos que não são os interesses que prendem ali a attenção de s. s.ª, mas sim mais o intento de fazer bem a uma familia orphã, e beneficiar uma cidade inteira, conservando o estabelecimento deste genero em Beja, e que em pouco tempo tem dado já muito bons resultados. Recommendamos pois ao publico este instituto, que está acima de todo o elogio; os factos falam mais alto, que nós. Com dous annos d’estudo encontramos ali algumas meninas, como a sr.ª D. Adelina Botelho Sotto Maior, D. Maria Rita Cola Bentes, que já podiam reger uma cadeira d’instrucção primaria do sexo feminino. Alem destas ha outras, que tambem tem aproveitado muito. Dito isto está dito tudo.
Dizem-nos que no sabbado passado chegaram a Alvito dois sotainas que são missionarios. Estas santas creaturas costumam abusar da cadeira evangelica e recommendamos ás authoridades o exacto cumprimento da lei se elles a prostergarem. Não sabemos para que sirvam, entre uma povoação tão illustrada como é a de Alvito, as missões. O que pedimos a Deus é que os taes sotainas não appareçam por esta cidade. Ridiculos temos aqui de mais.
Começaram hoje as audiencias geraes desta comarca. As sessões provavelmente terminarão no dia 7 do proximo mez de maio.
Diz as Noticias, folha da capital, que o amanuense de 1.ª classe da repartição da fazenda deste districto, o sr. Ernesto Carlos Augusto Rosa, que actualmente se acha servindo em commissão na repartição de fazenda de Lisboa, pedira a sua demissão em consequência de não poder harmonisar o serviço publico, com os excessivos trabalhos commerciaes da sua casa de commissões na rua dos Bacalhoeiros n.º 121, 1.º andar.
Estes santos negociantes andam desaforados de todo. Acometem nas estradas os vendedores de caça e perseguem-nos nas estalagens. O que se dá com os vendedores de caça, succede tambem com os que trazem ovos, gallinhas, queijinhos etc. etc. para o mercado d’esta cidade. O resultado é o povo comprar tudo carissimo. A postura municipal — pobre postura! — é unica no seu genero — impõe uma multa aos atravessadores. Porque será então que se não observa o que o codigo municipal dispõe?
Em consequência de se acharem aggravados os padecimentos do sr. contador desta comarca foi nomeado, pelo dignissimo sr. juiz de direito, para servir aquelle lugar interinamente, o sr. Miguel José de Mendonça. A nomeação foi acertadissima.
Por decreto de 7 de março proximo passado foi nomeado administrador do concelho de Barrancos, o sr. José Caetano Nogueira da Ascensão.
Por portaria de 19 do corrente mez foi concedida licença ao escrivão e tabellião do juizo de direito de Almodovar, n’este districto, o sr. Manoel José Ramos Faísca Coelho, por quarenta dias, como prorrogação do anterior licença.
Entre as egrejas pobres subsidiadas pela junta da bulia da santa cruzada, vem a de S. Salvador d’Odemira, n’este bispado, com 100$000 rs.
Na tarde de segunda feira, chegou a esta cidade, vindo de Moura, em cujo hospital se esteve tratando, um sargento hespanhol do regimento de Calatrava. Foi-lhe passada guia para o deposito de Vendas Novas, para onde partio no dia seguinte.
No domingo trabalhou no largo do Castello uma companhia gymnastica. Os seus trabalhos agradaram pelo que os artistas foram applaudidos.
Á verba de 12:000$000 rs. que tinha sido votada para o lanço da estrada da Maloza á ponte do Terges, foi elevada a 15:000$000 rs.
Destinou-se a quantia de 8:000$000 rs. alem da verba que se despender nas expropriações que andará por uns 700 e tantos mil rs., para a construcção do lanço da Barrosinha, na estrada d’esta cidade a Alcácer.
Foi provido por tres annos na cadeira d’ensino primario para o sexo feminino de S. Vicente da Cuba, a sr.ª Cecilia Gertrudes Pires Lavado.
Ouvimos queixar um individuo da Cuba que o professor regio n’aquella villa não cumpre com os seus deveres, o que é comprovado pela diminuta frequencia da sua escola, e que ha em Farinho, povoação pouca distante d’alli, um clerigo, a quem os chefes de familia confiam a educação de seus filhos. Sendo assim é para lastimar, mas queixem-se do sr. administrador e da camara, que não fazem cumprir áquelle empregado o mandato de que se encarregou. De que serve um professor, que n’uma villa como a Cuba, conta apenas meia duzia d’alumnos, segundo nos informam? O sr. administrador, e a camara terão os olhos vendados? Não será duro aos chefes de familia pagarem ditas contribuições, para assim obterem aquillo, que por uma só lhes devia ser dispensado? Destes professores informam-nos que ha muitos pelo districto, e talvez s. ex.ª o sr. governador civil não recommende com tanto cuidado aos administradores a vigilancia das escolas, como lhes recommendou, segundo dizem, a leitura da Gazeta de Portugal...
Quando o senhor D. Luiz esteve ha pouco em Paris, prometteu ao grande Rossini um presente de vinho do porto. Veiu a promessa a proposito de Rossini dizer ao sr. D. Luiz, que se lembrava com saudade de umas garrafas de bello vinho do Porto que d’el-rei o senhor D. Fernando lhe mandára. Mas o senhor D. Luiz não foi tão prompto na realisação da promessa como Rossini desejava. O maestro para que a promessa não ficasse no esquecimento, escreveu ao senhor D. Luiz a seguinte carta: «Senhor—Vossa magestade prometteu-me vinho do Porto e o vinho não chega. Provavelmente vossa magestade não esqueceu a sua promessa, porque nunca os soberanos as esquecem, mas permitte-me, senhor, lembrar-lhe que sou velho, e que na minha edade não se pode esperar.—Rossini.» Consta que o vinho vae já em caminho com uma carta muito amavel d’el-rei.
A capital d’Austria acaba de ser theatro de um facto bastante curioso. Certo joven elegante, cheio de dividas, mas favorecido das damas, não estranhou receber um dia um bilhete que dizia assim: «Senhor—A sua elegante figura impressionou-me tanto, tanto, que desejo com empenho conhecel-o pessoalmente. Vá esta noite ao theatro da Opera. O meu camarote é o n.º 78. Mandei reservar o 79 para a pessoa que se apresentar e disser esta palavra “eternamente”. Alli o espero.—Adelaide.» O feliz elegante fez a mais escrupulosa toilette e foi para o theatro. Começou a symphonia da opera, e o numero 78 vazio. Ao fim d’algum tempo abriu-se a porta, e em vez de uma senhora, entrou um homem. Ao vel-o o joven empallideceu subitamente. Era um dos seus credores. —Não se incommode, disse-lhe o sujeito do numero 78. Servi-me d’este meio, que era o unico de poder encontrar-me comsigo. Queira ouvir socegadamente a opera e no fim me fará o favor de acompanhar-me. E assim succedeu; no fim do espectaculo o elegante foi trancado na prisão pelo seu visinho do camarote n.º 78.
Caiu doente um alfaiate, diz o Noticiarista, e achando-se ás portas da morte, chamou um filho que tinha. —Olha, José, nunca furtes cousa alguma, porque te digo que agora mesmo está o diabo a mostrar-me todos os retalhos de panno que furtei. —Meu pae, lhe respondeu o filho, prometto-lhe que nunca furtarei na minha vida. O alfaiate melhorou, e passados tempos achava-se a cortar um casaco para um freguez. —Toma, filho, guarda já esse pedaço. O rapaz pegou n’elle, mas tornando-o a pôr sobre a mesa disse: —Não se lembra o pae do que lhe succedeu quando estava para morrer, que o diabo lhe mostrava os pedaços de fazenda? —Ora, ora, leva isso, anda: o diabo não me mostrou panno nenhum d’essa cor.
Morreu em Stratford, na Inglaterra, diz o Jornal de Noticias, um rico proprietario, que tinha muitos predios e impunha aos inquilinos as seguintes condições: 1.ª Não ter filhos; 2.ª Não fumar; 3.ª Não ter passaros; 4.ª Não ter flores nas janellas, nem em vasos, nem em caixotes, nem de nenhum outro modo; 5.ª As viuvas e viuvas, os solteiros e solteiras, não deviam casar-se em quanto fossem seus inquilinos.
Temos durante nossa vida differentes apertos, que mais tarde ou mais cedo teem allivio, por exemplo: Os apertos de pés matam-se descalçando-se as botas. Os da consciencia, alliviam-se com uma confissão geral. Os de um cerco acabam-se com uma convenção. Os das finanças, resolvem-nos os ministros contrahindo emprestimos. Os dos cofres das camaras municipaes, com fintas directas aos povos. Os bancarios destroem-se completamente fazendo banca rota. Os commerciaes findam com uma quebra. Os dos caloteiros, remedeiam-se com frivolas promessas aos credores. Os politicos cessam com a recomposição do ministerio. Os das approvações dos contractos ruinosos para o paiz, resolvem-se com uma fornada de pares do reino. Os do coração alliviam-se com lagrimas. Finalmente todos os apertos são curáveis, mas os que teem fraco remedio são os d’um pobre noticiarista, que ha de encher duas columnas d’um jornal com um largo noticiario, quando não ha uma só occorrencia que mereça relatar-se.
A correspondencia do sr. Luiz Guerreiro da Conceição, não pôde ir n’este numero por falta de espaço, mas irá sem falta no seguinte.
Preços por que correm os generos em Beja. Trigo alqueire 580 reis; Milho 480; Centeio 440; Cevada branca 480; Feijão 800; Chicharo 400; Fava 500; Grão de bico 850; Batatas 480; Azeite almude 3:600; Vinho 1:200.
Diz-se que a Prussia e a Austria já estão de accordo.
Continuam a correr com firmeza boatos pacificos, mas nas bolsas da Allemanha ainda hontem os fundos desceram rapidamente.
A Austria respondendo aos conselhos de Inglaterra, declara estar prompta a consentir em que os ducados escolham soberano por meio do suffragio universal.
O ministro Scialoja desmente que seja dado curso forçado aos bilhetes do banco. O pagamento dos juros em julho está assegurado pelos meios ordinarios.
Consolidados 38.20; differidos, 36.25. Bolsa de Londres.—Consolidados 87; fundos portuguezes, 45 1/2. Bolsa de Paris.—Renda de 3% 67.50; renda de 4 1/2% [ilegível].
A camara dos representantes adoptou o projecto dos direitos civis. Numerosos fenians se reuniram nas fronteiras do Novo Brumwik, e ameaçam invadir o senado se adoptar o projecto de emprestimo.
Na Bolsa continua com firmeza o boato de que a Austria propõe á Prussia o desarmamento reciproco.
A resposta da Prussia expedida hoje, declara que os armamentos foram provocados pelas concentrações de tropas feitas pela Austria, os quaes cessarão depois das revogações destas medidas; que a Prussia desarmará no mesmo grau que a Austria, soldado por soldado.
Foi assignada em Pekim a primeira convenção importante entre a China, França e Inglaterra.
É positivo que a Prussia acceitou a proposta feita pela Austria de as duas potencias desarmarem simultaneamente.
Houve baixa de fundos nas bolsas de Vienna, Francfort e Berlim por causa do boato de que a Austria ia pôr o exercito de Veneza em pé de guerra em consequencia dos armamentos da Italia.
Confirmam-se as noticias a respeito dos armamentos extraordinarios, que se fazem em Anezia.
Amanhã principiará a discussão do relatorio do exercício provisorio concedendo dois doze avos.