Na noticia, que havíamos dado aos nossos leitores, no n.° antecedente desta folha, sobre a boa regularidade, e augmento dos trabalhos da ponte de Tergis e Cobres, cumpre-nos rectificar um facto, que uma informação menos verdadeira nos havia levado a revestir de circumstancias, que lhe não pertencem. Noticiáramos que as obras da ponte haviam tomado considerável incremento desde que a sua direcção, fora confiada ao sr. Lebois. Sem que pertendamos negar áquelle sr. qualquer manifestação de interesse, que por ventura tenha tomado n’aquelles trabalhos, o que é certo é que ao zelo, e actividade do distincto engenheiro, o sr. João Joaquim de Mattos, director das obras publicas do districto, e debaixo de cuja inspecção e authoridade progridem os trabalhos da ponte, deve esta obra o seu bom andamento, e o districto o agradecimento pelo bom desempenho de um melhoramento material de tanta utilidade. Rectificando deste modo a noticia, damos o seu a seu dono, e fazemos apparecer a verdade tal qual ella é.
Interpretacção incerta
Gloria para Beja
Beja deve ufanar-se com a honra de seus filhos, e tomar parte na gloria do seguinte facto, que, com a maior satisfação vamos registar. Na luta desigual e encarniçada, que teve logar no dia 2 de Março entre os pretos do Quicembo (África), e a força de tropa Portugueza, estacionada n’aquellas regiões, distinguio-se pelo valor, e pela disciplina um joven militar, natural desta cidade, e tenente do exercito Portuguez. É o sr. Francisco Manoel Loureiro, filho do sr. Antonio Joaquim Loureiro, bem conhecidos em Beja. Marchando sob o sol ardente das regiões do equador, exhautos de força pela sede e pelo cansaço, perseguidos de toda a parte por innumeraveis chusmas de pretos, os 500 soldados Portuguezes viram-se obrigados a retirar em fuga desordenada, e apenas 4 officiaes, e alguns soldados, se sustentaram, batendo-se com o inimigo. Entre estes officiaes figura o sr. Loureiro, a quem as participações vindas de Loanda dão um logar dos mais distinctos, e de maior gloria n’esta luta. Honra ao bravo militar, que soube arriscar a vida pela dignidade, e tornar-se merecedor da admiração e da estima publica em tão attribuladas circumstancias!
Beja · África · Portugal Exterior / internacional
Minas. = Foi conferido por decreto de 8 do corrente ao sr. Luiz de Sousa Faria Mello, o direito do descobridor, e proprietário de uma mina de cobre, sita em Cherez e Barca, concelho da Villa de Reguengos, districto de Evora.
Évora · Portugal
Governador Civil. = Espera
se n’esta cidade o Ex.mo sr. Ayres Guedes Coutinho Garrido, que, por decreto de 26 de abril ultimo, foi nomeado Governador Civil deste districto.
Governo Civil
Chegada. = Chegou, no dia 12, a esta cidade o sr. Valentine, representante da empresa dos caminhos de ferro do sul, acompanhado de outros Engenheiros, que vieram proceder aos últimos estudos do traçado da via ferrea, que deve com brevidade começar a construir-se em continuação de Vendas Novas para esta cidade.
Vendas Novas · Portugal
Fallecimento. = Falleceu no dia 5 do corrente João Jozé de Amaral, lavrador do monte do Carvalhal, freguezia de St.° Amador, concelho de Moura. Não deixou filhos, e legou uma somma de perto de seis contos de réis para serem distribuídos em esmolas aos pobres, orphãs e viuvas.
Moura · Portugal
Prisão—. Foi capturado por ordem do administrador do concelho de Moura, o Capitão Mendonça, e entregue ao poder judicial o súbdito Hespanhol Manoel Domingues Soares, natural da Puebla de Gusman. Deu lugar a esta prisão o facto de ter-se apresentado Manoel Domingues, no dia 25 d’Abril findo, a offerecer á venda a André Rodrigues Blanco, uma porção de prata, pertencente ao serviço de Egreja, como era calix, patenas etc., que se achavam amolgados e machucados, pretendendo-se deste modo destruir a forma dos objectos roubados, e occultar assim a parte mais horrível do crime. Figura também n’este roubo um individuo Portuguez, que se havia encarregado de ser o portador da prata roubada, e que não poude ainda ser preso, apesar das diligencias que se tem feito para o conseguir. É para lamentar que n’um concelho tão importante como o de Moura faltem os meios de policia necessários para manter illesa a segurança de seus habitantes. Por maior que seja o zelo da auctoridade administrativa, por maior vigilancia e actividade que ella empregue no desempenho dos seus deveres serão sempre inutilisados os seus esforços, se o Governo não mandar estacionar em Moura uma força de cavallaria que possa tirar aos criminosos a vantagem que lhes offerece o accidentado do terreno, e as proximidades da Hespanha, circumstancias que lhes favorecem a fuga, e constituem um poderoso embaraço á acção da policia. Pedimos ao governo que tome em toda a consideração estas nossas reflexões, e que de prompto remedeie pela maneira que acabamos de indicar um mal que se tem feito sentir com tanto prejuizo nos povos situados alem do Guadiana.
Moura · Espanha · Portugal Exterior / internacional · Igreja
Associação de soccorros mutuos
Os membros d’esta associação reuniram-se, hontem, em assemblea geral, com o fim de deliberarem á cerca de algumas propostas, apresentadas pela mesa, entre as quaes figuravam a do augmento de ordenado ao facultativo, e a creação de um lugar de continuo. Depois de breves reflexões, feitas por differentes membros da assemblea, subio á mesa uma proposta, assignada pelo sr. Souza Porto, para que a assemblea nomeasse uma comissão composta de tres socios, que devia apresentar o seu parecer em nova reunião da assemblea. Depois de uma breve discussão foi approvada a proposta do sr. Porto, e nomeados para compor a commissão os sr.s Doutores Barreto, e Barradas, e o sr. Matheus Lobo de Brito Golins.