Villa N. de Portimão
Pede-se ao sr. V. se digne responder a qualquer das cartas que lhe foram dirigidas em 16 de junho, 10 de julho e 27 de novembro ultimos.
Pede-se ao sr. V. se digne responder a qualquer das cartas que lhe foram dirigidas em 16 de junho, 10 de julho e 27 de novembro ultimos.
[ilegível]—Pugnámos em [ilegível], pelos quaes se vê que elle foi applicado para a Restauração; segue-se que não procede a accusação criminal contra o Réo a este respeito; e que tornando-se o negocio de mero interesse particular, e não estando liquido, ou necessitando ainda de discussão, deve ficar como fica reservado, para se tratar civil e ordinariamente entre as partes interessadas. E o mesmo ha a respeito do dinheiro das Carvalhas, que mostrando-se recebido pelo réo como pessoa particular, e para negocios tambem particulares, só compete ás partes interessadas demandal-o; e quanto ao mais tudo se prova. He tambem accusado no artigo 5 que corresponde ao 10, 11, 12 e 13 da Devassa, de que [ilegível] mandára os Procuradores do Povo [ilegível] a sua recondução ao Marquez do Soccorro, General Hespanhol; e obtendo-a, fizera festejo de fogo e oiteiro, e consentira acclamações de — Viva o Principe de Beja; que fizera o primeiro mot[ilegível] da desgraça d’aquella Cidade [ilegível] quartéis e viveres á Tropa Franceza; e que fizera Tratados com a Junta de Sevilha, preterindo a Nacional do Algarve. Responde elle nos artigos 61 até 83, em primeiro logar, que havendo a Regencia declarado ao Marquez do Soccorro a auctoridade sobre os Direitos Reaes do Alemtejo, como mostra o Aviso fol. 1933, e determinando este a conservação de todos os Ministros da Provincia, se lembrára o Povo de Beja espontaneamente de requerer ao mesmo Marquez, que se verificasse e rejeitasse particularmente a conservação do Réo, e assim o dizem algumas das suas testemunhas. Confessa que por este motivo deo o povo em huma noite demonstrações de alegria, mas nega que se servisse de expressões, que não fossem decentes e proprias. (Continua.)
tempo porque fosse transferida do Castello para o governo civil a estação telegraphica. Conseguimos isso mas antes o não tivessemos conseguido por que se fez despesa e se estavamos mal ficámos peior. No Castello a estação era um casebre, no Collegio é um verdadeiro antro. Abobadas rachadas, o solo sem ladrilho, as portas cahindo a pedaços e oca das paredes com a cal perdida, enfim uma casa incapaz para n’ella se habitar. E não dizemos isto só pelo seu estado de ruina mas porque a casa de mais a mais é humida e fria o que temos experimentado agora que os acontecimentos nos tem obrigado a estarmos lá algumas horas. Pedimos pois ao sr. ministro das obras publicas que se digne providenciar. Sua ex.ª conhece bem a casa, vio-a e se a repartição de fazenda — que é confortavel em relação á estação telegraphica — lhe mereceu a sua attenção a estação reclama-a. E sua ex.ª póde muito bem attender-nos e sem gastar real basta que a estação passe para o primeiro andar do edificio.
O digno vigario pro-capitular desta diocese regressou no sabado. Muitos amigos de sua ex.ª esperavam-no na estação.
Ao nosso amigo o sr. Francisco Antonio Penedo e ao sr. dr. Manoel Martins Sant’Anna foi feita uma proposta para construcção de um ramal da estrada da Salvada ás vastas propriedades de suas ex.as. Consta-nos que não estão longe de acceitarem a proposta, e oxalá assim aconteça porque os povos de Quintos muito lucrarão. Na verdade vae-se reconhecendo que o pedido da camara transacta para mudar a directriz do lanço de Monto Alvo era justissimo.
O ex.mo sr. visconde da Boa Vista Francisco regressou na segunda feira a esta cidade. Sua ex.ª porem pouco se demora porque infelizmente a doença de sua irmã, a ex.ma D. Marianna, vae aggravando-se.
O ex.mo sr. Francisco Paes de Mattos Falcão regressou em terça feira de Setubal, onde estava a banhos.
O ex.mo sr. visconde da Boa Vista, Francisco, logo que a obra da rua de S. Sizinando esteja em via de conclusão, offerece para se collocarem n’aquelle local, dois candieiros.
Por accordão proferido em 17 do corrente pelo supremo conselho de justiça militar foi reduzido a 2 annos de prisão em praça de guerra, Caetano Ernesto Barbosa, soldado n.º 32 da 8.ª comp.ª de infanteria n.º 17, accusado de offender corporalmente o seu alferes, insubordinando-se, e resistindo á força que accudiu; crimes estes porque o conselho de guerra o havia condemnado a 6 annos do degredo para a Africa.
Na quarta feira ultima baptisou-se uma filhinha do nosso amigo o sr. Manuel Thomaz Ferreira Nobre de Carvalho. Foi padrinho o avô da neophita o rico lavrador o ex.mo sr. Francisco Antonio Penedo, e madrinha a ex.ma sr.ª D. Maria Angelica Nobre Freire.
Sob a presidencia do sr. vigario pro-capitular o ex.mo dr. Antonio Ilhavida, começaram na segunda feira, no lyceu, os exames dos candidatos ao magisterio primario.
Anda procedendo á correição nos cartorios dos escrivães desta comarca, o sr. juiz de direito.
Na segunda feira pela hora e meia da tarde teve revista, em ordem de marcha, o batalhão de caçadores n.º 6. Passou-a o seu ex.mo commandante, o sr. barão de Claros.
Na segunda feira tomou posse da administração do concelho o sr. José de Moraes Correia de Mello.
A commissão de viação approvou, entre outros lanços, o da via quebrada ao Penedo Gordo, na estrada de 1.ª classe de Beja a Ervidel.
Vae proceder-se no estudo do ramal de estrada de Aljustrel á estação mais proxima do caminho de ferro. O primeiro engenheiro districtal o sr. Faria partiu já para Aljustrel.
A do 6 de caçadores tocou no domingo na praça ás duas da tarde. A banda é excellente e a cavatina de Hernani, que foi o que ouvimos, teve um desempenho primoroso. Os elogios que temos lido são pois justissimos.
Recebemos o numero 10 que contem duas excellentes gravuras, uma, copia do quadro de [ilegível] intitulada Uma leitura antes do trabalho e a outra Aves domesticas. Alem disto contem mais Os abusos por A. [ilegível]; O illustre dr. Matheus; Os Poetas por J. C. Machado; Recordações de um sonho por Simões Dias; Uma leitura na officina por R. A. Vidal; Aves domesticas por Pinheiro Chagas; Navegar em [ilegível] por Filippe Simões; Chronica do mez por Rangel de Lima; Noticias diversas. Agradecemos a offerta.
Na semana finda em 5 de outubro rendeu reis 3:058$245 mais 119$475 que em egual periodo do anno antecedente.
No dia 11 casou-se o nosso amigo o sr. Pedro Victor da Costa Sequeira com a ex.ma sr.ª D. Amelia Rosado. Foram padrinhos os srs. Francisco Antonio Penedo e José Maria Rosado, e madrinha a ex.ma sr.ª D. Antonia Rosado, mãe da noiva. Desejamos-lhes muitas felicidades.
O movimento da população neste districto no anno de 1870 foi o seguinte: Nascimentos: sexo masculino 2514; feminino 2412. Óbitos: sexo masculino 2828; feminino 2755. Por cada 100 habitantes: Nascimentos 3.57; Óbitos 4.01; Óbitos excedentes aos nascimentos 657; Casamentos 1122.
No domingo fez-se solemnemente a publicação da bulla da Cruzada.
Cadaveres sepultados no cemiterio publico d’esta cidade na 1.ª quinzena do mez de dezembro de 1872. Antonio Joaquim, exposto, Beja. Manoel, exposto, Beja. Maria Antonia, 7 annos, Beja. Um mendigo, 50 annos. Maria, menor, Beja. Augusta Constança, exposta, Beja. Joaquim da Cruz, casado, 66 annos, Beja. Maria do Carmo Unicorne, solteira, Beja. Francisca da Cunha, menor, Beja. Miguel Joaquim, viuvo, 71 annos, Beja. Total 10.