Arquivo
O BEJENSE
Jornal de Utilidade e Recreio - Versão Digital
Edição n.º 308
47 notícias

BEJA 16 DE NOVEMBRO

Cultura e espectáculoEconomia e comércioSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAgriculturaConflitos locaisFalecimentosTelégrafo
Beja · Roma · França · Itália · Portugal Exterior / internacional · Interpretacção incerta · Telégrafo

Revista da semana—Que significasse administração da cousa publica nem uma só providencia appareceu no Diário. Como é natural houve quem notasse uma tal esterilidade mas a Gazeta sahio a campo e disse aos que a isso se atreveram que não tinham motivo para se admirar porque muito maior paiz é a França e frequentes vezes o Moniteur não traz a mínima providencia governativa. A Gazeta louvado Deus tem quasi sempre d’estas ingenuidades. Que innocente! Mas se a folha official veio escassa de interesse ás não officiaes aconteceu o mesmo. Se não fosse demittido o regedor de Parada não davam artigo de fundo. Novidades apenas tivemos duas em toda a semana. A partida, para Roma, do sr. duque de Saldanha e o laudo dos árbitros a quem foi submettida a questão entre o governo e a companhia dos caminhos de ferro de sueste. Como era de esperar resolveram favoravelmente áquelle. A Nação, chegada esta tarde, traz o seguinte telegramma expedido de Lohr, proximo de Bronnbach, pela via de Baviera no dia 14 do corrente: «D. Jorge Eugênio de Loewenstein. Le Roi est mort subitement d’une paralysie de poumons. Dites au Conte de Pombeiro et Marquis d’Abranles. Charles, Prince de Loewenstein.» (Tradução do texto) «El-Rei morreu subitamente d’uma paralysia pulmonar. Dizei ao Conde de Pombeiro e Marques d’Abranles.» Avaliamos a profunda dôr que a estas horas estão soffrendo os nossos adversarios e dando-lhes os nossos sinceros pesamos rogamos ao Altissimo pelo illustre finado. Diante de um ataúde esquecem as offensas. Não ha boatos.

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioEstatísticasExércitoJustiça e ordem públicaMeteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localTransportes e comunicaçõesAfogamentosAgriculturaBebedeiras e desordensCaminho de ferroEstacçõesExplosõesMovimentos de tropasPartidasPrisõesQuartéisSismosTreinos e manobrasVandalismo
Áustria Caminho de ferro · Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

A BATALHA DE SADOWA—«Escrevo esta carta—dizia em 4 de junho d’este anno o correspondente da Patrie—no meio de uma ambulancia, e que ambulancia! uma cidade inteira! Os trens, que chegam sem interrupção desde pela manhã, depositam na estação da via ferrea centenas de feridos. A terra está juncada de palha ensanguentada, e rastos de sangue aqui e acolá indicam em cada rua a passagem dos fúnebres transportes! Quantos soffrimentos! mas tambem quanta dedicação! Cada habitante dormirá esta noite no solo. Todas as camas e roupa branca, de que a cidade podia dispor, foram distribuídas aos feridos. Que desastre! A quem attribuil-o? A voz publica profere os nomes de grandes personagens, de mistura, com a palavra traição. Se isto é verdade, não sei dizebo. No meio d’esta terrível confusão torna-se impossível obter esclarecimento algum. Vão lá conversar com desgraçados que teem membros fracturados, e que, com um supremo esforço de vitalidade, vos pedem agua! Com tudo graças á amabilidade de alguns officiaes feridos menos gravemente, pude colher os seguintes pormenores da batalha de Sadowa. Depois do segundo combate de Skalitz perdido pelos austríacos, o exercito prussiano marchou para a frente, estendendo a sua linha desde Boemische-Trubau até Munchsgratz, e cortando as communicações entre Josephstadt e Koenigsgraetz. Em 2 de julho, sendo informados que o exercito bavaro ia operar a sua junção com as tropas austríacas, os prussianos saíram de Boemische-Trubau e, passando por assim dizer ao alcance de artilheria de Koenigsgraetz, chegaram a marchas forçadas até aos arredores de Smidar, onde se operou a junção com o formidável corpo de exercito vindo de Atunchsgratz, Jung-Buuzlau e Melnick. Durante a noite de 2 para 3, as tropas dormiram ao ar livre, e, antes do alvorecer, foram occupar as suas posições de combate entre Nochanitz e Simuig, que em parte fazem frente a uma posição elevada, onde se acha um burgo chamado Chlumetz. O marechal Benedek, cujo plano parece ter sido attrahir o exercito inimigo entre Koenigsgraetz e Chlumetz, e que, para este fim, tinha reunido em torno de si um dos mais formidáveis exercitos (os militares avaliavam-n’o em 280:000 combatentes), modificou as suas primitivas disposições. O exercito austríaco tomou posição entre Konigsgraetz, Uppe, e Chlumetz, formando um triângulo escaleno cujo vertice era Chlumetz. Seria difficil escolher uma posição mais desfavorável. Na rectaguarda do exercito assim disposto, o Elba, mui lodoso, forma, n’uma extensão de muitas léguas, um angulo recto, o qual, n’uma das margens, confina com a via assaz elevada por onde passa o caminho de ferro. Além disso, o terreno comprehendido n’este angulo, o terreno, digo, é formado em parte de turfeiras e de pântanos. O sitio escolhido para campo de batalha é mal conhecido. Os prussianos começaram o ataque segundo a sua nova tactica, isto é arrojando um chuveiro de ballas contra os seus adversarios, e em seguida estendeu-se o canhoneio por toda a linha, para depois marcharem sobre Chlumetz á baioneta calada. Esta posição foi tomada e perdida varias vezes. Ao meio dia, em resultado de movimentos mal combinados ou mal comprehendidos, o exercito austríaco foi desbaratado no centro, ao passo que (é aqui que o facto se torna inexplicavel) em consequência de uma manobra executada com uma fortuna rara por varias divisões prussianas, o corpo de exercito concentrado em Chlumetz era atacado ao mesmo tempo na rectaguarda e de flanco. Supponde, que de repente nos achamos na presença de um cataclysmo, que a terra se abre de um só golpe ou que um volcão rebenta do solo, e tereis uma fraca ideia do assombro causado ás tropas austríacas logo que se viram assim atacadas. Combatiam com encarniçamento filho da desesperação com o inimigo situado na sua frente. De súbito, como duas montanhas que um abalo de terra fizesse abalroar, os batalhões compactos da rectaguarda abalroaram com os batalhões que formavam á frente e que recuavam. Resultou d’ahi um choque enorme e mortifero, cujo tumulto foi dominado pelo grito de: Estamos cercados. As vozes de: Voltar para a rectaguarda! formar quadrado! conseguiram fazer-se ouvir, porem não puderam ser executadas; o combate á baioneta tornava-se quasi impossível por causa do aperto em que se achavam as fileiras; foi preciso recorrer ao sabre, á lucta corpo a corpo, e combater á maneira dos animaes com as unhas e os dentes, e isto não para vencer, mas para fugir. Ao anoitecer, o exercito austríaco apresentava apenas uma serie de troncos informes e mutilados. Tocou-se á retirada sobre toda a linha, a qual foi executada com bastante ordem até ás primeiras turfeiras; junto ao Elba, transformou-se em derrota completa. A ala direita, mais favorecida, pôde abrigar-se em Koenigsgraetz. A ala esquerda e o que restava do centro suspendeu a sua marcha em Pardubitz, conservando assim o Elba entre si e os vencedores. O quartel general foi provisoriamente estabelecido uma legua mais adiante n’um local chamado Huhenmauth. Os prussianos não abusaram da sua victoria: senhores do campo de batalha, pouparam os destroços d’um valoroso exercito tão subitamente destruido. Ninguém poderá dizer ao certo o algarismo dos mortos: a ajuizar-se pelo numero dos feridos dever-se-hia computar em muitos milhares. A artilheria austríaca foi sublime de energia e empregou os maiores esforços para defender e salvar as suas peças. O general ChnMHhs e o chefe de estado maior general foram presos. As estatisticas publicadas depois d’esta jornada infeliz dão-nos os algarismos seguintes: Mortos, afogados no Elba, ou feridos, apenas mil homens! Quasi toda a cavallaria pereceu afogada. Duzentas e vinte peças de artilheria cahidas em poder dos prussianos, muitas bandeiras; tal foi o balancete d’esse fúnebre dia, único nos annaes militares da Áustria.

Rectificações e explicações

Arqueologia e patrimónioCultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoMeteorologia e fenómenos naturaisPolítica e administracção do EstadoAchados funeráriosComércio localConferênciasDebates políticosInstrução públicaLivros e publicações
Londres · Reino Unido Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Não podemos calcular a que por fim, com as rectificações que soffreu e vae soffrendo, ficará reduzida a carta do marechal Saldanha ao sr. Latino Coelho. O sr. visconde de Silva Carvalho para desafrontar a memória de seu pae do labéu que lhe lançou o sr. duque de Saldanha, voltou á imprensa novamente. Foi ainda no Jornal do Commercio que sua ex.ª lavrou o seu segundo protesto: «Sr. redactor,—Apenas soube da desagradavel referencia feita a meu pae na carta do sr. duque de Saldanha, quiz logo restabelecer e vindicar a verdade em honra d’esta memória para mim sagrada, e para isso apresentei o documento mais prompto por ser impresso, e também o mais authorisado, insuspeito e concludente, por ser official, por ter corrido até hoje sem impugnação, e reputar-se positivamente ao ponto preciso que o sr. duque de Saldanha designára. Mas esta primeira rectificação, posto ser terminantissima, não me dispensou em minha consciência de procurar por todas as formas levar á evidencia mais demonstrada a improcedência e absoluta falta de qualquer fundamento para a odiosa insinuação. O respeito e piedade filial abonam sufficientemente este empenho, bem justificado pela insólita affronta, para que tu necessite explicabo mais. Estou certo que me entenderão e approvarão todos os que honram seus paes. Sabia eu que o meu pae, por uma pratica naturalmente filha da sua longa residencia em Inglaterra, costumava invariavelmente lançar, para seu uso particular e exclusivo, em um diário especial, a nota quotidiana de todos os successos e occurrencias em que tomava parte, enumerando as diversas circumstancias e acrescentando convenientes reflexões. Estes livros preciosos, cheios d’interessantissimas informações a respeito de muitas cousas e pessoas, e de documentos que dão o segredo de muitos actos, estão em meu poder e conservo-os como um thesouro inestimável. Na epocha a que o sr. duque allude, segundo vejo clara e indubitavelmente n’estas informações era sua ex.ª chefe de um partido, não pouco turbulento e embaraçante, hostil á regencia que em nome e em favor da rainha dirigiu os negocios da causa liberal, e tão hostil que até lhe negou o juramento de obediência. Por consequencia, uma conferencia em Londres com personagem em similhante posição, para o fim que sua ex.ª indicou, tomando meu pae decisiva parte na idéa que se propunha, não era cousa que deixasse de ser consignada no seu diário. Fiz logo pois tenção de esmiuçar mais esclarecimentos, e talvez mais completos n’este, por assim dizer, deposito de um espirito que faltava comsigo e para si, n’esse espelho interior de uma existencia que nada tem já com as paixões e interesses de hoje. A curiosidade seria já poderoso estimul(lo) para folhear aquellas paginas em que está photographado um período, talvez occorrido por grande numero de regatos seccos, mas que todavia difficullam os movimentos. Mas eu, resolvido a publicar tudo o que ali se achasse concernente ao facto de que se trata, não podia percorrel-as sem um estremecimento de outra ordem, sem um profundo e indignado ao mesmo tempo. E achei com effeito, achei o que eu queria, e achei no que me resta tudo o que ha resuscente e de pura fé. A letra de meu pae é conhecida nas secretarias de toda a nação e por muitas pessoas que o trataram, e d’elle teem correspondencia. Póde ser facilmente comparada, e o seu tabelião que está vivo ainda não duvidará authentical-a sendo preciso. Pur minha parte declaro que estou prompto a mostrar esta nota a quem a quizer ver e para esse fim me prevenir. O morto jaz na campa, mas a sua alma parece aqui sobre-viver para escudar a sua memória, tão violenta e injustamente ultrajada. A minha obrigação é correr todos os voos para que bem de perto se observe e reconheça a incontestável verdade que purifica até da mais insignificante suspeita tudo que effectivamente se passou. Para conhecimento e instrucção e desengano do publico, transcrevo aqui a nota a que me refiro. Já se vê que meu pae não podia ressuscitar expressamente, para escrever por seu punho esta solemne refutação das allusões injuriosas, que ao sr. duque aprouve arremeçar-lhe á sepultura. Essa é portanto a voz do tumulo, mas os tumulos ás vezes teem vozes implacaveis, e os vivos que os honram teem deveres inflexiveis. Esta voz do tumulo é aqui irrefutável. Fazel-a ouvir é para mim dever imperioso.»

Economia e comércioEstatísticasExércitoReligiãoTransportes e comunicaçõesAgriculturaCulto e cerimóniasNavegacçãoNomeações
Lisboa · Londres · Paris · Espanha · França · Portugal · Reino Unido Correspondência · Exterior / internacional · Relatório

Conferencia com Saldanha em 18 de novembro de 1830—«O general Saldanha veiu a Londres em consequencia de uma carta de Lima que o mandou vir aqui para tratar com elle sobre um seu offerecimento para servir de qualquer modo em qualquer empreza que houvesse contra o governo de Paris. Antes d’esta conferencia, houveram varios officios e respostas entre elle e D. Thomaz. Teve logar a conferencia hoje, e n’ella propoz o general, que tendo ajustado entre elle e tres hespanhoes—Pinheiro, Quadra e Rodriguez—com missa rios de Mina, o ajuntar uma força de emigrados portuguezes nas fronteiras de Hespanha, para depois de lá estarem, passarem por Hespanha para Portugal, necessitava de libras 8:000, para levar a effeito este plano. Depois de se lhe mostrar a impossibilidade de executar tal plano, não só porque não havia emigrados sufficientes para formar um corpo que merecesse alguma consideração, mas porque Mina tinha sido repellido e dispersada a sua força, convieram dois planos que se lhe apresentaram. 1.º Se a Galliza se revoltasse, embarcar comigo e mais alguns para Vigo e de lá passármos ás províncias do Norte, promover a reacção—2.º Se tal não acontecesse, então esperarmos novas de Lisboa, e se tivéssemos a certeza de que um regimento nos vinha esperar ao ponto onde desembarcássemos, embarcarmos em um barco de vapor, e irmos tentar fortuna d’este modo, pondo-nos á testa d’esse regimento, e levantar o grito da liberdade na nossa patria. Disse por ultimo que estava prompto para tudo, e o que queria é que ninguém fosse a Portugal sem elle ir tambem.» Eis totalmente esclarecida a famosa conferencia. Essa conferencia não foi promovida por iniciativa da regencia ou seus delegados, mas sollicitada pelas instancias do sr. duque de Saldanha, que esquecido das multiplicadas aggressões que movia á mesma regencia, e inspirado do mais louvável patriotismo, levou a abnegação a ponto de lhe offerecer os seus serviços. Não se tratou alli uma palavra da ilha da Madeira, como não podia tratar-se, visto terem sido duas vezes rejeitadas nos conselhos superiores, conforme do relatorio de 1831 já se viu, todas as idéas para restaurar aquella ilha. Não se recebeu por inadmissível a proposta apresentada pelo sr. duque. Dispozeram-se ao contrario dois novos planos, igualmente arrojados para penetrar no reino, e atacar a usurpação, e era meu pae quem espontaneamente se promptificava a acompanhar o sr. duque, que estava por tudo. Houve confusão, e confusão grande nas reminiscencias de s. ex.ª, e como não é justo que d’essa confusão possa resultar menoscabo a um sepulchro respeitado, antes para honra da historia e do paiz, importa reunir e perpetuar todos os documentos que illustrem os acontecimentos e illibem os grandes caracteres e as cinzas sem razão offendidas; espero que v. não duvidará dar ainda logar a estas linhas pelo que se confessa muito grato. De v. etc. S. C. 2 de novembro de 1866. Visconde da Silva Carvalho.

Cultura e espectáculoEconomia e comércioEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoTransportes e comunicaçõesComércio localCulto e cerimóniasDiligênciasExamesInstrução públicaLivros e publicaçõesNomeações
Algarve · Lisboa · Londres · Paris · Porto · França · Holstein · Portugal · Reino Unido Contemporâneo · Correspondência · Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Protesto dos marquezes de Sousa Holstein, de Monfalim e de Cezimbra, e declaração do duque de Palmella—«Sr. redactor.—Ainda que o elevado caracter do duque de Palmella seja bem reconhecido, e geralmente respeitado, nós abaixo assignados, seus filhos, não podemos deixar de protestar publicamente contra as expressões relativas á regencia da Terceira, de que elle era presidente, que se encontram na carta pelo sr. duque de Saldanha dirigida a ... em 22 de outubro ultimo e publicada no Jornal do Commercio de 26 do mesmo mez. Diz o sr. duque: “habituado ás insidiosas propostas dos meus adversarios, que por todos os modos tentaram na emigração sacrificar-me”, e logo em uma nota acrescentando e illustrando o texto refere: “seria possível apresentar a v. muitos factos que provam esta asserção; limitar-me-hei a um só.” Conta em seguida que D. Thomaz Mascarenhas, agente em Londres da regencia da ilha Terceira, o chamára áquella cidade para ouvir do sr. Silva Carvalho uma proposta por parte da regencia. A proposta era tentar o sr. duque uma revolução na ilha da Madeira, para o que se lhe offerecia uma embarcação. Esta idéa “luminosa” tinha por fim obrigar o sr. duque a ir para a Madeira, onde apenas desembarcasse seria enforcado ou a recusar aquella missão o que o poderia descreditar. Quem ler os períodos da carta do sr. duque a que nos referimos, e não conhecer a historia daquella época, julgará que o duque de Palmella e os seus nobres collegas membros da regencia, os srs. duque da Terceira e José Antonio Guerreiro, não só foram perseguidores do sr. duque de Saldanha, mas chegaram a pretender sacrificar-lhe a vida ou a honra. Juramente magoados por uma asserção que, se fosse fundamentada, mancharia o nome respeitável do duque de Palmella, não nos demorámos a compulsar todos os documentos relativos áquelle tempo, que estavam ao nosso alcance, e entre outros o livro das actas das sessões da regencia. Em nenhum d’estes documentos achámos resolução alguma relativa ao projecto d’expedição á ilha da Madeira mencionada pelo sr. duque de Saldanha. Outro sim consultámos os agentes políticos da regencia nas cortes de Paris e Londres, os srs. D. Francisco d’Almeida, e L. A. d’Abreu e Lima, hoje condes de Lavradio e da Carreira; ambos nos declararam que nenhumas ordens nem instrucções haviam recebido para proporem ao sr. duque de Saldanha similhante expedição. Á vista pois de tudo isto e da importante declaração já feita e publicada pelo sr. visconde da Silva Carvalho, parece-nos que o sr. duque de Saldanha se equivoca; mas, ainda concedendo por hypothese que uma proposta houvesse sido feita a s. ex.ª, quem, conhecendo o caracter dos tres membros da regencia, poderia suppôr que ella tinha por fim sacrificar a vida ou a honra do sr. duque? Vem um pouco tarde esta nossa reclamação, se é que ha tarde para restituir á historia a immaculada pureza, que é a sua principal qualidade e mais formoso ornato; mas o desejo que tínhamos de proceder com todo o escrúpulo não nos deixou acudir mais cedo com esta certificação. Nenhum de nós era ainda nascido quando se passaram os acontecimentos referidos na carta do sr. duque de Saldanha; não podendo pois recorrer á nossa memória a faculdade ás vezes traiçoeira, foi preciso nos foi recorrer a algumas testemunhas que presenciaram aquelles factos, e sobretudo aos documentos contemporâneos. Ninguém respeita mais do que nós os assinalados serviços e altos feitos militares do sr. duque de Saldanha; fomos costumados desde a infancia a pronunciar o seu nome com a veneração que merece um dos homens que mais serviços prestou á causa da liberdade, cujo amor o duque de Palmella sempre inculcou a seus filhos com as palavras e o exemplo. Temos porém o direito e o dever de defender a memória de nosso respeitável pae, sobretudo quando tem de tão alta accusação, e vinda de um homem que: Primeiro tomou a iniciativa da resistencia á usurpação do throno constitucional; que depois da derrota do Porto, foi quem reuniu de novo os defensores da Senhora D. Maria II; que preparou a primeira mallograda expedição para a defeza da ilha terceira; que, sem perder o animo, organizou a segunda expedição de que resultou a segurança daquella ilha; onde desembarcou o nobre duque da Terceira, apezar da superioridade do inimigo; que por suas diligencias estabeleceu a regencia, á qual sempre presidiu; que propôz e dirigiu a libertação das ilhas do Fayal e S. Miguel; que alcançou os meios pecuniários para se levarem a effeito essas expedições, o do Algarve, e a defeza da cidade do Porto; que, tendo acompanhado a expedição do Algarve, entrou em Lisboa com o duque da Terceira, e conseguiu com a sua prudencia e elevado talento suster a effervescencia das paixões políticas. A historia imparcial ha de consignar estes factos, e o louvável procedimento d’aquelles que, segundo o duque de Palmella, longe de contrariarem a acção da regencia, promoveram e facilitaram-lh’a. Rogamos a v. Sr. redactor, a obséquio d’publicar esta carta no proximo numero do seu jornal, no que muito obsequiará os de v. etc. Lisboa, 8 de novembro de 1866. Marquez de Sousa Holstein. Marquez de Cezimbra. Marquez de Monfalim.» «Associo-me inteiramente a todos os sentimentos e declarações expostas n’esta carta pelos filhos do avô de minha esposa. Lisboa, 8 de novembro de 1866. Duque de Palmella.»

Cultura e espectáculoEconomia e comércioExércitoComércio localCondecoracçõesLivros e publicações
Lisboa · Portugal Correspondência

Carta do duque de Saldanha ao marquez da Bemposta Subserra—«Meu caro marquez. Acabo de ler a sua carta, que o Jornal do Commercio hontem publicou. Penosa foi a impressão que a v. ex.ª causou a parte da minha resposta ao meu bom amigo Latino Coelho, em que me referi ao batalhão francez que defendia os piquetes na extrema direita no dia 25 de julho. Acredite v. ex.ª que a minha não é menor, vendo a interpretação que v. ex.ª dá áquellas linhas; acredite ainda v. ex.ª que, se pela imaginação me tivesse passado que ellas produziriam tal effeito, eu as não teria escripto por desnecessarias na narrativa que fazi. Julga v. ex.ª que a retirada de um batalhão disperso em piquetes avançados, no momento de ser atacado por quatro regimentos, póde trazer deshonra áquelle batalhão, póde até pôr em duvida o valor francez. Meu caro amigo, aprecio a delicadeza de sentimento que levou v. ex.ª a formar tal idéa; mas espero que passada a effervescencia causada pela impressão do momento, v. ex.ª veja que mesmo n’aquella retirada nada ha que possa affligir a honra d’aquelle batalhão, e que se o houvesse, não seria eu, que esse mesmo batalhão tantas vezes e tão bem lentamente ajudou a fazer triumphar a causa da minha e da liberdade, porque pugnavamos, que lhe désse publicidade. Alem do alto conceito que todo o mundo forma do exercito francez, eu, soldado desde a edade d’11 annos, tenho a convicção que ninguém me excede na veneração que por elle tenho, assim como na gratidão que professo pela nação franceza, no seio da qual vivi os longos annos da emigração, e tendo emprestado a ella o meu cuidado filho d’aquella patria, que eu teria adoptado se a usurpação tivesse vingado em Portugal. Sou com toda a consideração de v. ex.ª camarada, collega e amigo. Duque de Saldanha. Lisboa, 1.º de novembro de 1866. P. S.—A ordem do dia de 26 de julho de 1833, na qual sua magestade imperial concedeu 30 condecorações ás quatro companhias do 1.º regimento de infanteria ligeira da rainha, que combateram no 3.º distrito, é a prova a mais evidente da bravura com que aquelle corpo se portou no dia 25.»

Cultura e espectáculoEducacção e instruçãoExércitoMeteorologia e fenómenos naturaisReligiãoSaúde e higiene públicaSociedade e vida quotidianaTransportes e comunicaçõesAssociaçõesCaminho de ferroCostumes e hábitosCulto e cerimóniasEscolasEstacçõesFestas religiosasInstrução públicaLivros e publicaçõesNomeaçõesObras de infraestruturaProfessoresReformasTempestades
Beja · Coimbra · Portugal Igreja · Romano

Provisão pastoral (José Dias Correia de Carvalho)—«José Dias Correia de Carvalho, bacharel formado em theologia e direito pela universidade de Coimbra, vigário capitular, e governador temporal da diocese de Beja sede vacante etc. Aos reverendos vigários, parochos, e capellães d’esta diocese, saude e paz em Jesus Christo. Sendo certo, que a falta do ensino da doutrina christã professada pela igreja catholica influe peniciosamente nos costumes, e attrahe a sua relaxação, fomentando a indifferença religiosa, que naturalmente conduz á perversão dos mesmos costumes, que só a religião catholica apostolica romana póde efficazmente dirigir, e reformar pela força salutar, e benefica influencia de seus preceitos. E não sendo menos certo, que aquelle ensino constitue o primeiro, e o mais importante dos deveres inherentes ao officio pastoral; seria grave a minha responsabilidade, se, na estreita obrigação de velar pelo bem do rebanho confiado ao meu cuidado, deixasse de recordar aos reverendos parochos, e mais sacerdotes encarregados da cura d’almas, nossos legítimos cooperadores na direcção do mesmo rebanho, a importancia d’aquelle dever, que, alem de ser preceituado por Jesus Christo nosso divino mestre o salvador (a); assáz recommendado pelos Apostoles (b); expressamente decretado nos cânones da igreja (c); está ainda consignado na constituição, porque se rege esta diocese (d); e foi muitas vezes lembrado em diversas providencias disciplinares pelos nossos venerandos, e dignissimos antecessores no governo da mesma diocese. Levado pois da rigorosa obrigação, e ardente desejo de suscitar a observância de tão saudaveis providencias, tenho por mui recommendado a todos os reverendos parochos, coadjutores, e capellães públicos nossos diocesanos, que façam cathechese em cada um dos dias sanctificados, ao menos nos domingos, instruindo na doutrina professada pela igreja catholica os fieis, que a ignorarem, especialmente as pessoas de menor idade, para que, bem instruidos nos principaes mysterios da nossa santa religião, possam os mesmos fieis ficar preparados para poderem alcançar um conhecimento mais desenvolvido d’aquella doutrina, a única, que pode dirigir o homem com segurança ao caminho da salvação. Recommetto outro sim aos reverendos parochos, que, alem da cathechese, façam á estação da missa conventual uma explicação clara, e breve do evangelho do dia, que accommodarão á intelligencia de seus ouvintes, e exporão de modo, que possa alcançar-se o fim, que na mesma se intenta conseguir, e que não deve ser outro se não instruir na Fé os mesmos ouvintes, e corrigir seus defeitos, e hábitos públicos peccaminosos por meio de prudentes exhortações e conselhos saudaveis. Exhorto finalmente os reverendos parochos a que não deixem de persuadir aos pais de familia a rigorosa obrigação, em que estão de promover a educação de seus filhos, aproveitando o beneficio da instrucção, que gratuitamente lhes é dispensado nas escolas publicas. Collocados pela sua posição especial de pastores das almas na rigorosa obrigação de velar pelo bem das mesmas ensinando e pregando a doutrina da salvação, podem mui efficazmente cooperar, para que a instrucção se generalise a todas as classes sociaes, procurando, em suas praticas e exhortações doutrinaes convencer os chefes de familia, de que na educação de seus filhos, se for bem dirigida, vai empenhado o proprio interesse d’elles, e da sociedade, quando se tornem cidadãos prestantes pela sua illustração e virtudes. Podem ainda nas inspecções, que se intentam fazer ás escolas publicas de instrucção primaria, offerecer uma coadjuvação valiosa aos funccionarios, a quem forem commettidas estas inspecções, ministrando-lhes da melhor vontade todos os esclarecimentos ao seu alcance, para que, os mesmos funccionarios, assim coadjuvados, possam desempenhar-se com mais facilidade, e proveito de tão laboriosa, e importante missão. Esta cooperação em prol da instrucção, que muito é de esperar do zelo e illustração dos reverendos parochos nossos amados diocesanos, e á qual mui instantemente os exhorto, é aconselhada não só pelo bem estar da sociedade, mas ainda pelo proprio interesse da religião, que felizmente professamos; a qual no intuito de promover o aperfeiçoamento moral do homem, para poder conseguir a felicidade eterna, não pode deixar de inspirar, e persuadir o combate contra a ignorância, que é a fonte fecunda de todos os vicios. Esta provisão pastoral será remettida aos muito reverendos vigários da vara, que a farão girar por todas as freguesias de seus districtos, e, depois de lida á estação da missa conventual, e copiada no livro das pastoraes pelos reverendos parochos, será affixada nos logares do costume. Dada em Beja sob o nosso signal aos 13 de novembro de 1866. José Dias Correia de Carvalho.»

CORRESPONDÊNCIAS

Economia e comércioEducacção e instruçãoJustiça e ordem públicaTransportes e comunicaçõesComércio localCorreioCrimesEscolasExamesIndústriaObras de infraestruturaProfessores
Beja · Lisboa · Portugal Correspondência

Beja 14 de novembro de 1866—Sr. redactor.—Rogo-lhe a publicação do seguinte: Tiveram lugar nos dias 9 e 10 do corrente no lyceu nacional de Lisboa os exames para a cadeira de francez e inglez do lyceu desta cidade. Foram oppositores os srs. Eugênio Jorge da Graça professor temporario da mesma, e Thiago Ferreira Nobre de Carvalho. Consta-nos por pessoas que presenciaram os exames, que o sr. Graça dera provas exuberantes do conhecimento das línguas, e muito superiores ao sr. Nobre, que conta já com a cadeira pela confiança que tem nas altas protecções, apesar de conhecer que não pode nem poderá jamais competir com o sr. Graça em methodo e pratica das linguas que falla fluentemente como mostrou no exame, emquanto que o sr. Nobre declarou que apenas comprehendia a língua ingleza, mas que a não fallava. O sr. Graça fez as provas por escripto sem subsidio, e o sr. Nobre podia diccionario para as fazer, e disto requereu o sr. Graça que se tomasse nota no processo. Á vista disto como póde ser bom professor um individuo, que não falla as línguas em que se propõe ensinar? Como ha de corrigir em aula publica as versões o professor que tem de recorrer constantemente ao diccionario? Confie pois o sr. Nobre nas suas protecções, que o sr. Graça confia na justiça que lhe assiste, e nos direitos adquiridos pelo zelo, e proficiencia com que regeu as suas cadeiras no triennio findo, zelo que é comprovado por todo o corpo docente do lyceu, com quem o sr. Nobre está indisposto, desde que sento ahi interinamente um anno. O corpo docente do lyceu é formado de membros respeitáveis pelo seu saber, e esmerada educação, e de certo o sr. Nobre não incorreria no desagrado de todos, e até no do proprio porteiro do estabelecimento, se fosse um professor. Dito isto está dito tudo, e finalmente o sr. Graça possue muitas mais habilitações e serviços. Alem do curso do lyceu de Lisboa tem o da escola do commercio e industria, cujos documentos existem no ministerio das obras publicas, emquanto que o sr. Nobre tem apenas incompleto o curso do lyceu desta cidade. O sr. Graça tem 6 annos de serviço nos correios e 3 de magisterio. Não se ha de pois ultrapassar isto tudo para servir os padrinhos do sr. Nobre, por que o digno ministro do reino é recto, e sabe fazer justiça a quem a tem. J. M. M.

CORRESPONDÊNCIAS

Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaFestas religiosasGoverno civilHomenagens
Correspondência · Governo Civil

Ferreira 13 de novembro—Sr. redactor.—Coube-nos tambem a nossa vez de recebermos a visita do ex.mo sr. governador civil, que hontem entrou n’esta villa acompanhado de crescido numero de pessoas, além da camara, administrador do concelho, e respectivos empregados, que o haviam ido esperar a uma legoa de distancia, desejosos de mostrar a s. ex.ª que em occasiões como esta todos sabem occupar o seu logar de cortesia, prestando a devida homenagem ao cavalheiro que, na qualidade de chefe superior do districto, veio conhecer do modo porque andam os negocios públicos, para os poder dar remedio a tudo aquillo, que d’elles carecesse. Não permittio a exiguidade do tempo que s. ex.ª podesse prestar demorada attenção a todos os objectos que d’ella muito necessitavam; mas as notas que mandou tomar sobre muitos nos dão a esperança de que não escaparão á paternal sollicitude de s. ex.ª, e na qual muito confiamos, servindo-nos de garantia as suas promessas, o seu animo conciliador, tão bondoso e affivel com que tanto captivou a todos que se lhe aproximaram e com que faz terminar a pendência que, ha mezes, existia entre a mesa da misericórdia e o seu capellão, sendo este reintegrado; devendo tambem s. ex.ª levar a convicção de que este povo é docil e susceptível d’entrar no bom caminho, quando tenha quem saiba com tino e prudencia dirigil-o na senda do dever e do acatamento que se deve á lei; e é esta a necessidade mais urgente, para é que estas visitas não sejam mais repetidas e que o seu exemplo não seja tambem seguido pela auctoridade superior ecclesiastica, pois que o conhecimento adquirido com a propria inspecção, ouvindo as reclamações dos queixos, dará sempre o primeiro impulso e o mais terminante aos abusos, afugentar o odio, que é uma feia paixão; fazendo-se, ao mesmo tempo, crescer o empenho de que todos aprendam a seguir e praticar o santo preceito que nos manda—Amar a Deus sobre todas as cousas e ao proximo como a nós mesmos. Disse. * * *

Expediente

Transportes e comunicaçõesCorreio
Correspondência

Rogamos aos nossos assignantes o obsequio de satisfazerem as suas assignaturas, nos nossos correspondentes. Nas localidades onde não temos correspondentes, esperamos se dignarão mandal-as satisfazer em estampilhas ou vales do correio.

Facadas

Acidentes e sinistrosEconomia e comércioJustiça e ordem públicaReligiãoTransportes e comunicaçõesAgriculturaBebedeiras e desordensCapturasDiligênciasFestas religiosas

No sabado, á meia noute, um tal Álvaro, que ha pouco foi processado por haver resistido ao regedor de S. Thiago, quando, envolvido n’uma desordem, este o quiz prender, estando n’uma venda ahi para o largo de 9 de julho, apagou a luz e de navalha em punho dispunha-se a esfaquear todos que ali se achavam, auxiliado por um tal Careca. Dois indivíduos foram feridos, um com uma facada n’uma perna e outro com uma n’uma mão. N’essa noute não foi possível prender os criminosos, mas no dia seguinte, devido ás diligencias do regedor de Santa Maria, foram ambos capturados quando, á noute, vinham para a cidade.

Maia

Moura · Portugal Geral

Tambem no mesmo dia junto á porta de Moura, um menor feriu um outro n’um braço com um canivete. Dá esperanças a creancinha.

Azeitona

Geral

Escreve-se com o apanho, que as vendas que se tem feito a azeitona venteal tem regulado de 320 a 360 o alqueire, de 360 a 400 rs. a de consertar.

Ossadas

Cultura e espectáculoTeatro
Interpretacção incerta

Nas escavações a que ultimamente se procedeu para abrir uns alicerces, no local do novo theatro, appareceram immensas ossadas. Acharam-se a metro e meio de profundidade.

Transferencia

Município e administracção localPolítica e administracção do EstadoRepartições públicas

O sr. Francisco Pedro da Fonseca foi transferido do lugar de escripturario do escrivão de fazenda n’este concelho para o de aspirante de 2.ª classe da repartição de fazenda do districto, que vagou pela promoção do sr. Bernardo César de Menezes.

Nomeação

Meteorologia e fenómenos naturaisMunicípio e administracção localPolítica e administracção do EstadoDecretos e portariasNomeações e cargos
Cercal · Odemira · Portugal

Por decreto de 24 de outubro passado foi nomeado para o lugar de recebedor da comarca de Odemira o sr. José Domingues da Silva Junior que exerceu por muito tempo, idêntico lugar no extincto concelho do Cercal.

Despachinho

Economia e comércio
Aldeia Nova · Portugal

O sr. João Mestre Rodrigues foi agraciado com a serventia vitalícia do emprego de sub-chefe da alfândega de Aldeia Nova, n’este districto.

Outro

Economia e comércio

Tambem foi agraciado com a serventia vitalícia do emprego de aspirante da mesma alfândega o sr. Joaquim Pedro de Figueira Judice Simões.

Theatro

Cultura e espectáculoEconomia e comércioFeirasTeatro
Serpa · Sevilha · Espanha · Portugal Exterior / internacional

Dizem-nos de Serpa: «Na terça feira o distincto cantor Emmanuel Filibert fez o seu beneficio; as peças que compuseram a soirée foram as arias do Attila, Maria de Rohan, Ernani e Barbeiro de Sevilha. Em todas as peças foi elle coberto de applausos, mas onde os colheu em dom foi no Barbeiro que teve as honras de bis. Concorrencia regular.»

Homem generoso

Geral · Interpretacção incerta

Certo individuo dera a seu criado um chapéu velho. Dez dias depois de tal generosidade, o creado appareceu com um chapéu muito lustroso e que parecia novo. —Compraste esse chapéu? perguntou-lhe o amo. —Não, senhor; este é o que me deu; mandei-o arranjar, e ficou que parece mesmo novo. —É verdade? E quanto te levaram por isso? —Dezoito vintens. —Pois toma os dezoito vintens, e dá-me outra vez o chapéu.

Tudo se aproveita

Arqueologia e patrimónioMeteorologia e fenómenos naturaisDescobertas e achados

A sciencia acaba de fazer uma descoberta importante, aproveitando os cadaveres para d’elles extrahir gaz que nos ha de alumiar, do mesmo modo que nós havemos alumiar aos que nos sobreviverem. Para esse fim os cadaveres serão submettidos á mesma operação a que é sujeito o carvão de pedra. D’este modo um individuo, por mais inútil que tenha sido durante a sua vida, deixará de o ser depois da sua morte. Assevera-se que um cadaver humano produz, termo medio, 25 metros cúbicos de gaz. O progresso vae-se apurando tanto, que dentro em pouco tempo, cada homem será uma luminaria viva e ambulante.

Um burro eleitor

Política e administracção do EstadoReligiãoSociedade e vida quotidianaCostumes e hábitosEleições
Igreja

Os inglezes são sem duvida a gente mais excêntrica do mundo, e se não fosse o antigo costume que havia em Grimsby. No dia da eleição do governador, o povo de Grimsby, reunia-se na egreja e escolhia trez individuos candidatos da maioria. Amarravam-se nas costas de cada um dos eleitos um molho de palha e conduziam-nos a um rasa onde houvesse um burro. Os candidatos tinham os olhos vendados e por certo estavam vendidos. O primeiro a quem o burro comia o molho, era eleito governador da Grimsby. Vejam as applicações que teve a queixada de um burro: Sansão serviu-se d’ella para matar os philisteos, os inglezes para elegerem governadores! (A verdade)

Tunel

Transportes e comunicaçõesCaminho de ferro
Caminho de ferro

Os americanos projectaram abrir um grande tunnel por baixo do Mississipi para da passagem a diversas linhas do caminho de ferro. O tunnel terá 1,20 kilometro de comprimento e não custará menos de 2700 contos. Os trabalhos durarão 3 annos.

Riqueza dos romanos

Arqueologia e patrimónioDescobertas e achados
Romano

O fausto e luxo de alguns romanos deixam muito a traz o dos maiores milionarios, que hoje fazem nosso espanto. Um curioso, assíduo leitor de Suetonio, exhibiu os seguintes dados por que podemos ajuizar das riquezas d’aquelles senhores do mundo. Seneca, philosopho e auctor d’um tratado sobre o desprezo das riquezas, possuía a bagatella de 12:800:000$000 aproximadamente. Por morte de Tiberio, encontraram-se em cofre 102:400 contos, que seu herdeiro dissipou n’um anno. As dividas de Milão, cliente de Cícero, subiam a perto de 19:200 contos. César, antes de exercer cargos publicos, devia 6:400 contos. Distribuiu perto de 4:800 contos para comprar a boa vontade de alguns senadores. Os gastos ordinarios das ceas de Lucullo eram de 12:000$000 a 16:000$000. Caligula despendeu n’uma vez n’uma cea reis 288:000$000; e Heliogabalo n’um almoço 80:000$000. Finalmente, Apicio, celebre gastrônomo romano, suicidou-se em idade avançada, por acreditar que com 1:600:000$000 que lhe restavam não tinha o sufficiente para sustentar-se o resto que tinha a viver.

Experimentem

Economia e comércioAgricultura
França Exterior / internacional

Um lavrador dos arredores de Étampes, em França, ensaiou este anno com exito satisfactorio, para as vinhas, agua do mar em lugar das enxorradas de que usam.

Preços por que correm os generos em Beja

Economia e comércioPreçosAgriculturaPreços e mercados
Beja · Portugal

Trigo alqueire 529 reis; Milho 400; Centeio 400; Cevada branca alqueire 340 reis; Feijão 900; Chicharo 400; Fava 400; Grão de bico 750; Batatas 300; Azeite almude 3:600; Vinho 1:100.

EXTERIOR

Justiça e ordem públicaReligiãoPrisõesVisitas pastorais
Igreja

Palermo, 8.—Effectuou-se a mui notável prisão do bispo Montreal seriamente empenhado nos acontecimentos de setembro ultimo.

EXTERIOR

Economia e comércioSociedade e vida quotidianaCasamentosImpostos comerciais
Polónia · Rússia Exterior / internacional

S. Petersburgo, 9.—Tendo-se celebrado o casamento do príncipe herdeiro da Rússia com a princesa dinamarquesa, ukase do imperador melhora a sorte dos condemnados, comprehendendo-se os da Polonia, Finlancia e Reinet por causa do pagamento dos impostos atrasados.

EXTERIOR

Economia e comércioFeiras
Florença · Veneza · Itália Exterior / internacional

Veneza, 9.—O rei Victor Manuel partirá quarta-feira para Florença.

EXTERIOR

Política e administracção do EstadoEleições

Nova-York, 8.—Os radicaes saíram vencedores em todas as eleições, excepto nas do Maryland e Deterraze.

EXTERIOR

Paris · França Exterior / internacional · Geral

Paris, 12.—Diz o «Moniteur» que Mustapha publicou uma amnistia geral para Creta.

EXTERIOR

Cultura e espectáculoJustiça e ordem públicaJulgamentosLivros e publicações
Roma · Itália Correspondência · Exterior / internacional

Roma, 10.—O sr. Gladstone publicou em o «Jornal de Roma uma carta desmentindo o que os periódicos contavam relativamente a uma audiência que elle tivera do papa.

EXTERIOR

Política e administracção do EstadoEleições
Nova Iorque · Estados Unidos Exterior / internacional

New-York, 8.—Os radicaes foram vencidos nas eleições, excepto no Maryland e Mcharrare.

EXTERIOR

Saúde e higiene públicaEpidemias
Paris · França Exterior / internacional · Interpretacção incerta

Paris, 12.—Verificou-se que o cholera desapparecera completamente de Paris.

EXTERIOR

Berlim · Alemanha · França Exterior / internacional · Geral

Berlim, 12.—A imprensa russa respondendo ás considerações da imprensa franceza por causa da alliança russo-prussiana, diz que não receie a França tanto, por que d’esta vez não se trata de dar de beber aos cavallos do Ukrania nas aguas do Sena.

EXTERIOR

Geral

Athenas, 12.—O Sultão recusou-se a dar mais liberdade aos christãos do império. Na Albania protestaram todos os chefes.

EXTERIOR

Geral

Copenhague, 12.—O rei no discurso da abertura do parlamento disse que no tractado de Praga, a direcção nacional dava aos negocios melhor futuro, e que era de esperar que o Schleswig septentrional ainda voltasse á Dinamarca.

EXTERIOR

Nova Iorque · Estados Unidos Exterior / internacional · Geral

New-York, 8.—Os rumores da abdicação do imperador Maximiliano são desmentidos pelos mesmos jornaes que deram a noticia.

EXTERIOR

Geral

Munich, 9.—Na Baviera vae publicar-se uma amnistia geral, a favor das pessoas compromettidas pelos últimos successos.

EXTERIOR

Saúde e higiene públicaEpidemias

Amsterdam, 9.—Declarou-se officialmente ter desapparecido o cholera.

EXTERIOR

Paris · França Exterior / internacional · Geral

Paris, 9.—A corte sahirá para Compiegne no dia 13 do corrente.

EXTERIOR

Justiça e ordem públicaPrisões

Foram presos 42 estudantes no caffé de S. Miguel, sob pretexto de estarem reunidos em sociedade secreta.

EXTERIOR

Paris · França Exterior / internacional · Geral

Paris, 4.—Chegou de Compiegne a corte imperial.

EXTERIOR

Bélgica Exterior / internacional · Geral

Bruxellas, 4.—Effectuou-se a abertura das camaras. O rei Leopoldo, no seu discurso affirmou a existência de excellentes relações internacionaes. A Bélgica continuará a manter neutralidade leal e forte.

EXTERIOR

Berlim · Alemanha Exterior / internacional · Geral

Berlim, 12.—Diz a «Gazeta do Norte» que a viagem do príncipe real não tem nenhum fim político, e que o pensamento de effectuar allianças para oppôr a acontecimentos eventuaes está longe da política prussiana.

EXTERIOR

Roma · Itália Exterior / internacional · Geral

Roma, 14.—O periodico «Observatore» declara apocrypha a circular attribuida a Francisco II, para promover a reação napolitana.

EXTERIOR

Política e administracção do EstadoDebates políticos
Berlim · Alemanha Exterior / internacional

Berlim, 14.—O partido liberal decidiu fazer decidida opposição aos projectos do governo, na sessão actual.