Roubo importante
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Em a noite de hontem para hoje (5) roubaram na estalagem de Miguel Engeitado d’esta cidade o sr. Victorino Antonio Alves, ourives. Eis o que nos contaram a este respeito. Hontem ao escurecer entrou na estalagem um homem de fora com um macho que mandou accommodar e pediu um quarto; algum tempo depois sahiu e julga-se que voltou acompanhado por dois homens que depois ajudaram a perpetrar o crime. Pela 1 hora da noite recolheu á estalagem o sr. Victorino, levou para o seu quarto um candieiro aceso, e quando estava abrindo a porta do seu quarto foi agarrado por tres homens armados de punhal que lhe impuzeram silencio, sob pena de o matarem. Um d’elles, cujos signaes logo diremos, é que tinha a cara destapada. Entraram com elle no quarto, puzeram-lhe uma mordaça na bocca feita com um lenço de seda, amarraram-n’o de pés e mãos e prenderam-n’o ao leito; e em seguida abriram as caixas de lata onde o sr. Victorino tinha differentes artefactos do seu officio, e relogios d’ouro, que deitaram para um alforge. Alem d’isto levaram-lhe 584 libras em ouro. O sr. Victorino avalia o roubo em 13 a 14 contos de reis. Signaes do indivíduo que tinha a cara descoberta—Altura 58 polegadas (pouco mais ou menos), delgado, cór moreno-claro, barba rapada e uma pequena pêra, nariz um pouco achatado, idade 30 a 40 annos.—Vestuário: botas finas, quinzena parda, bonet, calça escura. O macho que trazia era de marca pequena, escuro, tosquiado recentemente, com uma manta azul, uma almofada encarnada e uns alforges novos. Sahiu da estalagem ás 2 horas da manhã de hoje. Duas horas depois é que na estalagem ouviram gemer o sr. Victorino e lhe accudiram. Consta-nos que as authoridades fizeram participações e buscam descobrir vestígios dos ladrões. Beja não tem policia, como é mister que tenha; isto é opinião geral de toda a gente sensata, e é urgente tomarem-se providencias a tal respeito.
Ratoneiros
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Ha tempos tem-se feito tentativas de roubo a algumas casas d’esta cidade. Em consequência foi requisitado pelo exm.º Governador Civil ao commandante do destacamento aqui existente, que serve de commandante da subdivisão militar, patrulhas de cavallaria que percorrem as ruas durante a noite. Achamos conveniente ter-se tomado esta providencia, mas parece-nos que não é sufficiente para garantir a segurança publica.
Crime horroroso
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No dia 22 do mez findo foram presos na freguezia de Santa Clara, concelho e comarca d’Odemira, Jeronimo da Silva, Antonio André, e Rozalina Maria, como cúmplices no assassinato de Thomé Gonsalves da mesma freguezia, que tinha sido praticado em a noite de 26 de setembro ultimo. Segundo a propria confissão dos dois reos o crime teve lugar na referida noite, sendo o dito Thomé levado amigavelmente por Antonio André a um lugar ermo, onde se achava em busca de Jeronimo da Silva, que lhe disparou um tiro ferindo-o mortalmente, descarregando-lhe o primeiro algumas pauladas para o acabar de matar. Em seguida arrastaram o cadaver para um barranco embrenhado onde lhe lançaram fogo com mato e cortiça. Formou-se o respectivo auto, e acha-se instaurado o competente processo no poder judicial. Diz-se que a referida Rozalina induzira os dois reos a perpetrar este horroroso crime; é irmã do André, e parece que tinha relações illicitas com o Jeronimo, e com o assassinado.
Apoplexias
ReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaFalecimentos
Falleceu no dia 29 do mez findo o rd.º prior da freguezia de S. Thiago desta cidade o padre André Velloso Crespo, de uma apoplexia fulminante. Tinha sahido de sua casa de tarde sem accusar incommodo de saude; recolhendo ás 7 horas da noite foi acommettido quando entrava no pateo de sua casa, e já não pôde subir a escada. Succumbiu immediatamente. Tinha 62 annos. A essa mesma hora teve um ligeiro insulto apoplético uma menina de 17 annos, que se restabeleceu promptamente. Poucos dias antes tinha fallecido lambem de uma apoplexia o sr. Alberto José de Souza, que tinha perto de 80 annos.
Naufragio
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Em Villa Nova de Portimão no dia 27 do mez findo foram victimas quatro homens que formavam a companhia d’uma catraia que tinha sahido a barra para dar entrada ao vapor da carreira de Lisboa. Entre os infelizes conta-se o piloto-mór. A catraia virou-se já fóra da barra. Dos 12 homens que levava salvaram-se oito.